26 de jul de 2011

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23 de jul de 2011

O Infinito Labirinto ou a Balada Alienada


Carlos Zago 
            
Um ex-agente no Cáucaso me contou
um estória sobre umas flores que
ele roubou de um traficante de ópio
na Birmânia e me deu quatro pétalas pra
mascar dizendo que eu nunca mais
ia voltar do país dos sonhos

pensei que ele estava tristonho
quando disse-me sorrindo
que sua hora estava chegando
e que por isso ele iria partindo
em dois as mentes que pelo
caminho fosse encontrando

agradeci sem mais delongas
e ascendo para algum canto
que não sei bem se era um quarto
ou um antro
masquei três pétalas estranhas
daquela flor das montanhas que
supus ser papoula da Birmânia
apesar de nunca ter visto antes
as pétalas de papoula

agora já faz tempo eu sei que
descobri que não se tratava
do rubi oriental era uma outra
flor instrumental
que só conhecem alguns monges
do Nepal que a bebem em
um magnífico ritual onde os
iniciados buscam
entrar em um transe
transcendental
do qual nunca mais voltam
ao normal

nada disso eu sabia naquele
instante em que comia
que muitas eras depois eu
descobriria de onde foi que
minha alma descendia e por
quais caminhos meu carma
me levaria para alcançar
essa estranha sobrenatural
sabedoria

tirei os sapatos fumei um
cigarro e apaguei a luz
e mal deitei na cama,
desapareceu o quarto
e me vi deitado sobre o cume
de uma montanha
mil vezes mais alta que a
mais alta das montanhas do
Himalaia cercada por um
oceano mais vasto que qualquer
um já visto ou imaginado pela
mente humana
quis levantar e dar um grito
mas só consegui dar um
suspiro estava eu deitado
sobre o infinito? não sei

alguns segundos se passaram
ou foram os milênios que cantaram
enquanto abri e fechei os olhos
de uma lágrima que chorei
vi surgir um ser que jamais imaginei
em minha vida até então ser capaz
de conceber não há palavras para
dizer não há como descrever
era um Avatar a plena Luz do Ser
e tive medo e alegria sobre aquilo
que eu poderia chamar de sua cabeça
milhares de estrelas dançavam
em um céu que ao mesmo tempo
que se criava se desfazia

fechei de novo os olhos e
me tornei um com aquele ser
e ouvi então ressoar pot todo ar
e além do vácuo uma canção
muito muito delicada
como fosse cantada por todas
as vozes das crianças
de todas as épocas e lugares
da eternidade, era um canção
reveladora só uma sílaba
motriz e geradora
multiplicando-se livre
em infinitos tons e vibrações
nela pude ouvir a síntese viva
de cada um dos sons da criação
OM
em um mesmo instante que também
já era outro me vi deixando a idéia
de que eu tinha ainda corpo ou que fosse
sequer uma pessoa foi quando como
um sino que soa atravessei todos
os templos erigidos por todos os seres
que os erigiram e percebi que cada um desses
seres era um próprio templo em si
e perguntei ao tempo ao espaço e a matéria:
---- O que é o tempo o espaço e a matéria?


 imediatamente a resposta se formou
você, a montanha e o oceano
cada um dos grãos de areia da montanha
é outra montanha e cada uma das gotículas
do oceano é um outro oceano a montanha
e o oceano bailam, nesse bailado o oceano
em seu movimento vai decompondo a montanha
que é imóvel e que vai aderindo
ao oceano, chegará um momento em que toda
a montanha irá se dissolver acabando assim
com o movimento do oceano e com sua
própria imobilidade

nesse exato momento
começará
O Tempo
a partir daí o que haverá entre cada grão de
areia da montanha dissolvida a cada gotícula
do oceano será chamado de Espaço e Matéria
será todo o possível movimento realizado no
tempo por esse espaço imóvel

gargalhei imediatamente e de dentro de minha
boca surgiram duas flores uma azul mas de um
azul que era também tátil, gustativo e olfativo e
outra branca de um branco com todas as propriedades
da azul, a Flor branca disse para a azul por uma
boca que parecia a minha " Oceano " enquanto a
Flor azul dizia para a branca " Montanha" depois
disso a luz do quarto se acendeu e eu estava
novamente sobre a cama
Olhei entorno preocupado eu havia dormido
eu havia sonhado? Quem havia acendido
a luz do quarto? Na parede um grande quadro nele
pintado um quarto onde no lugar onde estaria
a minha cama
havia um vaso com duas flores não vou lhes
dizer as cores, mas para o horror dos horrores
na parede do quarto do quadro haviam outro
quadro de um quarto onde no lugar onde
estaria a minha cama havia um vaso
com duas flores não vou lhes dizer as cores,
mas para o horror dos horrores descobri
que não era um quadro era um espelho
que refletia as flores que eu havia me tornado
OM


Carlos Zago  (1976-2003)


e aqui o texto que escrevi sobre o Carlão, em 2003
http://www.canalcontemporaneo.art.br/arteemcirculacao/archives/000094.html

16 de jul de 2011

papo com Jacq siano no facebook - sucesso e grana e crítica de arte


oi rubens, tudo bem?
Denunciar · 11:52
oi, querida, tudo certo. e vc?
Denunciar · 11:53
pois é, no dia de seu finissage, tive uma distensão de ligamentos numa dessas calçadas da vida e fiquei de molho com bota ortopédica
como moro num prédio sem elevador, saio pouquíssimo
Denunciar · 11:53
caramba... está melhor agora?
recebi seu convite. é na semana que vem, né?
Denunciar · 11:54
ainda de bota, mas bem melhor. o troço pesa pra caramba!
sim. quero saber como foi sua expo.
Denunciar · 11:55
ainda não postei as falas nem as fotos da finissage, mas as outras coisas estão no blog http://figurinhasnowhereman.blogspot.com
Denunciar · 11:56
vou espiar
Denunciar · 11:56
e mais uma página inteira no jornal BRASIL DE FATO, que é de pouca circulação, mas é nacional
Denunciar · 11:57
do extra acho que vi, mas vou olhar novamente - fiquei feliz por vc
Denunciar · 11:58
vc ficou savbendo do trabalho que realizei em um apartamento no evento CONTRABANDO, no Flamengo?
Denunciar · 11:58
não me lembro
Denunciar · 12:01
então, nessa linha de exclusão e mobilidade social... chama-se X. Levei um morador de rua para ser acolhido lá no apartamento durante os dias do evento. ele poderia ficar quando e quanto quisesse. Fiz uma cama de papelão e cobertor para ele ter como lugar seu (embora a casa toda lhe devesse estar livre) e essa cama ficava bem debaixo da janela que tinha a melhor vista da paisagem (dava para o pão de açucar). Foi impactante!
Denunciar · 12:02
imagino que sim.
Denunciar · 12:04
Vi suas serigrafias lá em Santa, durante o ortas abertas.
portas
Denunciar · 12:04
a sim, fiz algumas sobre papel jornal pra expo do dia 22
Denunciar · 12:05
uau, ia destacar que as tinha achado muito limpas...
Denunciar · 12:07
pois é, ali era outra situação, outro ambiente, talvez rolasse uma vendinha, hehe
Denunciar · 12:07
vender arte é tudo de bom
Denunciar · 12:08
só não pode é trabalhar pra isso.
vc sabe, eu nunca vendi trabalho algum
nem sei como isso funciona
Denunciar · 12:09
acho que com arte, até traballhar para isso pode, veja o caso da pop...
Denunciar · 12:09
hummm
Denunciar · 12:09
recebi muita crítica de meu trabalho
fiquei até assustado
Denunciar · 12:10
tipo
Denunciar · 12:10
gente dizendo que estava me promovendo com a imagem dos miseráveis
ou que era literal demais
Denunciar · 12:10
sabia... neginho é que é mto literal
Denunciar · 12:10
até da baixa qualidade das imagens vieram reclamar
o cara veio me ddizer que o professor de pintura dele tinha ensinado que não se pode pintar um porco porcamente
é como vc disse, o neoliberalismo está no gene das pessoas. Para eles só tem o sistema e tudo deve estar sujeito ao Capital.
Enfim, papo longo hehehe
Foi disso que se tratou a conversa na sexta
no encerramento da exposiçao lá no }}
e, só para voltar ao papo do $$$$$
Denunciar · 12:13
to cansada desses discursinhos
Denunciar · 12:13
e da FFFFFAMA
coloquei conceitualmente minha questão (depois vou fazer algumas reflexões por escrito) e disse que achava legítimo querer me promover
ter suce$$o, por que não?
vou te ccontar uma ccoisa
quando eu sai na primeira vez da universidade, saí porque não queria conviver com aquela mediocridade
quando voltei para escola eu pensei: não saio daqui para deixar os meddíocres ficarem no meu lugar, nunca mais
e é assim que eu penso sobre arte, também. Por um lado tem a arte e os artistas, e os artistas não têm, com sua arte, que consertar o mundo
Denunciar · 12:17
é isso, não pode dar espaço para esse pessoal, eles proliferam invadem e tomam conta
Denunciar · 12:18
do outro lado a gente tem de lutar, civilmente, pela organização da sociedade civil e pelo fortalecimento das instituições
li uma frase ddo Lobão agora que achei muito certa
Denunciar · 12:19
vou te mandar um link de um doc. feito sobre os "piratas" da somália.
Denunciar · 12:20
depois que ele saiu da cadeia, em 89, disse que os verdadeiros criminosos não eram os ladrões, traficantes e assassinos que estavam lá, com ele
que ccriminosos eram aqueles que permitiam que a sociedade se tornasse um organismo doente
Denunciar · 12:21
é disso que o doc fala. vc vai gostar.
Denunciar · 12:22
pensei que a frase do Lobão, atualizava a frase Beuys, que disse que a arte deveria curar a sociedade, que estava doente
Denunciar · 12:23
pois vc acredita que tem gente que fica ironizando o beyus, dizendo que ele era um aproveitador?
enviei o link, vê se chegou
Denunciar · 12:28
chegou sim. grato, vou ler.
Denunciar · 12:28
ok. bj. te espero nasexta
Denunciar · 12:29
beijão , boa recuperação, Jacq. Grato pela oportunidade do papo
Denunciar · 12:29
sim, tb gostei mto.
suce$$o pq viver é preciso e tem seus custo tb.
custos,:)