24 de mai de 2009

Papagaio de exposição com cartão laranja





May 24, 2009
Centro de Artes Helio Oiticica
Rua Luís de Camões, 68., Rio de Janeiro

Encenação na manifestação na frente do Centro de Arte Hélio Oitica, no meio de um perrengue entre a secretaria de cultura do município e a família do artista. Pelo exercício experimental da liberdade não só para os incluídos, mas para os incluídos dentro dos ambientes de arte que não podem reclamar sua liberdade, afinal, o conceito "obra-obra" não foi inventado à toa, mas para pensar o fluxo na arte, asim como é na vida. Quem herda herda, quem não herda fica na mesma... Da adversidade vivemos, mas uma laranjinha no meio do caminho ajuda a consciência crítica a se tornar mais aguçada. Viva a cor que age! Amor humor já dizia o poeta da antropofagia. (fotos: fabi borges)

orkut>
http://www.orkut.com.br/Main#Album.aspx?uid=9864386669270524701&aid=1243189518&p=0

picasa>
http://picasaweb.google.com.br/pileggisa/CartaoLaranjaEOPapagaioDePirata#

7 de mai de 2009

marcha soldado

fonte: 2009/5/7 edson barrus


Marcha soldado

Num ato corajoso, pela primeira vez na história, um juiz de são paulo derruba tabus e dá ganho de causa a um subtenente que quer incluir o companheiro como seu beneficiário na previdência da Polícia Militar
Por Camila Garcia fotos Bruno Schultze


Antonio Módulo Sobrinho, de 68 anos, é subtenente reformado da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Trabalhou na polícia por 22 anos. Fez policiamento ostensivo nas ruas, foi salva-vidas do Corpo de Bombeiros em São Vicente, na Baixada Santista, e atuou também no presídio do Carandiru. Durante 20 anos conseguiu esconder da corporação sua vida pessoal. “Nunca perceberam nada em mim, nunca dei motivo nem falei para ninguém da PM sobre a minha opção sexual”, explica.

O policial aposentado vive com Guilherme Mallas Filho, de 56 anos, há quase 41. Desde fevereiro de 2006, o casal luta na Justiça para que Guilherme possa ser incluído como beneficiário do companheiro na Caixa Beneficente da Polícia Militar do Estado de São Paulo, uma espécie de previdência exclusiva para PMs.

Numa decisão inédita do juiz Rômolo Russo Jr., da 5ª Vara da Fazenda Pública, a dupla obteve a primeira vitória. “O cargo choca, mas não é indigno ser homossexual em nenhuma profissão”, diz o magistrado. Russo Jr. explica que, como não há uma legislação para casos como esse, o juiz deve agir como legislador, já que existe uma lacuna na lei. “Eles provaram que mantêm uma união estável, têm conta conjunta desde 1987, e que existe uma relação de afeto e dependência econômica. Não há razão para que Guilherme não seja beneficiário do companheiro.”

A Caixa Beneficente da Polícia Militar apelou e o caso vai agora para o Tribunal de Justiça do Estado. Mesmo assim Russo Jr. determinou a tutela antecipada – o que significa que, na prática, até o fim do processo, se Módulo morrer, Guilherme terá direito à pensão. A tendência é que a sentença dada pelo juiz se mantenha.

O INSS já reconhece como legítima a união estável entre pessoas do mesmo sexo para fins de previdência – e isso deu forças para que o PM entrasse na Justiça para conseguir o mesmo benefício. Anteriormente, ele havia feito a solicitação administrativamente na Caixa. O pedido foi negado.

Na Polícia Militar, a decisão judicial caiu como uma bomba. E obriga a corporação a tratar de um tema povoado de tabus. Um assunto que eles preferem ignorar. Oficialmente, ninguém fala sobre o caso.

Para se ter uma ideia do que representa dentro da Polícia Militar uma decisão como essa, na época em que os superiores de Módulo descobriram que ele era gay, em março de 1982, o policial foi obrigado a passar oito dias aquartelado e teve de responder a um IPM (Inquérito Policial Militar) por pederastia. “Pederastia era considerada uma infração grave para a PM. Hoje em dia as regras estão mais brandas, mas ainda assim todos preferem ignorar que existem homossexuais dentro da PM”, avalia Módulo. “Quando estava em serviço nas ruas, vi vários policiais querendo espancar gays na rua. Sempre impedi, sempre trabalhei corretamente.”

Módulo conta que não foi difícil manter em segredo sua opção sexual durante tantos anos. Com voz grossa e valentão, ele não dava brechas para desconfianças. Foi numa viagem para a Bahia com Guilherme que o relacionamento foi descoberto. Os dois foram parados pela polícia. Módulo tinha viajado sem o conhecimento de seus superiores e portava uma arma oficial. O tenente baiano imediatamente comunicou o batalhão dele em São Paulo da situação. E ainda fez questão de dizer que o PM estava beijando exclusivo outro homem na boca. Assim que voltou à cidade a vida dele no trabalho se transformou num inferno. Além da prisão, das ameaças, os oficiais do Serviço Reservado o chamaram para uma conversa definitiva. As opções apresentadas: ou Módulo largava o companheiro ou seria transferido para outra cidade. Ele ficou com a segunda opção e teve de sair de Santos, onde sempre morou, para vir para São Paulo controlar a entrada e a saída de visitantes no Carandiru. Ficou no novo posto por um ano e não aguentou a barra. Nessa época, a saúde dele já estava bem fragilizada. Reflexo de uma queda em que bateu a cabeça, durante um treinamento no Corpo de Bombeiros, anos antes. Além disso, toda a perseguição quando a história veio à tona lhe causou uma depressão profunda. Guilherme, que atuava como detetive particular, parou de trabalhar e passou a cuidar em tempo integral do companheiro. Essa dedicação foi um dos argumentos centrais da defesa do casal. “Guilherme parou a vida para se dedicar a Módulo”, constata Márcia Arbbrucezze Reyes, advogada dos dois.

Módulo faz coro: “Não importa o sexo da pessoa, o que importa para mim é que ele sempre esteve ao meu lado e depende de mim financeiramente. Não quero desampará-lo depois de todos esses anos juntos”.

Na audiência, Márcia também levou ao juiz cinco testemunhas que comprovaram a relação duradoura e harmônica dos dois. Eram amigos, vizinhos que conviveram em épocas diferentes com eles. Os fatos, documentos e depoimentos convenceram o juiz Russo Jr. de que as alegações faziam sentido e eram verdadeiras.

Com essa decisão, certamente uma nova página da nossa legislação começa a ser reescrita.



--
edson barrus
http://www.youtube.com/user/edsonbarrus
http://web.me.com/edsonbarros

4 de mai de 2009

o mambembe cybernético

2009/5/4


Rubens, a estória dos pedidos de depósito provocou uma outra discussão, desta vez com os moderadores do yahoogoups... Pois é considerado span pedir ajuda pessoal, e passei uma semana em troca de emails para explicar o que eu chamei de "o mambembe cybernético"....

Argumentei ser esta uma legítima atitude artística praticada desde a idade média, a de apresentar a produção em praça pública e/ou nas ruas e depois passar o chapéu, e que isso em nada difere dos convites de lançamento de livros ou para ver uma exposição e/ou peça de teatro..., pois mesmo nessas o subtexto é "compre!"

Eu não fui excluído dos grupos porque convenci os moderadores que tinham que considerar que se: 1. convidam/aceitam artistas nos grupos; 2. os mambembes existem; 3. o meu trabalho é público e está em lugares na internet, está em sítios virtuais; 4. eu indico onde ver (os links onde publico com frequência); 5. todos podem acessar independente de comprar ingresso e/ou adquirir a obra para si, então eles tem que aceitar o "passar o chapéu também. E, considerando tudo isso acima, é legitimo eu pedir colaborações espontâneas e ainda indicar onde está o meu chapéu, ou seja, a minha conta bancária - o cpf é para o caso de depósitos virtuais. Portanto, se não queres ter problemas indica os teus links junto com a conta bancária.

O "etetuba" é fruto de um contexto local..., pois meus irmãos macumbeiros tem pouco acesso à internet e com isso são limitados no uso dos recursos do 'mundo virtual', então eu passei a ser uma espécie de instituição divulgadora ao mesmo tempo em que faço a capacitação de cada um dos grupos que me chamam pedindo que ajuda para montar blogs, fazer divulgação e etc.... Mas todos sabem que se passarem um único email para o "etetuba" eu mesmo faço aquilo que é urgente e que eles tem dificuldade...

Isso começou com minha mãe de santo, depois ampliou para os macumbeiros da zona metropolitana de Belém, depois para os Mestres da Cultura Popular do Estado do Paré, depois distribuí minhas senhas do etetuba@gmail.com para poder ter ajuda de alguns amigos quando eu passo por dificuldades (tipo: períodos de internação hospitalar por causa dessa merda de amputações por diabetes; sufoco respondendo processos na UFPA e outros), e virei a instituição Etetuba...

Então eu entendo as contribuições como sendo para meu trabalho artístico e cultural.... e o financiamento é "em geral", pois não se limita a arte.

Por falar nisso a Égua Gambiarra está tussindo (minha komby velha tem nome e sobrenome e nasceu em 1995 - tem 14 anos) e vou adorar ajudas para interna-la numa clinica veterinária antes que essa tosse vire uma gripe equina.

há_braços.

Arthur

financie as ações de Etétuba, deposite qualquer quantia na conta


Banco do Brasil
ag 3702-8
cc 19097-7


Etetuba = Arthur Leandro
CPF 279.114.462-53


http://aparelho.comumlab.org/
http://criados-mudos.blogspot.com/
http://cinemaderua.blogspot.com/
http://institutonangetu.blogspot.com/
http://www.youtube.com/user/etetuba
http://picasaweb.google.com/etetuba
http://picasaweb.google.com.br/redeaparelho
http://www.overmundo.com.br/perfis/etetuba

+ BOAL

Leia abaixo a íntegra do discurso de Augusto Boal sobre o dia mundial do teatro, 27 de março. O pesquisador, diretor e dramaturgo foi nomeado como embaixador mundial do teatro pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

Leia a íntegra do discurso:

"Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.

Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de ideias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática --tudo é teatro.

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a plateia e a plateia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Em setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa --nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - 'Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida'.

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.

Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento --é forma de vida!

Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!"
02/05/2009 - 17h52

Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido, morre aos 78 anos no Rio
São Paulo - O dramaturgo e diretor de teatro Augusto Boal morreu na madrugada deste sábado, aos 78 anos, de insuficiência respiratória, no Hospital Samaritano, no bairro do Botafogo, Rio. Ele sofria de leucemia e estava internado desde o dia 28 de abril.

2 de mai de 2009

TEATRO DO OPRIMIDO



AUGUSTO BOAL (Rio de Janeiro, 16 de março de 1931 - Rio de Janeiro, 2 de Maio de 2009) foi diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro, uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional. Fundador do Teatro do Oprimido, que alia o teatro à ação social, suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, notadamente nas três últimas décadas do século XX, sendo largamente empregadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação política mas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional.