15 de dez de 2006

UTOPIOLÂNDIA

POR UM COMUNALISMO CÓSMICO
XAMÂNICO
SEXUALIZADO
CONTEMPLATIVO
E
COMBATIVO

27 de nov de 2006

1 de nov de 2006

NÓS

Em seu envolvimento libertário com o Fluxus, seu ensino militante na Universidade Livre,, a fundação do partido do Estudante alemão, na Academia de Dusseldorf, em 1967, e o estabelecimento de um escritório para a Organização pela democracia Direta, na Documenta de 1972, em Kassel, Beuys fez da criatividade humana e do princípio "Todos são artistas" as bases não só de sua arte, mas também de seu insistente proselitismo. Com ele, as versões espiritualistas e materialistas da utopia moderna interagiam com grande poder carismático e brilhante ideologia.

Thierry De Duve, in Revista Arte e Ensaio, n.5, 1998

17 de out de 2006

vade retro!



Eu escrevi para um grupo na internet do qual eu faço parte, depois q eu soube q as pessoas estão sendo agredidas nas ruas por fazerem campanha do Lula e...

essa eu q escrevi:


só para não perder a chance de pensar na teoria da conspiração. Idéias esparsas:

Recentemente a exposição com trabalhos da artista Márcia X, falecida ano passado, no Centro Cultural Banco do Brasil, provocou uma reação por parte de setores reacionários, que se escandalizaram com os terços em forma de pênis que ela fazia.
Segundo sei, foram membros da Opus Dei que pressionaram o setor de marketing do Banco para retirarem de lá tais objetos, pois "manchava" a reputação da empresa aquele tipo de arte exposta em uma instituição pública.
Bem, todos sabem que o setor de marketing e vendas é dominado por pessoas treinadas para a venda de produtos e não preocupadas com a cultura ou o desenvolvimento da sensibilidade de ninguém. Marketing e propaganda são o sustentáculo do capitalismo.
Todos sabem, também, das ligações do Alkimin com a Opus Dei, eu acho. Aquele papo ... Alguns sabem que o Santander, de um grupo espanhol, comprou o Banespa, que era o Banco do Estado de São Paulo, à época do Alkimin. Mas nem todos sabem que os bancos espanhóis são dominados por pessoas da Opus Dei e... tão entendendo onde quero chegar? O velho compadrio de interesses escusos, dominando o setor nevrálgico da economia, os bancos.
Isso mesmo, a influência da Opus Dei agindo no Banco do Brasil como se esse já tivesse sido privatizado. Ou, como eles pensam q irão comprar o Banco do Brasil, de qualquer jeito, acreditam que podem, inclusive, dizer qual a política que o Centro Cultural Banco do Brasil deve adotar – o q a gente tá careca de saber – então já agem como se fossem os donos do pedaço. E, velho, se isso vier a acontecer de verdade, aí só vai dar exposição de arte sacra – e olhe lá! – no CCBB. Não que isso mude muito do que já é, mas em todo caso, até para tirar um sarro vai ficar ruim.
"E praquele que provar queu tou mentindo, eu tiro o meu chapéu!"


essa a resposta:
Já começou...Aleijadinho e seu tempo: Fé, engenho e Arte no CCBB-RJ até 11 de fevereiro de 2007!

30 de set de 2006

é freud, rapaziada!

21 de set de 2006

entrevista do augusto de campos

Entrevista do AUGUSTO DE CAMPOS para o MARCOS AUGUSTO GONÇALVES, da F.S.P.

O q me incomoda nessa entrevista, da qual eu separei uma parte, é essa visão darwiniana de evolução da arte, principalmente essa idéia de q a tecnologia trouxe inovação da experiência estética e q ela pode ser uma espécie de redendora da humanidade. Isso por um lado.
Por outro lado, é esse discurso politicamente correto contra a exploração humana, q a humanidade precisa evoluir, etc. Como se as duas coisas fossem separadas.
Ora, o controle da tecnologia não está nas mãos dos pobres, em primeiro lugar. Depois q, toda a mudança, de fato, de apreciação e produção da arte aconteceu antes do advento do computador e dos aparelhos eletrônicos. O próprio silêncio preconizado pelo Cage, na música, inclusive.

O problema é q eu sou paranóico e sempre acho q o Bill Gates está por trás disso tudo, dando risadas por esse novo deus adorado chamado computador, q vai nos trazer - a todos sem exceção - a justiça e a felicidade via internet... Vai faltar silício no mercado...

O q vcs acham?




FOLHA - Pode-se dizer hoje que a previsão de que novos meios tecnológicos transformariam a poesia e a arte se concretizou em escala considerável. Música eletrônica, videoarte, trabalhos feitos em computador, uso da palavra em plataformas outras que não o papel, tudo isso se tornou quase "natural" para as novas gerações. Como você assiste a essas transformações? 
CAMPOS - Agrada-me pensar que a poesia concreta antecipou essas expansões interdisciplinares das artes. Como viu bem McLuhan, hoje tão injustamente desprestigiado, "the medium is the mass-age". Os novos artefatos agilizados para o consumo são portadores de informações transformadoras -ver a revolução do "sampler" nos processos de montagem sonora- e podem contribuir para alargar o horizonte da sensibilidade e subverter as regras do jogo. Cabe aos artistas arrancar, prometeicamente, o "fogo" da tecnologia de ponta dos veículos-gigantes da comunicação de massa, e desviá-lo para projetos menos imediatistas e mercadológicos, como pregava Timothy Leary em "Caos e Cibernética". 
Cada vez mais acessível ao nível doméstico, a tecnologia dá uma grande ajuda aos projetos pessoais e independentes e alimenta uma comunicação sem precedentes entre "guetos" poéticos.
FOLHA - Qual é o lugar da poesia no mundo atual? Ela continuará a ser praticada de diversas maneiras, das tradicionais às experimentais? Migrará para outras manifestações? Ou tudo isso ao mesmo tempo? 
CAMPOS - Acho que sempre haverá "um pequeno segmento da raça" (expressão de Pound) para responder ao desígnio mallarmaico de "dar um sentido mais puro às palavras da tribo". Mas a massificação cultural é um fato iniludível da "overpopulation", do baixo nível de escolaridade, da exaustão mental provocada pelos trabalhos forçados do ganha-pão acachapante. A poesia, se não resolve, consola o ser humano da sua miserabilidade, da sua incognoscência, das precariedades do seu "design" imperfeito. Dá-lhe, quem sabe, a ilusão de estar um pouco acima. E o seu desvalor econômico, o seu fracasso antipopulista, num mundo obcecado pelo lucro e pelo sucesso, lhe conferem uma força ética ímpar. Os livros estão de pé na estante. Muito pouco na TV, é verdade, mas cada vez mais nos desvãos e desvios da internet, que embute uma verdadeira revolução cultural nas suas reservas "interguêticas" e nos seus reservatórios enciclopédicos. Quem quiser buscar mais e melhor, que vá atrás.
FOLHA - O Brasil e o mundo em que vivemos é uma decepção para quem sonhou com um futuro de transformações? Há aspectos positivos a ressaltar na cena contemporânea? 
CAMPOS - Assistimos no século 20, depois de duas guerras deploráveis, ideologias transtornadas pelo totalitarismo e superbombas ameaçadoras, à queda das utopias, e começamos o 21 sob o signo de fanatismos, barbaridades bélicas, bombas-suicidas, egoísmo globalizado e desigualdade social.
A tecnologia chegou a ser uma esperança para otimistas-natos como Buckminster Fuller e John Cage, cujo anarquismo tecno-zen rimava com o bárbaro tecnizado de Oswald. Estamos longe de chegar perto desses formosos ideais. Mas olhamos para os olhos de uma criança e temos de acreditar que um dia (que não verão os septuagenários como eu) a "humanimaldade" será mais sensível e menos insensata.
Quem sabe se a tecnologia, multiplicando o acesso à informação e aos recursos materiais, não pode dar uma boa mão a um maior solidarismo social, se os gigaglutões econômicos do Primeiro Mundo não continuarem a querer tudo só para eles.
Mesmo porque, se não tomarem juízo, o bumerangue da pobreza ainda poderá recair sobre as suas cabeças.



14 de set de 2006

xerox é resistência!

Fabiano Alves Paes e Henrique Xavier são dois bródis aqui de Londrina que fazem uns trampos muito manêro em xerox.
O primeiro escreve contos. O outro faz tipo um zine de humor.
A linguagem tosca combina com o formato em xerox. O Fabiano ainda faz umas colagens, escreve à maquina e usa os erros gramaticais como estilo. O Henrique nem. São desenhos toscos e frases infames que, por isso mesmo, divertem. Tem quem se irrite, também. Quem é mais politicamente incorreto dos dois é dificil de dizer. Mas nada como se divertir às custas de quem se fóde!
O Fabiano já fez dois. O Henrique já tem uns cinco.
Quem quiser comprar dá um toque q eu faço um corre atrás deles. O Fabiano vende seus livrinhos de contos por R 2,50. O do Henrique é R 1,00.

De A ARTE DE MATAR, do Fabiano:

No bar

- Nossa, como você é linda!
- São seus olhos.
- Que nada... Tou bêbado mesmo!

De A BUFA, do Henrique:

Quer dar um nome a seu filho mas não consegue escolher? Não esquente sua crica que a gente dá a letra.
1 - Dou um Peido 1º (nome de antigo imperador brasileiro)
2 - Dai-lhe Lama (líder espiritual indiano, bom nome para brasileiro)
3 - Infiel(?) Castro(!) (ditador cubano)
4 - Elvis Prestes (músico e compositor de rock político)
5 - Mau Bucetung (ex ditador japonês)
6 - Bart Simpson (guerrilheiro da FARC)
7 - Luiz Inácio (ex Lula da Silva)
8 - Zica (a galinha de Quintino)

Claro que tudo isso fica muito melhor escrito à mão, mas o que eu posso fazer se o meio não dá conta da linguagem?

angeli é um gênio



http://www2.uol.com.br/angeli/

13 de set de 2006

nem tudo está perdido



Quem se lembra daquele ditador filipino, o Ferndinando Marcos? Isso, esse mesmo, o marido da Imelda, que tinha uma imensa coleção de sapatos. Bom, ele foi deposto em 86. Se manteve e foi tirado do poder graças aos E.U.A. - q, como sempre, cria monstros e depois justifica invasões em nome da democarcia. Depois disso sumiu, desapareceu, morreu.
20 anos depois, quem diria, as netas do cara fazendo política, mas dessa vez a BOA política. Não saberia dizer a ideologia delas, mas, como se vê pela foto, ninguémn ousaria perguntar. dá para ver q elas estão MAIS do que certinhas!

no flagra



uma imagem q faz jus ao nosso imperador

12 de set de 2006

renée gumiel



Com uma entrevista ainda inédita, gravada em duas fitas cassetes, a bailarina, coreógrafa, atriz e mulher de cultura Renée Gumiel me recebeu uma tarde em seu apartamento, em 2001, para uma conversa.

Bebemos uma garrafa de uísque inteira, juntos. Fumava um cigarro após o outro e gesticulava largo.

Ela me falou de sua vida na França; de Mussolini, que patrocinava as artes, na Itália; da fuga dela e do marido do nazismo; do jantar que teve com Artaud; da música do compositor Stockhausen; de sua primeira apresentação no Brasil; da sua amizade com Klaus Vianna. E estava feliz com o novo espaço de dança que havia conseguido para dar aulas.

Esquecemos da entrevista e começamos a conversar de amor. Ela estava bem alegre e eu tentando me segurar.

Ganhei uma foto. E me fui, sob o olhar de Artaud, que me esperava dentro de um quadro, no corredor de seu apartamento.

Agora ela se foi, aos 92 anos. E atuou até o último momento, ao lado de José Celso, do Oficina

Me espere lá em cima, Renée. Iremos beber outra garrafa juntos e falar de amor, para sempre.

6 de set de 2006

DIA DO BARBEIRO



BARBERIA É O MELHOR LOCAL PARA DISCUTIR SOBRE FUTEBOL, FALAR DE MULHER E METER A LÍNGUA NOS POLÍTICOS.

ALÉM DE CORTAR O CABELO E FAZER A BARBA, CLARO.

SALVE OS BARBEIROS!

reprodução da foto: folha de londrina

5 de set de 2006

LONDRINA PROGRESSISTA

(complicado, meu véio!)

Encarte veiculado recentemente em jornal da cidade, com os seguintes dizeres:
A prefeitura constrói nosso futuro!





Lei de Incentivo Cultural

Sobre o edital que acabou de sair de patrocínio cultural promovido pela secretaria de cultura, penso da seguinte forma:
A secretaria deveria assumir que tem interesses estratégicos em certos projetos e bancá-los, porque colocam um valor x em jogo, mas parte deste dinheiro tem ido, desde os primeiros editais, para os mesmo projetos.
Isso faz parecer engodo para quem não recebe o incentivo. E, para quem continua recebendo, é até um desrespeito, porque corre riscos de não ter seu projeto aprovado, em todo caso. Assim, não podem pensar a longo prazo suas estratégias. Tendo de re-escrever, mais ou menos, o mesmo texto toda vez, fazendo suas previsões orçamentárias para o tempo em que o projeto estiver sendo patrocinado, que é um período sazonal. E não como parte de uma política de investimento sólido, estruturada.
Outra coisa. A secretaria deveria chamar os autores dos projetos não aprovados – pelo menos os que considerassem mais importantes para a política deles – e criar parcerias de instrumentalização e apoio para encontrar meios de executá-los, seja em sua forma total, parcial, ou adequada à realidade contextual. Devolver, simplesmente, o projeto, só com o parecer da Comissão de Análises de Projetos gera um clima de disputa e um sentimento de exclusão que não deveria existir em se tratando da área de cultura.
Quanto ao resultado prático dos projetos chamados de “cultura popular”, me assusta quando eu vou ao teatro e sou obrigado a ouvir na fila de entrada um rapper oficial cantando, desafiador, ao microfone que “com a nokia não tem patifaria”. Ou que a moral de um livro patrocinado pela lei municipal, contando as experiências de vida de um garoto que viveu na periferia e foi salvo pelo hip-hop e pelos projetos sociais do pt, é de que agora ele passou a “ver o mundo sem muito preconceito contra a elite”, que “se eles tinham era porque lutaram”. Humpft!

3 de set de 2006

SAIBA MAIS SOBRE COLETIVOS...

Diz que a CASA TRIÂNGULO, que é uma gleria moderninha de são paulo está expondo um coletivo estranja, acho q dos eua. E como foi comentado em um blog, eu deixei minha resposta lá (http://zonabranca.blog.uol.com.br/) e vai ela aqui, também


SAIBA MAIS SOBRE COLETIVOS...
(Notas sobre o coletivismo artístico no Brasil - Ricardo Rosas
http://p.php.uol.com.br/tropico/textos/2578,1.shl)

...para não confundir mercado de arte, com atitude ideológica. conformismo com estratégias. habilidade técnica com arte.O fato de uma galeria comercial se utilizar do nome "coletivos" para mostrar uma exposição de desenhos e pinturas (?) não quer dizer que é isso o que vem potencializando as discussões e transformando o cenário artístico, que ganha caráter de ação política, mais do que apresentação pública de "belos desenhos".Claro q se pode usar o nome que quiser para vender um produto - até colocar o che guevara na estampa da camiseta e vendê-la como algo fashion - mas o fato desses coletivos serem auto-geridos e não necessitar mais das figuras parternalistas tradicionais do circuito de arte, muda, inclusive, a maneira de se pensar a arte.

30 de ago de 2006

liberem essa droga!

1 - não sei ela faz mal à saúde física, se, com o tempo, o usuário passa a ter sintomas de algum tipo de doença, mas que a maconha deixa a pessoa imbecil, deixa.
2 - caretas que se acham "loucos" porque fumam maconha são os chatos de hoje e os evangélicos de amanhã.
3 - tanto quanto o álcool é uma droga a maconha também o é.
4 - a lei seca nos E.U.A. só fez prosperar a ilegalidade e a força da máfia.
5 - Se uma pessoa pode comprar uma bebida que pode lhe matar, porque ela não pode comprar uma maconha, também?
6 - mesmo legalizada, quantas pessoas dependem do sistema de saúde para combater os efeitos do álcool? Se estivesse na ilegalidade, o álcool mataria menos?
7 - Se estivesse na ilegalidade, como estão hoje as drogas, de forma geral, não haveria mortes de adolescentes que fazem avião na favela? Não haveria corrupção na polícia? Bandidos não iriam ter controle sobre sua produção? Não haveria guerra civil? Claro que haveria. Mais mortes, enfim, do que a simples estatísca do ministério da saúde, que calculam a influência direta causada pela droga e não suas derivações.
8 - todo mundo deveria ter o direito de se matar, se quisesse. Mas, porra, dá pra acender seu baseado pra lá! Agora não tou a fim.
9 - a função das drogas, nas chamadas civilizações primitivas, era ritual. Perdemos o sentido de religião (re-ligare) e agora queremos proibir as pessoas de serem livres para fazer o que quiserem?
10 - legalizada a droga - maconha e cocaína - o tráfico de drogas perderia seu sentido. E o Estado recolheria impostos desses produtos. Como na Holanda.
11 - e teríamos à disposição produtos de qualidade. Não droga malhada. Palha. Pó de mármore.
12 - e ela seria tratada como é tratado o cigarro. Ou até mais com mais severidade: fiscalização pesada, controle de plantio, manipulação, distribuição e vendas.
13 - Ih, cara, esqueci...
14 - Hein?
15 - Aberto ao debate. Comentem.

liberou o beck


Lei de tóxicos

Posse de droga para consumo pessoal deixa de ser crime

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 11.343/06 — a novaLei de Tóxicos.

A lei cria o Sisnad — Sistema Nacional de Políticas sobreDrogas. O objetivo é “prescrever medidas para prevenção do uso indevido,atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelecernormas para a repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito dedrogas”.

O texto revoga as leis 6.368/76 e 10.409/02, ambas sobre o mesmo assunto. A principal característica é a descriminalização da posse de droga para consumo pessoal. Outra mudança é o aumento da pena para o tráfico de drogas de 3 a 15 anos para 5 a 15 anos, além de 500 a 1.500 dias-multa.
Também há alteração no procedimento penal adotado pela Lei 10.409/02. Agora os delitos que não estiverem ligados ao tráfico são de menor potencial ofensivo, processados conforme a Lei 9.099/95; o prazo de conclusão de inquérito de réu preso passa para 30 dias; a infiltração policial em grupo criminoso e o retardamento do flagrante estão autorizados e poderá haver denúncia com o complemento das investigações.

Continua vigorando a defesa preliminar (antes do recebimento da denúncia), o que já havia na Lei 10.409/02. Porém, somente há interrogatório após o recebimento da denúncia. Com isso, fica garantido o contraditório no interrogatório, podendo as partes fazer perguntas e reperguntas.
O tráfico internacional continua a ser da competência da Justiça Federal.
Pelas leis antigas, quando uma comarca não tivesse instalado a vara, a Justiça Estadual julgaria o crime. Pela nova lei, será da vara federal mais próxima a competência para o julgamento dos delitos dessa natureza.


na íntegra:
http://conjur.estadao.com.br/static/text/47674,1

22 de ago de 2006

hip hop e eu (final)

Mais frases extraídas do livro “Hip Hop e Eu”, de Sérgio Ezequiel de Souza. Agora do Quarto Capítulo em diante:

“Minha irmã começou a namorar um cara com o nome de Sidnei. (...) Ele começou a ir em casa direto e num desses dias...
...
Fumávamos um baseado e trocávamos idéias sobre o crime, quando ele falou... (...) E eu chamei-o para fazer outros comigo no Centro.”

“... e tirei toda a gaveta do caixa para fora.
...
Fui catando e colocando no bolso e o Sidnei já foi indo para a porta da perfumaria, que tinha vários espelhos. Peguei todo o dinheiro e saímos.”

“Quando você é um ladrão que não dá vacilo com ninguém você é considerado em qualquer quebrada.”

“Fomos atrás do Marquinhos Gambá onde ele trabalhava de mecânico, e trocamos umas idéias sobre armas para o assalto.
...
E começamos a discutir como iríamos enquadrar (assaltar) o mercado.
...
Chegamos ao local do assalto. O mercado ficava numa avenida bem movimentada...
...
Quando o Sidnei fingiu passar pelo caixa, eu dei voz de assalto, já com o revólver na mão. O Gustavo já arrancou a 12 e ficou na porta para ninguém sair. O Sidnei abriu a maleta e foi pegando o dinheiro que estava nos caixas.
...
Corremos para o carro. O Marquinhos já foi ligando rapidamente o carro e saiu cantando pneu.”

“Começamos a repartir as notas maiores quando o Marquinhos percebeu vários carros parando em frente à casa e pediu para o Gustavo ir ver o que estava acontecendo. Quando o Gustavo estava se aproximando, os policiais arrombaram o portão e foram entrando. (...) Eu corri até um quarto quando dei de cara com um policial encapuzado dizendo para que eu soltasse a arma. Eu soltei. Ele mandou que eu deitasse no chão. Deitei. Um outro policial já veio me algemando.”

“Chegamos na Décima. Tinha muitos policiais e a imprensa e a televisão já estavam lá.”

“Sidnei, Marquinhos e o Gustavo, que eram maiores de idade, foram para o Terceiro Distrito e eu fui para o Segundo Distrito que chamavam de CETREM (Centro de Triagem e Recepção de Menores).”

“Chegou minha vez de entrar. Pedi licença. A promotora olhou na minha cara e disse: ‘Sérgio Ezequiel de Souza, você pediu licença quando entrou para assaltar o supermercado?’ Respondi que não. Ela falou ‘157, né?’ Balancei a cabeça afirmativamente. Então ela falou ‘tira esse moleque da minha frente!’ Minha mãe começou a chorar.”

Bom, daí em diante nosso personagem passa 44 dia no X, começa estudar, fazer terapia, mas ao mesmo tempo, a traficar. E a coisa realmente vai ficando pesada – mais pesada ainda. E foi em uma dessas que, tendo de pagar pela maconha que lhe foi roubada, voltou a assaltar. A polícia o prendeu novamente, só que desta fez ele já tinha completado 18 anos e foi parar no presídio comum. E passar pelo sistema prisional no país é traumático. E de lá não se sai incólume.
Sérgio teve a sorte de ter sido assistido pelo marido da psicóloga que o acompanhava na escola. E prometeu não mais voltar à prisão.
Já fazia algumas apresentações de Hip Hop no colégio em que estudava, começou a ensaiar, se apresentar e isso coincidiu com a campanha e a vitória do PT na cidade, que começou a dar ênfase na inclusão social e na cultura Hip Hop, apoiando shows, encontros e gravação de cds.
Sérgio montou seu grupo, teve projetos aprovados. Foi convidado a ser professor do mesmo lugar onde já estivera uma vez, como menor infrator. Viajou bastante por conta do Hip Hop, etc.
Dessa autobiografia, sem dúvida, as páginas mais tocantes são aquelas que expõem a situação dos meninos de periferia, de forma geral. E, por mais que se condene a violência e o uso de drogas, não há como condenar essas crianças, que são frutos da desigualdade social. Em um país em que – infelizmente – a miséria é tratada como produto de manipulação de políticos e mercadores que se servem dela para se manterem no poder.
Por fim, sem ter outro modelo para se espelhar, ou porque, ao se afastar da miséria, do crime e das drogas, o novo status social lhe foi suficiente para satisfação de seus anseios, Sérgio, ao final do texto, mostra sua ideologia:

“..., pois depois que deixei as drogas e comecei a cantar e fazer esses trabalhos sociais comecei a ver o mundo com outros olhos sem muito preconceito contra a elite.”

“Não só através do Rap mas também com as oficinas de Break eu consigo alcançar meu objetivo que é fazer com que essas pessoas procurem pensar mais na vida, procurarem uma escola para estudarem, largarem o mundo do crime e começarem uma nova vida como eu comecei...”

Nessas alturas, o leitor que conseguiu chegar até aqui já estará curioso por ler o livro, mesmo sabendo que há erros crassos de gramática e que há, afinal, uma moral da história. Mas que nem uma coisa nem outra impedem a fruição de sua leitura, que é uma história comum entre a massa de excluídos, hoje em dia. E que nós, que nos sentimos tão ameaçados, não temos a mínima idéia como é que ela se desenrola.

hip hop e eu (continuação)

13 de ago de 2006

Theodore de Bry (cerca de 1540)


INDIOS: UM PENSAMENTO SELVAGEM.

INDIOS: UM PENSAMENTO SELVAGEM.

Infelizmente não tenho como dar agora a referência de onde eu aprendi isso que vou lhes contar. Falta de método acadêmico para anotar os referenciais ocasiona de perda de memória. Muitas coisas acontecem assim comigo. São logo incorporadas, passam a ser minhas. Algumas realmente são. Mas o que eu vou escrever agora trata de um fato de interpretação histórica. E eu só posso conjecturar que se trata da verdade, pois em nenhum momento nega – ao contrário, reforça – aquilo que sou em relação ao mundo que vivo, contribuindo com aquilo que faço.

De qualquer forma, a idéia de um “pensamento selvagem” está ligada às questões antropológicas do francês Claude Lévi-Strauss (1983/1975) e quem tiver interesse de pesquisar é só procurar na internet que vai achar um monte de links ligados ao tema. Um deles é o http://hemi.nyu.edu/archive/studentwork/conquest/pens1.html

Peço a quem souber quem “botou o ovo em pé”, originalmente, falando sobre isso, que me passe as referências, para que possamos ampliar esse debate. Aliás, até porque ele saiu de uma discussão com um marxista e eu não queria ficar mal com o marxismo só porque eu não penso que tudo está atrelado à lógica da produção, do sistema de classes e da mais-valia e do capital. Aliás, porque a nossa lógica cartesiana não dá conta desse tipo de pensamento que aqui eu chamo de “selvagem”. Sem desmerecer Marx, por favor!
Vamos lá:

A Antropofagia – ou seja, o ato ritual de comer carne humana praticado por algumas tribos indígenas que habitavam esse solo antes de se chamar Terra do Pau-brasil – como pensamento que marca a identidade cultural nacional e em torno da qual se reuniram os artistas e intelectuais à época da fundação do modernismo brasileiro (não para comer carne humana, mas para “deglutir” as experiências de outras culturas), é o começo dessa idéia. Mas ela se amplifica, na medida em que a finalidade da “antropofagia” não era vencer o inimigo, matando-o, mas de usá-lo como “banco de esperma” que garantisse a continuidade da espécie, ampliando as combinações genéticas da tribo.
Como todos sabem, um dos tabus encontrados em quase todas as nações e etnias, as mais distintas, no mundo todo, é o da procriação entre parentes de laços familiares muito íntimos, como pai com filha, filho com mãe, etc. Laços consangüíneos enfraquecem a espécie. E na natureza vencem os mais adaptados.

Os índios brasileiros não tinham, aparentemente, porque lutar entre si. Não precisavam disputar territórios, não precisavam disputar alimentos. Viviam da caça e da coleta. E eram nômades. Hoje, aqui, tem mandioca. Amanhã, lá, vai ter outro alimento que se pode tirar do pé. E quando voltavam aos lugares, tinham, de novo, a mandioca, ou o pinhão, ou o que fosse. Eram observadores. Sabiam o ciclo da natureza. Não precisavam se matar como agricultores. Acumular. Tinham o livro da natureza nos sentidos. Viviam em relação orgânica com a natureza. A idéia de trabalho, para eles, não fazia o menor sentido. Tanto que os portugueses tiveram de trazer os negros para cá, porque os índios só conheciam o tempo mágico dos mitos e não a realidade servil e classista, dos direitos trabalhistas, da resistência ao poderio europeu, etc.
Para o índio não havia diferença entre arte e vida. Tudo era parte de um mesmo processo ritual. Pintar o corpo, dançar, caçar, pescar, comer, cantar, tudo isso era indistinto, não havia categorias dessa espécie que nos acostumamos a conviver.
E por que lutavam entre si, então? Para ver quem era o mais forte. Para que o mais valente de uma tribo capturasse um valente de outra tribo, vivo, e o trouxesse à sua tribo, deixando-o livre para ir embora, se quisesse. Mas isso seria uma desonra para o índio capturado. E na outra vida iam cobrar isso dele. Foi por isso que o aventureiro mercenário alemão Hans Staden (c. 1525-1579 ou 1510-1557) conseguiu fugir dos Tupinambás e escrever seu relato: ele cagou nas calças! E um índio jamais iria comer um covarde!
Uma vez na tribo inimiga, tratavam o índio capturado da forma mais gentil possível. Davam-lhe a melhor comida, o melhor espaço na maloca e as mulheres aptas à procriação. Para que tomasse gosto pela vida. E tivesse vontade de escapar.
Quando, enfim, chegava o dia de sua morte, o índio que o havia capturado amarrava em uma de suas mãos a mão do inimigo. E dava a outra mão para seu melhor amigo, que a amarrava à sua mão, ficando, assim, o índio capturado preso pelas duas mãos dos oponentes. Na mão que sobrava de cada índio, portava-se bordunas para arrebentar o índio preso. Segundo Montaigne (1533-1592), em seu célebre ensaio “Dos canibais” – onde defende os índios, dizendo que os horrores cometidos pelos europeus eram muito piores do que a acusação que lhes pesava, como a de andarem nus, não trabalharem e a de comerem carne humana – havia uma espécie de canto/diálogo entre os oponentes relatado no texto. Retomado mais tarde pelo escritor Goethe (1749-1532), que era mais ou menos assim:
- Gostou da nossa comida?
- Muito ruim.
- Gostou das nossas mulheres?
- Muito Feias.
E então batiam nele com a borduna até o derrubarem. Antes, porém, de o matarem, ele dizia (aqui, sim, Goethe via Montaigne):
- Comam, comam da minha carne. Nela vocês sentirão o gosto da carne do pai de vocês. Comam, comam minha carne, para que o meu filho sinta na carne de vocês o gosto da minha carne.

Nem vou entrar aqui na questão da hóstia sagrada e tudo o mais. Nem vou continuar a falar sobre o significado da palavra Tupã, para os índios, que tem a ver com a reverberação que o som do trovão faz no corpo de cada pessoa, como se esta fosse um instrumento que se afinasse, como uma flauta. Mas gostaria de deixar o meu pensamento no corpo desse texto para que fosse devorado, refletido e devolvido à vida, de forma antropofágica. Como filho amado de um inimigo.

trecho do livro "o hip-hop e eu

Eu tive um professor de história no cursinho, em 1999, que dizia, sobre a violência que chegou à cidade de Londrina depois, principalmente, de 1975, quando a mono-cultura de café foi substituida pela mono-cultura de soja, devido ao inchaço promovido pelo desemprego no campo, que "a primeira geração de miseráveis pede, a segunda geração rouba e a terceira geração mata".
Lendo o livro "O hip-hop e eu - uma biografia", de Ségio Ezequiel de Souza, "Sergin", patrocinado pelo PROMIC-Secretaria de Cultura de Londrina e editado pela Artito Art, a frase do professor acabou sendo recheada com as cenas narradas pelo personagem/autor, nascido em 1980, que viveu essa realidade na carne, na periferia de Londrina, tendo que mudar, constantemente, de um lugar a outro, com a mãe e irmãos, indo morar em lugares cada vez mais desumanos.
Ainda não terminei de ler o livro, mas vão aí algumas frases, tiradas aleatoriamente de dentro dele:

"...na falta de um pai ou de um padrasto e, na ausência de minha mãe, o 'homem' de casa era eu, que tinha apenas 6 anos."

"...chegávamos nas barracas da feira e espiantávamos os caixas dos comerciantes e até as carteiras das pessoas que estavam comprando...
furtávamos tudo o que podíamos levar. Tudo isso era para curtir o Flash Dance aos domingos à tarde."

"comecei a ficar desesperado vendo minha irmazinha mais nova - Andressa - chorando de fome, querendo leite."

"O policial encapuzado deu várias borrachadas nas minhas costas, enquanto dois me seguravam e o sargento Félix fazia uma pressão psicológica com a pistola."

"O pai do Paçoca via tudo aquilo e nem ligava. Tudo alí parecia normal: fumar um baseado na rua, a molecada cheirando cola, as meninas fazendo sexo com uma 'pá de caras' (sexo grupal). E eu e o Marciano alí no meio daquele furacão."

"Ele disse 'Eu vou chegar, abro o carro e você cai pra dentro. Você olha debaixo dos bancos enquanto eu arranco o toca-fita'. (...) O Piá arrancou o toca-fita e eu só achei uma faca."

"Quando o carro era mamão, era eu que cantava a micha (a micha 'canta' qundo faz um barulhinho característico, como um metal raspando em outro, ao abrir a porta)."

"E fomos então para o União da Vitória (morar com a família), o bairro tão falado na mídia pelo alto índice de criminalidade".

"O moleque então armou uma casinha (ou seja, uma emboscada) para que um outro cara, chamado Deílton, me catasse e me desse umas facadas."

"Com uma ano e meio, eu e minha família morando naquele cômodo... perdi todas as esperanças de alcançar algum objetivo na vida."

"Com toda a confusão, não se podia confiar em ninguém. Esta foi a primeira coisa que eu aprendi no união da Vitória. A segunda é que eu tinha que andar armado, ou com os caras que faziam as fitas erradas (as fitas são os roubos e furtos) para ser respeitado. E, terceiro, não se fica devendo droga para ninguém, especialmente aos traficantes. Ainda há uma quarta regra: não se deve envolver com qualquer mina, pois havia muitas mulheres de ladrão; ese envolver com qualquer uma delas era morte na certa. e assim ditavam as regras paraser um malandro esperto!"

"Então arranquei da cinta o que eu tinha achado na mansão.. Os caras cresceram os olhos e começou a discussão para saber quem ia ficar com a arma. Eu propus então que não queria nada dos objetos roubados. Só o 38."

"Nós roubávams todos os boyzinhos que encontrávamos pela frente. Ás vezes não precisava nem scar o revólver. Bastava mostrar o cabo erguendo a camiseta. Eles tremiam na base! E já tiravam o boné, o tênis e até trocavam de roupas com a gente, dependendo do local."

"Então dei a primeira bola e notei imediatamente que minha boca e minha garganta adormeceram. O coração disparou. Minhas mãos ficaqram tremendo. (...) Eu tinha a impressão de escutar tudo muito longe."

"E passei a furtar para manter o vício."

"Com alguns meses andando direto com os caras que fumavam mesclado, em vendi minha arma em troca de uma quantidade de pedra (nóia); e tive meu primeiro contato com a nóia pura, queimado no cachimbo ou em latas de refrigerante."

"Eu já estava tão acostumado a ver corpo caído no chão que, quando via um, era como se fosse um bicho. Aliás, para mim, não fazia a menor diferença entre matar uma pessoa ou um animal. só sentia quando era um colega; ou de fumo, ou de curtição nas noites."

"Só sei que no União, e em qualquer periferia, ninguém morre de graça. O preço varia: de um real até o respeito conquistado na marra."

"E por causa de brigas assim aconteciam outras brigas, geralmente mais violentas. Pois os caras matavam o irmão de um outro que não era florde ser cheirada; e que, por sua vez, matavam aqueles que matavam seu irmão ou seu amigo. (...) Todo final de semana tinha um ou dois - ou até mais! - mortos na região da Zona Sul."

"Eu precisavva de dinheiro para pagar um cara que passava maconha. (...)
O assalto foi numa farmácia. (...)
Na minha cintura tinha um 38 e na do parceiro uma garrucha 38. (...)
Eu ficava o tempo todo pensando "Vai chover polícia!"

"Aí o noiado começou a me contar que o traficante do Santa Joana, que se chamava Baco, estava invocado comigo. Perguntei o motivo. Ele respondeu que a polícia estava atrás de mim na vila, e que estava queimando o ponto de tráfico do Baco no Santa Joana, ..."

"Aconteceu algumas vezes eu trocar meu tênis, minhas bermudas e camiseta por nóia. (...)
Eu mesmo já vi pai de família fumar o dinheiro do leite das crianças e até o enxoval do neném; do bebê dormir em carrinho, em vez de ter um berço. Já vi meninas grávidas trocando roupas de neném por nóia. ..."

Bom, parei aí no terceiro capítulo. depois tem mais.

31 de jul de 2006

ORGULHO D Q?

Orgulho de quê?

Exposto ao noticiário do Jornal de Londrina, que é atirado gratuitamente no quintal da casa onde moro, algumas vezes sinto-me ferido em minhas convicções sobre as opiniões e informações veiculadas, como foi o caso, no editorial de ontem, “Verticalização”, que faz apologia à construção civil na cidade.
O que aconteceu nessa cidade e região, desde meados da década de 70, foi o uso da construção civil como álibi para um dos maiores êxodos rurais da história da humanidade, favorecendo grupos com interesses econômicos e políticos os mais rasteiros, que se mantêm fortes no poder.
A verticalização da cidade – que pode parecer aos desavisados, sinais de civilidade – é acompanhada por uma horizontalidade caótica, tornando Londrina uma das mais violentas e excludentes do país, além do aprofundamento da degradação ambiental. Aliás, quem, em sã consciência, pode ainda se fazer valer da máxima que o emprego gerado pela construção civil – mão-de-obra escrava e barata – é capaz de reverter o caos social no qual estamos todos imersos? Se fosse assim, São Paulo, Cidade do México e as novas megalópoles que nascem na China não estariam mergulhadas na impossibilidade administrativa e estrutural geradas pelo lucro e pela especulação, principalmente a imobiliária. Mas seriam como algumas cidades e capitais existentes na Europa – menores, mas funcionais – onde as relações humanas e ambientais importam mais do que arrancar a barranca dos rios atrás de argila para fazer tijolos; destruir a natureza para tirar cimento; dragar o fundo dos rios para retirada de areia, etc.
Gostaria de concluir pedindo reflexão sobre esse tema e não ufanismo barato. Que não me sugiram mudar de cidade, se acaso eu não estiver satisfeito, nem que deixem de atirar o Jornal de Londrina na casa onde moro.
Agradecido.

Rubens Pileggi Sá

my punk size!













WE ARE ALL PROTITUTES

30 de jul de 2006

27 de jul de 2006

DASPU III - problematizando + a questão

rubens,

o que posso fazer é problematizar mais a questão do que dar uma opinião exata sobre o que penso.
mas o que acho é que tudo o que você fala é de onde gabriela parte e não o que ela nega.

Não há negação de que a pobreza obriga muitas pessoas à prostituição, que há crianças se prostituindo, que muitas não escolhem essa profissão, etc.

mas ela tenta partir não da negação da coisa toda, mas da afirmação da sua própria profissão, pois foi prostituta quase 30 anos.

- primeiro, a daspu é o estopim de uma luta que acontece desde os anos 80 e hoje gabriela é considerada uma das maiores líderes dos movimentos de prostitutas do mundo.

- segundo elas lutam sim para o reconhecimento da profissão, por isso apoiam o gabeira, que desde os anos 80 investe no reconhecimento da classe junto as instâncias federais. até estão fazendo uma campanha pra ele em formas de camisetas que diz: Gabeira! Puta deputado. Isso quer dizer que a puta poderá ser reconhecida como uma profissional das fantasias sexuais, como pede o projeto de lei.

- terceiro ela defende o não trabalho infantil e para ela vender bala no semáforo ou se prostituir aos 13 anos ofende diretamente um direito da criança e adolescente que em qualquer dos dois casos não está sendo respeitado.

- quarto, gabriela está investindo em uma quebra de paradigmas, o que ela chama de visão preconceituosa sobre o papel da sexualidade no mundo, ou seja, ela denuncia um tipo de recriminação contra a prostituição que é também a recriminação contra a sexualidade feminina. apostando nessa mudança de paradigma ela aposta também numa mudança de comportamento que na melhor das hipóteses seria a de que não só a sexualidade se tornaria menos problemática para a raça humana, como no cotidiano da puta isso resultará numa maior auto-estima, onde poderá com mais facilidade escolher os parceiros (as) com quem irá se relacionar e evitará de sofrer violências e explorações exatamente porque aumenta o respeito da puta por ela mesma e do usuário pela puta (por isso é guerrilha semiótica e de valores).

quinto, vejo esse movimento não de dentro pra fora, mas de fora pra fora e de fora pra dentro... introduzindo novas questões no fora cultural, a mudança começa ocorrer no fora mas também na postura das putas para dentro da prostituição. é complicado porque é complexo mesmo....

não sei se estas questões mais atrapalham do que ajudam, mas poderíamos discorrer mais e mais terços abstratos, como por exemplo:

se pensarmos o capitalismo como inimigo, negamos o próprio sistema humano, demasiado humano que o criou... quando o negamos, promovemos um discurso meio esquizofrênico, como se o capitalismo existisse fora de nós e como se nós não o sustentássemos cotidianamente seja em forma de pagamento, uso de serviços, fazendo faculddes, indo ao mercado, tendo computador e por aí vai...

o que ela propõe é um paradoxo e não uma solução:

ela enquanto líder do movimento e enquanto puta, se ofende com esses discursos anti-capitalistas que usam a imagem da prostituta para demonstrar a perversão do sistema (não vamos nos entregar, não vamos nos prostituir ao sistema, etc), ela então faz ao contrário, expande o conceito de prostituição e nos coloca a todos no mesmo barco, só que uns vendendo cérebro outros olho, outros buceta, etc... ou seja.... ou paremos com esse discurso preconceituoso contra a prostituta que como todo mundo vende parte do seu corpo, ou assumamos de uma vez que a raça humana nessas épocas de biopoder mudou o nome de homo sappiens para homo prostitutens....

o fato de promover essas discussões nas várias escalas (ainda não o suficiente) faz com que outras coisas venham à tona na discussão; por exemplo, o absurdo pensar que puta ou michê são escravos só do homem.... um moralismo pungente faz com que grande parte das putas inclusive, não se permitam fazer sexo com mulher, reduzindo o seu mercado só a homens, ou que as mulheres solitárias naõ disponham de serviços sexuais femininos e masculinos por também sofrerem desse preconceito contra a sexualidadade... no caso de uma mulher pedir serviços sexuais, ela fica ainda no papel da puta e a mercê de alguma violência. O não reconhecimento da profissão faz com que as mulheres tenham pouquíssimos acessos a saunas, massagens, casas de prostituição masculina etc.... primeiro por que são poucos os serviços que oferecem a garantia de um trampo bem feito, com contrato e sem violência e roubo,... saca?

exagerando o fato, penso que gabriela imagina um mundo em que a sexualidade seja livre e que não exista concentração de renda e poder, mas enquanto isso naõ acontece, ela imagina que os serviços sexuais devem expandir suas possibilidadades e que os profissionais do sexo se tornem profissionais do sexo por pura aptidão, cada vez mais, e que seus serviços sejam aplicados a toda a população, independente de ser homem ou mulher. por profissionais da fantasia sexual e da sedução.

bom, falei tudo muito rápido, tu me faz ter vontade de escrever um texto, talvez eu o faça....

continuamos....

beijo

DASPU II - fiquei pensando

Cassandra,
Fiquei pensando...

que esse negócio de classe, para as putas, é bem importante. Delas se organizarem, batalharem pelos seus direitos de mulheres trabalhadoras, das condições de saúde, que é preciso cuidar, filhos, família, etc.

Penso no papel da gueixa, no japão, que, por séculos, representou a nobreza de servir ao homem - principalemtne de castas superiores - e mexeu muito com o imaginário ocidental, quando aprendemos a admirar a cultura japonesa. Eram mulheres cultas que desenvolveram a arte do sexo a níveis requintados...
Mas pensei, também - quando você fala de sujeito desejante na condição da mulher que é levada para fora do país para se prostituir, por exemplo - naquela garota que é oferecida pelo próprio pai para turismo sexual. Nas situações onde a exclusão tirou tudo das pessoas e as mulheres são obrigadas a se prostituirem E, de que, na maioria dos casos, elas não estão nessa categoria porque querem, mas por necessidades de um país que trata mal a seus próprios filhos, canibalizando-os.
Me lembro do figurino rídiculo que os pais classe média colocam em seus filhos, principalmente os homens, de terninho, para que se pareçam adultos. E me questiono, se dentro dessa sociedade capitalista, o fio que separa uma posição radical de enfrentamento da ordem social, não é ele, ainda, controlado por uma ideologia machista. Quero dizer: a mulher conquistando espaços, mas agindo de maneira semelhante ao macho adulto branco. E, afirmando o poder do phalus, mesmo que a causa seja justíssima. Mais precisamente: de que o outro lado da moeda é a moeda, ainda.

Espero sua resposta.
Um beijo
Rubens

25 de jul de 2006

DESFILE DA DASPU



desfile da Daspu - Dasputas RJ. no clube glória em são paulo... paralelo ao fashion week

http://mixbrasil.uol.com.br/mp/upload/noticia/5_66_50672.shtml



as frases das camisetas DASPU, são, tipo:

- Valor de mulher é real
- Somos Más, Podemos Ser Piores.
- Aprecie-me sem moderação
-Sem vergonha garota, você tem profissão
e um monte de outras.....

o mais interessante é que essa moda semi-fashion faz vir à tona 20 anos de existência do movimento das putas, que até agora estavam meioinvisibilizados... e a escolha do nome ativou toda uma demanda publicitária que ao meu ver cumpriu um papel de guerrilha semiótica e ou intervenção signica no imaginário geral. (falar nisso é bom dizer, que o reconhecimento internacional tá sendo maior do que o daqui....) na onu, nos ministérios internacionais,,,,
a estilista da madona tbém veio aqui pra conhecer tudo isso e já tá agitando desfiles na frança (juntando putas de lá-e-cá) enquanto no fashion week elas foram ignoradas,,,,, claro... putas, algumas gordas, todas fora do peso, uma discussão forte em pauta... ehehe....difícil heim? que pobreza não entender tendências....
e o legal é que essa intervenção publicitária também ativa a proliferação de vários pequenos grupos de putas de cidades interioranas que agora~começam a serem incentivadas e estimuladas... Modelo e puta são dois signos fortes noimaginário sócio/cultural,.,,, e quando juntos, sabe-se lá que devires acionam...não, não há consenso... mas intento,
a gabriela, coordenadora da Davida, a ong que coordena a daspu, compra umas brigas fenomenais, altamente polêmicas, que não fecham a discussão sobre prostituição e capitalismo, mas a abrem infinitamente...
quando ela fala que: o que os financiadores protestantes americanos chamam de tráfico de mulheres, ela chama de nomadismo contemporâneo.
que a idéia de cafetão que fagocita a genitália alheia é machista porque não compreende as nuances produzidas pelo desejo feminino que é o que, no final das contas, sustenta o papel de cafetão, ela compra enorme briga, principalmente com as pastorais das mulheres marginalizadas e as ongs abolicionistas que tratam prostituição como doença.
e também diz: os intelectuais prostituem o cérebro a tanto tempo e se receiam de prostituir cu e buceta.... que estranha visão de corpo que eles tem!
Não, não, ela diz, não queremos abolicionismo, queremos a valorização do nosso papel de profissionais da fantasia sexual....
Chanel era prostituta
por aí vai... é um acontecimento contraditório e erótico que precisa se expandir... pra promover remexeduras.... em mim mexe... me traz de volta gestos roubados...o assunto é longuíssimo... fica aí o site Beijo da Rua DAVIDA se quiser se aprofundar: http://www.beijodarua.com.br/ e também o precioso livro de gabriela, ainda do início dos 90: Eu, Mulher da vida... que vai ser reeditado. ainda não disponível online... mas se alguémse dispôr, ela já autorizou....

Texto de Cassandra

24 de jul de 2006

valentino, nunca mais!

Em Londrina rolou um bar que virou mito. Fundado em 79 pelo diretor de teatro e professor de história, o Teodoro, já falecido, o VALENTINO foi a grande experiência de liberdade sexual e etílica de muita gente, que pode viver, na prática, as delícias do hedonismo e da farra desmesurada. Principalmente para quem tem mais de 40 anos, como eu, e pegou uma época em que não se falava de AIDS ainda.
Muita coisa legal rolou nesse lugar; muito agito cultural; campanha das diretas Já!; peças de teatro; shows musicais etc. Ou seja, muito sexo, drogas e rock'n'roll.
Mas depois foi chegando o baixo astral, muita cocaina e violência e polícia e as pessoas já não eram as mesmas pessoas e, credo! a última vez que eu fui naquele bar, fui expulso porque entrei no banheiro feminino para mijar - o dos homens estava com fila e o das mulheres vazio! - e me senti extremamente ofendido, porque um bar que sempre foi considerado libertário, um bar onde os gays sempre frequentaram em peso, entrar no banheiro alheio tornou-se crime. Crime em um local que até assassinatos na porta de entrada ocorreram!
Vinte e tantos anos depois, o bar Valentino fechou suas portas, vendido para a mulher do Galvão Bueno, para virar academia de estética, estacionamento ou shopping center, qualquer bosta dessas.
Agora reabriu, com os mesmos últimos sócios e com o mesmo nome, travestido de boate, em outro lugar.
Fui lá com meus amigos para assistir ao show da banda Reles-pública e nunca fui tão maltrado assim na minha vida. Os garçons continuam arrogantes, os seguranças estúpidos e autoritários e, de quebra, tudo ficou extremamente burocrático. Cartão para estacionamento, fila de entrada para se cadastrar - dar nome, endereço e número do rg - e pegar cartão. E lá dentro o ar é denso e irrespirável de fumaça de cigarro.
Quis sair para respirar um pouco enquanto o show não começava e me proibiram a saída. Um disparate. Fiquei um pouco entre a porta de entrada e saída e então me arrancaram dali.
Lá dentro meu amigo foi enrolar um cigarro e os seguranças enquadraram ele, abruptamente, julgando tratar-se de um baseado. Quando ele foi enrolar seu segundo cigarro, o segurança simplesmente arrancou o cigarro da mão dele e disse que não podia fazer aquilo lá, e estamos conversados.
O show foi legal!
Na hora de ir embora, fila novamente. Como eu me encostei na parede esperando minha vez, o segurança que cuidava da porta me agarrou como se eu fosse um robozinho e me empurrou para dentro do meu lugar na fila, como se eu não soubesse qual era o meu lugar, me constrangendo.
A boate Valentino é um lugar caro e baixo astral. E as pessoas servem mal à beça. É o contrário do espírito que se espera de um lugar que se vai para gastar e curtir. É um lugar tenso.
Se bem que Londrina tem um histórico de lugares caretas pra caramba, mas lá eu não piso mais.

23 de jul de 2006

esse latifundio eu não divido


Tá certo que a propriedade é um roubo. mas v se n dá vontade de roubar um pedaço...

1 de jul de 2006

ARACRUZ - credo cruz!

Famílias impedem Aracruz de derrubar Mata Atlântica
[30/6/2006] Por Marcelo Netto Rodrigues/Brasil deFato
Três dias depois que dez famílias ligadas ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) conseguiram impedir, com seus corpos, que sete tratores da transnacional Aracruz Celulose concluíssem a derrubada de uma Área de Proteção Permanente (APP), de Mata Atlântica, em Linhares, no Espírito Santo, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) determinou o embargo das operações da empresa na área.

[[ PS: Aracruz faz atualmente uma propaganda na TV onde aparecem Pelé, aquele astronauta, Bernadinho, a ginasta, o lutador de boxe e outros mais associando-se a imagem desta nefasta criadora de desertos de eucaliptos... definitivamente, estes nossos atletas sao tremendos cabeças de bagre...Viva o Brusil!]]

No dia 16, em meia hora, 7 tratores – dos 27 que seriam utilizados pela Aracruz para o desmatamento da cabeceira da nascente do Córrego Jacutinga – já haviam derrubado cerca de 8 hectares dos 50 hectares da APP quando mulheres camponesas – uma delas, no nono mês de gravidez –, suas crianças e maridos se posicionaram em frente às máquinas, relata Sérgio Conti, do MPA do Espírito Santo."A Mata Atlântica em restituição que a Aracruz estava derrubando é uma área de APP protegida por lei ambiental, que há 25 anos não era cortada. Algumas árvores nativas já alcançavam 6 metros", informa Conti. "Espécies raríssimas, como braúna, sapucaia, guaribú e gibatão foram destruídas", conta Elias Alves, outro coordenador do MPA.No Córrego Jacutinga, moram cerca de 30 famílias de pequenos agricultores e, na região do Córrego do Farias, cerca de 300 famílias resistem em meio aos plantios de eucalipto, pasto e cana-de-açúcar. A Aracruz retirou seus tratores da região, mas a milícia a serviço da empresa continua na área com duas viaturas e sete vigilantes. Se for comprovado o crime ambiental, a Aracruz será autuada e a área deverá ser reflorestada.RÉU REINCIDENTEMultas por crime ambiental não são uma novidade para a Aracruz Celulose. A empresa já foi multada este ano, na Bahia, pelo Ibama em R$ 600 mil, por plantio irregular de eucalipto em 200 hectares próximos à área do entorno do Parque Nacional do Descobrimento, no município de Prado, extremo sul do Estado. Em dezembro do ano passado, a Veracel – empresa da qual a Aracruz detém 50% das ações – também foi multada em quase R$ 400 mil por dificultar a regeneração natural de florestas de Mata Atlântica em 1.200 hectares ao sul da Bahia.A Aracruz é uma das maiores empresas do setor de madeira, celulose e papel do mundo. Detém mais de 260 mil hectares de áreas plantadas no Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia. É proprietária de cerca de 3% do território do Espírito Santo e já destruiu 50 mil hectares de Mata Atlântica só neste Estado.

http://www.revistaforum.com.br/vs3/artigo_busca.aspx

30 de jun de 2006

mudanças e mordaças

saiu um ministro da agricultura e entrou outro. lula já o advertiu q é para tratar bem a bancada ruralista...

29 de jun de 2006

jovens, envelheçam!*

Cansei dos jovens

Essa molecada de hoje em dia se acostumou tanto a ser mandada e a desobedecer, que são incapazes de ver o que está acontecendo à sua volta e tomar iniciativas.
Tudo o que não pertencer a esse roteiro pré-determinado, tudo o que escapar à essa lógica, para eles, simplesmente não existe, ou é ignorado.
Dar de ombros ao que precisa ser feito é seu gesto mais usual, mas não hesitam em achar que possuem todos os direitos universais.
Estou de saco cheio dessa cultura pequeno-burguesa parindo esses facistinhas cheios de soberba e empáfia.

*É do Nelson Rodrigues a frase do título!

30 de mai de 2006

miseráveis milionários

O jornal de londrina do dia 28 de maio, deu uma matéria mostrando a impossibilidade de um agronegociante que não tem como pagar suas dívidas e continuar a trabalhar. São 600 alqueires de prejuízo.
Os miseráveis mais milionários do planeta estão assustados. Afinal compraram os insumos agrícolas na alta do dólar. E agora, quando o dólar caiu, não podem pagar pelo que plantaram com o que colheram.
A culpa, é claro, é do governo.

CRISE NO CAMPO (fabricada)











monocultura de soja




Com frases do tipo "vamos deixar faltar comida nas cidades" e "a cidade precisa do campo, mas o campo não precisa da cidade", agronegociantes tentam iludir a opinião pública, uma vez que praticam a monocultura de grãos e o destino do que produzem está voltado diretamente para a exportação.

29 de mai de 2006

Conselho de lobo às ovelhas

Cláudio Lembo, branco, macho, governador de são paulo, do partido PFL, da direita nacional, disse que "nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa".

Luis Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, semi-alfabetizado, tem feito referências insistentes sobre a importância da educação para o país.

Benjamin Steinbruch, presidente da privatizada Companhia Siderurgica Nacional escreveu (leia abaixo) que não se deveria privatizar os setores estratégicos dos países.

Ou seja:
Quando o próprio lobo mostra para as ovelhas como se safar deles, é porque ou a hipocrisia atingiu seu apogeu, ou porq sabem q não temos como ameaçar seu poder sobre nossas cabeças.

deus me foda

esses dias três tentaram levar minha carteira e eu fugi, perto tinha um posto de polícia militar, batalhão rodoviário e eu corri lá pedir ajuda o cara mandou ligar no 190, no orelhão. chamei ele de bosta e ele tentou me prender. "quem é bosta aí? quem, hein?", ele vociferava. disse q bosta era eu e q ele n tinha voz de proteção mas de prisão tinha. E q a gente pagava imposto para ser preso. Ele me soltou. Fui embora.

Agora tava no valentino, um bar ex-underground de londrina e o segurança me empurrou pra fora do bar, porq eu entrei no banheiro feminino para mijar. Eu falei: "meu, mas aqui é o valentino!" e ele só falava: "vcs pensam q a gente é bosta"

Antes eu tinha ido me apresentar em uma festa de arte e a festa acabou antes q a arte pudesse ser servida.

Todos me perguntam da Ana, cadê ela? N conseguem ir além do q sabem de mim. Querem saber do q não lhes interessam. E eu estou só. Perplexo com tanta caretice!

Eles não querem nada. Só especular.

25 de mai de 2006


Movimentos sociais criticam o protesto dos produtores rurais ligados ao agronegócio, realizado em Brasília. Na safra 2004/2005, os grandes fazendeiros obtiveram 5,6 vezes (R$ 39,5 bi) o montante recebido pelas pequenas propriedades (R$ 7 bi), apesar destas últimas responderem por 56,8% da atividade agrícola brasileira.
(retirado de: http://www.terrazul.m2014.net/article.php3?id_article=135)


Do tratoraço dos sojicultores na frente do Banco do Brasil, terça, dia 23 de maio.

“Não quer ajudar, não atrapalha.”
Em relação ao governo

“O movimento não é partidário”
Não foi ironia

Em compensação disseram e reafirmaram que não iriam “arredar pé”. Expressão que gosto muito.
E forram inteligentes em pedir para tirar os cartazes “fora Lulla e Requião” (assim, com dois éles) dos tratores, para não parecer retaliação.

Conclusões:
1 – Se o governador do Mato Grosso e a UDR não estão ligados à partidos quem está?
2 – O dólar que estava a R$ 2,20 no dia 20 de maio subiu para R$ 2,40 no dia 24 de maio.

E o governo lá, deixando a Veja dar chutes na bunda do presidente. E jurando, de pés juntos, que a política cambial não irá mudar por causa da pressão dos fazendeiros.

22 de mai de 2006

Sabedoria


“Sonho com o intelectual destruidor das evidências e das universalidades, que localiza e indica nas inércias e coações do presente os pontos fracos, as brechas, as linhas de força; que sem cessar se desloca, não sabe exatamente onde estará ou o que pensará amanhã, por estar muito atento ao presente; que contribui, no lugar em que está, de passagem, a colocar a questão da revolução, se ela vale a pena e qual (quero dizer qual revolução e qual pena). Que fique claro que os únicos que podem responder são os que aceitam arriscar a vida para fazê-la”.

Michel Foucault in Microfísica do poder, capítulo XV – Não ao sexo rei

Faça o q eu mando...

Folha de São Paulo, 09 de maio de 2006

OPINIÃO ECONÔMICA

Amigo, "pero no mucho"

BENJAMIN STEINBRUCH

O conturbado episódio da nacionalização dos setores de petróleo e gás na Bolívia não muda e até reforça convicções que tenho manifestado neste espaço a respeito da importância do controle de setores estratégicos, cuja desnacionalização não é recomendável a nenhum país. Nas últimas décadas, premidos por dificuldades financeiras e deficiências tecnológicas, a maioria dos países latino-americanos, inclusive o Brasil, entregou ao capital estrangeiro um grande número de empresas privadas e estatais que operavam nas áreas de petróleo, petroquímica, siderurgia, mineração, energia, telecomunicações, transporte ferroviário e portos. As conseqüências negativas dessas transferências já puderam ser observadas em algumas oportunidades. Aqui no Brasil, no apagão de 2001, ficou explicitamente demonstrado que não é seguro entregar unicamente a empresas de capital estrangeiro a responsabilidade de expandir a oferta de energia. Naquele ano, quando veio a crise provocada por um período prolongado de estiagem, algumas empresas estrangeiras começaram a arrumar as malas para partir, num momento em que, mais do que nunca, era necessário pensar em investir.
Sempre defendi a idéia de que o capital estrangeiro deve ser recebido com tapete vermelho. Ele é indispensável para complementar as exíguas poupanças nacionais. Mas é natural que haja restrições a seu avanço em algumas áreas por razões estratégicas. Seria impensável, por exemplo, entregar a algum grupo estrangeiro o controle da Petrobras. Até mesmo participações minoritárias de companhias internacionais são indesejáveis no caso da estatal de petróleo. Uma simples fatia de 10% do capital seria suficiente para colocar no conselho da Petrobras um representante de companhia internacional, que passaria a tomar conhecimento das estratégias da empresa brasileira.
À luz dessas considerações, não há como contestar as decisões tomadas pelo governo da Bolívia no dia 1º de maio, com a nacionalização dos setores de petróleo e gás. Um dos países mais pobres do mundo e com grandes riquezas minerais, a Bolívia tem o direito de controlar esse setor estratégico, ainda que sejam evidentes as dificuldades que enfrentará, pela falta de recursos financeiros e tecnologia, uma questão que precisa ser resolvida pelos próprios bolivianos.
O governo brasileiro foi sensato, portanto, ao reconhecer o direito soberano da Bolívia em relação ao controle do petróleo e do gás, até mesmo ao aceitar a nacionalização da Petrobras Bolívia. Mas a reação moderada deveria terminar aí. O direito soberano da Bolívia, nesse caso, acaba onde começa o do Brasil. O patrimônio da Petrobras, que investiu mais de US$ 1,5 bilhão na Bolívia, deve ser energicamente defendido. Por uma razão simples: o governo brasileiro não pode permitir que nenhum país se apodere de ativos que pertencem ao povo brasileiro.
Vizinho mais pobre da América do Sul, a Bolívia precisa contar, naturalmente, com a generosidade brasileira, que, aliás, não lhe tem faltado. Em outubro de 2003, o próprio presidente Lula foi a La Paz para anunciar que o Brasil havia perdoado uma dívida de US$ 52 milhões da Bolívia. Ao mesmo tempo, Lula ofereceu um crédito de US$ 700 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ao país vizinho, a título de ajuda financeira.
Até por esse histórico de cooperação, não faz nenhum sentido o uso de truculência na nacionalização dos ativos da Petrobras na Bolívia, com a entrada de tropas nas refinarias da estatal brasileira. O Brasil tem a obrigação de exigir ressarcimento dos investimentos do país, ainda que facilitado a longo prazo ou em espécie (gás).
A via diplomática da negociação é, sem dúvida, a mais indicada para a solução desse conflito. A integração energética sul-americana, mesmo que pareça servir, neste momento, a interesses populistas do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, é parte obrigatória nessa discussão, dentro de uma visão estratégica das relações continentais. Jamais interessará ao Brasil ter hegemonia e desfrutar de crescimento econômico na América do Sul se ao mesmo tempo seus vizinhos estiverem afundando na pobreza.

Benjamin Steinbruch, 52, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).E-mail - bvictoria@psi.com.br
...mas não faça o q eu faço.
Se o cara q é diretor-presidente da CSN - empresa Siderurgica, privatizada em 1993 - disse isso, ou todos nós somos idiotas, ou se reestatize imediatmaente nossos setores estratégicos!


"Na época atual os horrores da insegurança vêm impressionando de modo tão profundo a mente popular que, se desse para escolher entre a liberdade e a segurança a maioria escolheria, quase sem vacilação, a segurança."

Aldous Huxley

http://www.groundcontrol.blogger.com.br/

16 de mai de 2006

eu também vou protestar

É incrível. Enquanto os sojicultores tinham financiamento à vontade no Banco do Brasil e saíam de lá para comprar outras coisas que nada tinham a ver com o investimento na lavoura. Ou quando recebiam proagro em troca de molhar a mão dos fiscais do Banco estatal, o problema era que o dólar estava muito alto e não dava para comprar os insumos.
Agora que o dólar baixou, não dá para vender seus produtos. E a culpa é do governo.
As reinvindicações desse setor são as mais incríveis. Querem que suas dívidas sejam perdoadas e que o governo garanta um preço mínimo para a soja. Ora, como escreveu uma leitora do jornaldelondrina: é mais ou menos como um negociante que compra roupas esperando o inverno rigoroso e o frio não vem. E quer que o governo pague pelo prejuizo das roupas que não foram vendidas.
Não é só o fato de se tratar de agrobusiness. Mas de que esse movimento é liderado por latifundiários e monoculturistas que sempre se beneficiaram do dinheiro público e das políticas governamentais.

Só para lembrar, mais de 80 % da soja produzida aqui é exportada para Japão e Europa e servem para fazer ração para porcos e bois.
Só para não esquecer: para se produzir um quilo de carne é preciso de 8 quilos de soja. E o soja tem vantagens proteicas e vitamínicas sobre a carne.
Além disso, a área necessária para se obter em soja o que se obtém em carne é muito menor. Portanto, poderíamos ter mais alimentos em menoss espaços. O que poderia ser útil para a produção de mais alimentos, ainda.
Que as cidades estão inchadas e os campos vazios.
Que uma máquina faz o serviço de vários homens. Que o emprego gerado pelos produtos mecanizados são ínfimos. Que o dinheiro fica concentrado na mãos de poucos. E a terra, também. Que a população passa fome.
Que somos um país com uma enorme dívida social.
Quje deveríamos plantar o que pudéssemos comer.
Que não há soja no prato da mulher do sojicultor. Carne, há.
Que os preços dessa mercadoria são cotados internacionalmente.
Que a miséria vem da falta de distribuição de renda.
Que o crime está aumentando.
Que os criminosos estão organizados.
Que a classe média começa a falar em pena de morte.
Pena de morte para matar pobres.
Pobres que só se organizam quando estão ligados ao crime.
Porque querem ter uma caminhonete como a dos filhos dos bacanas que compram drogas deles.
Caminhonete financiada com dinheiro do proagro da soja. Dinheiro público.
Do meu, do seu imposto.

15 de mai de 2006

manifesto madeirista

"Não sei muito acerca de deuses, mas creio que o rioÉ um poderoso deus castanho ; taciturno, indômito e intratável,Paciente até certo ponto, a princípio reconhecido como fronteira,Útil, inconfidente, como um caixeiro viajante.Depois, apenas um problema que ao construtor de pontes desafia."
T.S. Eliot

Não basta os limites de uma cidade, de uma região, de um território, de uma língua: todos os limites são virtuais e imprestáveis: criar pontes (que também são mprestáveis) entre os limites: sair dos limites: passear no vazio, no ilimitado, no além do programa.

Não basta Madeira, Nilo, Ganges, Tietê, Mississipi, São Francisco, Sena,Tâmisa, Amazonas, Indo: não basta florestas, desertos, oceanos, continentes, ilhas, corpo, voz, desejo ou sonho: limites a serem contagiados pelo construtor de pontes: tanto faz quanto tanto foz.
Não basta os regionalismos nem os cosmopolitismos das moneras: não basta:precisamos de pontes e, de repente, o gozo em saltar as pontes: e no fluxomortal, mergulhar, gozando todos os sonos.

Não basta o Boto, a Bôta, a Cobra Grande, o Boi: olhar do colonizador, olhar gordo de ocidentalidades turistas. Não basta Macunaíma ou Miramar: poucacanibalidade, muita imitação e respeito.

Não basta riobaldos e sinhás vitórias: não basta a Grande Arte:não basta esta gosma de classe média pregada em edifícios de papel: não basta. Não basta essa Identidade Nacional: não basta nem a identidade nem o nacional:muito menos o internacional.

Não basta o sentido nem a razão. Não basta a forma nem o formato. Não basta a aspereza nem o tédio. Não basta o linear nem o mistério. Não basta o policial nem o cômico. Não basta nem a alminha nem o carma. Não basta o horóscopo nem o nome. Não basta a data nem a hora. Não basta o peso nem o pesado. Não basta essa palavra colada às coisas como se fosse uma barata morta ou restos de carne sobre a cama.

Não basta Gramáticas, Ortografias nem Dicionários. Não basta a Bíblia, o Corão nem o Manual dos Escoteiros. Não basta nem Kama Sutra nem Código Civil. Não basta nem erudição nem Jeca Tatu.

Não basta essa fé provinciana nem esse lirismo água com açúcar. Não basta a nova nem a velha Bossa. Não basta o samba nem o carnaval. Não basta o negro nem o índio. Não basta o branco nem o amarelo.

Não basta Europa ou África. Não basta nem Ásia nem azia, América ou Oceania.Não basta gêneros: nada basta esse bastar. Não basta o grito nem o sussurro.Não basta. É sempre muito pouco. É sempre sempre igual. Não basta.

Não basta nem a bundinha, nem a garrafinha, nem o uisquinho, nem a prainha, nem as avenidinhas, nem Ariano, nem os Campos, nem francês nem inglês, nem todas essas igrejas mortas, nem todo esse lerolero global, nem milongas nem toadas. Não basta.

Não basta essa falta de fome. Não basta a história, a memória, a escória.Não basta a Geografia, a Antropologia, a inútil Sociologia. Não basta esse falso erotismo: esse falo flácido sem flanar: é preciso a obscenidade radical: não basta a devoração canibal: é preciso ser libertino: não basta devorar: é preciso desmembrar o mundo: torná-lo vazio: sem sentido: e remontá-lo no meio da praça: não basta tê-lo devorado até a saciedade: é preciso maculá-lo: remontá-lo com outro sentido e sentido algum: é preciso libertar a palavra, o som, a imagem, o corpo, e o não de todo esse peso, de todas essas idéias, de toda asperidade, de toda autoridade: tudo preso a tudo por nada, sem pontes, sem o deslimite do depois das pontes e do vôo sobre as pontes: tanto faz quanto tanto foz.

Não basta nenhuma crença: não bastam Deuses, Demônios, Pátrias, coronéis, generais e lobisomens: não basta nem miséria nem riqueza: só a obsessão cria as pontes e somente a libertinagem do libertino cria a liberdade radical, aquela que pode nos fazer saltar pontes sem precisar a travessia, para nada, por gozo.

Basta de descritivismo, de predomínio do objeto. Basta dessa arte sem imaginação, sem sonho, sem invisibilidade, cheia de realidades tolamente visíveis, pré-visíveis tramas televisivas.
Basta desse falso diálogo de jornal invadindo a palavra. Basta de arte-mercadoria: a arte não vale nada: não é valor/trabalho: o artista não é trabalhador: arte não é ofício: arte é orifício.
Basta desse respeito à linguagem: é preciso implodi-la para insignificar: precisa ser tocada, maculada, desmembrada para enlouquecer e deixar fluir e fluir-se.

Basta de caminhar dentro do estúpido senso comum das mídias, dessa crítica amigável, dessa bajulação mútua, dessa análise historicista: mero acalanto de boiadas.
Chega de Primeiro, Segundo e Terceiro mundo: a arte é o gozo que dissolve o concreto do mundo: tanto faz quanto tanto foz. E chega de bastar: é preciso reaprender a gozar.
Somos criadores: pairamos sempre sobre as águas, mordendo os dedos dos pés, criando o círculo de fogo sobre o nada: precisamos somente dizer o faça-se:essa palavra vinda do mais íntimo das entranhas: tanto faz quanto tanto foz:cadê a tua voz?"

MANIFESTO MADEIRISTA

escrito por Joeser Alvarez
31/12/98

4 de mai de 2006

REESTATIZAÇÃO JÁ!

(ressonâncias latino-americanas)
A VALE DO RIO DOCE É NOSSA!

3 de mai de 2006

é esse aí q é o hómi















Subcomandante Marcos chama homossexuais de "companheiros de luta"

CIDADE DO MÉXICO, 3 mai (AFP) - Sempre encapuzado, o subcomandante Marcos, chamou gays e lésbicas nesta quarta-feira de "companheiros que estão na luta" em um ato celebrado na capital mexicana.
Ao presidir o comício, diante de 200 pessoas, na Alameda Central da cidade, Marcos acusou o governo da capital, nas mãos da esquerda, de descumprir a promessa de dar um nível melhor de vida aos moradores e de não respeitar grupos marginalizados entre os quais destacou gays, lésbicas e indígenas. "Para nós, não são as 'putas ou os putos', são nossos companheiros de luta que seguem o caminho para conquistar sua liberdade e garantias", concluiu o líder do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN).
O evento, organizado por integrantes de um movimento de defesa dos direitos dos homossexuais em pleno centro da capital mexicana, transcorreu com normalidade.Marcos viaja pelo país desde 1º de janeiro como parte da denominada "Outra Campanha"; em 1º de maio chegou a concentrar milhares de simpatizantes no Zócalo, centro histórico da capital.

EVO MORALES

VIVA A INDEPÊNDENCIA DOS POVOS DA AMÉRICA LATINA!

2 de mai de 2006

pedrofilhismo

Pedrofilhismo não é, necessáriamente, um movimento. Mas aqueles que o praticam possuem em comum o fato de se acharem melhor do que os outros e que só eles têm o filhinho mais brilhante do mundo, porque ajuda papai nas fazendas.
O Júnior, em questão, é aquele filho bobão, mas que aprende rapidamente que George Bush é um grande presidente; que a Veja está certa (só lê - quando lê - isso mesmo); que o Lula é vagabundo; e quem vota num vagabundo desses também é vagabundo. E não entra em sua casa. E se for seu empregado ele manda embora; que a culpa da miséria no campo é do Sindicato dos trabalhadores rurais; que o MST é o demônio; que o pobre precisa do rico; que pobre não ajuda pobre; e que ele sempre foi bom com os empregados, mas com essas leis trabalhistas - coisa de comunistas - ele agora não quer mais nem saber de ajudar os trabalhadores mais.
Outro dia o pai do Júnior se saiu com essa: que os parentes dele não querem que ele suba na vida. Só porque ele comprou uma pequena propriedade - coisa pouca, 500 alqueires - os irmãos fizeram censura. Disseram que ele já tinha muito e não precisava ficar correndo atrás de mais coisas ainda. Coitado, tão esforçado e os irmãos com inveja, torcendo contra sua tentativa de melhorar de vida.
Esse Pedro não toma jeito. Esse Pedro é uma parada. E o pedrofilhismo não é piada. Tu apontas o dedo em riste para mim, e outros três voltam-se contra você mesmo. Em todo caso, eu não respondo à sua prepotência e arrogância autoritária em um lugar que não é o ringue de briga ideal para esse tipo de combate. Até porque eu tenho classe!

30 de abr de 2006

Veja

Sei que é chover no molhado. E que é preciso tentar entender quem defende quais interesses, sempre, antes de julgar e condenar. Mas uma passada por http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_invencoes_elite.htm

vale a pena.
Até para saber quais os mecanismos a revista Veja usa para defender seus interesses!

Algumas frases encontradas lá no texto "Laboratório de invenções da elite". Por Anselmo Massad, da revista Fórum

Falando dos perseguidos pela revista:


A lista é extensa, mas as razões derivam de uma fórmula simples. “Veja faz um jornalismo de trás para a frente”, explica Cláudio Julio Tognolli, repórter do semanário na década de 1980 e hoje professor da USP. Segundo ele, se estabelece uma tese e a partir dela se parte para a rua, para a apuração. Ouvir lados diferentes da história e pesquisar sobre o tema são práticas que não alteram a “pensata”, jargão para definir a tese que a matéria deve comprovar. Dentro da redação, o melhor repórter é o que traz personagens e fontes para comprovar a tese. “Assim, Veja ensina à classe média bebedora de uísque o que pensar”, alfineta."

“As assinaturas das matérias são uma ficção”, sintetiza um ex-colaborador da revista que não quis se identificar. As matérias são reescritas diversas vezes. O repórter entrega o texto que é modificado pelos editores, depois refeito pelos editores executivos e, por fim, pelos diretores de redação. No final da “linha de montagem”, o repórter, que pacientemente aguardou a edição para uma eventual necessidade de verificação de dados, não tem acesso ao texto até ver um exemplar impresso. O processo é narrado no livro do ex-diretor de redação da revista Mário Sérgio Conti, que fez parte da cúpula da publicação até 1997, como chefe de redação e diretor. A opinião que prevalece é a da revista, ainda que todos os entrevistados tenham dito o oposto, mesmo que para isso seja preciso omiti-las do leitor.

A revista busca agradar a quem a compra: a classe média conservadora.
A tiragem semanal da revista é de 1,1 milhão de exemplares, sendo 800 mil assinantes e o restante vendido em banca. “A maioria dos que compram, gostam das opiniões, gostam do Diogo Mainardi”, lamenta Raimundo Pereira, um dos primeiros editores da revista na época em que lá ainda trabalhava o seu criador, Mino Carta.

Os preconceitos da elite são refletidos pela revista. Além dos movimentos sociais, há quem relate que um dos bordões de Tales Alvarenga, atual diretor de publicações, em sua fase à frente da revista era: “Não quero gente feia”. Por gente bonita, referia-se não apenas a padrões estéticos de magreza, mas também aqueles ligados à cor da pele. Segundo colaboradores próximos, fotografar negros seria quase certeza de material desperdiçado.

Chega de crltC/crltV, quem tem q.i. vai

http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_invencoes_elite.htm

25 de abr de 2006

http://www.estultiferanave.blogspot.com/

Alguém vai ter que limpar essa sujeira
esse amor todo esporrado no chão
desço as escadas como se nada tivesse acontecido
com esse corte profundo no super cílio
mas se me salvarem hoje perecerei todas as noites
esperando que alguém venha recolher os pedaços
com um pá de plástico vagabundo
dessas que a gente compra em lojas de 1,99
furaram meu bote inflável
ou eu mesma me sabotei como de costume
agora vou batendo as têmporas no meio fio
espancando as noites
cerrando os punhos com força
e mastigando pétalas murchas do último buffet.

19 de abr de 2006

todo dia era dia de índio








Théodore de Bry (cerca de 1590 - 1596)








ERRO DE PORTUGUÊS

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português

Oswald de Andrade, 1925

17 de abr de 2006
















A internet amplifica a idéia da colagem, do uso de materiais já criados, podendo recriá-los em plágio-combinação, ou, mesmo, usar na íntegra o que já foi mostrado por outros. De preferência remetendo ao seu autor.
O negócio é usar as armas: sejam a dos aliados ou dos inimigos.
A charge aí em cima foi capturada em http://www.kibeloko.com.br/ e tem tudo a ver com o BOCAQUENTE.
A cópia do mundo é nossa!

14 de abr de 2006

A solução pro nosso povo eu vou dar!




Pois é, temos uma solução. Não, não é a Amazônia. Não é nada amazônico. É algo mais importante. Aliás, cinco elementos que os nossos maiores credores não têm: as estrelas do Penta.
Da mesma maneira que nós brasileiros desejamos um país mais sério, com distribuição de renda mais justa, os nossos maiores credores podem desejar as cinco estrelas do Penta, por quê não?
Como negociar? De três maneiras: aluguel, venda ou leilão. No caso do aluguel passaríamos as cinco estrelas para os Estados Unidos usarem nas Copas do Mundo durante 30 anos e eles nos pagariam 96 bilhões de dólares por copa do mundo. Em relação à venda, colocaríamos as estrelas no mercado a preços populares, coisa de 150 bilhões de dólares, cada.
Uma das sugestões seria a Nike intermediar a transação, já que esta importante empresa goza de bons relacionamentos com o Brasil. Também o leilão seria um sucesso, contando com o nosso Mestre de Cerimônias Galvão Bueno e o como Leiloeiro Oficial, Edson Pelé do Nascimento.
Dá até para imaginar as ofertas feitas pelas potências, como a Itália, Estados Unidos, Alemanha, França, Espanha, Inglaterra. Dá até para ver as mãos de Joseph Blatter se esfregando enquanto o “Rei” bate o martelinho, encerrando o leilão após a oferta máxima de Silvio Berlusconi. Com Ricardo Teixeira e João Havelange tomando boas doses de uísque. Daria até para ganhar uns extras com a trilha sonora do leilão: “...o povo da FIFA mandou avisar”.
Oliver Kahn, o goleiro da Alemanha que “bateu roupa” em uma bola infantil, que ocasionou um dos gols da vitória na última final e ainda assim foi eleito o melhor jogador da Copa, poderá ganhar mais um título: o da Ordem do Cruzeiro do Sul. Nós, Pentagonaldos, somos muito respeitados e agora, mais ainda lá fora. Conseguindo negociar com eles, poderemos ser mais livres e até gritar mais alto: “A Amazônia é nossa!”.

Marcelo Eduardo Henrique – Olvidor-mor da Federação

11 de abr de 2006

SIGA O MESTRE!

IDENTIDADE PÚBLICA
















, ou conversas com o inominável

Quero ser a cópia da cópia da cópia. A puta, a cachaça barata, o mamonas assassinas, o assassino desta teoria que vê na diluição o fracasso da arte maior, a que se faz importante, imponente, espetacular.
Quero ser maneroso, estiloso, repetitivo, artesanal, fake, mentiroso. Ser o real pelo seu avesso, até o plágio se tornar um conceito original.
Quero estar na boca do povo, canção assoviada de Noel, bolerão, me deixem torcer pela seleção, eu nunca quis ser erudito, eu sou popular. Não tenho marcas, penduricalhos, grifes, nome a zelar. Sou cd pirata, vira-latas, mercado informal. “Baixa temperatura poética” é o meu ideal de vulgaridade.
Quero colocar carne-de-sol nesse banquete de intelectos e gênio raros. Eu quero levar uma parte do seu salário e gastá-lo em trocadilhos baratos. Como elma chips, big brother barraco, meter a cultura elitista em um saco de gatos e ver o circo incendiar. Idéias morro acima e cultura abismo abaixo ninguém há de segurar!
Sou o anônimo, o antônimo do heterônimo, o INOMINÁVEL: todo homem é um artista. Todo homem é um comunista. Todo homem é médium. Todo homem é bom. Arte é artifício. Linguagem é jogo. Tudo é ilusão!
Viva a manifestação do povo da periferia. Viva quem quiser viver, mas não me venham com esse papo de originalidade, alta cultura. Tiro um som da burrice nacional, do caldeirão das raças faço meu mingau. Sabedoria não depende de diploma. Quem quiser compreender é só olhar o céu. E nada mais se ensina. Deixe o desejo aceso e tudo se combina: fogo na gasolina!

1 de abr de 2006

paradoxos



Depois de ler, e me encantar, com o texto “Campanha contra o vício da leitura”, do colunista/ensaísta catarinense Fábio Brüggmann, no livro “Isto não é notícia”, onde, em prosa corajosa, se mostra extremamente lúcido, me vi pensando em coisas como essas, que seguem abaixo:


Diálogos

- Quem disse que um idiota não pode se transformar em filósofo?
- E quem disse que um filósofo não pode ser um idiota?

- Você sabia que quanto mais lê, mais burra a pessoa fica, segundo Schopenhauer?
- Você sabia que idiota é quem se atreve a pensar por si, segundo Deleuze?

Latifúndio reclama fundos



SLOGAN:
A agricultura está morta. O latifúndio e a monocultura mataram a terra.
Ou, quando o filho mata a mãe e põe a culpa no pai.



1 – Um amigo aqui de Londrina, professor Marcos Barnabé, 2 anos atrás, convidou-me para assistir os clássicos do western, junto a seus alunos de arquitetura. Sua intenção era mostrar “como é que se fazia cinema” para a garotada, que “a direção é a alma de um filme” e, de quebra, em como o “spaguetti” italiano se apropria da linguagem dos filmes de farwest dos eua, misturano-os à linguagem de Glauber Rocha, para criar filmes populares de bang-bang.
E lá fui eu, em nome da amizade e, principalmente da curiosidade, assistir John Wayne em ação, dirigido pelo “genial” John Ford. O primeiro filme foi “O homem que matou o facínora” (The Man Who Shot Liberty Vance), de 1962. E é sobre esse filme que eu quero começar a traçar algum paralelo com a situação fundiária no Brasil.

2 – O filme em questão conta a história de um advogado recém-formado (James Stwart), que veio à cidade, querendo trazer civilidade ao lugar.
Defendendo interesses dos latifundiários, que atrasavam o progresso do lugar e zombavam da lei, o malvado capataz Liberty Vance (Lee Marvin) logo põe a vida do mocinho em risco, até que, depois de várias ameaças, o advogado aceita o desafio para um duelo na rua e o facínora, seu oponente, tomba, morto à bala.
O fato é narrado ao espectador pelo advogado que acaba se tornando senador e volta para a cidade, anos depois, para o enterro do vaqueiro Tom Doniphon (John Wayne). O fator surpresa do filme é saber que o disparo não saiu da arma do advogado, mas do “destemido vaqueiro”, que, mesmo perdendo a mocinha para o advogado bonitão (mas péssimo atirador), salva a vida do homem que representa a justiça.

3 – Mas não é comentar cinema o que interessa, aqui. Mas refletir em como a ideologia hollywoodiana foi vendida como “cultura americana” e de como ela pode sustentar seu poder, ao pregar os princípios da justiça, da ordem e da liberdade democrática como uma grande conquista para a humanidade.
Quem conhece um pouco da história do cinema, sabe que os produtores cinematográficos fugiram de New York para Hollywood para não se submeterem às leis que protegiam o trust e, porque os custos de produção eram menores no interior do que na capital.
E filmaram o “velho oeste” porque era o cenário que tinham para filmar. E faziam filmes contra os latifundiários porque era o assunto mais em evidência no lugar. Os pecuaristas viam com péssimos olhos aquela indústria de cultura e entretenimento, que ameaçava a estrutura social do lugar e seu domínio pelas terras, garantidas debaixo do derramamento de muito sangue indígena e carcaças de búfalos. Foi em cima desse ponto, a meu ver, que o cinema se tornou o grande porta-voz da imagem que temos dos E.U.A., até hoje.

4 – A Reforma Agrária nos EUA foi realizada em 1862, enquanto no Brasil o problema fundiário é o X da questão social. Em 1950 havia 50 milhões de pessoas morando no país. 70% lavradores. Hoje somos 170, 180 milhões e 90% da população vive nas cidades. Além disso, nosso país só perde para o Paraguai, em termos de concentração de terras nas mãos de menos gente, comparativamente. Mas a maioria das terras paraguaias pertence a... brasileiros. E isso não é filme de cinema americano!

5 – Foi manchete de capa do jornal Folha de Londrina, de sexta-feira, dia 31 de março de 2006, a notícia que dava conta que em Bela Vista do Paraíso – pequeno município situado ao norte do Estado do Paraná – houve um protesto de agricultores que interditaram um trecho de rodovia e passaram pela avenida da cidade, fazendo o comércio abaixar suas portas.
O motivo do protesto é que milhares de agricultores fizeram empréstimos no Banco do Brasil e agora não podem pagar. E o governo ameaça tomar judicialmente suas terras e maquinários. Afirmam que as colheitas das últimas safras ficaram aquém das expectativas, por conta da estiagem que vêm atacando a região há anos. Além da queda do preço do dólar, que fez o preço do saco de soja cair.
Por tudo isso, se declaram em luto, acusando o governo de não apoiá-los, em um momento difícil como esse que estão passando.

6 – A terra por onde passaram os plantadores de soja, soltando rojões, com seus carros, caminhonetes e colheitadeiras, é a mesma terra onde já não há mais vestígios dos índios que habitavam o lugar, nem da flora, nem da fauna, devastadas. Não foi preservada, sequer, a mata ciliar. Já não há mais rios potáveis, nem peixes vivos. O agrotóxico destrói tudo à sua volta. E a terra, de tanta rotatividade, torna-se cada vez mais fina, mais poeirenta. O sol aquece o solo desnudo, que reflete o calor. A temperatura aumenta, o clima se desarmoniza. As estações perdem a definição: faz frio no verão, calor no inverno, seca na primavera.

7 – Antes da soja – cujo comércio é voltado quase que integramente às exportações – havia o café. Também era monocultura. Por pior que fosse, gerava alguma renda que era revertida para a cidade. E a propriedade das terras estava menos concentrada. Mas a cultura da soja prescinde do homem. Uma máquina e um tratorista para centenas de alqueires (aqui não se fala em hectares. Cada alqueire chega a custar 120 mil reais). O resultado disso é o inchaço e a violência na cidade grande. E o fim das cidades pequenas. Cidades Mortas!

8 – Generalizar é sempre perigoso. Mas o fato é que novos ricos que recebem dinheiro fácil gostam de se mostrar, gastando dinheiro das formas mais imbecis. Caipiras que de repente saiam do Banco do Brasil – no mesmo local onde fazem agora seus protestos contra a falta de ajuda do governo – cheios de crédito para investir na lavoura. Mas torravam o dinheiro fechando bordéis, comprando caminhonetes do ano, colares e pulseiras de ouro, em um arremedo de “Sinhozinho Malta”, personagem de Lima Duarte, na novela Roque Santeiro e tudo o mais que a ignorância pretensiosa, que os transformavam, também, em seres arrogantes, podia lhes dar.

9 – O presidente da república já se manifestou que está aberto ao diálogo com esses produtores. Afinal, não fazemos a Reforma Agrária, mas é preciso manter o comércio externo azeitado. Uma das dez economias do mundo não pode parar para pensar em seus cidadãos menos favorecidos – nosso IDH (índice de desenvolvimento humano) é vergonhoso – que nunca receberam um centavo do poder público. Mas do imposto gerado por esse comércio, não há como abrir mão. Todos sabem que manter o paternalismo é uma boa estratégia para garantir a reeleição.

10 – A agricultura está de luto. Algo está morto e é preciso deixar que agora apodreça, para que a terra volte a ter micro organismos que a torne viva, novamente. Não tenho intenção, com este texto, de me tornar candidato a nada. Isso também não é um discurso. Ou é. Ou sou candidato, não importa. Mas para que algo seja exato e esteja de acordo com a realidade dos fatos, sugiro não se pronunciar mais a palavra agricultor para se referir a essas pessoas que protestam contra o governo, quando, em nenhum momento pensaram na sobrevivência das próximas gerações. De seus próprios filhos e netos. Suponho chamá-los sojicultores, ou, quando muito, monoculturistas, já que é esse tipo de ação que empregam em seu trabalho. Agricultor seria aquele que cultiva a terra, com vistas a torná-la fértil. E a única agricultura que esses sojicultores praticam é a agricultura esgotante, aquela que – segundo o dicionário Houaiss – “esteriliza ou depaupera” o solo.
Por fim, já que a questão se voltou para o léxico das palavras, gostaria de mencionar que Americano são todos os que vivem na América, que vai do Alaska até o pólo sul. E que nem de Americanos do Norte os habitantes dos Estados Unidos da América podem ser chamados, já que o Canadá também pertence à América do Norte.
Ao apontar o governo por um crime que eles mesmos cometeram, os monoculturistas da região norte do Estado do Paraná parecem querer esconder a mão coberta do sangue vermelho, seco, sujo e endurecido da Mãe Terra que eles próprios mataram.
No cinema ainda sobravam mocinhos para contar a história no final, aqui, nem isso...