24 de jul de 2006

valentino, nunca mais!

Em Londrina rolou um bar que virou mito. Fundado em 79 pelo diretor de teatro e professor de história, o Teodoro, já falecido, o VALENTINO foi a grande experiência de liberdade sexual e etílica de muita gente, que pode viver, na prática, as delícias do hedonismo e da farra desmesurada. Principalmente para quem tem mais de 40 anos, como eu, e pegou uma época em que não se falava de AIDS ainda.
Muita coisa legal rolou nesse lugar; muito agito cultural; campanha das diretas Já!; peças de teatro; shows musicais etc. Ou seja, muito sexo, drogas e rock'n'roll.
Mas depois foi chegando o baixo astral, muita cocaina e violência e polícia e as pessoas já não eram as mesmas pessoas e, credo! a última vez que eu fui naquele bar, fui expulso porque entrei no banheiro feminino para mijar - o dos homens estava com fila e o das mulheres vazio! - e me senti extremamente ofendido, porque um bar que sempre foi considerado libertário, um bar onde os gays sempre frequentaram em peso, entrar no banheiro alheio tornou-se crime. Crime em um local que até assassinatos na porta de entrada ocorreram!
Vinte e tantos anos depois, o bar Valentino fechou suas portas, vendido para a mulher do Galvão Bueno, para virar academia de estética, estacionamento ou shopping center, qualquer bosta dessas.
Agora reabriu, com os mesmos últimos sócios e com o mesmo nome, travestido de boate, em outro lugar.
Fui lá com meus amigos para assistir ao show da banda Reles-pública e nunca fui tão maltrado assim na minha vida. Os garçons continuam arrogantes, os seguranças estúpidos e autoritários e, de quebra, tudo ficou extremamente burocrático. Cartão para estacionamento, fila de entrada para se cadastrar - dar nome, endereço e número do rg - e pegar cartão. E lá dentro o ar é denso e irrespirável de fumaça de cigarro.
Quis sair para respirar um pouco enquanto o show não começava e me proibiram a saída. Um disparate. Fiquei um pouco entre a porta de entrada e saída e então me arrancaram dali.
Lá dentro meu amigo foi enrolar um cigarro e os seguranças enquadraram ele, abruptamente, julgando tratar-se de um baseado. Quando ele foi enrolar seu segundo cigarro, o segurança simplesmente arrancou o cigarro da mão dele e disse que não podia fazer aquilo lá, e estamos conversados.
O show foi legal!
Na hora de ir embora, fila novamente. Como eu me encostei na parede esperando minha vez, o segurança que cuidava da porta me agarrou como se eu fosse um robozinho e me empurrou para dentro do meu lugar na fila, como se eu não soubesse qual era o meu lugar, me constrangendo.
A boate Valentino é um lugar caro e baixo astral. E as pessoas servem mal à beça. É o contrário do espírito que se espera de um lugar que se vai para gastar e curtir. É um lugar tenso.
Se bem que Londrina tem um histórico de lugares caretas pra caramba, mas lá eu não piso mais.

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