30 de set de 2009

Vito 5

Regina, juntei vários emails em resposta ao texto sobre o Aconcci, editei-os, tirei o nome das pessoas que enviaram e assuntos paralelos, evitando assim incômodos inúteis e coloquei tudo no meu blog, como segue, abaixo. Acho que está de bom tom, mas se você não aprovar, posso tirar de lá tudo ou partes, ok?

Outra coisa: no final, acho que o debate foi importante, mas eu não gosto de ficar afirmando negações. Prefiro, normalmente, criar caminhos que recoloquem aquilo que ainda não tinha sido pensado, escrevendo e lançando possibilidades propositivas, ainda que não gerem tanta polêmica, assim.

Do meu lado, tenho tentado buscar, cada vez mais, "a poesia que existe nos fatos" e pensando que, se o mundo vai acabar ou não ou se a gente vai descobrir outros planetas para foder, como esse, ou se não vai, o que se pode constatar é que vivemos numa superabundância, na época do consumo e da globalização e, muitas vezes, é preciso saber jogar com essas cartas marcadas, até para questionar, talvez tocar o coração das pessoas com os nosso atos artísticos, mas, certamente, fazer a linguagem vibrar, desdobrar-se e dinamizar uma história na qual eu escolhi estar inserido. Ou seja, isso também é um jogo. E não somos ascetas. E Buda aceitou comer a tigela de arroz que a menina trouxe a ele para não ser arrogante. E Zaratustra desceu a montanha para não ficar na pureza sem poder pregar aquilo que tinha aprendido, ao povo. E eu, não sendo buda, nem Zaratustra, nem monge, nem político, mas artista (e tudo o que implica autodenominar-se assim) e com todos os meus defeitos e dúvidas, só posso encarar essas críticas que eu mesmo faço ao Aconcci com relatividade. Afinal, como disse uma das respostas, o que eu escrevo sobre o outro fala mais de mim do que dele, não é mesmo?

De todo modo, acho que de vez em quando a gente tem que ser, sim, o chato da turma, o Pedro de Lara da Buzina do Chacrinha, até para provocar um pouco a discussão e tirar as pessoas do marasmo da aceitação barata de tudo o que lhes impõem. Relativizando o relativo. Mas se aceitam e são gratas por isso, problema delas, não é mesmo? A gente tem é que continuar nosso caminho, que é feito de flores e também de espinhos.

Gostei muito, também, do universo diferenciado de pessoas para as quais você enviou o texto e como cada uma respondeu. Sou-lhe grato por isso.

Beijos e abraços

Rubens

2 comentários:

duda disse...

Algumas observações:

1) Porque as "pessoas" não assinaram seus respectivos depoimentos, os Titãs já perguntavam muito antes de outras pessoas lançarem até livros e performances, você tem medo de que ? Eles parecem que tem. Alguns até poderiam pensar exercício de roteiro.

2) Alguns depoimentos insinuando um certo tom de deslumbramento por parte do autor , arrogância diriam alguns para não dizer ...

3) As obras espaciais-públicas do Oiticica são minimalistas perto dos projetos mostrados pelo Acconci quer dizer ...

duda disse...

4) não é uma questão de coerência ou não e sim saber que a arquitetura hoje tem questões outras mais importantes que vão além do apenas formal-monumental, provavelmente o Helio Oiticica se estivesse vivo estaria atento as mesmas.