31 de jul de 2006

ORGULHO D Q?

Orgulho de quê?

Exposto ao noticiário do Jornal de Londrina, que é atirado gratuitamente no quintal da casa onde moro, algumas vezes sinto-me ferido em minhas convicções sobre as opiniões e informações veiculadas, como foi o caso, no editorial de ontem, “Verticalização”, que faz apologia à construção civil na cidade.
O que aconteceu nessa cidade e região, desde meados da década de 70, foi o uso da construção civil como álibi para um dos maiores êxodos rurais da história da humanidade, favorecendo grupos com interesses econômicos e políticos os mais rasteiros, que se mantêm fortes no poder.
A verticalização da cidade – que pode parecer aos desavisados, sinais de civilidade – é acompanhada por uma horizontalidade caótica, tornando Londrina uma das mais violentas e excludentes do país, além do aprofundamento da degradação ambiental. Aliás, quem, em sã consciência, pode ainda se fazer valer da máxima que o emprego gerado pela construção civil – mão-de-obra escrava e barata – é capaz de reverter o caos social no qual estamos todos imersos? Se fosse assim, São Paulo, Cidade do México e as novas megalópoles que nascem na China não estariam mergulhadas na impossibilidade administrativa e estrutural geradas pelo lucro e pela especulação, principalmente a imobiliária. Mas seriam como algumas cidades e capitais existentes na Europa – menores, mas funcionais – onde as relações humanas e ambientais importam mais do que arrancar a barranca dos rios atrás de argila para fazer tijolos; destruir a natureza para tirar cimento; dragar o fundo dos rios para retirada de areia, etc.
Gostaria de concluir pedindo reflexão sobre esse tema e não ufanismo barato. Que não me sugiram mudar de cidade, se acaso eu não estiver satisfeito, nem que deixem de atirar o Jornal de Londrina na casa onde moro.
Agradecido.

Rubens Pileggi Sá

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