30 de set de 2009

Vito 5

Regina, juntei vários emails em resposta ao texto sobre o Aconcci, editei-os, tirei o nome das pessoas que enviaram e assuntos paralelos, evitando assim incômodos inúteis e coloquei tudo no meu blog, como segue, abaixo. Acho que está de bom tom, mas se você não aprovar, posso tirar de lá tudo ou partes, ok?

Outra coisa: no final, acho que o debate foi importante, mas eu não gosto de ficar afirmando negações. Prefiro, normalmente, criar caminhos que recoloquem aquilo que ainda não tinha sido pensado, escrevendo e lançando possibilidades propositivas, ainda que não gerem tanta polêmica, assim.

Do meu lado, tenho tentado buscar, cada vez mais, "a poesia que existe nos fatos" e pensando que, se o mundo vai acabar ou não ou se a gente vai descobrir outros planetas para foder, como esse, ou se não vai, o que se pode constatar é que vivemos numa superabundância, na época do consumo e da globalização e, muitas vezes, é preciso saber jogar com essas cartas marcadas, até para questionar, talvez tocar o coração das pessoas com os nosso atos artísticos, mas, certamente, fazer a linguagem vibrar, desdobrar-se e dinamizar uma história na qual eu escolhi estar inserido. Ou seja, isso também é um jogo. E não somos ascetas. E Buda aceitou comer a tigela de arroz que a menina trouxe a ele para não ser arrogante. E Zaratustra desceu a montanha para não ficar na pureza sem poder pregar aquilo que tinha aprendido, ao povo. E eu, não sendo buda, nem Zaratustra, nem monge, nem político, mas artista (e tudo o que implica autodenominar-se assim) e com todos os meus defeitos e dúvidas, só posso encarar essas críticas que eu mesmo faço ao Aconcci com relatividade. Afinal, como disse uma das respostas, o que eu escrevo sobre o outro fala mais de mim do que dele, não é mesmo?

De todo modo, acho que de vez em quando a gente tem que ser, sim, o chato da turma, o Pedro de Lara da Buzina do Chacrinha, até para provocar um pouco a discussão e tirar as pessoas do marasmo da aceitação barata de tudo o que lhes impõem. Relativizando o relativo. Mas se aceitam e são gratas por isso, problema delas, não é mesmo? A gente tem é que continuar nosso caminho, que é feito de flores e também de espinhos.

Gostei muito, também, do universo diferenciado de pessoas para as quais você enviou o texto e como cada uma respondeu. Sou-lhe grato por isso.

Beijos e abraços

Rubens

Vito Acconci: um a menos para amar 4

Minha amiga Regina reenviou meu texto sobre o Acconci para outras pessoas e o resultado é esse aí embaixo. Acho que a discussão que o artigo gerou é válida para repensarmos até o próprio texto, quer pode ser lido neste blog:



Querido Rubens

Ontem quando eu tinha tempo para esperar para secar uma pintura que fiz num pedestal eu fiz uma coisa que estava pensando em fazer faz tempo. Mandei para um rol grande de pessoas o seu texto sobre o Acconci.

Vou redirecionar todos os e-mail de volta para voce pois vai me dar muito trabalho eu copiar tudo e te mandar individualmente e-mail por email. Acho que voce vai gostas das respostas. Talvez algumas nao.

Beijo grande

Da sua admiradora.

Regina


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Querida Regina,

o Acconci deve estar meio lélé ou tântrico - no sentido de transar sem gozar - como ele gozava e fazia gozar antes... agora é outro, E se a gente acha ele bem menos interessante do que ele foi, pior pra gente. Ele não assinou contrato de "satisfação" da audiência nem "coerêncîa consigo próprio" por tempo ilimitado. Triste? Claro que sim. Como ficamos todos ("Last Blues: Não espalho, mas ando triste pra caralho." Mario Bortolotto)

uma quadra de Cecília Meireles sintetiza o que esse texto constata:

"Na canção que vai ficando
já não vai ficando nada:
é menos do que o perfume
de uma rosa desfolhada."

Pelo menos ele está se desfolhando por si. Sem esperar ou deixar pra gente fazê-lo. Ele se criou. Ele se descriou.

Rimbaud também fez isso - foi de jovem um dos poetas mais "iluminados". Aos 30, abandonou todo tipo de escritura e poesia, tornou-se comerciante no norte da África, onde morreu pouco depois.

Será que a inspiração cansa ou finda e as pessoas precisam achar outro pretexto para a existência? ("Devia-se deixar dormir o que quer dormir" - Clarice Lispector)
Será que "ser amado" ou "ser admirado" do mesmo jeito acaba cansando e tirando a liberdade da gente? ("Quando eu digo te amo, estou me amando em você" - C .Lispector)
Ou, no caso do Acconci, será que20chocar hoje em dia, para ele, subrepticiamente, seria aderir plenamente aos ditames do mercado? ("Refugiei-me na doideira porque a razão não me bastava" - C. Lispector)

Talvez nada disso, talvez de cada coisa um pouco. Mas para finalizar com Lispector, também:

"O autor que tenha medo da popularidade, senão será derrotado pelo triunfo."


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Oi Regina.

Acabei de ler o texto - álias, onde vc o achou? - e ele acaba confirmando uma situação da arte atual que é no minimo triste - claro que poderia achar outros adjetivos mais estrondosos para ela, mas digamos que no momento vou me conter.

Acredito que a pergunta que fica no final do texto é: Como um sujeito tão radical, tão provocador, aparentemente consciente de sua responsabilidade politica e respectivas consequencias, faz um looping em sua carreira e valores morais para se tornar um designer de moveis e ambiente qu epouco se importa com o caos social que há?

É chocante essa modificação. Acconci simplesmente conseguiu levar para o descrédito toda sua produção nos anos 70.

Não sei Regina... talvez por eu ser alguém bastante teimosa, ainda acredito que as pessoas precisam ter coerência com suas decisões e no mínimo saber justificar bem uma mudança tão brusca de posições ideológicas.

Bem, vou voltar pra labuta.

Bjs

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regina, parece que seu amigo, apaixonado, teve uma desilusão amorosa. O texto parace carta desabafo . Há conceitos de procedimentos artísticos contemporâneos pouco aprofundados, como também insinuações sobre o
caráter do neoexpressionismo dos anos 80. Li o texto como depoimento desabafo.mas fiquei curiosode assistir a apresentação. Parece que nosso velho conhecido Oiticica, usava do mesmo prcedimento dessacalizador que acconci está usando. Olha só!!!! os últimos projeyos de HO não eram espaços lúdicos que dialogavam com o urbano???
será que existe aproximação possível da fse desses dois grandes artistas do sec. passado?????
Assim rápidamente foi o que me bateu.
Eo catálogo da sua EXPO???? Não desisti de trazer vcs para a BA.
bjs


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Ola Regina,

recebi seus ultimos emails, gostei muito o da poesia da borboleta.
Estou em stockholm faz um mes. engracado receber esse email sobre o Vito Acconci
porque tenho escutado bastante sobre ele, o chefe do meu departamento 'e um professor
americano chamado Ronald Jones. Ele teve aula com o Vito Acconci tempos atras.

Sobre o texto. Eu tambem sou um pouco confuso em relacao a Design e Arte e quando
misturam, mercado etc. O que eu tenho entendido 'e que quando comecei a levar arte
mais a serio, comecei tambem a ser mais severo com minha opinioes e nada que eu fizesse
em design serveria para alguma coisa alem de vender e ganhar dinheiro. E tudo que eu comecei a
fazer como artista nao era suficiente para ser considerado arte.

Um dificuldade em acreditar nas coisas, que ate pouco tempo achava que era uma falta de fe.
Mas depois lendo um livro outro dia, cheguei a conclusao que na verdade agente acredita demais
e por isso temos dificuldad, por exemplo de dizer eu te amo para sua namorada , porque na
verdade acreditamos demais nas palavras eu te amo. Sentimos o peso.

O rubens fala como arte tem que ter tesao e tensao, mas acho isso um pouco estreito. Preferia
ver mais arte sincera e menos confusa.

Tenho entendido tambem que esses objetos que agente compra
acabam fazendo parte de nossas vidas, e por isso nao consigo mais julgar o objeto por si so.


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Olá Regina, tudo bem?


Sobre o texto do teu amigo, eu gostei bastante do que ele escreveu, mas, confesso, conheço tão pouco do trabalho do Vito. Não sabia de nada do que ele fez depois dos 60/70, nem recentemente...nem tão pouco, esses trabalhos com arquitetura!... Nos anos 70, eu ouví falar (inevitável) muito dele, era super incensado pela crítica, etc, mas, como vc sabe, nós tínhamos poucas informações (em detalhes) dele, e de tantas outras coisas, aquí. Naquela época, eu nem dava muita bola pro q acontecia lá fora, estava bem mais preocupado, em fazer muito, muito, por aquí, apesar de todas as dificuldades (inclusive, políticas)...Como dizia o Cazuza: "o tempo não pára" (ou, seria os Rollin'Stones: "o tempo não espera por ninguém"?)...Eu precisava fazer o máximo do que poderia nos 70...quem sabe, inconscientemente, já estava prevendo o grande vazio neoliberal dos 80/90, que o seu amigo citou tão bem em seu texto?!
Eu não tenho a menor condição de criticar os trabalhos, ou, a postura recente do Acconci, por não estar sabendo de nada dele recentemente, nem de suas razões para a forma como está tocando sua produção atual (quem sabe...talvez, tenha decidido ganhar um montão de dinheirinho também!).
Acredito que um dos "problemas"(?) que o seu amigo encontrou, foi que talvez ele tivesse criado uma expectativa muito grande (fantasias? baseado nas informações sobre a postura dos 70, de vanguarda, e experimentações do Vito?) em torno do que "veria" naquela palestra?...Não sei dizer, mas, entendo a sua (dele) decepção.
Uma curiosidade: quando ví pela primeira vez, um trabalho do Duchamp, lá no Moma (um daqueles quadros/vidros), eu tive uma "decepção" (logo assimilada) semelhante a do seu amigo, em relação ao Vito. Para mim, aquele trabalho "ao vivo", pareceu-me bem mais "pobre&velho", que a informação fotográfica, que eu já tinha sobre o mesmo trabalho...


Bom, é isso


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Regina, caríssima,

Eu achei o texto muito bom. O texto, a partir da expectativa do futuro e da
memória histórica da relação espiritual com o artista, ganha validade por
não se pretender verdade universal. Fiquei com a sensação de que deveria ser
esmiuçado o que na obra histórica do artista é realmente tão fundamental. Em
vários momentos pareceu-me a exaltação do admirador de uma maneira
excessivamente genérica. De qualquer jeito, nestas ocasiões se não sabemos
mais do artista, sabemos mais de quem escreveu. É a vantagem de um texto
subjetivo e estilo página de diário. Deve ser dito, também, que o texto tem
qualidade literária, sensibilidade na construção da frase. E tem uma
rigorosa lógica de desenvolvimento. É possível por ele ver um olhar que
acompanha o artista em seu percurso. O fato de eu concordar ou não com
certas opiniões não é relevante nesta análise sucinta. Eu não gostei das
partes em que fala do "capitalismo' e coisas do gênero, por me parecer um
discurso padronizado e fácil. Isto eu acho relevante. Aqui é necessário
dizer do que se esta falando e opor à prática do que se considera desumano
outra opção de cunho humanístico. Na verdade, sempre, neste caso, é
importante dizer o que se considera valores humanos. Hoje é comum o discurso
contra o ocidente, contra o capitalismo, contra as grandes cidades, e, é
claro, há muito a se dizer sobre isto. Mas devemos saber onde está situado o
autor do discurso, pois seguidamente ele tem origem em ditadores horríveis,
teocratas fundamentalistas, e etc.. Ou de pessoas que almejam um retorno aos
sonhos da década de 60. Eu tenho pensado muito nestas questões. Aliás, acho
que todo mundo tem pensado nestes assuntos, não é ? Andei escrevendo alguns
ensaios sobre o tema, sempre incluindo a questão da criação artística,
central na minha vida.
Bom, Regina, acho que você não esperava mais do que isto. O teu e.mail me
pegou num momento corrido e só pude ler o texto uma vez, ontem à noite, e
deve estar me escapando várias coisas.

Um forte abraço,


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Regina

Eu acho que seu amigo tem razao. Parece que houve uma acomodacao. As pessoas aqui nao viram nenhum fluir no processo dele.

De uma certa maneira, eu senti algo parecido no trabalho atual do Gary Hill. Eu o considerava um dos melhores videoartistas, com a diferenca que houve uma mudanca: ele mudou do que fazia para um trabalho voltado para si mesmo e para a palavra, mas uma palavra discurso interminavel, ficou na palavra.


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Regina, bom dia.

Já havia lido esta crítica no Canal Contemporâneo e discutido com outros colegas o fato de artistas consagrados como o Vito Acconci, chegarem a um estágio de suas carreiras onde se afastam do que os consagrou como artistas-ativistas políticos. O fato do Acconci fazer uma "arte" que está mais para questões estéticas e de certa maneira, respondendo ao mercado de arte, não tira o valor de sua contribuição no passado. O que ele fez nos anos 60 e 70, continua valendo e é muito importante para nós na atualidade.

Na verdade, o Rubens ficou desapontado e escreveu o artigo com bastante sinceridade, ainda com a cabeça "quente" depois daquela palestra. Entendo perfeitamente ele.


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Justamente por que o Rubens cita o Crimp e, por isso, me veio a pergunta: por que no Brasil quase nunca se cita o Crimp? Exatamente, por que ele dá nome aos bois... A Krauss pouco escreve sobre a vida institucional, fica mais na história da arte e, por isso, há menos questionamento das idiossincrasias do sistema da arte... Você vê o Crimp participando em debate em galeria comercial? etc...

Um abraço


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Regina,

me lembro de uma frase lida em um artigo de um jornalista, que se queixava de torcicolo, por tanto olhar para as pessoas que tinham virado da esquerda para a direita.

o texto de seu amigo vai na mesma direção.

gosto do percurso dos artistas que começam imitando seus mestres e vão pouco a pouco se libertando deles até inventarem um estilo próprio, único, conquistando uma assinatura própria. no rumo inverso estão os que se apresentam como revolucionários na juventude e se tornam com o tempo seres da situação, reproduzindo os valores da sociedade capitalista. triste percurso. parece ter sido este o caminho de Vito Acconci.

abs,


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Durante todo o tempo - até hoje - sempre tive um compromisso (para além de outros): nunca falar mal de alguém. Posso defender posições, o que é outra coisa. Quando não gosto de um trabalho, guardo silêncio. Manifesto-me apenas quando há crime. E crime é a mentira.
Parece ser essa a posição do Rubens em relação ao Vito.
Mas, como eu poderia julgar?

...

Quando colocamos no papel, projetamos o tempo.
Isso vale tanto para os nossos contemporâneos, como para Cícero.
Assim, minha querida Regina - talvez o estremecimento da tua alma tenha tocado este teu irmão. Ora, não é esse o significado mais profundo do Yom Kippur? Revelar a alma.
Ficam estes pensamentos entre nós.
Muitos beijos,


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acho o texto otimo...adoro ver pessoas que pensam por si mesmas...eu tambem gostava muito dele, e tenho minhas questoes...nada de julgamentos, apenas talvez valores e prioridades diferentes...


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Olá Regina!
...

Li o texto que gostei - na verdade nunca gostou do trabalho de Acconci que
acho dilettante nas áreas de arquitetura, uso de espaço público, da sua
fama, etc - talvez as performances iniciais tenham sidos importantes na
época quando foram feitos mas reelmente, tentava de gostar do trabalho de
Acconci, me forçava a olhar, ir ver exposições, ler livros, e nunca consegui
ver interesse naquilo que eu acho, como o seu amigo disse no artigo dele, um
puro produto do próprio sistema que ele tente "criticar" pois ele ´surfa´a
sua fama e consegue produzir peças sem interesse fora a aplicação de forma
ilustrativo princípios filosóficos tirados do grupo ´Tel quel` na França com
acrésimos de Wittgenstein de vez em outro. Sei là, mas para mim é
necessário ir além da simples ilustração de conceitos pois parte da arte e o
fazer com arte e não cair no bi-dimensional ou simples exercício de
silogismo.

Ponto interessante é que o seu amigo disse que a arte tem que ser víril e
posso imaginar quais poderiam ser os críticos desse fala mas acredito que
não é víril a palavra mas talvez aproximando o que ele mencionou no início -
aquilo que nós escapa, que em espanhol se diz "el duende" - quando os deuses
por um momento mágico entram em cena e o acaso se abre um mundo para nós.
Mas alí estou entrando numa área da filosófia de arte...

Em fim, talvez faz parte do domínio cultural dos EUA pós-guerra e que aos
poucos veremos como outras formas de arte também são interessantes (por
exemplos os artist´s books e instalações que vc faz - gostei muito daquela
de Ipanema e fico com pena de não ter visto a expo de Londres) e poéticas.
Li uma vez o que disse um amigo meu artista, que no Brasil não há esse
separação entre fundo e figura pois o fundo se misture e fusion-se com a
figura - para mim abri um caminho na cabeça.

Vito Acconci...toda uma geração de homens que tinham o poder e faziam ações
víris nos EUA - sempre preferi a Arte Povera pelo lado lúdico, mas isso é
uma escolha pessoal. Eu nem fui à palestra do Acconci(ele mora perto do
apto que alugo em Brooklyn) parece que é um cara simpático e meio triste.
Ele agora está num nível aonde consegue realizar obras arquitectonicas que
necessitam muito dinheiro e responsabilidade tanto artístico quanto social e
ele as faz sem tomar conta dessa responsabilidade. Para mim, o jardin des
Tuileries é uma obra de arte, um espaço para o público pensar que tem alta
nível artístico feito não por uma artista plástica mas por um jardineiro que
tornou-se famoso pelas cercas vivas que ele faz.

Disculpe pelo longo email, mas achei muito interessante o artigo!
Beijos,


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Regina eu *adorei* o texto do seu amigo. Muito mas muito obrigada mesmo!

Acontece que eu assisti a mesma apresentacao quando o Acconci esteve no Dept de Fine arts na UT ha uns anos atras. Nessa altura ele de facto penso que tambem erminou mostrando algum desse trabalho 'cafona':) mas ainda era reduzido nessa altura.

Mas que pena ele ter enveredado pelo caminho facil. Faz-me pensar do choque que tive quando vi um CD do Bob Dylan sendo distribuido gratuitamente na compra de 3 calcinhas da Victoria Secret....

Parece que e' algo inescapable' nesse Pais - o 'vender-se a quem da mais'...

Mas... Nao e' qualquer pessoa que - especialmente na area da Arte ...' has the balls" para dizer o que pensa... como seu amigo fez.

Ele vai publicar esse artigo? Ja publicou?

Gostaria de saber se esse texto ou o seu conteudo poderao chegar aos ouvidos do Acconci- isso seria optimo... Essas pessoas que um dia nos marcaram Accoci, Dylan precisam saber que podem estar a agradar a uns - mas que estao desagradando profundamente a outros tantos...


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sobre o texto é o relato de uma apresentação riquíssima mas é muito negativo. não traduzindo ou exprimindo o que tinha ali de maravilhoso. mais lastimando, reclamando, comparando com rolling stones,etc numa comparação sem sentido.

se algum dia eu tiver 300 pessoas me ouvindo numa palestra (já tive) vou ficar sempre felicíssimo.

a única importância do texto é quando ele diz que

"Arte tem de ter virilidade. Não é uma questão de gênero, continua sendo uma questão de tesão, de saber criar tensão, de colocar amor e generosidade naquilo que se faz."

só aí é que é usada a palavra generosidade e em nenhum lugar a palavra gratidão, que acho que todos os discípulos devem ter pelos seus mestre, como sempre tenho por você.

beijo carinhoso sempre


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Oi, Regina
Para começar, seu amigo escreve muito bem. Como vc sabe, de arte não entendo nada, mas pude acompanhar a trajetória do artista em questão (que não conheço) e entender a angústia criativa dele, sempre faltando alguma coisa para criar uma obra, digamos, total. Mas o cara brochou, segundo seu amigo nos informa. Pois é. Ele quer o tesão da juventude, o ímpeto criativo, a contestação, a provocação... no outro. Sabe-se lá o que houve, mas o artista aceitou o caminho do óbvio, da arte prática, da arte que não é Arte, mas que ainda assim - sejamos generosos - tem lá o seu valor. A questão é para quem, para o quê. Se negarmos o mundozinho de merda em que vivemos (e isso é a realidade), a obra do cara virou uma grande porcaria. Se aceitarmos que até os heróis dormem, talvez possamos ser mais tolerantes. Quem nunca disse "cansei!" ?
Sei que, para alguém que efetivamente vive a Arte, isso chega a ser quase (?) uma forma de prostituição, mas mesmo assim entendo o tal artista, como entendo seu crítico, que foi vê-lo na expectativa de uma coisa e defrontou-se com outra.
Mudou o artista, mudou seu trabalho, e ele, como sempre, será passível de críticas enfurecidas. A ironia da coisa é que, hoje, quem elogia é quem já censurou. E vice-versa. Do ponto de vista da lógica, essa também é uma forma de provocar...
De qualquer forma, o artigo é brilhante, pois nos faz pensar nas coisas exatamente como elas são.
Beijos,

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Eu vi há algum tempo atras em Barcelona uma grande exposicao no Macba de Acconci e gostei muito do que ele vem fazendo com arquitetos nao vejo todas essas críticas muito fundadas. O qeu ele está fazendo é outra voisa mas bastante criativa a meu ver, com um uso muito inteligente das tecnologias, melhor do qeu ficar se repetindo ou fazendo as mesmas coisas de antes... a vida muda e continua e o mundo nao é o mesmo dos anos 70....

Situação em Honduras

Amigas, amigos:
Me encuentro en un edificio cercano a la Embajada de Brasil junto a 30
compañeras y compañeros, la mayoría integrantes de Artistas del Frente
Nacional Contra el Golpe de Estado.
Nos avocamos a este lugar para descansar, manteniendo la conciencia de que
de un momento a otro el ejército y la policía entrarían al perímetro donde
alrededor de 5,000 personas nos encontrábamos para darle protección al Presidente Manuel Zelaya.
Atacaron a las 5:45 am con fusilería y lacrimógenas. Mataron a un número
indeterminado de compañeros de la primera barricada al final del Puente
Guancaste. Rodearon y atacaron la barricada del puente de La Reforma.
Haciendo cálculos aproximados, el operativo contó con alrededor de 1.000 efectivos policiales y militares.
Arrinconaron y golpearon. 18 heridos graves en el Hospital Escuela. Siguen
persiguiendo en el Barrio Morazán y en el Barrio Guadalupe a los bravos
estudiantes que anoche organizaron las precarias barricadas.
En este momento son las 8:00 am. Frente a la Embajada de Brasil han
colocado un altoparlante con himnos a todo volumen mientras
catean las casas aledañas a la Embajada. Lanzaron bombas lacrimógenas
dentro de la Embajada. El Presidente continúa en su interior amenazado
por los golpistas que ya argumentaron a través de los medios sus razones "legales" para proceder al allanamiento.
Miles de personas que se dirigían hacia Tegucigalpa han sido retenidas en
los alrededores de la ciudad. La ciudad está completamente vacía, fantasmal.
El toque de queda fue extendido para todo el día.
La represión contra los manifestantes indefensos fue brutal.
En varias
ocasiones Radio Globo y Canal 36 han sido sacados del aire. Cientos de presos.
Estamos aislados.
Aquí estamos el núcleo principal de los organizadores de los grandes eventos culturales en resistencia: poetas, cantautores, músicos, fotógrafos, cineastas, pintores y pintoras... humanos.
De XXX
Estamos SECUESTRADOS... NUEVAMENTE REPRIMIDOS:
Llevamos 17 horas de toque de queda. Y seguimos hasta las 6 de la tarde de hoy martes.
(no dudamos que lo extiendan... igual paso en el departamento de El Paraíso hace dos meses)
Los MILITARES y los POLICIAS han invadido la privacidad de los vecinos al par de la EMBAJADA DE BRASIL.
La policia y los militares...han quebrado los vidrios de los carros y motos
de las personas de la resistencia, estan quemando sus carros (ellos los habían dejado ahí, como retenes)
Se habla de tres muertos, heridos (a los heridos que se trasladarón a los
hospitales... los militares los están sacando de los hospitales)
A los atrapados los llevan al estadio Chochi Sosa. (lo mismo hizo Pinochet)
POR FAVOR: Ayúdenos a difundir las noticias

DIRECCIONES DE LA WEB DONDE SE PUEDE ESCUCHAR LA
TRANSMISIÓN EN VIVO DE RADIOEMISORAS DE LA RESISTENCIA:

http://radioprogresohn.com/
http://radioeslodemenos.blogspot.com/

23 de set de 2009

boas notícias para a Cultura

depois de aprovado o Plano Nacional de Cultura na manhã de hoje, 23, no final da tarde a Comissão Especial das Receitas da Cultura aprovou, por unanimidade, o relatório da PEC 150/03 que destina orçamento de 2% para União, 1,5% para Estados e 1% para Municípios, proposta dos deputados petistas Zezéu Ribeiro, Paulo Rocha e Fátima Bezerra.

Agora o relatório segue para votação no plenário da Câmara Federal.

E A NOSSA LUTA CONTINUA!!!

Vota Cultura
Semana Nacional pela Cultura no Congresso

De 21 a 25 de Setembro 2009

Apoie os Deputados do seu estado que lutam pela Cultura

Participe!

Já podemos dizer que 2009

é o Ano da Cultura no Congresso

Nacional. Os nossos parlamentares

estão analisando vários projetos que

podem mudar a política cultural

do País. Para que esses projetos

representem a visão de toda a

sociedade é importante que você

também participe. Acompanhe a

discussão, fale com seu parlamentar

e envie sugestões. Sua participação é

importante para colocar a Cultura no

centro da agenda do país.

Saiba quais são os projetos que vão

mudar a política cultural:

Nova Lei Rouanet

A Lei 8.313/1991, conhecida pelo nome do

então ministro da Cultura Sérgio Paulo Rouanet,

define as formas como o Governo Federal deve

incentivar a produção cultural no Brasil. Um

Grupo de Trabalho formado pelo Ministério da

Cultura analisou as mais de 2 mil contribuições da

consulta pública à Nova Rouanet.A versão final do

projeto deverá ser enviada ao Congresso Nacional

ainda este mês.

O projeto de Lei institui o Programa de

Fomento e Incentivo à Cultura – PROCULTURA

– com a finalidade de estimular, captar e canalizar

recursos para programas, projetos e ações

culturais. A Nova Lei Rouanet visa diminuir a

exclusão cultural e desconcentrar os recursos

públicos destinados a área cultural.

Fundo Pró-Leitura

O Fundo Pró-Leitura insere-se no contexto

de reformulação da Lei Rouanet e dos fundos

setoriais no âmbito do FNC. O projeto foi

formatado a partir da desoneração do PIS/COFINS

da indústria editorial brasileira, ocorrida em

dezembro de 2004. Na ocasião, o setor produtivo

do livro propôs a criação do Fundo Pró-Leitura,
com a contribuição de 1% do faturamento, como

contrapartida social.

O Fundo Pró-Leitura visa financiar programas

e projetos da sociedade civil e do setor público

de incentivo à leitura, baseados nos eixos de

democratização do acesso, formação de leitores,

valorização da leitura na comunicação e fomento

da economia do livro estabelecidos pelo Plano

Nacional do Livro e Leitura - PNLL.

Vale-Cultura

É a primeira política pública voltada para o

consumo cultural. Os trabalhadores poderão

adquirir ingressos de cinema, teatro, museu,

shows, livros, CDs e DVDs, entre outros produtos

culturais. O vale será similar ao conhecido

tíquete-alimentação. Trata-se de um cartão

magnético, com saldo de até R$ 50,00 por mês,

por trabalhador, a ser utilizado no consumo

de bens culturais. As empresas que declaram

Imposto de Renda com base no lucro real poderão

aderir ao Vale-Cultura e posteriormente deduzir

até 1% do imposto devido.

A estimativa do Ministério da Cultura é que 12

milhões de brasileiros poderão ser beneficiados

pelo Vale-Cultura. O consumo cultural no país

pode aumentar em até R$ 600 milhões/mês ou

R$ 7,2 bilhões/ano.

O Projeto de Lei que cria o Vale-Cultura (PL5.798/2009), foi enviado a Câmara dos Deputados

no dia 18 de agosto deste ano e tramita em regime

de urgência constitucional.

PEC 150 - 2% para a Cultura

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC)

150/2003 vincula 2% do orçamento federal, 1,5% do

orçamento estadual e 1% do orçamento municipal

para a Cultura. Foi proposta em 2003 e no

momento, aguarda apresentação do atual relator,

deputado José Fernando Aparecido (PV-MG), na

Comissão de Cultura.


Cultura como direito social

A PEC 236/2008, de autoria do deputado José

Fernando (PV-MG), que pretende acrescentar

a Cultura como direito social no capítulo II,

artigo 6º da Constituição Federal. Atualmente a

admissibilidade da PEC está sendo examinada pela

Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania

da Câmara dos Deputados.


Sistema Nacional de Cultura

PEC 416/2005 – Proposta de emenda

constitucional, de autoria do Deputado Paulo

Pimenta (PT-RS), cria o Sistema Nacional de

Cultura (SNC), que objetiva institucionalizar

a cooperação entre a União, os Estados e os

Municípios para formular, fomentar e executar as políticas culturais, de forma compartilhada

e pactuada com a sociedade civil. A emenda foi

acolhida pela Comissão de Constituição e Justiça

da Câmara dos Deputados e no momento está

em análise na Comissão Especial criada para essa

finalidade.


Plano Nacional de Cultura

O Projeto de Lei 6.835/2006 que institui o Plano

Nacional de Cultura (PNL), definirá as diretrizes

para as políticas públicas de Cultura para os

próximos 10 anos. O PL foi proposto em 2006

e aguarda votação na Comissão de Educação e

Cultura ainda em 2009.


Modernização do Direito Autoral

O Ministério da Cultura está elaborando uma

proposta de alteração da Lei nº 9.610/1998, que

regula o Direito Autoral. A proposta visa corrigir

ambiguidades presentes no texto da Lei, assim

como a inclusão de novos dispositivos. Como por

exemplo, obras produzidas sob encomenda ou sob

vínculo empregatício, licenças não voluntárias e

o papel do Estado. A proposta do ministério visa

garantir direitos dos consumidores sem prejudicar

os criadores da obra.

Honduras URGENTE!

Gás Pimenta
Golpes com cassetetes
Entre 5 e 10 da manhã
Na frente da Embaixada brasileira


A deposição do presidente eleito, Manuel Zelaya, tem produzido em Honduras uma resistência da sociedade civil que não aceita o golpe militar como regime de exceção, no país. Mesmo com a pressão da OEA e da ONU, o atual regime não quer entregar o poder. O Brasil tomou uma decisão corajosa e ousada a favor da Democracia, acolhendo o presidente deposto em sua Embaixada. As tropas militares estão reprimindo o povo nas ruas. Abaixo algumas imagens tiradas de ontem para hoje, enviadas por email.
Viva a liberdade do povo da América Latina!



Gracias a quienes nos estän apoyando!

Estas fotos ilustran parte de lo que estä sucediendo. Son de Blanca Kat.
En este momento estän leyendo örden de allanamiento de la embajada de Brasil. En los barrios la gente se estä manifestado y sigue confrontändose con la policia. El pueblo estä organizado a traves de la resistencia y no se rinde.
Gracias por la solidaridad que nos estän mostrando.
Muchos abrazos y gracias!!!!

manifesto em solidariedade ao MST

É para assinar...

segue o link para assinatura online do manifesto em solidariedade ao MST

http://www.PetitionOnline.com/manifmst/

Manifesto em defesa da Democracia e do MST

“...Legitimam-se não pela propriedade, mas pelo trabalho,
nesse mundo em que o trabalho está em extinção.
Legitimam-se porque fazem História,
num mundo que já proclamou o fim da História.
Esses homens e mulheres são um contra-senso
porque restituem à vida um sentido que se perdeu...”
(“Notícias dos sobreviventes”, Eldorado dos Carajás, 1996).

A reconstrução da democracia no Brasil tem exigido, há trinta anos, enormes sacrifícios dos trabalhadores. Desde a reconstrução de suas organizações, destruídas por duas décadas de repressão da ditadura militar, até a invenção de novas formas de movimentos e de lutas capazes de responder ao desafio de enfrentar uma das sociedades mais desiguais do mundo. Isto tem implicado, também, apresentar aos herdeiros da cultura escravocrata de cinco séculos, os trabalhadores da cidade e do campo como cidadãos e como participantes legítimos não apenas da produção da riqueza do País (como ocorreu desde sempre), mas igualmente como beneficiários da partilha da riqueza produzida.

O ódio das oligarquias rurais e urbanas não perde de vista um único dia, um desses novos instrumentos de organização e luta criados pelos trabalhadores brasileiros a partir de 1984: o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra – MST. E esse Movimento paga diariamente com suor e sangue – como ocorreu há pouco no Rio Grande do Sul, por sua ousadia de questionar um dos pilares da desigualdade social no Brasil: o monopólio da terra. O gesto de levantar sua bandeira numa ocupação traduz-se numa frase simples de entender e, por isso, intolerável aos ouvidos dos senhores da terra e do agronegócio. Um País, onde 1% da população tem a propriedade de 46% do território, defendida por cercas, agentes do Estado e matadores de aluguel, não podemos considerar uma República. Menos ainda, uma democracia.

A Constituição de 1988 determina que os latifúndios improdutivos e terras usadas para a plantação de matérias primas para a produção de drogas, devem ser destinados à Reforma Agrária. Mas, desde a assinatura da nova Carta, os sucessivos Governos têm negligenciado o seu cumprimento. À ousadia dos trabalhadores rurais de garantir esses direitos conquistados na Constituição, pressionando as autoridades através de ocupações pacíficas, soma-se outra ousadia, igualmente intolerável para os senhores do grande capital do campo e das cidades: a disputa legítima e legal do Orçamento Público.

Em quarenta anos, desde a criação do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), cerca de um milhão de famílias rurais foram assentadas - mais da metade de 2003 pra cá. Para viabilizar a atividade econômica dessas famílias, para integrá-las ao processo produtivo de alimentos e divisas no novo ciclo de desenvolvimento, é necessário travar a disputa diária pelos investimentos públicos. Daí resulta o ódio dos ruralistas e outros setores do grande capital, habituados desde sempre ao acesso exclusivo aos créditos, subsídios e ao perdão periódico de suas dívidas.

O compromisso do Governo de rever os critérios de produtividade para a agricultura brasileira, responde a uma bandeira de quatro décadas de lutas dos movimentos dos trabalhadores do campo. Ao exigir a atualização desses índices, os trabalhadores do campo estão apenas exigindo o cumprimento da Constituição Federal, e que os avanços científicos e tecnológicos ocorridos nas últimas quatro décadas, sejam incorporados aos métodos de medir a produtividade agrícola do nosso País.

É contra essa bandeira que a bancada ruralista do Congresso Nacional reage, e ataca o MST. Como represália, buscam, mais uma vez, articular a formação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o MST. Seria a terceira em cinco anos. Se a agricultura brasileira é tão moderna e produtiva – como alardeia o agronegócio, por que temem tanto a atualização desses índices?

E, por que não é criada uma única CPI para analisar os recursos públicos destinados às organizações da classe patronal rural? Uma CPI que desse conta, por exemplo, de responder a algumas perguntas, tão simples como: O que ocorreu ao longo desses quarenta anos no campo brasileiro em termos de ganho de produtividade? Quanto a sociedade brasileira investiu para que uma verdadeira revolução – do ponto de vista de incorporação de novas tecnologias – tornasse a agricultura brasileira capaz de alimentar nosso povo e se afirmar como uma das maiores exportadoras de alimentos? Quantos perdões da dívida agrícola foram oferecidos pelos cofres públicos aos grandes proprietários de terra, nesse período?

O ataque ao MST extrapola a luta pela Reforma Agrária. É um ataque contra os avanços democráticos conquistados na Constituição de 1988 – como o que estabelece a função social da propriedade agrícola – e contra os direitos imprescindíveis para a reconstrução democrática do nosso País. É, portanto, contra essa reconstrução democrática que se levantam as lideranças do agronegócio e seus aliados no campo e nas cidades. E isso é grave. E isso é uma ameaça não apenas contra os movimentos dos trabalhadores rurais e urbanos, como para toda a sociedade. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que custou os esforços e mesmo a vida de muitos brasileiros, que está sendo posta em xeque. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que está sendo violentada.

É por essa razão que se arma, hoje, uma nova ofensiva dos setores mais conservadores da sociedade contra o Movimento dos Sem Terra – seja no Congresso Nacional, seja nos monopólios de comunicação, seja nos lobbies de pressão em todas as esferas de Poder. Trata-se, assim, ainda uma vez, de criminalizar um movimento que se mantém como uma bandeira acesa, inquietando a consciência democrática do país: a nossa democracia só será digna desse nome, quando incorporar todos os brasileiros e lhes conferir, como cidadãos e cidadãs, o direito a participar da partilha da riqueza que produzem ao longo de suas vidas, com suas mãos, o seu talento, o seu amor pela pátria de todos nós.

Contra a criminalização do MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA!
Pelo cumprimento das normas constitucionais que definem as terras destinadas à Reforma Agrária!
Pela adoção imediata dos novos critérios de produtividade para fins de Reforma Agrária!

São Paulo, 21 de setembro de 2009

Plínio de Arruda Sampaio, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária, ex-Deputado Federal Constituinte pelo PT-SP (1985-1991) e ex-consultor da FAO
Osvaldo Russo, estatístico, ex-presidente do INCRA (1993-1994), diretor da ABRA e coordenador do núcleo agrário nacional do PT
Hamilton Pereira, o Pedro Tierra, 61, é poeta e membro do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo
Antônio Cândido, crítico literário, USP
Leandro Konder, filósofo, PUC-RJ
István Mészáros, Hungria, filósofo
Eduardo Galeano, Uruguai, escritor
Alípio Freire, escritor
Fábio Konder Comparato, jurista, USP e Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra
Fernando Morais, jornalista e escritor
Dr. Jacques Alfonsin, jurista, Porto Alegre
Altamiro Borges, PCdoB
Nilo Batista, jurista
Alberto Broch, Presidente da CONTAG
Artur Henrique, Presidente da CUT
Augusto Chagas, Presidente da UNE
Bartira Lima da Costa, Presidente da CONAM
Ivan Pinheiro, secretário geral do PCB
Ivan Valente, Deputado Federal PSOL - SP
José Antonio Moroni, diretor da ABONG e do INESC
José Maria de Almeida, CONLUTAS, presidente do PSTU
Nalu Faria, coordenadora geral da Sempreviva Organização Feminista – SOF e integrante da executiva nacional da Marcha Mundial das Mulheres.
Paulo Pereira da Silva, Deputado Federal PDT-SP e presidente da Força Sindical
Renato Rabelo, presidente do PC do B
Renato Simões, Secretário de Movimentos Populares do PT
Roberto Amaral, ex Ministro da Ciência e Tecnologia, Secretário Geral do PSB
Sérgio Miranda, PDT - MG
Valter Pomar, Secretário de Relações Internacionais do PT
Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
Dom Ladislau Biernaski, Presidente da CPT
Dom Pedro Casaldáliga, Bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia – MT
Dom Tomás Balduino, conselheiro permanente da CPT
Frei Betto, escritor
Leonardo Boff, escritor
Reverendo Carlos Alberto Tomé da Silva, TSSF, Anglicano, Capelão Militar
Miguel Urbano, Portugal, jornalista
Anita Leocádia Prestes, historiadora, UFRJ
Beth Carvalho, sambista
Adriana Pacheco, Venezuela, ViveTV
Adelaide Gonçalves, historiadora, UFCE
Ana Esther Ceceña, UNAN
Antonio Moraes, Federação Única dos Petroleiros - FUP
Associação Brasileira de ONG's – ABONG
Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF)
Chico Diaz, ator
Cândido Grzybowski - IBASE
Comitè italiano de apoio ao Movimento Sem Terra (Amigos MST-Italia)
Antônio Carlos Spis, CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais)
Dora Martins, juíza de direito, e presidenta da Associação de Juízes pela Democracia
Emir Sader, sociólogo, LPP/UERJ
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB)
Hamilton de Souza, jornalista, PUC-SP
Heloísa Fernandes, socióloga, USP e ENFF
Jose Arbex, jornalista, PUC-SP
Maria Rita Kehl, psicanalista, São Paulo
Osmar Prado, ator
Paulo Arantes, filósofo, USP e ENFF
Vandana Shiva, Índia, cientista
Virginia Fontes, historiadora, UFF/Fiocruz
Vito Gianotti, jornalista e historiador, Núcleo Piratininga de Comunicação - Rio de janeiro

14 de set de 2009

Vito Acconcci: um a menos para amar

Vito Acconci naceu no Bronx, em janeiro de 1940.


Começo este texto lembrando o professor Roberto Corrêa do Santos dizendo que é uma dor terrível quando os outros não podem receber o amor que temos para dar a eles. Pessoas que gostaríamos de amar mais, mas que não podem receber todo nosso amor.

Comecei a constastar a veracidade de tal sentença depois da palestra do Vito Acconci, sexta, dia 11 de setembro de 2009, no Oi Futuro, no Catete, no evento Presente-Futuro capitaneado por Daniela Labra. Depois do evento, no bar, uma colega me alertou: “a gente acaba sendo o chato a ser evitado quando não concorda com a maioria”. Pois é.

Vito Acconci, para mim, sempre foi considerado um Deus. Cheguei antes para poder pegar um lugar para assisti-lo, mas fiquei surpreso que não tinham 5 mil, 10 mil pessoas assistindo-o. Sim, porque se um astro da música vem ao Brasil, como os Rolling Stones, junta-se um público de 1 milhão de pessoas. Como artes visuais é menos popular do que música, pelo menos mais de mil pessoas deveriam assisti-lo. Não tinha 300 pessoas na platéia. Tudo bem. Azar de quem não foi, me consolei.

Pudera. O maior jornal do Rio de Janeiro deu apenas uma notinha da presença do grande artista, entre nós. Nem ao menos a capa. Nem uma entrevista. Como disse um amigo, “muita ignorância”. Ok. Você não precisava saber quem era Vito Acconci até ler este texto. Mas eu vou explicar como foi a palestra. E porque me decepcionei. Mesmo que eu fique com a pecha de chato, ao menos exorcizo esse fantasma. E paro de abordar as pessoas para perguntar o que elas acharam da palestra para, em seguida, meter o pau. Mas verão que tenho minhas razões.

Mal acomodados em uma das salas de exibição do Oi Futuro, sentados ao chão ou em almofadas, de pé, por mais de uma hora, vimos Acconci falar de seu processo criativo. Uma palestra que iria ligar seu inicio de carreira como poeta, passando pelas performances, objetos e chegando ao design e arquitetura. Eu estava excitado para compreender tão rico “atravessamento”. Hibridismos entre linguagens me interessam. Alguém ainda disse que ele sempre dá suas palestras em forma de performance. Ia ser o máximo.

De fato, acompanhei com olhos muitos atentos – e alguns pequenos movimentos de alongamento no corpo incomodado pela posição – o artista iniciando sua fala, mostrando sua insatisfação com aquilo que ele tinha chegado, em poesia, tentando criar uma performance com o corpo, através das letras. Falou sobre o momento em que se deu tal criação, que foi durante a Guerra do Vietnam. Que ele queria algo que fosse, também, ação. Lembrei Mallarmè, em “Um Lance de Dados”, onde o olho flutua pelas páginas com o lance de dados, que jamais abolirá o acaso. E no quanto esse poema, do século 19, era atual. Físico, material, táctil, propondo a participação ativa do leitor no momento mesmo da leitura. Assim como fez Acconci, mostrando a imagem de seu poema visual.

Maravilha! Vamos em frente.

A partir daí começou a perseguir pessoas na rua, em performances que duravam de 3 minutos até 7 horas. Isso em 1969. Mas ele ainda estava insatisfeito. Queria um tipo de performance em que ele não precisasse aparecer.

Ok!

Ai vem uma de suas mais fortes obras, onde ele se masturba debaixo do chão, em uma galeria. Seedbed, de 1972. É assim: o artista reconstrói um chão na sala da galeria, com alguma inclinação e fica, durante duas (acho que isso) semanas, durante o tempo em que a galeria está aberta ao público, se masturbando. Algumas implicações relacionadas à body art, ao conceitual, à desmaterialização, são óbvias. Outras, ligam-se ao desejo, à sublimação, não deixando de ser, também, provocativa, o que fazia parte de sua estratégia, levando o público a reações apaixonadas.

Mas Acconci queria mais. Queria perfomances em que ele não precisasse participar da situação. E nos brinda, mostrando uma instalação/objeto, Instant House #2, de 1980, feita com quatro chapas de madeira, estiradas ao chão, cortadas, cada uma pintada com a bandeira dos E.U.A. Um mecanismo do tipo balanço é ativado por cordas e roldanas presas às peças e quando o espectador senta ao balanço, as placas se fecham e formam um objeto tridimensional – uma caixa – em forma de casa. Do lado de fora, pintada, a bandeira da Rússia. Lembremos da Guerra Fria.

Mas o que estava em jogo tinha a ver com uma continuidade, descontinuidade de espaços. Um abrir-se e fechar. Juntar o dentro e o fora. Casar os inimigos. De tornar algo bi em tridimensional.

Remontava-se, com isso, toda a história da arte, depois do modernismo: colagem, cubismo, construtivismo, Jasper Johns, Pop, Minimal, Conceital, etc. Em suma, uma peça síntese, cuja aparição, traz em si toda a história, cultura e arte que passou, apontando para uma cultura que devia se desdobrar, se abrir, se permear. Mas o Sr. Acconci da palestra ainda não estava satisfeito. Apesar de se dirigir na direção de uma arquitetura mais flexível e permeável, queria trabalhar coletivamente. Disse que era bom para ter idéias gerais, mas não para resolver os detalhes. Uma insatisfação como sintoma de inquietação criativa, eu tinha entendido.

É importante que se diga. Os anos 80 e 90 foram duros para artistas radicais – radicais no sentido de trazer toda a raiz da cultura naquilo que fazem. Como vender aquilo que Acconci fazia, tão provocativo, tão evocativo, tão pouco comercial, em uma época em que a pintura voltou a ser “a bola da vez” do mercado? Uma época em que jovens, do dia para noite, eram lançados ao topo da fama e do dinheiro e virando capa de revistas de arte internacional. Como se locomover contra a corrente enquanto Wall Street ditava as regras e o muro de Berlin era posto abaixo, com a declaração que direita e esquerda não fazia mais sentido no mundo globalizado neoliberal?

Além de duro aqueles tempos, deve ter sido chato e triste para artistas do porte de Acconci ver gente sem nenhum talento, mas com estratégias de marketing, se darem bem no circuito artístico, com exposições em grandes museus, viajando pelo mundo. Um artista com trabalhos como a mesa que sai para fora do restaurante, se projetando para o espaço, em um edifício, tornamdo-se uma espécie de trampolim. Ou, mais recentemente, o abrigo feito para sem-tetos, em 2002, embaixo do viaduto do Cambuci, em São Paulo, dentro do evento ArteCidade.

Mas isso é só uma suposição minha, porque, na palestra, Acconci pula dos anos 80 para os anos 2000 e, aí, já não tem mais nada a reclamar. Trabalha com um grupo de designers e arquitetos fazendo projetos encomendados pelo mercado, como a loja de roupas jovens na qual eles reformaram a arquitetura e fizeram o mobiliário, todo de materiais que, enfim, a tecnologia pode proporcionar. Materiais leves, moldáveis, translúcidos, etc.

Mas parece que a ironia tornou-se um pouco debochada, como a “casa dos pesadelos” que projetou, onde tudo fica de cabeça para baixo, em uma alusão à “casa dos sonhos” que todo estadunidense gostaria de morar. Ou a maquete para a reconstrução das Torres Gêmeas, destruídas há exatos 8 anos atrás, que deveria ser uma ruína, para “enganar os terroristas”, que provavelmente não iriam destruir algo que tem aparência destruída. A foto que mostra a maquete, aliás, já é toda colorida e tem aquele ar de projetada no computador, toda high tech. Prefiro os feixes de luz propostos por outras pessoas e realizado já, no mesmo local, como referência à tragédia.

Daí em diante, o que poderia ser chamado de segunda parte da palestra, é um desfile de projetos arquiteturais e de objetos criados em escritório, para dar conta de uma concorrência da cidade de Nova Iorque para remodelar a iluminação; ou decorar boates, ou equipamentos para parques, etc. Certamente levando em consideração aquelas reclamações passadas, agora satisfeitas, como a criação de buracos unindo dentro e fora, a maleabilidade dos materiais, a “performance” do corpo em relação à arquitetura, mas de forma totalmente acrítica, sem levar em consideração a sustentabilidade e contexto, adesistas em relação a uma demanda de entretenimento e, sobretudo, formalistas. Bonitas? Eu diria cafona, de mau gosto.

Saí antes de terminar sua fala. Tive de ouvir que as pessoas não são obrigadas a ter coerência. Eu também não acho. Aliás, “se fosse para fazer sentido, eu entrava para o exército”. E eu nem vou exigir que o cara, aos 69 anos, continue se masturbando debaixo do chão. Claro que não. Mas o que a gente não pode nem deve aceitar é a frouxidão. Arte tem de ter virilidade. Não é uma questão de gênero, continua sendo uma questão de tesão, de saber criar tensão, de colocar amor e generosidade naquilo que se faz. Ou, como diz Douglas Crimp, em “As ruínas do Museu”, no capítulo sobre a redefinição de espaços, onde fala da obra de Richard Serra, que o artista não pode se tornar um “operador técnico” terceirizado à serviço do mercado.

O que está em jogo, 20 anos depois que o neoliberalismo transformou o mercado em Deus, não é uma questão de ser contra ou a favor das mudanças, de aceitar ou não a tecnologia, mas da capacidade de a arte contemporânea dialogar, de igual para igual, com outras áreas, os espaços da cidade, as redes, os fluxos, as objetividades e subjetividades colocadas em ação. E, nesse sentido, não podemos esperar que o Estado ou o mercado venham até a nós dizer o que e como devemos “embelezar” a cidade, as praças, os parques, as ruas, os museus, as galerias. Temos que nos tornar agentes desse processo, impedir que a sanha imobiliarista, capitalista, devore nossa memória, nossa história, nossa cultura e nossa arte. Que as camadas sejam reveladas e não destruídas, por outras, e depois outras, no eterno retorno do novo, da novidade, ou, quando muito, ao bel prazer das (dês)políticas públicas.

Pode ser engraçadinho entrar e sair pelos buracos dos objetos que Vito Acconci vem realizando, agora que ele não tem mais nada a reclamar. E embora tudo aquilo que ele foi e fez tenha sido altamente significativo, o fato é que o que ele realiza agora só é orgânico em relação à forma, sem nenhuma preocupação a mais comigo que queria tanto poder amá-lo, ainda.

RJ – 14 de setembro de 2009

3 de set de 2009

D1OS

03/09/2009 - 13h19
Fundador da Igreja Maradoniana cria ponto turístico em casa e presenteia craques
Alexandre Sinato
Em Rosario (Argentina)

A Igreja Maradoniana não tem uma sede ou um templo. Resume-se basicamente a um conceito e a uma paixão que, duas vezes ao ano, reúnem cerca de 500 seguidores em locais escolhidos especificamente para cada evento. Mas a força do nome de Diego Armando Maradona e a dedicação de seus idealizadores fazem dessa "religião" um ponto turístico de Rosario e uma atração entre boleiros.

Um turista desavisado que chega à cidade e procura uma igreja tradicional, com uma imagem de Maradona num altar, nada encontra. O que existe é uma pequena igreja de madeira e uma mini estátua do camisa 10 na sala de Hernán Amez. Um dos três fundadores da Igreja Maradoniana, ele transformou sua residência em um ponto de encontro.

Adoradores do ídolo argentino e curiosos de todo o mundo já foram à casa de Hernán. "Já recebi pessoas de China, Japão, Estados Unidos, Escócia, Colômbia, Venezuela, Chile, Espanha, França, Inglaterra...", enumera ele, após uma rápida busca na memória e nos cartões de visita que guardou.

São jornalistas, produtores de cinema ou simples "maradonianos" que procuram o idealizador da igreja. Em sua casa, encontram a minicapela, uma réplica do troféu, uma bola personalizada e a bíblia maradoniana (a biografia sobre o craque), além de inúmeras fotos e livros sobre o ex-jogador.

Enquanto recebia a reportagem do UOL Esporte, Hernán exibia em sua televisão o DVD sobre a Igreja Maradoniana. Graças a essa "religião", ele e os dois fãs do ídolo argentino que fundaram a instituição são reconhecidos por personalidades do país.

Em sua casa, Hernán tem as camisetas da igreja que ele vende para os visitantes por 70 pesos argentinos (cerca de R$ 35). São pelo menos três modelos diferentes, incluindo um feminino. Segundo ele, o lucro será utilizado para sustentar o site da igreja, hoje fora do ar.

"Minha intenção não é ganhar dinheiro com a paixão das pessoas, mas sim conseguir colocar o site no ar novamente. Tanto é que, a cada 50 camisetas, metade é vendida e a outra parte vira presente para as pessoas que gostam do Maradona", conta. E entre os agraciados com tal "recuerdo" incluem-se jogadores de todo o mundo.

"Uma vez, o Messi levou uma para o Barcelona e precisou fazer uma encomenda. Mandei camisetas para Ronaldinho Gaúcho, Deco, Puyol e Giuly", recorda Hernán. Ronaldinho, por exemplo, aparece com a camiseta no livro escrito sobre a Igreja Maradoniana, assim como Careca e o inglês Gary Lineker, derrotado por Maradona no Mundial de 1986.

Diante da fama que sua igreja ganhou, Hernán Amez registrou os direitos sobre a ideia. "Foi uma recomendação do Guillermo Coppola, ex-empresário de Maradona. Ele disse que seria bom fazer isso para evitar problemas futuros."

Hoje, a Igreja Maradoniana segue se reunindo em dois cultos anuais: na "Páscoa", festejada no dia que a Argentina venceu a Inglaterra na Copa de 86 com dois gols do craque (22 de junho), e no "Natal", dia do aniversário de Maradona (30 de outubro). "Meu sonho é conseguir construir uma igreja física para nosso deus", completa Hernán, orgulhoso com o símbolo que criou em homenagem ao atual treinador da Argentina: D1OS.

http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2009/09/03/ult59u201245.jhtm