30 de out de 2009

cutrale e o mst

Cutrale, símbolo do agronegócio internacionalizado
por Michelle Amaral da Silva última modificação 23/10/2009 13:43
Colaboradores: Ariovaldo Umbelino

Empresa representa o processo de concentração de terras, produção e capital ensejado pelo modelo de subordinação da agricultura brasileira

Empresa representa o processo de concentração de terras, produção e capital ensejado pelo modelo de subordinação da agricultura brasileira



23/10/2009


Ariovaldo Umbelino


O episodio da ocupação pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de uma das fazendas “invadidas” pela empresa Cutrale, de terras públicas da União na região de Iaras (SP), suscitou todo tipo de especulações na imprensa e, sobretudo, motivou os parlamentares ruralistas a pedirem uma nova CPI do MST e da reforma agrária.


Sobre o caso, ficou evidente a manipulação da mídia ao veicular a cena da derrubada de pés de laranja pelas famílias. Reprisado insistentemente em todos os programas, por todos os canais de televisão, foi o suficiente para demonizar todas aquelas pobres famílias que estão há mais de cinco anos debaixo de lonas pretas esperando o direito de trabalhar na terra.


Vandalismo!

A chamada “grande” imprensa não quis continuar pesquisando as outras denúncias de depredação de máquinas e “roubos” de casas de empregados, pois ficou evidente o circo armado pelo serviço de inteligência da Polícia Militar (PM), em conluio com a empresa, para criar um clima desfavorável às famílias. Logo, todas as autoridades, colunistas, políticos e assemelhados foram para a mídia esbravejar: vandalismo, vandalismo! Sem pensar e se perguntar quem teria feito de fato aquilo.


As famílias negam que tenham furtado qualquer objeto e destruído tratores. Aliás, para destruir tratores, precisariam, convenhamos, de uma certa dose de força bruta. E mais. Por que não se fez uma investigação? Uma simples perícia iria identificar que aqueles tratores estavam desmontados há muito tempo pela oficina de reparos da empresa, existente na fazenda.


Mas tudo isso é manobra dispersiva. Primeiro, para esconder que na região há 200 mil hectares de terras da União que vêm sendo sistematicamente griladas. E griladas por empresas cujos donos circulam por altas rodas da socialite paulistana. Mas mesmo assim o Incra já recuperou mais de 20 mil hectares que hoje assentam famílias de trabalhadores. Segundo, para esconder que a Cutrale “comprou” a área há apenas 5 anos, sabendo que não havia titulação, que havia um processo na Justiça por reintegração de posse pelo Incra. Por que então a Cutrale apostou em comprar terras baratas e griladas e enchê-las de laranja? Graças a seu poder de influência na sociedade brasileira e paulista.


A Cutrale é o símbolo do processo de concentração de terras, produção e capital ensejado por esse modelo de subordinação da agricultura brasileira aos interesses do capital internacional.


Omissão

Ninguém da “grande” imprensa noticiou que a Cutrale possui nada menos do que 30 fazendas em São Paulo e Minas Gerais, totalizando 53.207 hectares. E que, destes, seis fazendas com 8.011 hectares são classificadas pelo Incra, no recente cadastro de 2003, como improdutivas; portanto, passíveis de desapropriação. Entre as 30 fazendas não consta a área grilada de Iaras, pois não é de sua propriedade (veja tabela abaixo).


Uma colunista teve coragem de noticiar os vínculos partidários e as polpudas verbas gastas pela empresa nas campanhas eleitorais, em apoio a todos os partidos.


O fato é que a Cutrale é símbolo desse modelo de agronegócio subordinado ao capital internacional. Uma empresa de origem familiar do interior de São Paulo se vincula ao mercado externo, se associa com a Coca-Cola e passa a controlar, em poucos anos, a maior parte do mercado de laranja do Brasil e 30% de todo o mercado mundial de sucos. Hoje, cerca de 90% do suco produzido no Brasil é exportado.


Monopólio

Em poucos anos, o setor se transformou, de muitas e médias agroindústrias e de milhares de pequenos e médios produtores de laranja, num setor altamente oligopolizado. Hoje são apenas quatro grupos que controlam toda laranja: Cutrale (mais ou menos 60%); Citrosuco; Louis Dreifus Commodities – LDC (francesa); e Citrovita, da Votorantim.


A Cutrale tem esse poder todo porque possui uma empresa associada (joint venture) à Coca-Cola mundial nos EUA, de quem é fornecedora exclusiva em escala mundial. Por isso sua condição de empresa “Ltda.”, pois já é parte (menor) do monopólio mundial da Coca-Cola.

Numa reportagem de 2003, a insuspeita revista Veja denunciou a empresa Cutrale de ter subsidiária nas ilhas Cayman, como forma de aumentar seus lucros, ou quem sabe de evasão fiscal... e saiba Deus mais o quê.


Exploração

Essas empresas passaram a comprar terras e assim garantem uma base da produção de laranja suficiente para impor preços e condições draconianas aos pequenos e médios agricultores que antes produziam laranja para um mercado concorrencial. Os trabalhadores dos laranjais são superexplorados com salários ridículos, pagos por produção, sem nenhum direito trabalhista.


O resultado de todo esse processo foi que milhares de pequenos e médios agricultores tiveram que abandonar a produção de laranja. Entre 1996 e 2006, foram destruídos, segundo o Censo Agropecuário do IBGE, somente em São Paulo, nada menos do que 280 mil hectares de laranjais.


Mas a Globo não fez nenhuma reportagem. Nem o serviço de inteligência da PM de São Paulo se preocupou em filmar porque os pequenos e médios agricultores estavam destruindo seus laranjais!


Os parlamentares ruralistas realmente não têm consciência de sua classe – da burguesia rural. Em vez de defendê-la, ficam sempre puxando o saco da burguesia internacional. Razão tinha mesmo o nosso saudoso Florestan Fernandes: faltou-nos uma revolução burguesa nesse país, que pelo menos lhe desse sentido de classe e consciência de nação.


Ariovaldo Umbelino de Oliveira é doutor em Geografia, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – Departamento de Geografia Humana – da Universidade de São Paulo (USP). É estudioso dos movimentos sociais do campo e da agricultura brasileira e autor de vários livros.

23 de out de 2009

22 de out de 2009

juntando peças do quebra cabeças neoliberal


http://pscandiru.blogspot.com/

Leia no blog acima crítica sobre o livro "Quem pagou a conta?" E, abaixo, meu comentário/reflexivo/histórico.





Alou, Candiru, muito bem posicionado seu blog. Passei aqui através de um reenvio de uma amiga, a Regina.
Sou do norte do Paraná e lá, em 1975, teve uma geada muito forte que queimou a plantação de café, que empregava muita gente no campo. Depois disso, com a desculpa da geada e com acusações ao Sindicato Rural dos Trabalhadores Rurais, tudo se transformou em plantação de soja e aconteceu um dos grandes êxodos da história da humanidade, até hoje pouco falado. e, menos, ainda, analisado.
As famílias foram mandadas embora para a cidade, que as recebiam com a promessa de casa popular para morar e emprego nas emergentes indústrias de Londrina e região.
Ganharam as fábricas de cimento; ganhou o setor imobiliarista, que agenciou os negócios, principalmente entre a periferia e o centro da cidade, por onde passaram as infra-estruturas, como asfalto, luz, água encanada, etc.; ganharam as empresas com negócios multinacionais para instalar industrias na região, ganharam os grandes fazendeiros exportando soja e comprando terras de quem não podia investir em maquinários e agrotóxico; ganharam, mais uma vez, os fazendeiros, com facilidades de financiamento de produção e, depois, requisitando - e conseguindo - pró-agro (perdão de dívidas por baixa produtividade na safra)para gastar onde quisessem.
Claro, ganhou os EUA (não vamos dizer americanos, pois isso é assumir o discursos imperialista. Americanos somos todos nós, da América)vendendo implementos, agrotóxicos, fertilizantes e comprando a safra, com preço baseado na bolsa de Chicago.
Sairam os militares, truculentos, ruins de negócio, entraram os neoliberais, primeiro do mdb, depois do pmdb, que ainda fundamentavam sua prática em discursos sociais e progressista (a venda da ilusão do ufanismo desenvolvimentista continua até hoje, tristemente).
Bem, aqueles ex-empregados da lavoura, enganados com a promessa de felicidade na cidade, que sempre foram tratados como escravos, sem direito à carteira assinada, por exemplo, viraram, em sua maioria, favelados. Londrina é uma das cidades mais violentas do país, em relação ao número de habitantes.
Tanto os grandes fazendeiros, quanto aqueles que venderam suas terras e estavam com algum dinheiro no bolso, quanto os que não tinham nada, acabaram indo para outra "terra virgem", fazer o que tinha de ser feito: devastar. E, assim, o Mato Grosso foi invadido pelos norte-paranaenses (não só estes), oferecendo riqueza extrativista e, depois, dá-lhe boi, dá-lhe soja.
Juntando o quebra-cabeça, veja você: Fernando Henrique fundando o CEPRAP, com dinheiro da Fundação Ford. 1975, a tal da geada "negra". E, depois, o Consenso de Washington. Tudo armado para 2 mandatos de FHC, para realizar a privatização do Estado.
O norte do Paraná virou um deserto de soja e não há mais árvores, pássaros e águas limpas que possam ser vistas, olhando aquele solo liso como uma mesa, coberto de terra roxa.
Conhecer os mecanismos que engrendam o poder talvez nos auxilie a desmontá-lo, também, e recolocar, em seu lugar, um outro ponto de vista que seja agregadopr de forças para nós possamos construir, de fato, não só a nossa real independência, mas um futuro de justiça social com preservação ambiental.

19 de out de 2009

Bresser Pereira e as laranjeiras

BRESSER-PEREIRA: O MST é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela "fúria de militantes irracionais" .

19/10/2009 - 09:54:00

Indignação com as laranjeiras
Por LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
(foto)

Por que não nos indignamos com a captura do patrimônio público que ocorre todos os dias em nosso país?



HÁ UMA semana, duas queridas amigas disseram-me da sua indignação contra os invasores de uma fazenda e a destruição de pés de laranja. Uma delas perguntou-me antes de qualquer outra palavra: "E as laranjeiras? " -como se na pergunta tudo estivesse dito.
Essa reação foi provavelmente repetida por muitos brasileiros que viram na TV aquelas cenas. Não vou defender o MST pela ação, embora esteja claro para mim que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Mas não vou também condená-lo ao fogo do inferno. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela "fúria de militantes irracionais" .
Quando ouvi o relato indignado, perguntei à amiga por que o MST havia feito aquilo. Sua resposta foi o que ouvira na TV de uma das mulheres que participara da invasão: "Para plantar feijão". Não tinha outra resposta porque o noticiário televisivo omitiu as razões: primeiro, que a fazenda é fruto de grilagem contestada pelo Incra; segundo, que, conforme a frase igualmente indignada de um dos dirigentes do MST publicada nesta Folha em 11 deste mês, "transformaram suco de laranja em seres humanos, como se nós tivéssemos destruído uma geração; o que o MST quis demonstrar foi que somos contra a monocultura" .
Talvez os dois argumentos não sejam suficientes para justificar a ação, mas não devemos esquecer que a lógica dos movimentos populares implica sempre algum desrespeito à lei. Não deixa de ser surpreendente indignação tão grande contra ofensa tão pequena se a comparamos, por exemplo, com o pagamento, pelo Estado brasileiro, de bilhões de reais em juros calculados segundo taxas injustificáveis ou com a formação de cartéis para ganhar concorrências públicas ou com remunerações a funcionários públicos que nada têm a ver com o valor de seu trabalho.
Por que não nos indignarmos com o fenômeno mais amplo da captura ou privatização do patrimônio público que ocorre todos os dias no país? Uma resposta a essa pergunta seria a de que os espíritos conservadores estão preocupados em resguardar seu valor maior -o princípio da ordem-, que estaria sendo ameaçado pelo desrespeito à propriedade.
Enquanto o leitor pensa nessa questão, que talvez favoreça o MST, tenho outra pergunta igualmente incômoda, mas, desta vez, incômoda para o outro lado: por que os economistas que criticam a suposta superioridade da grande exploração agrícola e defendem a agricultura familiar com os argumentos de que ela diminui a desigualdade social, aumenta o emprego e é compatível com a eficiência na produção de um número importante de alimentos não realizam estudos que demonstrem esse fato?
A resposta a essa pergunta pode estar no Censo Agropecuário de 2006: embora ocupe apenas um quarto da área cultivada, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção e emprega quase três quartos da mão de obra no campo.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, nesta Folha listou esses fatos e afirmou que uma "longa jornada de lutas sociais" levou o Estado brasileiro a reconhecer a importância econômica e social da agricultura familiar. Pode ser, mas ainda não entendo por que bons economistas agrícolas não demonstram esse fato com mais clareza. Essa demonstração não seria tão difícil -e talvez ajudasse minhas queridas amigas a não se indignarem tanto com as laranjeiras.

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA , 75, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994". Internet: www.bresserpereira. org.br

bresserpereira@ gmail.com

Fonte Folha de S Paulo

TROPICÁLIA


Dizem que uma das araras da Tropicália, mesmo chamuscada, se salvou do incêndio. Iphan e Ibama agora discutem o destino da pobre ave, que, chorando em um dos cantos da casa do jardim botânico, apenas repetia: "CRÉU, CRÉU"

Repensando a obra de HO

ESSE TEXTO ESCREVI EM 2007. ACHO PERTINENTE, TAMBÉM, COMO FORMA DE REPENSAR A PARTIR DA TRAGÉDIA ACONTECIDA CXOM A OBRA DE HÉLIO OITITICA, ANTEONTEM, 17 DE OUTUBRO DE 2009



OITICICA COMO UM CAFONA QUALQUER
Por Rubens Pileggi Sá

“Lembro-me de como Mondrian, por exemplo, é injustiçado ao ser colocado tão esteticamente dentro de vidro, em larguíssimas molduras inteligentemente boladas para suas obras, em lindas salas, como um acadêmico cafona qualquer”.
H.O. in Aspiro ao Grande Labirinto (1984: P118)

Emoções de fim de ano
E não é que o clima de fim de ano na seara das artes plásticas esquentou, mesmo? Entre algumas polêmicas, pode-se contar a contenda da crítica feita por Camillo Osorio sobre o cuidado das peças e do destino do Centro de Arte Hélio Oiticica e a resposta dada por César Oiticica, diretor e dono particular das obras do irmão, que respondeu irado às colocações do crítico de O Globo; outra que deu o que falar foi a do anúncio da Bienal do Vazio, proposta pelo curador Ivo Mesquita, que deixará o segundo andar do pavilhão da Bienal de São Paulo, ano que vem, sem obras, causando uma tremenda celeuma no meio artístico e; essa última agora, iniciada pelo jornalista da Folha de São Paulo, Luciano Trigo, sobre obras que levam maçã, mármore e paçoca de amendoim para as galerias de arte, no país da tropa da elite.

Releituras como posição crítica
A primeira coisa que é possível levantar dessas questões todas, é que se repetem muito os personagens – ou seus similares - comandando a direção dos debates que foram desenvolvidos há mais de 40 anos atrás e que, uma boa (re)leitura das propostas daquele momento, nos faria (re)pensar vários desdobramentos das artes tupiniquim, particularmente esse das metáforas artísticas e sua realização formal. Não que tais personagens e modelos deixem de ter suas razões para estarem no campo de debates, mas como é que as dissonâncias de discurso simplesmente parecem não possuir tal força ativa dentro do circuito, como se fossem incapazes de criar significação dentro da mesma situação? Uma coisa é certa, quando o “contramodelo” – como diz Hal Foster, in Recodificacação, de 1996 – passa a se tornar, ele também, um padrão imposto, todo o discurso transformador incorporando a pulverização e a heterogeneidade deixa de acontecer, ou é tomado como desagregação.

O museu é o mundo
Só para esclarecer, uma dessas possibilidades de interpretação pode ser encontrada nos escritos de julho de 1966, de H.O., onde, em vários trechos, fica clara sua “posição social-ambiental”, sua posição poético-política, ao dizer que “tal posição só poderá ser aqui uma posição totalmente anárquica, tal o grau de liberdade implícito nela”. Escrevendo sobre “leis interiores se refazendo constantemente” na obra, diz que “o museu é o mundo”. Vejamos isso, onde ele toca no assunto da exibição de suas obras: “de nada significa ‘expor’ tais peças (seria um interesse parcial menor), mas sim a criação de espaços estruturados, livres ao mesmo tempo à participação e invenção criativa do espectador”. E o que dizer quando o assunto é a “obra-obra”, que foi a apropriação de um conserto público que estava sendo realizado nas ruas do Rio de Janeiro, do qual o artista se “apossou”, durante alguns momentos, de algo que estava acontecendo, chamando isso de “manifestação ambiental”? Quando Oiticica fala da “consciência de um não-condicionamento das estruturas estabelecidas” (4 de março de 1968) não é do acondicionamento de obras em museus e galerias, ou da herança de resíduos materiais o assunto tratado, mas de uma experiência onde o participante é transformado pela obra e a obra, por sua vez, é dada à modificação. Assim, o tempo enquanto processo não pode ser congelado.

O paradoxo da incompletude
Um garoto começando a entrar/estudar (sobre) arte, lendo H.O., não vai poder mais acreditar em pureza (“a pureza é um mito”), vai querer ir direto para a experiência “suprasensorial” como um dado da realidade. Só que, como faltam os tais “contramodelos” abrigando a possibilidade de experiências estéticas dissolvidas na vida, esse mesmo garoto vai acabar caindo nas informações da Folha de São Paulo e no(a) Globo e vai sentir, no mínimo, que alguma coisa está incompleta, ao ver um H.O. colocado tão esteticamente em lindas salas, “como um acadêmico cafona qualquer”. E como o discurso da incompletude também foi padronizado, nosso garoto, coitado, vai pensar que o esquizofrênico é ele, não nossa época.

No direito de reivindicar
Certamente a arte como um jogo de formas mais ou menos artesanais, feita seja do material que for, mesmo uma pintura, continua e continuará existindo. Bem como a arte feita em computador, dita virtual, ou a que se utiliza de meios híbridos para se realizar, não será o futuro da arte. Não sejamos ingênuos.
Mesmo a arte “desmaterializada” que vem acontecendo há anos, ou, “um estado de arte sem arte” – pensada através das propostas de uma artista como Lygia Clark – já não causa mais nenhum choque como antes. Mas a verdade é que ela ficou “escondida” no meio de tantas metáforas, citacionismos e subjetividades produzidas como linguagem, que só há pouco tempo se viu no direito de reivindicar um lugar ao sol, afinal, em seu estatuto – Situacionismo, Fluxus, Nova Objetividade, Arte Conceitual, etc. – cria a relação entre arte e vida.

Estudo de casos

Três casos bastam como ilustração de caso, onde – não é que a forma deixe de ser levada em consideração, ou o artesanato da feitura do trabalho seja excluído, ou que prescinda de tecnologia eletrônica para sua existência – o dado real fala por si, a relação do espectador com a obra é levada em consideração e o tempo é parte do processo.
O primeiro é de Ricardo Basbaum, particularmente dos trabalhos em que ele coloca um sofá, algumas plantas, algum diagrama, um monitor acoplado a uma câmera de vídeo, dentro de um ambiente bastante familiar. Quando uma pessoa passa pelo vídeo, sua imagem é capturada e remetida para o monitor de tv, criando assim uma espécie de estranhamento da própria familiaridade distanciada que aquilo parecia possuir.


O segundo caso ilustrativo das mesmas concepções criativas que levam as possibilidades ambientais/vivenciais ao extremo, foi o evento organizado por Bob N no MAC Niterói, em novembro passado, intitulado “Visões do Paraíso”. Além de ser ao “ar livre”, parecia um vernissage cuja obra era o próprio ato de estar ali. Foi oferecido, a quem quisesse, algumas espumas forradas com tecido azul para se sentar, peixe frito e música, comandada por Djs. Se for possível pensar em uma metáfora para isso, poderíamos levar em consideração a própria paisagem, concebida pelo artista como uma visão.


O terceiro caso ilustrativo é o mais “desmaterializado” de todos. Aqui a obra acontece enquanto está sendo transmitida pela internet, em tempo real. Fora isso, alguns textos que ficam no blog e o registro de fotos e ou vídeos é tudo o que sobra. Trata-se do trabalho do Orquestra Organismo (http://www.organismo.art.br/), um grupo nascido em Curitiba, cujos integrantes são músicos, artistas plásticos e outros colaboradores que se reúnem para qualquer tipo de atividade que considerem interessante, ou que, a partir de uma situação dada, possam desenvolver criações que vão de encontros de confraternização – físicos e virtuais – à invenção de gambiarras tecnológicas. Como eles próprios colocam: “(o coletivo) dedica-se à recombinação e abertura de códigos de conhecimento”.

Contra o conformismo
Para uma idéia geral da diversidade de horizontes que se abrem hoje em dia, além das polêmicas pontuais, outros vários casos podem vir à tona. Mostra que a herança maior que um artista como H.O. deixou foi sua lucidez e a capacidade de pensar sua obra inserida na transformação da realidade. E é preciso entender isso como motivação de ação, ímpeto ao fluxo, não congelamento de uma arte dada como objeto de museu, envolvida em mil metáforas citacionistas, fechada em si.
Fica aqui uma convocação geral à releitura de certas visões dadas como definitivas. Começar pelos textos de H.O. é um bom caminho para enfrentar as “adversidades” do discurso padrão que quer fazer dele um “cafona qualquer”.

Incêndio no H.O. e retomada de questões

ESSE TEXTO ABAIXO ESCREVI NA OCASIÃO DA EXIBIÇÃO DA MOSTRA TROPICÁLIA, EM 2007, no MAM, Rio de Janeiro. ACHO QUE DÁ UMAS PISTAS PARA PENSAR SOBRE A OBRA DE HÉLIO OITICICA


A remontagem como documento

“Mondrian Barato

Contra o acumulativo acumulado mesmo, principalmente a acumulação da sapiência – cúmulo da comilância (sic)”

(Wally Salomão, Babilaques)


1 – Conceituada como um grande acontecimento, incluída no calendário de museus da Europa e dos Estados Unidos, a mostra Tropicália, de curadoria do argentino Carlos Basualdo, atualmente em cartaz no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, faz uma homenagem/rememoração dos 40 anos do movimento Tropicalista, no Brasil. A montagem privilegia um recorte histórico, apresentando o trabalho de artistas atuantes à época, com outros, contemporâneos, cujos trabalhos se relacionam com aquelas idéias desenvolvidas por Hélio Oiticica e seus companheiros de neoconcretismo.

2 – O movimento Tropicalista – honra e glória da arte verde-amarela – enfim, passa por um momento de reconhecimento internacional, trazendo divisas de todas as espécies para terras tupiniquins. Hélio Oiticica, Lygia Clark, Caetano Veloso, Gilberto Gil e todos os demais – grandes – daquele fértil período, conquistam, cada vez mais, o mundo globalizado. Como diz Tom Zé – outro tropicalista – sobre a Bossa Nova, o Brasil deixa de exportar a mais baixa forma de geração de capital, que é a matéria-prima do extrativismo, para exportar a mais alta forma de trabalho humano, que é fruto do espírito: a arte.

3 – Abacaxi, banana, mulata, samba, carnaval, futebol, programas populares de televisão, favela, animais e aves silvestres, paisagem, beleza natural. O exótico passa, com o Tropicalismo, a ser assumido como parte das composições musicais, como tema para pinturas, esculturas, dramaturgia, etc. Serve como exaltação, denúncia, inspiração para um país mergulhado na ditadura e em processo de industrialização. Guitarras elétricas invadem a música popular. Materiais não considerados como “artísticos”, como pedrinhas, plásticos, sacos, coisas ordinárias, passam a fazer parte dos ateliês dos artistas. Saem do espaço plano do quadro pendurado na parede para o espaço tridimensional, incorporando o entorno, a paisagem, a arquitetura. Mudam a maneira de ver e pensar a arte.

4 – Já no Manifesto Neoconcreto, de 1959, assinado por Ferreira Gullar e outros, é clara a questão do tempo e do processo como parte sensível da obra. Portanto, a questão do público como participante do trabalho artístico já estava sendo apontada pelo menos 8 anos antes da mostra Nova Objetividade Brasileira, cuja obra Tropicália foi montada pela primeira vez, no mesmo MAM que ora a vê remontada.

Além disso, o que torna radical a transformação conquistada a duras penas pelos artistas daquela época, é o fato de terem levado a questão da arte para além da obra, destacando a questão processual, participativa, cujo acontecimento artístico só poderia ser experimentado caso o público interagisse com a proposta do artista: o público modifica a obra e a obra modifica o público. Então, o público se modifica e a obra, também. Tudo passa a ser uma questão de contexto. Já não faz mais sentido criar uma obra para a eternidade congelada, mas para que ela seja uma proposta de transformação no tempo, além de uma incorporação no espaço onde ela é apresentada. É isso que tem feito nossa arte ser “descoberta” lá fora, quando a famosa idéia de “desmaterialização” ganha um terreno aberto, capaz de criar toda espécie de conexão com os experimentos mais interessantes realizados tanto na arte digital quanto na chamada arte ativista.

5 – Quando Lygia Clark chama de Objetos Relacionais suas invenções, ou quando Hélio Oiticica convoca as pessoas a participarem de suas obras, tal questão é portadora de uma força que hoje já nem damos conta do quanto aquele gesto foi e é radical para a compreensão da questão artística. Guardada as devidas proporções, representa algo como a descoberta da perspectiva, no Renascimento, em relação às figuras toscamente colocadas na superfície dos quadros, na Idade Média.

6 – Mas isso já está colocado, de todo modo. O que interessa aqui, depois de todos esses preâmbulos, é pensar se a remontagem de um desses trabalhos pode ser considerada um original da obra do artista, ou se um trabalho portador dessa radicalidade conceitual não se transformaria apenas em um objeto morto, de Museu, como texto relatando um caso, em uma época passada. Digamos, como o registro em vídeo, ou em foto, de um acontecimento. Apenas um documento, ou um testemunho do que foi aquilo, em certo momento.

Por exemplo, os remakes dos Parangolés – capas para serem vestidas – de Oiticica, podem ser considerados uma experiência artística, para quem os usa, no Museu? “As crianças da escola entraram no Penetrável Tropicália”: é correta esta sentença? Seria menos “arte” a experiência caso elas tivessem contato com a obra, por livro, em suas escolas?

7 – Vejamos o que diz Ferreira Gullar, no Manifesto Neoconcretista, de 1959 – assinado inclusive por Lygia Clark – que concebeu a obra de arte como um organismo vivo: “... nem como ‘máquina’ nem como ‘objeto’”. Portanto, uma obra engessada tanto conceitualmente como fisicamente no tempo perderia suas qualidades “orgânicas”.

Sendo assim, estamos em um terreno um pouco menos exato do que aqueles em que se penduravam quadros e o máximo de questões que a (re)montagem poderia despertar estava no debate sobre a arquitetura do lugar onde o trabalho ia ser exposto.

8 – Não é simples o paradoxo. Como remontar uma Lygia Clark atualmente sendo fiel aos seus princípios de criação? Dando bolinhas para as pessoas as pegarem com luvas? Mostrando o plástico que ela usou na época em algum “paciente”? Mostrando fotos? Catálogos de época? Vídeos que foram realizados sobre seu trabalho?

Vamos pensar o seguinte: um bom material documental não seria o suficiente para colocar o público (o cliente dos tempos neoliberais) do Museu em contato com a obra Tropicália? Mais, chegando ao absurdo: não sendo suficientes a documentação de época, seria possível pensar em remontar a Tropicália só para fotografá-la e mostrar esse material, poupando a questão ridícula da prisão das araras tratadas como objetos de arte? Mais uma bala na agulha: tomar os enunciados de Oiticica sobre o próprio “ambiente” em discussão e levar as pessoas para ver “um fundo de uma chácara” como colocado em seus escritos? Talvez isso estivesse mais próximo ao caminho revolucionário proposto por esse artista que inventou a “probjetessência” – um tapete jogado ao chão como possibilidade de ser isso uma situação de arte – como se coloca nas correspondências trocadas entre HO e LC.

9 – De fato, é uma grande mostra essa exibição no MAM, mas deve ser vista como um documento de época, onde as remontagens decoram o discurso da arte. E não como arte, exatamente, uma vez que esta se modifica no momento mesmo em que é lançada, capturando o público participante que interage com a obra, modificando e sendo modificado por ela no tempo e no espaço.

7 de out de 2009

VIKTOR FRESO - WORK WITH MODEL 2006/2008

TAPA
MARTINA, 19

SÓ O ESSENCIAL

http://www.viktorfreso.com/

2 de out de 2009

A violência com espetáculo

http://www.outubrovermelho.com.br/2009/10/01/salve-geral-gera-protesto-no-cinema/

SALVE GERAL GERA PROTESTO NO CINEMA

No dia de estréia de Salve Geral nos cinemas nacionais, as mães, familiares e amigos das vítimas do massacre de maio de 2006 vão para a frente do espaço Unib(r)anco para protestar contra a espetacularização de seus sofirmentos e para reivindicar justiça e apuração dos crimes atrozes cometidos pelas forças estatais.

Segue carta a ser distribuída durante o ato.

Ato Político-Cultural na estréia do filme “Salve Geral”

SALVE A VERDADE E A JUSTIÇA!!! O ESTADO NO BANCO DOS RÉUS!!!
CONTRA O GENOCÍDIO DA JUVENTUDE POBRE E NEGRA!!!

Sexta-feira, 02 de Outubro de 2009, às 18hs
em frente ao Espaço Unibanco de Cinema
(Rua Augusta, 1475 – próximo à esquina com a Av. Paulista)

— pedimos para que tragam velas, tambores, fotos e camisetas das vítimas históricas do
Estado Brasileiro (em particular das vítimas dos “Crimes de Maio” de 2006) —

“Nós não queremos saber de ficção, queremos saber da realidade!”
Débora, mãe de vítima dos ataques da polícia em maio/2006

02 de outubro de 2009. Aqui estamos mais um dia. E a história se repetindo como farsa trágica.
Nós seguimos sem ter nada o quê comemorar…
Nós, familiares, amigos e amigas das vítimas dos ataques da polícia durante uma das maiores
chacinas da história brasileira, os “Crimes de Maio” de 2006, não fomos ouvidos durante a
produção deste filme hollywoodiano que hoje é lançado sobre a nossa história: “Salve Geral”.
Não fomos consultados nem convidados pra mais essa festa que os homens armaram pra nos
convencer… Viemos contar nossa história real, que também daria um filme…
Há pouco mais de três anos, o chamado “estado democrático de direito”, por meio de seus
agentes policiais e pára-militares, promoveu um dos mais vergonhosos escândalos da história
brasileira. Durante o mês de maio de 2006, em uma suposta resposta ao que se chamou na
imprensa de “ataques do PCC”, foram assassinadas no mínimo 493 pessoas, entre mortos e
desaparecidos. Sendo que a imensa maioria delas – mais de 400 jovens negros, afro-indígenadescendentes
e pobres – executados sumariamente pela polícia militar do Estado de São Paulo.
Somos centenas de mães, familiares e amigos que tivemos nossos entes queridos assassinados
covardemente, e até hoje seguimos sem qualquer satisfação por parte do estado brasileiro: os
casos permanecem arquivados sem investigação correta para busca da Verdade dos fatos; sem
Julgamentos dos verdadeiros culpados (os agentes do estado brasileiro); sem qualquer
proteção, indenização ou reparação por parte do estado que nos tirou os nossos jovens. Um
estado que ainda insiste em nos sequestrar também o sentimento de Justiça!
O desprezo pela memória e pela história fez ainda que o dia de estréia deste filme “Salve Geral”,
feito com base na nossa dor e que deverá concorrer ao Oscar no ano que vem, coincidisse
também com outra data que é um marco emblemático da injustiça e da violência do Estado
Brasileiro contra seus próprios cidadãos pobres, indígena-descendentes e negros em particular.
Há exatos 17 anos, no dia 02 de outubro de 1992, os agentes policiais do Estado de São Paulo
protagonizaram uma outra matança em série, desta vez na Casa de Detenção de São Paulo,
covardemente contra pessoas sob a sua custódia: seres humanos sem qualquer possibilidade de
defesa. Um episódio sangrento que ficou conhecido como “Massacre do Carandiru” e que teve ao
menos 111 pessoas assassinadas por agentes policiais, segundo os números oficiais. Outro
crime em série do Estado Brasileiro que permanece sem investigações corretas, sem julgamento
ou condenação dos verdadeiros culpados – a começar pela alta cúpula do estado, Fleury e cia.
Sem qualquer reparação para as vítimas e seus familiares. Outro episódio que, no entanto, a
indústria cultural conseguiu fazer mais dinheiro em cima da dor das vítimas: produzindo filmes
espetaculares, séries televisivas, livros e outras mercadorias descartáveis. A Verdade e a Justiça
que é bom: mais uma vez não compareceram na estréia…

Relembramos hoje, portanto, que em apenas dois episódios sangrentos só aqui em São Paulo,
MAIS DE 600 VÍTIMAS POBRES E NEGRAS. Isso para não falar das violências e execuções
sumárias cotidianas que atingem sobretudo as periferias urbanas de todo país: uma pesquisa
divulgada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, UNICEF e Observatórios de Favelas,
no dia 21/07/2009, afirma que se as estatísticas permanecerem como estão, mais de 33.5 mil
jovens terão sido executados no Brasil no curto período de 2006 a 2012. Os estudos ainda
apontam que, os jovens negros apresentam risco quase três vezes maior de serem executados
em comparação com os brancos.
Tantos casos e números que são ainda mais impressionantes do que todos os absurdos
cometidos durante a ditadura civil-militar brasileira pelo mesmo estado brasileiro, só que agora
seus agentes matam em nome da “democracia” e da “segurança”. Casos com contornos de
crueldade que só mudam o endereço de região para região do país: a Chacina da
Candelária e de Vigário Geral no Rio de Janeiro (1993), o Massacre de Corumbiara em
Rondônia (1995), o Massacre de Eldorado dos Carajás (1996), a Chacina da Baixada Fluminense
(2005), a chacina do Complexo do Alemão (2007) a chacina de Canabrava, de Plataforma e a
matança generalizada em Salvador na Bahia (2006-2009), entre outros tantos casos no dia-dia
do povo pobre brasileiro. A imensa maioria deles sem investigação correta, muito menos
punição dos seus verdadeiros responsáveis.
Nomes e números que jamais conseguirão traduzir o sentimento de perda e de dor irreparável
das famílias todas: repetimos para nos fazer ouvir que só aqui em São Paulo, durante estes dois
episódios de matança estatal (o “Massacre do Carandiru” e mais recentemente os “Crimes de
Maio de 2006″), foram mais de 600 famílias destruídas e outras milhares dilaceradas pela dor da
perda de seus entes queridos.

ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR O FIM DO GENOCÍDIO CONTRA A CLASSE POBRE, A POPULAÇÃO
INDÍGENA-DESCENDENTE E NEGRA DO BRASIL!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR O FIM DO CHAMADO “AUTO DE RESISTÊNCIA” ou “RESISTÊNCIA
SEGUIDA DE MORTE”, FARSAS LEGAIS QUE TEM INSTITUÍDO E DADO NA PRÁTICA O AVAL
PARA UM VERDADEIRO ESTADO DE SÍTIO NO BRASIL!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR O DESARQUIVAMENTO E A FEDERALIZAÇÃO DAS
INVESTIGAÇÕES SOBRE OS ATAQUES DA POLÍCIA EM MAIO DE 2006, DURANTE OS “CRIMES
DE MAIO”!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR QUE O ESTADO BRASILEIRO E SEUS AGENTES VÃO PARA OS
BANCOS DOS RÉUS!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR A VERDADE E A JUSTIÇA HISTÓRICA SOBRE TODAS AS MORTES
COMETIDAS PELO ESTADO, E A PUNIÇÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR VOZ, PROTEÇÃO, ASSISTÊNCIA, INDENIZAÇÃO E REPARAÇÃO A
TODAS AS FAMÍLIAS DE MORTOS E DESAPARECIDOS, SOBRETUDO PARA AS MÃES E
COMPANHEIRAS DE VÍTIMAS!!!
EM NOME DA MEMÓRIA DE NOSS@S FAMILIARES E NOSS@S AMIG@S
MORT@S OU DESAPARECID@S PELO ESTADO BRASILEIRO
“MÃES DE MAIO” DA ASSOCIAÇÃO AMPARO DE FAMILIARES E VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA

Mais informações: www.maesdemaio.blogspot.com

1 de out de 2009

Viva a Revolução!


Fábula Real:
Em 1950 o Brasil tinha 50 milhões de habitantes. 70% vivendo no campo.
Em 2009 tem 190 milhões de habitantes. 92% vivendo nas cidades.
Temos a maior concentração de terras do mundo. Só perdendo para o Paraguai, uma vez que as terras paraguaias são propriedades de brasileiros do agro-negócio.
Nosso país possui 48 milhões de hectares de terras produtivas. Destas, 40 milhões plantam-se soja. Dessa quantidade, 80% é para exportação. Desse montante, 80% serve como ração para boi, porco e galinha na Ásia e na Europa, principalmente.
Para abrir mais campos para exportação de soja, no Brasil, enfia-se o gado no meio das florestas e os bichos vão comendo os brotos das árvores que deveriam nascer, sujando a água, até que, uma vez limpo por debaixo da mata, fica fácil cortar as árvores maiores, vender a madeira e plantar... soja para o engrandecimento do agronegócio, geração de impostos com produtos exportáveis, investimentos em tecnologia de exploração da terra e aumento do progresso, com a criação de estradas, luz elétrica, etc.
Nada para a divisão social dos bens gerados pela terra que, do ponto de vista legal continuam improdutivas, pois não geram riquezas no contexto onde são exploradas. Não produzem benefícios sociais. Não geram renda para outros, senão para os donos dos latifúndios monoculturistas.
Parar de comer carne pode ajudar a reverter essa lógica! Em um país que ainda é essencialmente agrícola e que ainda não fez sua reforma agrária, isto é, de fato, uma Revolução!


foto: Su Tomesen