11 de abr de 2006

IDENTIDADE PÚBLICA
















, ou conversas com o inominável

Quero ser a cópia da cópia da cópia. A puta, a cachaça barata, o mamonas assassinas, o assassino desta teoria que vê na diluição o fracasso da arte maior, a que se faz importante, imponente, espetacular.
Quero ser maneroso, estiloso, repetitivo, artesanal, fake, mentiroso. Ser o real pelo seu avesso, até o plágio se tornar um conceito original.
Quero estar na boca do povo, canção assoviada de Noel, bolerão, me deixem torcer pela seleção, eu nunca quis ser erudito, eu sou popular. Não tenho marcas, penduricalhos, grifes, nome a zelar. Sou cd pirata, vira-latas, mercado informal. “Baixa temperatura poética” é o meu ideal de vulgaridade.
Quero colocar carne-de-sol nesse banquete de intelectos e gênio raros. Eu quero levar uma parte do seu salário e gastá-lo em trocadilhos baratos. Como elma chips, big brother barraco, meter a cultura elitista em um saco de gatos e ver o circo incendiar. Idéias morro acima e cultura abismo abaixo ninguém há de segurar!
Sou o anônimo, o antônimo do heterônimo, o INOMINÁVEL: todo homem é um artista. Todo homem é um comunista. Todo homem é médium. Todo homem é bom. Arte é artifício. Linguagem é jogo. Tudo é ilusão!
Viva a manifestação do povo da periferia. Viva quem quiser viver, mas não me venham com esse papo de originalidade, alta cultura. Tiro um som da burrice nacional, do caldeirão das raças faço meu mingau. Sabedoria não depende de diploma. Quem quiser compreender é só olhar o céu. E nada mais se ensina. Deixe o desejo aceso e tudo se combina: fogo na gasolina!

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