30 de dez de 2008

perdeu, preibói.

25 de dez de 2008

artista nao morre

“Navegar é preciso/ viver nao é preciso”


Como vc quer morrer?

Eu não vou morrer. Artista não morre. O artista vive através de sua obra. E a obra resite ao tempo.

Não vou morrer porque também não vivo. Apenas estou em fluxo presente e contínuo, que não se prende, nem se esgota. Sem futuro. Sem passado.

Não morrerei porque um artista é o conjunto de todos os artistas, de todos os tempos, do além e aquém de mim. E a arte do artista é diálogo “entre o nem nascido e o já ido”. De séculos e linguagens.

Arte é uma espécie de inteligência sensível desenvolvida na alma, assim como se desenvolvem os músculos em corpos disciplinados no exercício. Aqui, “o exercício experimental da liberdade”, recusando-se à idéia de uma vida em oposicao à morte.

Morremos e renascemos todos os dias, indefinidamente. Nomeamos e ignoramos o que são as coisas, vivemos em perpétua alternância entre camadas diferentes, mas justaspostas, de nartureza e cultura. E é no vácuo que se instaura entre isso e aquilo, aqui e lá, que vive o artista. Que sonha o artista o mundo. E dele se desfaz, também, deixando ser o que se é, passagem, tempo, relações.

24 de dez de 2008

foi solta

a pixadora está solta, mas continua aprontando as suas. Segundo o babalaô Etétuta, diretamente do Belém do Graum Pará, a mossa, mal saida da cadeia já foi flagrada em delito. Vejam o vídeo em:
http://www.youtube.com/watch?v=tpK-1kPYC4w

Deois desta nao haverá nem mais habeas corpus

quer mais? entaum vejam o que a menina faz com a última bola, parodiando o artista plástico Hélio Oiticica, inventor da bossa nova e das sapatilhas de plástico sensorias e coloridas da grandene:
http://www.youtube.com/watch?v=thRvt4o5E2Q

mas se você näo acredita, entäo dê um search no google...

18 de dez de 2008

Pichação na Bienal desdobramentos

17/12/2008 - 17h30
Novo habeas corpus é negado à pichadora da Bienal e caso pode ir para Brasília
Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em São Paulo (SP)


O desembargador Fernando Matallo, da 14ª Câmara de Direito Criminal de São Paulo, negou nesta quarta-feira (17) novo pedido de habeas corpus para Caroline Pivetta da Mota, que foi presa por pichar uma parede na Bienal de Artes de São Paulo. Na sexta passada, ele já havia indeferido um primeiro pedido.


FORA E DENTRO


A defesa da pichadora está agora a cargo de um ex-auxiliar de Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça durante a primeira gestão de Lula (2003-2006). O advogado Augusto de Arruda Botelho, que trabalhou quatro anos no escritório do ex-ministro, assumiu o caso, que passara antes por uma advogada contratada por um pichador amigo e depois ficou a cargo da Defensoria Pública.

Arruda Botelho aguarda até a tarde desta quinta para ver se será decretada a liberdade provisória da pichadora, que foi pedida pelos defensores públicos. Caso contrário, ele levará o caso para Brasília, tentando em instância superior o que a defesa não conseguiu até agora nos tribunais paulistas.

Mãe da detida, Rosemari Pivetta da Mota recebeu na última segunda-feira dois oferecimentos de ajuda. Ela optou por Arruda Botelho, que já ganhou visibilidade na mídia por defender Freud Godoy, ex-assessor da Presidência, no caso da suposta compra de dossiê sobre políticos do PSDB nas eleições de 2006.

A outra oferta de ajuda partiu do próprio ministro da Cultura. Juca Ferreira ligou pessoalmente para a mãe da detida e ofereceu auxílio jurídico. O contato foi feito após Rosemari mandar um e-mail para o ministério agradecendo as declarações favoráveis à liberação de sua filha. Ferreira ligara anteriormente para o governador paulista, José Serra, e também para o presidente da Fundação Bienal, Manoel Francisco Pires da Costa, solicitação uma interferência.

O ministro da Cultura classificou o caso como "um escândalo". Foi a primeira manifestação de um político sobre a prisão. Antes, artistas fizeram protestos no fechamento da mostra, promoveram um abaixo-assinado pela liberação e se pronunciaram na imprensa contra a detenção. Já pichadores amigos de Caroline se manifestaram pintando muros no centro de São Paulo e a fachada da casa do ex-prefeito Celso Pitta.

Outra manifestação política veio na segunda-feira com o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo de Tarso Vannuchi. Ele comparou a situação da pichadora com o caso do banqueiro Daniel Dantas. "A jovem está presa há 50 dias por ter pichado uma sala da Bienal. Infelizmente, Daniel Dantas ficou preso por muito menos tempo", afirmou o ministro.

Por pintar uma parede branca no andar vazio da Bienal, Caroline está sendo processada por destruição do patrimônio cultural, que prevê pena de um a três anos, dos quais ela, mesmo sem julgamento, já cumpriu quase dois meses, afinal está detida desde 26 de outubro. Atualmente, Caroline encontra-se na Penitenciária Feminina Sant'Ana, no Carandiru, depois de ter passado três dias no 36º Distrito Policial, localizado no bairro do Paraíso. Ela já tinha passagem policial por envolvimento em outras detenções de pichadores.


E AQUI, A VISAO DE UM CAMARADA, ASLAN CABRAL (www.arteatual.blogspot.com):

Eu sei mesmo de uma coisa:
é que eu não acho uma coisa só sobre esse assunto, e que todos os comentários deixados têm sido um amontoado de "eu acho isso" "eu acho aquilo" mas ninguem pensa direitinho ou procura saber de nada.Só achar achar e achar!
Vocês já pensaram na poluição visual que existe na cidades onde vivemosPor acaso nos deparamos muito mais vezes mais a marca da NIKE, MACDONALD'S, COCA COLA, NIVEA, CARREFOUR, C&A ou qualquer outra marca registrada que não nos pertence(nem aos nossos vizinhos)??ou com pixações pela rua???Basta vc está lá na praia e :tic! um saquinho plástico com a marca do carrefour poluindo o mar(que polui consequentemente todo o planeta).Outro bom exemplo é a gente num dia de chuva ficar tooodo molhado, por não ter um abrigo dígno para esperar os onibus,enquanto o "backlight"(o lugar impecavelmente iluminado onde ficam as propagandas nos pontos de onibus) exibe dia e noite uma ensolarada propaganda de um produto que, embora seja essencial para sua saúde(protetor solar), continua sendo vendido à preço de COSMÉTICO!!Existem várias maneiras de marcar o mundo com a sua marca.E pelo que me parece, a pixação é uma das mais "isoladas" em pequenos grupos, e que pode ser convertida, diminuída, diferentemente interpretada, e ter seu responsável punido( caso seja necessário[e com uma punição que saiba como avaliar tal ato])
Existem milhares, bilhares, trilhares....uma infinidade de corporações por trás das marcas que não estão nem aí para o fato de estarem poluindo muros, paisagens, momentos e nossas vidas inteiras com seu marketing milionário.Isso sem entrar nas questões de experimentos trangênicos, radiotivos realizados em muitos destes produtos que ingerimos, vestimos, ouvimos várias vezes por dia e ainda acreditamos serem necessidade vitais para nosso corpo e organismo.
Gente!Num quero nem misturar as coisas e ficar falando que isso é arte ou não é!Mas isso é expressão.Se dentro das nossas normas,leis isso é crime para uma pessoa passar dois anos esperando julgamento dentro de uma cadeia"comendo frango frio!" como disse alguém aí!(quem come frango frio é vc, dentro de uma prisão as pessoas comem umas às outras) e a gente aprovar isso aprovam descaradamente isso, gostaria de lembrar-los que existem questões bem maiores precisando de sua atenção e revolta.
Lutem, declarem, usem seu tempo para fazer com que seja crime também para punição a poluição, desmatação, violência,esgotação do nosso planeta por interesses capitalistas, políticos!!Separem o lixo que é chega as nossas casas por todos os produtos de "extrema necessidade" que nos são apresentados diariamente nas tvs quando os apresentadores bonitos e simpáticos dizem:NÃO SAIA DAÍ!E na sequencia somos metralhados de necessidades vitais que já vem com marca, dosagem e embalagens legais.
A caroline fez a marca dela, os pixadores têm as deles, ao meu modo eu tenho a minha e penso bem no que esta representa.Por favor amigos, vamos pensar direitinho.Como vi um dia destes:Um cara que matou uma mulher, foi condenando a 6 anos de prisão!A mulher morreu, não volta nunca mais.Uma garota que pixou uma parede branca, que no fim da noite já estava branca novamente, ter que ficar até 2010 da cadeia.
Não é demais!?
Não podemos ficar nessa posição de "eu acho isso" "eu acho aquilo" mas como eu não sou diferente de vocês, apesar de analisar e acreditar em pontos bem diferentes para pedir justiça:
EU ACHO que vocês estão indo longe demais com essas opniões.

Pensem bem queridos amigos humanos.obrigado pela atenção

12 de dez de 2008

Ouvi Contar Que Outrora

Ouvi contar que Outrora - Ode Ricardo Reis/Fernando pessoa


Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia
Tinha não sei qual guerra,
Quando a invasão ardia na cidade
E as mulheres gritavam,
Dois jogadores de xadrez jogavam
O seu jogo contínuo.

À sombra de ampla árvore fitavam
O tabuleiro antigo,
E, ao lado de cada um, esperando os seus
Momentos mais folgados,
Quando havia movido a pedra, e agora
Esperava o adversário.
Um púcaro com vinho refrescava
Sobriamente a sua sede.

Ardiam casas, saqueadas eram
As arcas e as paredes,
Violadas, as mulheres eram postas
Contra os muros caídos,
Traspassadas de lanças, as crianças
Eram sangue nas ruas...
Mas onde estavam, perto da cidade,
E longe do seu ruído,
Os jogadores de xadrez jogavam
O jogo de xadrez.

Inda que nas mensagens do ermo vento
Lhes viessem os gritos,
E, ao refletir, soubessem desde a alma
Que por certo as mulheres
E as tenras filhas violadas eram
Nessa distância próxima,
Inda que, no momento que o pensavam,
Uma sombra ligeira
Lhes passasse na fronte alheada e vaga,
Breve seus olhos calmos
Volviam sua atenta confiança
Ao tabuleiro velho.

Quando o rei de marfim está em perigo,
Que importa a carne e o osso
Das irmãs e das mães e das crianças?
Quando a torre não cobre
A retirada da rainha branca,
O saque pouco importa.
E quando a mão confiada leva o xeque
Ao rei do adversário,
Pouco pesa na alma que lá longe
Estejam morrendo filhos.

Mesmo que, de repente, sobre o muro
Surja a sanhuda face
Dum guerreiro invasor, e breve deva
Em sangue ali cair
O jogador solene de xadrez,
O momento antes desse
(É ainda dado ao cálculo dum lance
Pra a efeito horas depois)
É ainda entregue ao jogo predileto
Dos grandes indif'rentes.

Caiam cidades, sofram povos, cesse
A liberdade e a vida.
Os haveres tranqüilos e avitos
Ardem e que se arranquem,
Mas quando a guerra os jogos interrompa,
Esteja o rei sem xeque,
E o de marfim peão mais avançado
Pronto a comprar a torre.

Meus irmãos em amarmos Epicuro
E o entendermos mais
De acordo com nós-próprios que com ele,
Aprendamos na história
Dos calmos jogadores de xadrez
Como passar a vida.

Tudo o que é sério pouco nos importe,
O grave pouco pese,
O natural impulso dos instintos
Que ceda ao inútil gozo
(Sob a sombra tranqüila do arvoredo)
De jogar um bom jogo.

O que levamos desta vida inútil
Tanto vale se é
A glória, a fama, o amor, a ciência, a vida,
Como se fosse apenas
A memória de um jogo bem jogado
E uma partida ganha
A um jogador melhor.

A glória pesa como um fardo rico,
A fama como a febre,
O amor cansa, porque é a sério e busca,
A ciência nunca encontra,
E a vida passa e dói porque o conhece...
O jogo do xadrez
Prende a alma toda, mas, perdido, pouco
Pesa, pois não é nada.

Ah! sob as sombras que sem qu'rer nos amam,
Com um púcaro de vinho
Ao lado, e atentos só à inútil faina
Do jogo do xadrez
Mesmo que o jogo seja apenas sonho
E não haja parceiro,
Imitemos os persas desta história,
E, enquanto lá fora,
Ou perto ou longe, a guerra e a pátria e a vida
Chamam por nós, deixemos
Que em vão nos chamem, cada um de nós
Sob as sombras amigas
Sonhando, ele os parceiros, e o xadrez
A sua indiferença.


__________________________
Renzo Martens



A prática de Renzo Martens busca investigar e provocar a imagem doutrinada das paródias apresentadas pela mídia ocidental.

Como um tipo de trovador, Martens se aventura em paisagens caóticas que nós, como consumidores da tragédia, parecemos estar familiarizados. Em verdade é nesta familiaridade que interessa a Martens. Metaforicamente ele se identifica como um exemplo da mentalidade ocidental doentia ao explicitamente colocar-se dentro das condições diretas transmitidas pela televisão. Episode 1, seu filme de estréia, é uma viagem através da paisagem de uma Chechênia oprimida e devastada. Percorrendo campos de refugiados, Martens reverte o papel do entrevistador, aquele que normalmente documenta os refugiados e funcionários da ONU em sua situação atual, em uma patética história de amor de um jovem, com o coração partido e desesperadamente necessitando de atenção.

Desta forma, é o próprio Martens que se torna objetificado ao invés das imagens tão familiares ao redor dele.

Estas entrevistas extremamente inapropriadas geram um forte sentimento de desconforto e exasperação. No entanto, é precisamente esta estranheza que torna seu comportamento irreverente e egocêntrico sincero. Martens simboliza a economia do consumo midiático ao mesmo tempo em que se torna uma entidade eclética e terapêutica.

Prosseguindo em sua jornada no mundo como um espectador do paraíso, Martens tem investigado a África, particularmente o Congo, em seu produto de exportação potencialmente mais lucrativo: imagens de pobreza. Episode 3 revela de uma forma direta e confrontante, mas ao mesmo tempo ingênua, as possibilidades do Congo explorar sua própria pobreza além de seus produtos conhecidos, como a borracha e o cacau. As chocantes imagens da tragédia local tipicamente são utilizadas pelo Ocidente como lucros beneficentes enquanto que no local nada de positivo acontece.

Martens tenta liberar os congoleses deste círculo vicioso apresentando-se como um “salvador” que educa os habitantes a se beneficiarem de sua própria pobreza. Este gesto utópico leva a uma expedição épica de verdadeira revelação, na qual Martens, como sempre, aparece como o núcleo de seu assunto.

exercicio experimental da liberdade

em homenagem a garota vegetariana pichadora presa por acao na 28 Bienal

agora.

os micos fazem festa la fora

leio uma ode de ricardo reis

tudo conspira

e essa estranheza passa a ser

tambem

familiar

alguem danca enquanto bombas sao lancadas

o iconoclasta acredita

na feh do adorador de imagens

mas esta nao se deixa visivel

por mais que as bombas

explodam

alguem ainda ve nisso

musica

e

apenas musica

embala o movimento dos dancarinos
video

27 de nov de 2008

cinismo reacionário via e-mail

Intitulado "curriculum da futura presidente do Brasil", um email se dissemina pela internet, mostrando a ficha policial, à época da ditadura militar, da ministra Dilma Roussef, assinalada como "terrorista" e mostrando suas atividades "ilegais" e assaltos à bancos que teria praticado.

Minha resposta:

Se ela conseguir diminuir um pouco o lucro dos banqueiros e distribuir essa riqueza com a população do país, já está bom.
Acho que deve ser levado em conta o período em que ela cometia tais ações, porque quando ela foi presa ela foi torturada como comunista e não tratada como ladra comum, assaltante de bancos. E se é para ficar de algum dos lados, pior os golpistas do regime militar, que querem anistia para seus crimes de tortura e repressão e não admitem serem julgados pelos crimes de excessão que cometeram no período. Violência que o Estado brasileiro não contempla em sua constituição. Privaram o direito de expressão da sociedade por medidas repressivas como o AI5 e o resultado foi um desastre que ceifou a vida de milhares de jovens, à época, prendeu muitos, além de outros que foram expulsos do país. Torturas físicas e psicológicas. Traumas que levaram muitos ao suícidio e até hoje é uma ferida aberta na consciência do país. Por sorte essa aí sobreviveu.
Chega de "marcha com deus com a família pela tradição, família e propriedade". Essa marcha a ré é o que menos o Brasil precisa, hoje em dia, quando parecem abrir alguns horizontes no cenário latino, americano e até mundial, de que a "mão invisível do mercado" - essa que, entre outras coisas, tirou um presidente eleito democraticamente pelo povo para colocar uma junta militar no poder - começa a perder um pouco de seu peso sobre a construção de nossas vidas.
Deixa começar a campanha eleitoral, vamos ver o que ela tem a nos propor como projeto para o país. Até porque esse tipo de anti-propaganda reacionária sobre a ministra ou sobre qualquer pessoa que tenha vivido aqule momento infeliz do nosso passado, acaba dando argumento para extremismos. E isso não precisamos, no momento. Juizo não se compra na farmácia. E nem se leva na porrada.
Claro, melhor que conheçamos o histórico de cada candidato e quais os interesses que defendem cada um, mas quando vem um spam desses, de ironia cínica, com a imagem intitulada "curriculum" e a mensagem do post "Nossa futura Presidente do Brasil!!", isso fica parecendo que querem que a gente se torne cúmplices de operações como as feitas pelo DOI-CODI e outros orgão de repressão. E isso é muito deselegante. E, quem cala, consente. A não ser em situação de repressão, em que é obrigado a se calar.

Ex-presidente da Bienal Internacional de Artes de São Paulo

CVM aplica multa recorde ao ex-dono do Banco Santos

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) multou nesta quarta-feira o ex-dono do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira, em R$ 264,5 milhões. Trata-se da maior multa individual aplicada pelo órgão responsável pela fiscalização do mercado acionário. Ao todo, o banco, cuja falência foi decretada em 2005, e outros 11 ex-executivos foram penalizados com multas que somam R$ 667,5 milhões, também recorde na história da CVM.

Ferreira e o Banco Santos são acusados de emitir e negociar debêntures, no valor de R$ 1,3 bilhão, sem registro na CVM, como determina a legislação do mercado de capitais.

O inquérito da CVM foi iniciado em maio de 2004 e investigou irregularidades na gestão dos fundos de investimento por parte da Santos Asset Management-- responsável pela administração de recursos de terceiros-- e na comercialização de debêntures por parte do Banco Santos.

Para a CVM, essas operações beneficiaram o próprio Banco Santos, em detrimento dos cotistas dos fundos administrados pela Santos Asset Management.

"A falta de diligência é gravíssima. Os cotistas foram ludibriados, achando que teria uma gestão profissional dos recursos", afirmou o diretor da CVM Sérgio Weguellin, relator do processo.

Nessas operações, o banco emprestava um valor adicional ao que era pedido, desde que essa sobra fosse aplicada em debêntures indicadas pelo banco. Essas debêntures eram emitidas por empresas não-financeiras direta ou indiretamente ligadas aos próprio Banco Santos ou a Edemar Cid Ferreira. Algumas delas estavam sediadas em paraísos fiscais.

Segundo a CVM, essas empresas eram de "fachada", e tinham como sócios, administradores e procuradores pessoas de baixa condição financeira e instrução, que eram os chamados "laranjas".

http://www.jusbrasil.com.br/noticias/255617/cvm-aplica-multa-recorde-ao-ex-dono-do-banco-santos

25 de nov de 2008

Grana para socorrer o setor imobiliário nos EUA

São 800 bilhões (600 + 200) de dólares + ou - 1.6 um trihão e seicentos bilhões de reias!!!!
Se fosse dividir isso para cada pessoa, dando 3 mil reais para cada um, durante um ano, somando 36 mil, dava para deixar 44.444.444.444,4 - 44,4 bilhões de pessoa só curtindo, durante um ano, podendo investir em seu próprio negócio, poluindo menos o ambiente e aproveitando para aprender um pouco mais sobre o que quisesse.
Duvide-o-dó que o setor imobiliário dê um milionésimo de empregos que justificariam esse derrame de dinheiro em quem fez a crise e continua lucrando com ela.

12 de nov de 2008

A SOLUÇÃO PRO NOSSO POVO EU VOU DAR!



1
Investimento

O Brasil também deverá apresentar recorde de investimentos ao final de 2008. Segundo projeção da Anfavea, as montadoras deverão investir no país US$ 4,9 bilhões neste ano. Segundo Jackson Schneider, o montante previsto para o intervalo de 2008 a 2010 é de US$ 20 bilhões de investimentos entre montadoras e fabricantes de autopeças. "Isso gerará dinamismo à economia brasileira."

Taxa de emprego e licenciamento
Em fevereiro, 122.400 pessoas estavam empregadas na indústria automobilística, segundo os dados divulgados pela Anfavea.

http://g1.globo.com/Noticias/Carros/0,,MUL344301-9658,00-PRODUCAO+DA+INDUSTRIA+AUTOMOBILISTICA+CRESCE+NO+BIMESTRE.html

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2
Outros setores que recebem tratamento privilegiado das autoridades, como a indústria automobilística e a de equipamentos eletrônicos, também figuram na lanterna do ranking da geração de empregos.

Os dados são de estudo recém-concluído, assinado pela economista Sheila Najberg e pelo engenheiro Roberto de Oliveira Pereira, ambos da Área de Planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os campeões na geração de empregos, segundo o levantamento, são os chamados serviços prestados às famílias, ou seja, trabalhadores de segmentos que abrangem lazer pessoal, educação privada, entregas domésticas, cabeleireiro, manicure, entre outros. Estes serviços geram 1.080 empregos para cada R$ 10 milhões de aumento da produção. Em segundo lugar vêm artigos de vestuário (mil vagas) e, em terceiro, agropecuária (828).

http://www.sindicatomercosul.com.br/noticia02.asp?noticia=12851

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3

É NOTÍCIA DOS JORNAIS DE HOJE (12/11/2008): O GOVERNADOR DE SÃO PAULO, JOSÉ SERRA, INVESTE 4 BILHÕES DE REAIS PARA SOCORRER AS MONTADORAS. E ISSO É VENDIDO COMO UM ATO HERÓICO. AÉCIO, DE MINAS, ESTÁ NA MESMA LINHA. ACABEI DE VER NO JORNAL DA NOITE, DA GLOBO. POIS BEM, DIANTE DAS NOTÍCIAS ACIMA E, SABENDO QUE É DINHEIRO PÚBLICO INVESTINDO, MAIS UMA VEZ, EM MULTINACIONAIS, EM NOME DE GERAÇÃO DE EMPREGO, REINVINDICO AQUI A MINHA PARTE DESSA FORTUNA EM ESPÉCIE. ENTENDERAM BEM? EM ESPÉCIE. QUE SE FODAM OS MISERÁVEIS EMPREGOS.

10 de nov de 2008

jorge coli, sobre a 28 bienal

Ponto de Fuga

Serviço sujo

Não adianta vir com história de que essa Bienal causa "polêmica"; não pode haver "polêmica" com alguma coisa que se situa entre o simplório e o safado


JORGE COLI - COLUNISTA DA FOLHA DE SAO PAULO

O título deste "Ponto de fuga" está na coluna de Barbara Gancia, na Folha, dia 31 passado. Um artigo que lavou a alma. Enfim, alguém berrou: "O rei está nu". Ou melhor: a Bienal de São Paulo está vazia. Vazia. Sem floreios ou firulas: vazia, irremediavelmente vazia, pateticamente vazia. Vazia de obras, de idéias, de vergonha. Não é gesto artístico: Yves Klein [1928-62] pintou de branco a galeria Iris Klert, em Paris, e expôs o vazio, provocando filas de gente querendo entrar para ver o que não havia. Isso em 1958. Cinqüenta anos depois, está lá, no pavilhão do Ibirapuera, o cavo, o inane, o chocho. Não adianta vir com história de que essa Bienal causa "polêmica", palavra hedionda porque reduz argumentos e debates a um espetáculo de circo. Não pode haver "polêmica" com alguma coisa que se situa entre o simplório e o safado. Não é admissível contemporizar, dizendo que a arquitetura do Niemeyer ficou visível, patati e patatá. Nem que houve seminários, conferências e quejandos: a Bienal de São Paulo não é academia ou universidade. Existe para mostrar arte recente. Nem que ela "questiona" a produção de hoje ou a natureza das próprias bienais. Questiona nada, porque é um nada. O que ela traz, sem querer, não é artístico ou estético, é ético. Aracy Amaral, com sua serenidade de sábia, tocou num nervo exposto, declarando à Folha: "Existe uma produção nacional muito vigorosa que não está aqui e poderia". Basta comparar a atual Bienal de São Paulo com as últimas edições da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. Lá, as mostras, nacionais e internacionais, são vivas, agudas, brilhantes.

Parquinho
No segundo andar da Bienal não há nada. Literalmente. No primeiro, algumas obras minguadas. Entre elas, um escorregador, de Carsten Höller. Escorregador mesmo. Na Tate Modern, de Londres, há dois anos, eram cinco. Aqui é um só, perdido no desânimo. Se é para perturbar a seriedade sagrada dos lugares reservados às artes, uma sugestão: instalar a próxima bienal no Playcenter. Tanya Barson, da Tate Modern (Londres), que lamentou, na Folha, ter voado 14 horas para ver a Bienal do Vazio, poderia ao menos se divertir na montanha-russa, no chapéu mexicano. CharabiáComo muitas pessoas são fascinadas por aquilo que não conseguem entender, a crítica e a teoria das artes abusam. Jonathan Shaughnessy sobre Carsten Höller: "Esses objetos tentam ao mesmo tempo embrulhar e revelar os sentidos a fim de que inibam a subjetividade e o sentimento de si ao invés de favorecê-los". Tradução possível: depois de escorregar no tobogã a gente fica tonto.

Coronéis
Um problema de certas instituições brasileiras voltadas para a arte e para a cultura é que se acham nas mãos de ricaços. Nos EUA, contribuições vão para o MoMA ou a Metropolitan Opera. Uma direção especializada decide o destino das verbas. Aqui, quem tem dinheiro mete o bedelho. Os resultados são desastrosos. Sem contar a freqüência com que dinheirama e falcatrua se tornam sócias. Ilustração evidente, o caso de Edemar Cid Ferreira. Chegou a ser mais poderoso do que o ministro da Cultura no Brasil e acabou na cadeia. Tristes fraquezas pressupostas naquele latim: "Sic transit gloria mundi", ou seja, uma hora por cima, outra hora por baixo. Edemar Cid Ferreira vivia circundado por uma corte de intelectuais que se agitava ao seu serviço. Que se escafedeu ao sentir o cheiro de queimado.

3 de nov de 2008

Poetando o anônimo, anonimando o poeta



















Pça Roosivelt, Sampa


Em frente ao Espaço Satyros I, em noitada cheia de cena.

Machões, pero no mucho!


bienal vazia, quase


na rua, andando, em sampa ainda






Essa é parte da exposição do prêmio Marcantonio Villaça, no SESI, em SP, mês de setembro. A dupla Gisela Motta e Leandro Lima mostrou três trabalhos: 1 - um video projetado de um coração batendo feito de bombas caseiras.
2 - um vídeo com sensor cuja imagem era a de um alvo, simulando alguém mirando o espectador que passa em frente à parede.
3 - armas feitas de papel, cujos modelos forma retirados de games digitais.

PIAUI, maluco beleza em Sampa



27 de out de 2008

28ª bienal



Tapete de lã feito por Mircea Cantor, da Romênia (à esquerda) e o tobogã criado pelo belga Carsten Höller para a 28ª Bienal de São Paulo. Entre as diversas performances previstas para o evento, o paulista Maurício Ianês vai passar 13 dias no edifício sem roupas e sem dinheiro, vivendo exclusivamente do que há nele.


Impressões na abertura da Bienal

Fui de tarde na inauguração da Bienal deste ano e tinha muito pouca gente àquela hora. O segundo andar vazio e a idéia curatorial “em vivo contato” parecia pouco adequada ao que se via, ali. Principalmente depois que sai do prédio e, embaixo da grande marquise do parque Ibirapuera, lá fora, pulsava de gente brincando com skate, passeando de patins, namorando, vivendo, sem se perguntarem se aquilo era arte ou se a idéia de "em vivo contato" fazia algum sentido.

Tive a oportunidade de realizar uma entrevista com o curador-chefe, Ivo Mesquita, que, sentado em uma cadeira de rodas para se locomover, devido a uma torção no joelho dias antes da abertura da mostra, parecia incomodado com o lugar que ocupava.

A cada pergunta minha ele retornava fazendo outras perguntas, do tipo: por que uma bienal tem de ser cheia? Por que é necessário que a Bienal aconteça somente nesse espaço modernista? Nossa curadoria é uma crítica a tudo isso. E eu devolvia as mesmas perguntas. E ele respondia: não há labirintos de paredes para as crianças ficarem brincando, isso não é parque de diversão.

E eu apontei o tobogã que leva as pessoas do terceiro andar para o andar térreo e ele me fez mais uma pergunta, desta vez questionando sobre quais eram os acessos do prédio para pessoas deficientes, virando seu corpo em direção às imensas rampas. E eu disse para um Ivo Mesquita um pouco contrariado, que tinham escadas rolantes, também. E um elevador nos fundos do prédio, embora esse não fosse de acesso ao público. Mesmo assim, ele estava disposto a defender sua idéia que aquilo não era entretenimento e o tobogã era um meio de transporte.

Outra pergunta minha foi a de saber qual era o partido que ele tinha pensado para essa bienal, e ele me falou de arquivos, registros, memórias. Que era uma bienal para se pensar as bienais. O modelo no qual a bienal havia se constituído, enfim.

Tem razão ele quando diz que é memória o assunto dessa bienal, pois a maioria dos trabalhos são antigos conhecidos dos freqüentadores de museu e já mostrados em outros locais. Ou seja, pouca coisa foi realizada, mesmo, para a Bienal 2008.

Um dos trabalhos mais potentes, aliás, não é nem de artista, mas realizado sob encomenda para o evento, junto aos trabalhos de arte, que é um arquivo com a reprodução de livros e catálogos de várias bienais e mostras do mundo – como Veneza, Kassel e Bienal de São Paulo – que podem ser manipulados pelos visitantes.

O que fica evidente, porém, nessa 28ª edição, que ficou conhecida como a “Bienal do Vazio”, é que a curadoria privilegiou o domínio visual todo do terceiro andar – o único que tem obras de artistas visuais – com o design do mobiliário, aparentando um enorme display cujo padrão visual único achata as diferenças entre os trabalhos. Uma metáfora boa para se pensar o modo como se vê os trabalhos expostos: de cabeça baixa. O domínio de trabalhos mostrados e montados para serem visto de cima para baixo parece tornar tudo menor ainda, com espaços vazios engolindo tudo: instituição, obras, conceitos...

Se a questão dessa bienal era a produção de discursos, ao menos espaços é que não faltam. Além do térreo inteiro dedicado a palestras, encontros e shows, no terceiro andar também existe uma arquibancada para esse fim, em meio aos outros trabalhos de arte. Com uma programação intensa, não faltarão, para relaxar, aulas de dança e grupos musicais que se apresentarão durante vários dias dessa que será, também, a mais curta bienal da história das bienais de São Paulo, apenas 42 dias.

Uma coisa é certa. Se os debates não forem suficientes para preencher o vazio da bienal, pelo menos os pixadores já resolveram tomar para si uma parte de toda essa questão, pixando as paredes do segundo andar, em uma ação prevista, mas, infelizmente, sem que se tomassem cuidados para impedi-la. O resultado é que, a partir de ontem, domingo, a bienal ficou menos vazia. E seu resultado, enfim, um pouco mais polêmico.

Para finalizar, embora confortavelmente instalado na cadeira de rodas com motor elétrico, o curador Ivo Mesquita, ali, ocupava uma posição na qual ele mesmo parecia criticar, ou, senão, ao menos, questionar muito severamente.

21 de out de 2008

20 de out de 2008

paes X gabeira

gabeira ter dito no debate que vai afundar um navio perto das ilhas cagarras para atrair peixinhos e, assim, fomentar o turismo aquático, para que as pessoas levem um dvd gravado com as imagens delas para casa, foi, no mínimo esdrúxulo. A resposta do paes foi certeira, que ficou indignado. E a tre´plica foi pior, a do Gabeira, que disse que aquilo era populismo. Era, é, mas o fato é que o Gabeira não fez nada para desfazer esse mal entendido e não mostrou como é que faria para incluir as pessoas pobres, das comunidades carentes na discussão sobre os destinos da cidade: seja construir escolas, hospitais, seja afundar navio. Ao querer se fazer passar por inteligente com propostas "visionárias", Gabeira tornou-se uma espécie de caricatura pousada como vestal em um pedestal, o que lhe foi fatal.
Creio que seu grande problema foi, ao não ter se ajustado à burocracia petista, caiu muito rapidamente no colo do DEM, achando-se acima dos partidos. Cometeu um erro estratégico que lhe foi faltal nas eleições.

19 de out de 2008

devagar e sempre

Tá devagar esse blogue, mas não tá morto. morta tá a menina que levou um tiro nos miolos por um desmiolado de Santo André. E o nojo que a polícia encarna fica ainda mais ressaltado por falta total de capacidade para nos proteger. Como é que deixam a outra garota voltar ao cativeiro? Como é que deixam o sequestrador com água, luz, tv e telefone às mãos? Com pessoas que comentem esse tipo de insanidade a rédea é curta, ao invés, as negociações sempre foram muito generosas com o rapaz, que se divertiu, enquanto pode da cara de um Brasil embasbacado com um imbecil machista que começou namorando uma menina de 12 anos, quando ele tinha 19. Porra! 12 anos a menina nem tem peito direito!
E se, de fato, a polícia invadiu o apartamento antes do cara atirar, então, socorram-nos da polícia!
Uma pergunta: não exisite um tróço chamado sonífero que poderia ser utilizado na comida que mandavam para os três, não?

Outra coisa que eu quero deixar posicionado, para depois poder mostrar pra todo mundo, "ó eu não disse?"
O que eu quero falar é que tenho visto muita gente que se diz intelectual, que entende de política, na maior animação com o Gabeira - o candidato que não promete - aqui no Rio.
Candidato classe média, zona zul, para quem leu, por exemplo "nós que amávamos tanto a revolução" (chupado do filme) das conversas dele e do Conh Benedict (maio de 68) no Pantanal, nos anos 90, sabe que o interesse dele é poder, sem nada de social em suas intenções políticas.
Vamos retroceder um pouco: muitos dos caras que estiveram à frente da luta armada só estavam nessa por adrenalina, ou pela defesa vaga da palavra liberdade, por uma questão comportamental e, mesmo, para que a maconha fosse liberada. Torço para que ele ganhe do Paes, sim, mas Gabeira dá essa impressão. Envolvido com uma gafe atrás da outra, chamando uma companheira de "suburbana", discursando no conjunto habitacional João 23, em Santa Cruz, cometeu um ato falho: "O prefeito não vai morar apenas no Rio. Ele vai ter um gabinete de trabalho aqui [zona oeste]".
Muito q bem.
Não quero ser profeta, mas se a classe artística não se organizar, corre o risco de que o novo secretário das culturas, no governo Gabeira não seja tão novo assim. A matemática deixa entrever: Gabeira é apoiado por Cesar Maia, do DEM. O DEM está com o psdb nacionalmente. E com Gabeira, no Rio. O resto quem tiver olho que veja.

24 de set de 2008

fazendo arte

Professora é colada em cadeira por alunos

Docente de Campinas teve queimaduras de 1º grau nas pernas ao se sentar em local com cola de secagem rápida

DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPINAS

Três alunos de 12 a 15 anos, da 5ª série da Escola Estadual Reverendo Eliseu Narciso, no DIC 3, na periferia de Campinas (99 km de SP), colaram com uma cola de secagem rápida uma professora de artes de 28 anos na cadeira que ela usava.

22 de set de 2008

prisão do governador de Pando/Bolívia

Tal é a quantidade de provas contra Leopoldo Fernández que nem os outros governadores da “Meia Lula” boliviana colocaram sua libertação como pré-condição para negociarem com o governo Evo Morales. Se a prisão do ex-governador de Pando tivesse sido injusta, seria inconcebível que os governadores oposicionistas aceitassem negociar com quem o prendeu, pois se prendeu um deles injustamente é óbvio que todos estariam ameaçados de sofrer o mesmo.

http://www.estadoanarquista.org/blog/?p=300#respond

21 de set de 2008

Manipulação de informação e intolerância política na A.L.

O jornalismo se acostumou, no senso comum, a não mais pensar nem refletir sobre as questões ideológicas que movem as ações no campo da política. Em verdade nem precisaria dizer isso, basta ver as manchetes dos noticiários mais influentes do país - de Veja à globo, de Folha de São Paulo ao jornaleco mais merreca de qualquer cidadezinha do interior - condenando frontalmente e sem nenhuma consideração, as atitudes de Evo Morales, Hugo Chavez, Rafael Correa, Bachelet, Kirchner e, até o Lula.
Principalmente condenando Evo e Chavez.
É ridículo. Quando as ONGs de Direitos Humanos (Human Rights) defendem um melhor tratamento carcerário no Brasil, ouvimos em alto e bom som que seus agentes deveriam ir para a cadeia por defenderem criminosos. Mas, quando acontece, como aconteceu agora, de expulsarem pessoas dessas mesmas ONGs da Venezuela, então o Chavez é um ditador.
As pessoas se acostumaram a defender o capitalismo excludente e imperialista e naturalizaram tal discurso, dizendo que falar o que quer é parte da democracia, mas não aceitam um governo de esquerda na América Latina, principalmente quando este mostra, por A mais B, o quão fascista é aquilo que é defendido como "valores democráticos". Lêem nas manchetes dos jornais "Chavez expulsa ONG de direitos humanos" e dizem: "hijo de puta", mas não conseguem ler nas entrelinhas o que esses meios de comunicação estão, de fato, querendo vender. Ou seja, nem que for a mãe, mas eles tem de vender. E precisam de gente acreditando naquilo que eles dizem. Ou então é assim: "Bolívia anda para trás". Sem dizer que é a primeira vez em 500 anos de dominação, que um índio chega ao poder naquele país (e, de resto, acho que em toda América Latina.
Mas o pior de tudo é quando, mesmo quando vc dá um search no google e vai atrás de notícias independentes e só consegue ter acesso aos mesmo discursos míopes de quem não consegue tolerar a diferença e a liberdade, ainda que seus discursos sejam recheados da ânsia de "diferença e liberdade".
sobre a expulsão dos "ativistas de direitos humanos dos EUA", reclamando "falta de democracia na Venezuela", seria bom ter mais algumas informações por parte do próprio governo - que, afinal, deveria ser ouvido, antes de ser condenado - como a de saber que:
“o governo erradicou o analfabetismo, levou saúde à população mais pobre, garante acesso ao trabalho, isso é respeito aos direitos humanos, não violação”, afirma German Sálton, representante do Estado venezuelano na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. “Quando houve o golpe de Estado e o canal estatal foi tirado do ar, esta organização (ONG) não emitiu nenhuma frase condenando esta violação à liberdade de expressão, nem tampouco contra o golpe”, acrescentou.
Quem não viu ainda o vídeo "a revolução não será televisionada", é só assistir em http://www.youtube.com/results?search_query=a+revolu%C3%A7%C3%A3o+n%C3%A3o+ser%C3%A1+televisionada&search_type=&aq=f , para que não reste dúvida do que estamos falando aqui. No mais, meu amigo, se você acha que essa conversa toda é "dejà vu", você deveria rever um pouco seus conceitos e perceber que estamos, de fato, passando por uma mudança no painel político em toda a América Latina - Paraguai acaba de entrar - que é fruto, inclusive de toda a contradição do racionalismo branco-saxônico-protestante-liberal que dá sinais claros de seu esgotamento enquanto proposta universalizante e globalizada de uma pretensa ordem baseada na liberdade, no humanismo e na democracia. Justiça social parece ser uma questão a ser levada em consideração, também, de agora em diante.
E se tudo isso ainda não ter convence, pois você é anti-messiânico, então é preciso dizer que Adam Smith quando falou pela primeira vez "na mão invisível do mercado que a tudo regula", antes do liberalismo ter se tornado o que se tornou, também foi uma espécie de profeta messiânico em seu tempo e essa poderia ser uma leitura mais generosa para o que está acontecendo na política, hoje. Enfim e em todo caso: sejamos mais cuidadosos com os rótulos e menos "generalistas" quando tiver de sermos.

19 de set de 2008

e praquele q disser queu tô mentindo eu tiro meu chapéu




Imagem do Hélio Leites no Arte em Circulação, no dia da presença de Luís Andrade:
“Quasi cinema e o cara vem com um boné de filme fotográfico na cabeça, perguntando ‘onde é que está o meu palíndromo?’ é nobre ter boné. pois é: não fosse isso e era menos, não fosse tanto e era plágio. Cosmococa no guarda-pó do Hélio Leites: viva a via Láctea”

18 de set de 2008

poema

Gestalt trans-além

Esqueçam Hiroshima/Nagasagui

Apaguem Auschwitz

Foi decretado o amor

a ordem e o progresso

Para o bem do país.

Façamos como Rui Barbosa

para simplificar o trabalho dos

especialistas Colocando fogo

nos anais da Negra história

Nada de memória

nem más notícias.

A Democracia é para todos

Militares em seus devidos postos

E não se fala mais nisso

Do horror que houve

vire-se o rosto

Usem tintas

sobre as chagas do Cristo.

Também se sofreu

Matando, torturando, destruindo

Mas veja que lindo!

o sol da liberdade vem raiando

Dê-me a mão e vamos

caminhando e cantando

O futuro é aqui e agora

e está nos esperando.

Se a liberdade era tão

Querida Ela agora é ofertada

No mesmo kitsh onde se compra

Granada, tiro e bofetada

celular, sonho e pancada

A vida é para ser vivida

E não há nada que se possa fazer

Pelas vidas passadas.

16 de set de 2008

situação em cuba, hoje



10 de set de 2008

e-mail da Moana

Na (obs)cena funk do Rio... (Registros em vídeo + Manifesto Esquizotrans)


E eles estão aí, ocupando ruas, guetos e palcos ... cruzando a (obs)cena funk
carioca, liberando suas línguas ferinas, entre arrepios, risos e apalpadelas gerais...!!! Feirantes, casais, crianças, gente "descolada", sem-teto e até a Guarda Municipal estão presentes... não há tanto a transgredir em plena feira domingueira da Glória, mas dá para tirar outras casquinhas também.

No queer funk-core dos "Solange, tô aberta", ou no funk pop lesbian da MC Chuparina, o queer movement, o
pós-feminismo e outras vozes... Eles estão por dentro, mandando suas mensagens trans-psicanalíticas e tirando sarro da monocultura "gostosa" do star-system... divertindo e abduzindo mil outras humanas "máquinas desejantes"...botando a mão, dedos, coxas e bundas na massa!


Vejam os registros em "videoclipe-docs" -
em plano-sequência- de "Solange, tô aberta" ("Fuder Freud") e "MC Chuparina" ("Comi a Britney em Nova Iorque"), na ocupação "Independência Total" do coletivo "La Rica" na feira da Glória (Rio de Janeiro, 7/9/2008). Colaboração minha com os movimentos... registrando o grito de independência ou morte de todos os gêneros!!!!!


Solange, tô aberta :: http://www.youtube.com/watch?v=qcDwdkeFYUM

MC Chuparina :: http://www.youtube.com/watch?v=YpuPiUCz0Qo




Abaixo, manifesto vindo do Zine Esquizotrans, de Fabiane Borges, Hilan Bensusan e Tina Galinda ...

(mais em: http://esquizotrans.wordpress.com/)


Manifesto Esquizotrans


Não acreditamos mais no esgoto a céu aberto que separa a alma da genitália. Nem conseguimos mais nos enganar com a pornografia da carochinha de que não há almas dentro da alma, nem genitálias dentro da alma, nem genitálias dentro das genitálias, nem papai noel sem xoxota. Deixamos essas Padre-Marias e Ave-Nossas para quem se aflige de todo escroto e todo o clitóris de saudade do missionário gostoso que comia as tupinamboas sempre enfiando alguma trosoba desocupada nos buracos permitidos pelos carimbos da Igreja, do Hospital e do Corpo de Bombeiros. Nós queremos ser bonobos de meia-buceta, orangotangos com línguas eretas, e queremos enfiar nossas bucetas pré-fabricadas dentro dos bueiros molhados das favelas de onde um dia sairá a super-traveca, o hermafrodita da racha pintuda e da mão boba – ele vai nos salvar com seu coração feito de granada de ânus, dois olhos verdes apontados para dentro das vaginas em que se disfarçam os pênis, um montinho de vênus que é floresta tropical pubiana onde habitam buracos, protuberâncias, nascentes gosmentas, Monique Wittig e um leopardo. E os dois olhos, um querendo te comer e outro querendo te dar. Crocantes. E intransigentes.

Não aceitamos a tirania da monossexualidade sã e salva; deixem a Electra comendo o Édipo de pauzinho. Chega destas obsessões com porcas e parafusos fixos, nem somos feitas de aço inoxidável e nem de desejos curáveis, eles são obscenos e tem neconas mesmo que sem zarô, cavalas em disparada, necas de pitibiriba. Que tal eu virar Elke Maravilha e depois o Barack Obama e depois a Herculine Barbin e depois Max Ernst com uma bunda de Carla Peres antes de você terminar de gozar? Não aceitamos a tirania das monoidentidades e vamos passar a portar mais de um equipamento sexual, seremos portadores de mais de uma fissura retroativa em mutação, portadores de mais de uma carteira de identidade – uma para cada órgão do corpo que formos inventando. Não me diga que se lembra? Finja que está fingindo, improvise no seu bairro as pernas abertas e passe por baixo delas porque depois do arco-íris há uma língua, um gemido e uma hiena. Que é de lixo que somos feitos; pinto no lixo, reciclado em cotovelo, tornozelo virado da mãe do avesso, toda retráctil.


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Moana Mayall

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9 de set de 2008

a terra vai treme e e e e