1 - não sei ela faz mal à saúde física, se, com o tempo, o usuário passa a ter sintomas de algum tipo de doença, mas que a maconha deixa a pessoa imbecil, deixa.
2 - caretas que se acham "loucos" porque fumam maconha são os chatos de hoje e os evangélicos de amanhã.
3 - tanto quanto o álcool é uma droga a maconha também o é.
4 - a lei seca nos E.U.A. só fez prosperar a ilegalidade e a força da máfia.
5 - Se uma pessoa pode comprar uma bebida que pode lhe matar, porque ela não pode comprar uma maconha, também?
6 - mesmo legalizada, quantas pessoas dependem do sistema de saúde para combater os efeitos do álcool? Se estivesse na ilegalidade, o álcool mataria menos?
7 - Se estivesse na ilegalidade, como estão hoje as drogas, de forma geral, não haveria mortes de adolescentes que fazem avião na favela? Não haveria corrupção na polícia? Bandidos não iriam ter controle sobre sua produção? Não haveria guerra civil? Claro que haveria. Mais mortes, enfim, do que a simples estatísca do ministério da saúde, que calculam a influência direta causada pela droga e não suas derivações.
8 - todo mundo deveria ter o direito de se matar, se quisesse. Mas, porra, dá pra acender seu baseado pra lá! Agora não tou a fim.
9 - a função das drogas, nas chamadas civilizações primitivas, era ritual. Perdemos o sentido de religião (re-ligare) e agora queremos proibir as pessoas de serem livres para fazer o que quiserem?
10 - legalizada a droga - maconha e cocaína - o tráfico de drogas perderia seu sentido. E o Estado recolheria impostos desses produtos. Como na Holanda.
11 - e teríamos à disposição produtos de qualidade. Não droga malhada. Palha. Pó de mármore.
12 - e ela seria tratada como é tratado o cigarro. Ou até mais com mais severidade: fiscalização pesada, controle de plantio, manipulação, distribuição e vendas.
13 - Ih, cara, esqueci...
14 - Hein?
15 - Aberto ao debate. Comentem.
30 de ago. de 2006
liberou o beck

Lei de tóxicos
Posse de droga para consumo pessoal deixa de ser crime
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 11.343/06 — a novaLei de Tóxicos.
A lei cria o Sisnad — Sistema Nacional de Políticas sobreDrogas. O objetivo é “prescrever medidas para prevenção do uso indevido,atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelecernormas para a repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito dedrogas”.
O texto revoga as leis 6.368/76 e 10.409/02, ambas sobre o mesmo assunto. A principal característica é a descriminalização da posse de droga para consumo pessoal. Outra mudança é o aumento da pena para o tráfico de drogas de 3 a 15 anos para 5 a 15 anos, além de 500 a 1.500 dias-multa.
Também há alteração no procedimento penal adotado pela Lei 10.409/02. Agora os delitos que não estiverem ligados ao tráfico são de menor potencial ofensivo, processados conforme a Lei 9.099/95; o prazo de conclusão de inquérito de réu preso passa para 30 dias; a infiltração policial em grupo criminoso e o retardamento do flagrante estão autorizados e poderá haver denúncia com o complemento das investigações.
Continua vigorando a defesa preliminar (antes do recebimento da denúncia), o que já havia na Lei 10.409/02. Porém, somente há interrogatório após o recebimento da denúncia. Com isso, fica garantido o contraditório no interrogatório, podendo as partes fazer perguntas e reperguntas.
O tráfico internacional continua a ser da competência da Justiça Federal.
Pelas leis antigas, quando uma comarca não tivesse instalado a vara, a Justiça Estadual julgaria o crime. Pela nova lei, será da vara federal mais próxima a competência para o julgamento dos delitos dessa natureza.
na íntegra:
http://conjur.estadao.com.br/static/text/47674,1
22 de ago. de 2006
hip hop e eu (final)
Mais frases extraídas do livro “Hip Hop e Eu”, de Sérgio Ezequiel de Souza. Agora do Quarto Capítulo em diante:
“Minha irmã começou a namorar um cara com o nome de Sidnei. (...) Ele começou a ir em casa direto e num desses dias...
...
Fumávamos um baseado e trocávamos idéias sobre o crime, quando ele falou... (...) E eu chamei-o para fazer outros comigo no Centro.”
“... e tirei toda a gaveta do caixa para fora.
...
Fui catando e colocando no bolso e o Sidnei já foi indo para a porta da perfumaria, que tinha vários espelhos. Peguei todo o dinheiro e saímos.”
“Quando você é um ladrão que não dá vacilo com ninguém você é considerado em qualquer quebrada.”
“Fomos atrás do Marquinhos Gambá onde ele trabalhava de mecânico, e trocamos umas idéias sobre armas para o assalto.
...
E começamos a discutir como iríamos enquadrar (assaltar) o mercado.
...
Chegamos ao local do assalto. O mercado ficava numa avenida bem movimentada...
...
Quando o Sidnei fingiu passar pelo caixa, eu dei voz de assalto, já com o revólver na mão. O Gustavo já arrancou a 12 e ficou na porta para ninguém sair. O Sidnei abriu a maleta e foi pegando o dinheiro que estava nos caixas.
...
Corremos para o carro. O Marquinhos já foi ligando rapidamente o carro e saiu cantando pneu.”
“Começamos a repartir as notas maiores quando o Marquinhos percebeu vários carros parando em frente à casa e pediu para o Gustavo ir ver o que estava acontecendo. Quando o Gustavo estava se aproximando, os policiais arrombaram o portão e foram entrando. (...) Eu corri até um quarto quando dei de cara com um policial encapuzado dizendo para que eu soltasse a arma. Eu soltei. Ele mandou que eu deitasse no chão. Deitei. Um outro policial já veio me algemando.”
“Chegamos na Décima. Tinha muitos policiais e a imprensa e a televisão já estavam lá.”
“Sidnei, Marquinhos e o Gustavo, que eram maiores de idade, foram para o Terceiro Distrito e eu fui para o Segundo Distrito que chamavam de CETREM (Centro de Triagem e Recepção de Menores).”
“Chegou minha vez de entrar. Pedi licença. A promotora olhou na minha cara e disse: ‘Sérgio Ezequiel de Souza, você pediu licença quando entrou para assaltar o supermercado?’ Respondi que não. Ela falou ‘157, né?’ Balancei a cabeça afirmativamente. Então ela falou ‘tira esse moleque da minha frente!’ Minha mãe começou a chorar.”
Bom, daí em diante nosso personagem passa 44 dia no X, começa estudar, fazer terapia, mas ao mesmo tempo, a traficar. E a coisa realmente vai ficando pesada – mais pesada ainda. E foi em uma dessas que, tendo de pagar pela maconha que lhe foi roubada, voltou a assaltar. A polícia o prendeu novamente, só que desta fez ele já tinha completado 18 anos e foi parar no presídio comum. E passar pelo sistema prisional no país é traumático. E de lá não se sai incólume.
Sérgio teve a sorte de ter sido assistido pelo marido da psicóloga que o acompanhava na escola. E prometeu não mais voltar à prisão.
Já fazia algumas apresentações de Hip Hop no colégio em que estudava, começou a ensaiar, se apresentar e isso coincidiu com a campanha e a vitória do PT na cidade, que começou a dar ênfase na inclusão social e na cultura Hip Hop, apoiando shows, encontros e gravação de cds.
Sérgio montou seu grupo, teve projetos aprovados. Foi convidado a ser professor do mesmo lugar onde já estivera uma vez, como menor infrator. Viajou bastante por conta do Hip Hop, etc.
Dessa autobiografia, sem dúvida, as páginas mais tocantes são aquelas que expõem a situação dos meninos de periferia, de forma geral. E, por mais que se condene a violência e o uso de drogas, não há como condenar essas crianças, que são frutos da desigualdade social. Em um país em que – infelizmente – a miséria é tratada como produto de manipulação de políticos e mercadores que se servem dela para se manterem no poder.
Por fim, sem ter outro modelo para se espelhar, ou porque, ao se afastar da miséria, do crime e das drogas, o novo status social lhe foi suficiente para satisfação de seus anseios, Sérgio, ao final do texto, mostra sua ideologia:
“..., pois depois que deixei as drogas e comecei a cantar e fazer esses trabalhos sociais comecei a ver o mundo com outros olhos sem muito preconceito contra a elite.”
“Não só através do Rap mas também com as oficinas de Break eu consigo alcançar meu objetivo que é fazer com que essas pessoas procurem pensar mais na vida, procurarem uma escola para estudarem, largarem o mundo do crime e começarem uma nova vida como eu comecei...”
Nessas alturas, o leitor que conseguiu chegar até aqui já estará curioso por ler o livro, mesmo sabendo que há erros crassos de gramática e que há, afinal, uma moral da história. Mas que nem uma coisa nem outra impedem a fruição de sua leitura, que é uma história comum entre a massa de excluídos, hoje em dia. E que nós, que nos sentimos tão ameaçados, não temos a mínima idéia como é que ela se desenrola.
“Minha irmã começou a namorar um cara com o nome de Sidnei. (...) Ele começou a ir em casa direto e num desses dias...
...
Fumávamos um baseado e trocávamos idéias sobre o crime, quando ele falou... (...) E eu chamei-o para fazer outros comigo no Centro.”
“... e tirei toda a gaveta do caixa para fora.
...
Fui catando e colocando no bolso e o Sidnei já foi indo para a porta da perfumaria, que tinha vários espelhos. Peguei todo o dinheiro e saímos.”
“Quando você é um ladrão que não dá vacilo com ninguém você é considerado em qualquer quebrada.”
“Fomos atrás do Marquinhos Gambá onde ele trabalhava de mecânico, e trocamos umas idéias sobre armas para o assalto.
...
E começamos a discutir como iríamos enquadrar (assaltar) o mercado.
...
Chegamos ao local do assalto. O mercado ficava numa avenida bem movimentada...
...
Quando o Sidnei fingiu passar pelo caixa, eu dei voz de assalto, já com o revólver na mão. O Gustavo já arrancou a 12 e ficou na porta para ninguém sair. O Sidnei abriu a maleta e foi pegando o dinheiro que estava nos caixas.
...
Corremos para o carro. O Marquinhos já foi ligando rapidamente o carro e saiu cantando pneu.”
“Começamos a repartir as notas maiores quando o Marquinhos percebeu vários carros parando em frente à casa e pediu para o Gustavo ir ver o que estava acontecendo. Quando o Gustavo estava se aproximando, os policiais arrombaram o portão e foram entrando. (...) Eu corri até um quarto quando dei de cara com um policial encapuzado dizendo para que eu soltasse a arma. Eu soltei. Ele mandou que eu deitasse no chão. Deitei. Um outro policial já veio me algemando.”
“Chegamos na Décima. Tinha muitos policiais e a imprensa e a televisão já estavam lá.”
“Sidnei, Marquinhos e o Gustavo, que eram maiores de idade, foram para o Terceiro Distrito e eu fui para o Segundo Distrito que chamavam de CETREM (Centro de Triagem e Recepção de Menores).”
“Chegou minha vez de entrar. Pedi licença. A promotora olhou na minha cara e disse: ‘Sérgio Ezequiel de Souza, você pediu licença quando entrou para assaltar o supermercado?’ Respondi que não. Ela falou ‘157, né?’ Balancei a cabeça afirmativamente. Então ela falou ‘tira esse moleque da minha frente!’ Minha mãe começou a chorar.”
Bom, daí em diante nosso personagem passa 44 dia no X, começa estudar, fazer terapia, mas ao mesmo tempo, a traficar. E a coisa realmente vai ficando pesada – mais pesada ainda. E foi em uma dessas que, tendo de pagar pela maconha que lhe foi roubada, voltou a assaltar. A polícia o prendeu novamente, só que desta fez ele já tinha completado 18 anos e foi parar no presídio comum. E passar pelo sistema prisional no país é traumático. E de lá não se sai incólume.
Sérgio teve a sorte de ter sido assistido pelo marido da psicóloga que o acompanhava na escola. E prometeu não mais voltar à prisão.
Já fazia algumas apresentações de Hip Hop no colégio em que estudava, começou a ensaiar, se apresentar e isso coincidiu com a campanha e a vitória do PT na cidade, que começou a dar ênfase na inclusão social e na cultura Hip Hop, apoiando shows, encontros e gravação de cds.
Sérgio montou seu grupo, teve projetos aprovados. Foi convidado a ser professor do mesmo lugar onde já estivera uma vez, como menor infrator. Viajou bastante por conta do Hip Hop, etc.
Dessa autobiografia, sem dúvida, as páginas mais tocantes são aquelas que expõem a situação dos meninos de periferia, de forma geral. E, por mais que se condene a violência e o uso de drogas, não há como condenar essas crianças, que são frutos da desigualdade social. Em um país em que – infelizmente – a miséria é tratada como produto de manipulação de políticos e mercadores que se servem dela para se manterem no poder.
Por fim, sem ter outro modelo para se espelhar, ou porque, ao se afastar da miséria, do crime e das drogas, o novo status social lhe foi suficiente para satisfação de seus anseios, Sérgio, ao final do texto, mostra sua ideologia:
“..., pois depois que deixei as drogas e comecei a cantar e fazer esses trabalhos sociais comecei a ver o mundo com outros olhos sem muito preconceito contra a elite.”
“Não só através do Rap mas também com as oficinas de Break eu consigo alcançar meu objetivo que é fazer com que essas pessoas procurem pensar mais na vida, procurarem uma escola para estudarem, largarem o mundo do crime e começarem uma nova vida como eu comecei...”
Nessas alturas, o leitor que conseguiu chegar até aqui já estará curioso por ler o livro, mesmo sabendo que há erros crassos de gramática e que há, afinal, uma moral da história. Mas que nem uma coisa nem outra impedem a fruição de sua leitura, que é uma história comum entre a massa de excluídos, hoje em dia. E que nós, que nos sentimos tão ameaçados, não temos a mínima idéia como é que ela se desenrola.
13 de ago. de 2006
INDIOS: UM PENSAMENTO SELVAGEM.
INDIOS: UM PENSAMENTO SELVAGEM.
Infelizmente não tenho como dar agora a referência de onde eu aprendi isso que vou lhes contar. Falta de método acadêmico para anotar os referenciais ocasiona de perda de memória. Muitas coisas acontecem assim comigo. São logo incorporadas, passam a ser minhas. Algumas realmente são. Mas o que eu vou escrever agora trata de um fato de interpretação histórica. E eu só posso conjecturar que se trata da verdade, pois em nenhum momento nega – ao contrário, reforça – aquilo que sou em relação ao mundo que vivo, contribuindo com aquilo que faço.
De qualquer forma, a idéia de um “pensamento selvagem” está ligada às questões antropológicas do francês Claude Lévi-Strauss (1983/1975) e quem tiver interesse de pesquisar é só procurar na internet que vai achar um monte de links ligados ao tema. Um deles é o http://hemi.nyu.edu/archive/studentwork/conquest/pens1.html
Peço a quem souber quem “botou o ovo em pé”, originalmente, falando sobre isso, que me passe as referências, para que possamos ampliar esse debate. Aliás, até porque ele saiu de uma discussão com um marxista e eu não queria ficar mal com o marxismo só porque eu não penso que tudo está atrelado à lógica da produção, do sistema de classes e da mais-valia e do capital. Aliás, porque a nossa lógica cartesiana não dá conta desse tipo de pensamento que aqui eu chamo de “selvagem”. Sem desmerecer Marx, por favor!
Vamos lá:
A Antropofagia – ou seja, o ato ritual de comer carne humana praticado por algumas tribos indígenas que habitavam esse solo antes de se chamar Terra do Pau-brasil – como pensamento que marca a identidade cultural nacional e em torno da qual se reuniram os artistas e intelectuais à época da fundação do modernismo brasileiro (não para comer carne humana, mas para “deglutir” as experiências de outras culturas), é o começo dessa idéia. Mas ela se amplifica, na medida em que a finalidade da “antropofagia” não era vencer o inimigo, matando-o, mas de usá-lo como “banco de esperma” que garantisse a continuidade da espécie, ampliando as combinações genéticas da tribo.
Como todos sabem, um dos tabus encontrados em quase todas as nações e etnias, as mais distintas, no mundo todo, é o da procriação entre parentes de laços familiares muito íntimos, como pai com filha, filho com mãe, etc. Laços consangüíneos enfraquecem a espécie. E na natureza vencem os mais adaptados.
Os índios brasileiros não tinham, aparentemente, porque lutar entre si. Não precisavam disputar territórios, não precisavam disputar alimentos. Viviam da caça e da coleta. E eram nômades. Hoje, aqui, tem mandioca. Amanhã, lá, vai ter outro alimento que se pode tirar do pé. E quando voltavam aos lugares, tinham, de novo, a mandioca, ou o pinhão, ou o que fosse. Eram observadores. Sabiam o ciclo da natureza. Não precisavam se matar como agricultores. Acumular. Tinham o livro da natureza nos sentidos. Viviam em relação orgânica com a natureza. A idéia de trabalho, para eles, não fazia o menor sentido. Tanto que os portugueses tiveram de trazer os negros para cá, porque os índios só conheciam o tempo mágico dos mitos e não a realidade servil e classista, dos direitos trabalhistas, da resistência ao poderio europeu, etc.
Para o índio não havia diferença entre arte e vida. Tudo era parte de um mesmo processo ritual. Pintar o corpo, dançar, caçar, pescar, comer, cantar, tudo isso era indistinto, não havia categorias dessa espécie que nos acostumamos a conviver.
E por que lutavam entre si, então? Para ver quem era o mais forte. Para que o mais valente de uma tribo capturasse um valente de outra tribo, vivo, e o trouxesse à sua tribo, deixando-o livre para ir embora, se quisesse. Mas isso seria uma desonra para o índio capturado. E na outra vida iam cobrar isso dele. Foi por isso que o aventureiro mercenário alemão Hans Staden (c. 1525-1579 ou 1510-1557) conseguiu fugir dos Tupinambás e escrever seu relato: ele cagou nas calças! E um índio jamais iria comer um covarde!
Uma vez na tribo inimiga, tratavam o índio capturado da forma mais gentil possível. Davam-lhe a melhor comida, o melhor espaço na maloca e as mulheres aptas à procriação. Para que tomasse gosto pela vida. E tivesse vontade de escapar.
Quando, enfim, chegava o dia de sua morte, o índio que o havia capturado amarrava em uma de suas mãos a mão do inimigo. E dava a outra mão para seu melhor amigo, que a amarrava à sua mão, ficando, assim, o índio capturado preso pelas duas mãos dos oponentes. Na mão que sobrava de cada índio, portava-se bordunas para arrebentar o índio preso. Segundo Montaigne (1533-1592), em seu célebre ensaio “Dos canibais” – onde defende os índios, dizendo que os horrores cometidos pelos europeus eram muito piores do que a acusação que lhes pesava, como a de andarem nus, não trabalharem e a de comerem carne humana – havia uma espécie de canto/diálogo entre os oponentes relatado no texto. Retomado mais tarde pelo escritor Goethe (1749-1532), que era mais ou menos assim:
- Gostou da nossa comida?
- Muito ruim.
- Gostou das nossas mulheres?
- Muito Feias.
E então batiam nele com a borduna até o derrubarem. Antes, porém, de o matarem, ele dizia (aqui, sim, Goethe via Montaigne):
- Comam, comam da minha carne. Nela vocês sentirão o gosto da carne do pai de vocês. Comam, comam minha carne, para que o meu filho sinta na carne de vocês o gosto da minha carne.
Nem vou entrar aqui na questão da hóstia sagrada e tudo o mais. Nem vou continuar a falar sobre o significado da palavra Tupã, para os índios, que tem a ver com a reverberação que o som do trovão faz no corpo de cada pessoa, como se esta fosse um instrumento que se afinasse, como uma flauta. Mas gostaria de deixar o meu pensamento no corpo desse texto para que fosse devorado, refletido e devolvido à vida, de forma antropofágica. Como filho amado de um inimigo.
Infelizmente não tenho como dar agora a referência de onde eu aprendi isso que vou lhes contar. Falta de método acadêmico para anotar os referenciais ocasiona de perda de memória. Muitas coisas acontecem assim comigo. São logo incorporadas, passam a ser minhas. Algumas realmente são. Mas o que eu vou escrever agora trata de um fato de interpretação histórica. E eu só posso conjecturar que se trata da verdade, pois em nenhum momento nega – ao contrário, reforça – aquilo que sou em relação ao mundo que vivo, contribuindo com aquilo que faço.
De qualquer forma, a idéia de um “pensamento selvagem” está ligada às questões antropológicas do francês Claude Lévi-Strauss (1983/1975) e quem tiver interesse de pesquisar é só procurar na internet que vai achar um monte de links ligados ao tema. Um deles é o http://hemi.nyu.edu/archive/studentwork/conquest/pens1.html
Peço a quem souber quem “botou o ovo em pé”, originalmente, falando sobre isso, que me passe as referências, para que possamos ampliar esse debate. Aliás, até porque ele saiu de uma discussão com um marxista e eu não queria ficar mal com o marxismo só porque eu não penso que tudo está atrelado à lógica da produção, do sistema de classes e da mais-valia e do capital. Aliás, porque a nossa lógica cartesiana não dá conta desse tipo de pensamento que aqui eu chamo de “selvagem”. Sem desmerecer Marx, por favor!
Vamos lá:
A Antropofagia – ou seja, o ato ritual de comer carne humana praticado por algumas tribos indígenas que habitavam esse solo antes de se chamar Terra do Pau-brasil – como pensamento que marca a identidade cultural nacional e em torno da qual se reuniram os artistas e intelectuais à época da fundação do modernismo brasileiro (não para comer carne humana, mas para “deglutir” as experiências de outras culturas), é o começo dessa idéia. Mas ela se amplifica, na medida em que a finalidade da “antropofagia” não era vencer o inimigo, matando-o, mas de usá-lo como “banco de esperma” que garantisse a continuidade da espécie, ampliando as combinações genéticas da tribo.
Como todos sabem, um dos tabus encontrados em quase todas as nações e etnias, as mais distintas, no mundo todo, é o da procriação entre parentes de laços familiares muito íntimos, como pai com filha, filho com mãe, etc. Laços consangüíneos enfraquecem a espécie. E na natureza vencem os mais adaptados.
Os índios brasileiros não tinham, aparentemente, porque lutar entre si. Não precisavam disputar territórios, não precisavam disputar alimentos. Viviam da caça e da coleta. E eram nômades. Hoje, aqui, tem mandioca. Amanhã, lá, vai ter outro alimento que se pode tirar do pé. E quando voltavam aos lugares, tinham, de novo, a mandioca, ou o pinhão, ou o que fosse. Eram observadores. Sabiam o ciclo da natureza. Não precisavam se matar como agricultores. Acumular. Tinham o livro da natureza nos sentidos. Viviam em relação orgânica com a natureza. A idéia de trabalho, para eles, não fazia o menor sentido. Tanto que os portugueses tiveram de trazer os negros para cá, porque os índios só conheciam o tempo mágico dos mitos e não a realidade servil e classista, dos direitos trabalhistas, da resistência ao poderio europeu, etc.
Para o índio não havia diferença entre arte e vida. Tudo era parte de um mesmo processo ritual. Pintar o corpo, dançar, caçar, pescar, comer, cantar, tudo isso era indistinto, não havia categorias dessa espécie que nos acostumamos a conviver.
E por que lutavam entre si, então? Para ver quem era o mais forte. Para que o mais valente de uma tribo capturasse um valente de outra tribo, vivo, e o trouxesse à sua tribo, deixando-o livre para ir embora, se quisesse. Mas isso seria uma desonra para o índio capturado. E na outra vida iam cobrar isso dele. Foi por isso que o aventureiro mercenário alemão Hans Staden (c. 1525-1579 ou 1510-1557) conseguiu fugir dos Tupinambás e escrever seu relato: ele cagou nas calças! E um índio jamais iria comer um covarde!
Uma vez na tribo inimiga, tratavam o índio capturado da forma mais gentil possível. Davam-lhe a melhor comida, o melhor espaço na maloca e as mulheres aptas à procriação. Para que tomasse gosto pela vida. E tivesse vontade de escapar.
Quando, enfim, chegava o dia de sua morte, o índio que o havia capturado amarrava em uma de suas mãos a mão do inimigo. E dava a outra mão para seu melhor amigo, que a amarrava à sua mão, ficando, assim, o índio capturado preso pelas duas mãos dos oponentes. Na mão que sobrava de cada índio, portava-se bordunas para arrebentar o índio preso. Segundo Montaigne (1533-1592), em seu célebre ensaio “Dos canibais” – onde defende os índios, dizendo que os horrores cometidos pelos europeus eram muito piores do que a acusação que lhes pesava, como a de andarem nus, não trabalharem e a de comerem carne humana – havia uma espécie de canto/diálogo entre os oponentes relatado no texto. Retomado mais tarde pelo escritor Goethe (1749-1532), que era mais ou menos assim:
- Gostou da nossa comida?
- Muito ruim.
- Gostou das nossas mulheres?
- Muito Feias.
E então batiam nele com a borduna até o derrubarem. Antes, porém, de o matarem, ele dizia (aqui, sim, Goethe via Montaigne):
- Comam, comam da minha carne. Nela vocês sentirão o gosto da carne do pai de vocês. Comam, comam minha carne, para que o meu filho sinta na carne de vocês o gosto da minha carne.
Nem vou entrar aqui na questão da hóstia sagrada e tudo o mais. Nem vou continuar a falar sobre o significado da palavra Tupã, para os índios, que tem a ver com a reverberação que o som do trovão faz no corpo de cada pessoa, como se esta fosse um instrumento que se afinasse, como uma flauta. Mas gostaria de deixar o meu pensamento no corpo desse texto para que fosse devorado, refletido e devolvido à vida, de forma antropofágica. Como filho amado de um inimigo.
trecho do livro "o hip-hop e eu
Eu tive um professor de história no cursinho, em 1999, que dizia, sobre a violência que chegou à cidade de Londrina depois, principalmente, de 1975, quando a mono-cultura de café foi substituida pela mono-cultura de soja, devido ao inchaço promovido pelo desemprego no campo, que "a primeira geração de miseráveis pede, a segunda geração rouba e a terceira geração mata".
Lendo o livro "O hip-hop e eu - uma biografia", de Ségio Ezequiel de Souza, "Sergin", patrocinado pelo PROMIC-Secretaria de Cultura de Londrina e editado pela Artito Art, a frase do professor acabou sendo recheada com as cenas narradas pelo personagem/autor, nascido em 1980, que viveu essa realidade na carne, na periferia de Londrina, tendo que mudar, constantemente, de um lugar a outro, com a mãe e irmãos, indo morar em lugares cada vez mais desumanos.
Ainda não terminei de ler o livro, mas vão aí algumas frases, tiradas aleatoriamente de dentro dele:
"...na falta de um pai ou de um padrasto e, na ausência de minha mãe, o 'homem' de casa era eu, que tinha apenas 6 anos."
"...chegávamos nas barracas da feira e espiantávamos os caixas dos comerciantes e até as carteiras das pessoas que estavam comprando...
furtávamos tudo o que podíamos levar. Tudo isso era para curtir o Flash Dance aos domingos à tarde."
"comecei a ficar desesperado vendo minha irmazinha mais nova - Andressa - chorando de fome, querendo leite."
"O policial encapuzado deu várias borrachadas nas minhas costas, enquanto dois me seguravam e o sargento Félix fazia uma pressão psicológica com a pistola."
"O pai do Paçoca via tudo aquilo e nem ligava. Tudo alí parecia normal: fumar um baseado na rua, a molecada cheirando cola, as meninas fazendo sexo com uma 'pá de caras' (sexo grupal). E eu e o Marciano alí no meio daquele furacão."
"Ele disse 'Eu vou chegar, abro o carro e você cai pra dentro. Você olha debaixo dos bancos enquanto eu arranco o toca-fita'. (...) O Piá arrancou o toca-fita e eu só achei uma faca."
"Quando o carro era mamão, era eu que cantava a micha (a micha 'canta' qundo faz um barulhinho característico, como um metal raspando em outro, ao abrir a porta)."
"E fomos então para o União da Vitória (morar com a família), o bairro tão falado na mídia pelo alto índice de criminalidade".
"O moleque então armou uma casinha (ou seja, uma emboscada) para que um outro cara, chamado Deílton, me catasse e me desse umas facadas."
"Com uma ano e meio, eu e minha família morando naquele cômodo... perdi todas as esperanças de alcançar algum objetivo na vida."
"Com toda a confusão, não se podia confiar em ninguém. Esta foi a primeira coisa que eu aprendi no união da Vitória. A segunda é que eu tinha que andar armado, ou com os caras que faziam as fitas erradas (as fitas são os roubos e furtos) para ser respeitado. E, terceiro, não se fica devendo droga para ninguém, especialmente aos traficantes. Ainda há uma quarta regra: não se deve envolver com qualquer mina, pois havia muitas mulheres de ladrão; ese envolver com qualquer uma delas era morte na certa. e assim ditavam as regras paraser um malandro esperto!"
"Então arranquei da cinta o que eu tinha achado na mansão.. Os caras cresceram os olhos e começou a discussão para saber quem ia ficar com a arma. Eu propus então que não queria nada dos objetos roubados. Só o 38."
"Nós roubávams todos os boyzinhos que encontrávamos pela frente. Ás vezes não precisava nem scar o revólver. Bastava mostrar o cabo erguendo a camiseta. Eles tremiam na base! E já tiravam o boné, o tênis e até trocavam de roupas com a gente, dependendo do local."
"Então dei a primeira bola e notei imediatamente que minha boca e minha garganta adormeceram. O coração disparou. Minhas mãos ficaqram tremendo. (...) Eu tinha a impressão de escutar tudo muito longe."
"E passei a furtar para manter o vício."
"Com alguns meses andando direto com os caras que fumavam mesclado, em vendi minha arma em troca de uma quantidade de pedra (nóia); e tive meu primeiro contato com a nóia pura, queimado no cachimbo ou em latas de refrigerante."
"Eu já estava tão acostumado a ver corpo caído no chão que, quando via um, era como se fosse um bicho. Aliás, para mim, não fazia a menor diferença entre matar uma pessoa ou um animal. só sentia quando era um colega; ou de fumo, ou de curtição nas noites."
"Só sei que no União, e em qualquer periferia, ninguém morre de graça. O preço varia: de um real até o respeito conquistado na marra."
"E por causa de brigas assim aconteciam outras brigas, geralmente mais violentas. Pois os caras matavam o irmão de um outro que não era florde ser cheirada; e que, por sua vez, matavam aqueles que matavam seu irmão ou seu amigo. (...) Todo final de semana tinha um ou dois - ou até mais! - mortos na região da Zona Sul."
"Eu precisavva de dinheiro para pagar um cara que passava maconha. (...)
O assalto foi numa farmácia. (...)
Na minha cintura tinha um 38 e na do parceiro uma garrucha 38. (...)
Eu ficava o tempo todo pensando "Vai chover polícia!"
"Aí o noiado começou a me contar que o traficante do Santa Joana, que se chamava Baco, estava invocado comigo. Perguntei o motivo. Ele respondeu que a polícia estava atrás de mim na vila, e que estava queimando o ponto de tráfico do Baco no Santa Joana, ..."
"Aconteceu algumas vezes eu trocar meu tênis, minhas bermudas e camiseta por nóia. (...)
Eu mesmo já vi pai de família fumar o dinheiro do leite das crianças e até o enxoval do neném; do bebê dormir em carrinho, em vez de ter um berço. Já vi meninas grávidas trocando roupas de neném por nóia. ..."
Bom, parei aí no terceiro capítulo. depois tem mais.
Lendo o livro "O hip-hop e eu - uma biografia", de Ségio Ezequiel de Souza, "Sergin", patrocinado pelo PROMIC-Secretaria de Cultura de Londrina e editado pela Artito Art, a frase do professor acabou sendo recheada com as cenas narradas pelo personagem/autor, nascido em 1980, que viveu essa realidade na carne, na periferia de Londrina, tendo que mudar, constantemente, de um lugar a outro, com a mãe e irmãos, indo morar em lugares cada vez mais desumanos.
Ainda não terminei de ler o livro, mas vão aí algumas frases, tiradas aleatoriamente de dentro dele:
"...na falta de um pai ou de um padrasto e, na ausência de minha mãe, o 'homem' de casa era eu, que tinha apenas 6 anos."
"...chegávamos nas barracas da feira e espiantávamos os caixas dos comerciantes e até as carteiras das pessoas que estavam comprando...
furtávamos tudo o que podíamos levar. Tudo isso era para curtir o Flash Dance aos domingos à tarde."
"comecei a ficar desesperado vendo minha irmazinha mais nova - Andressa - chorando de fome, querendo leite."
"O policial encapuzado deu várias borrachadas nas minhas costas, enquanto dois me seguravam e o sargento Félix fazia uma pressão psicológica com a pistola."
"O pai do Paçoca via tudo aquilo e nem ligava. Tudo alí parecia normal: fumar um baseado na rua, a molecada cheirando cola, as meninas fazendo sexo com uma 'pá de caras' (sexo grupal). E eu e o Marciano alí no meio daquele furacão."
"Ele disse 'Eu vou chegar, abro o carro e você cai pra dentro. Você olha debaixo dos bancos enquanto eu arranco o toca-fita'. (...) O Piá arrancou o toca-fita e eu só achei uma faca."
"Quando o carro era mamão, era eu que cantava a micha (a micha 'canta' qundo faz um barulhinho característico, como um metal raspando em outro, ao abrir a porta)."
"E fomos então para o União da Vitória (morar com a família), o bairro tão falado na mídia pelo alto índice de criminalidade".
"O moleque então armou uma casinha (ou seja, uma emboscada) para que um outro cara, chamado Deílton, me catasse e me desse umas facadas."
"Com uma ano e meio, eu e minha família morando naquele cômodo... perdi todas as esperanças de alcançar algum objetivo na vida."
"Com toda a confusão, não se podia confiar em ninguém. Esta foi a primeira coisa que eu aprendi no união da Vitória. A segunda é que eu tinha que andar armado, ou com os caras que faziam as fitas erradas (as fitas são os roubos e furtos) para ser respeitado. E, terceiro, não se fica devendo droga para ninguém, especialmente aos traficantes. Ainda há uma quarta regra: não se deve envolver com qualquer mina, pois havia muitas mulheres de ladrão; ese envolver com qualquer uma delas era morte na certa. e assim ditavam as regras paraser um malandro esperto!"
"Então arranquei da cinta o que eu tinha achado na mansão.. Os caras cresceram os olhos e começou a discussão para saber quem ia ficar com a arma. Eu propus então que não queria nada dos objetos roubados. Só o 38."
"Nós roubávams todos os boyzinhos que encontrávamos pela frente. Ás vezes não precisava nem scar o revólver. Bastava mostrar o cabo erguendo a camiseta. Eles tremiam na base! E já tiravam o boné, o tênis e até trocavam de roupas com a gente, dependendo do local."
"Então dei a primeira bola e notei imediatamente que minha boca e minha garganta adormeceram. O coração disparou. Minhas mãos ficaqram tremendo. (...) Eu tinha a impressão de escutar tudo muito longe."
"E passei a furtar para manter o vício."
"Com alguns meses andando direto com os caras que fumavam mesclado, em vendi minha arma em troca de uma quantidade de pedra (nóia); e tive meu primeiro contato com a nóia pura, queimado no cachimbo ou em latas de refrigerante."
"Eu já estava tão acostumado a ver corpo caído no chão que, quando via um, era como se fosse um bicho. Aliás, para mim, não fazia a menor diferença entre matar uma pessoa ou um animal. só sentia quando era um colega; ou de fumo, ou de curtição nas noites."
"Só sei que no União, e em qualquer periferia, ninguém morre de graça. O preço varia: de um real até o respeito conquistado na marra."
"E por causa de brigas assim aconteciam outras brigas, geralmente mais violentas. Pois os caras matavam o irmão de um outro que não era florde ser cheirada; e que, por sua vez, matavam aqueles que matavam seu irmão ou seu amigo. (...) Todo final de semana tinha um ou dois - ou até mais! - mortos na região da Zona Sul."
"Eu precisavva de dinheiro para pagar um cara que passava maconha. (...)
O assalto foi numa farmácia. (...)
Na minha cintura tinha um 38 e na do parceiro uma garrucha 38. (...)
Eu ficava o tempo todo pensando "Vai chover polícia!"
"Aí o noiado começou a me contar que o traficante do Santa Joana, que se chamava Baco, estava invocado comigo. Perguntei o motivo. Ele respondeu que a polícia estava atrás de mim na vila, e que estava queimando o ponto de tráfico do Baco no Santa Joana, ..."
"Aconteceu algumas vezes eu trocar meu tênis, minhas bermudas e camiseta por nóia. (...)
Eu mesmo já vi pai de família fumar o dinheiro do leite das crianças e até o enxoval do neném; do bebê dormir em carrinho, em vez de ter um berço. Já vi meninas grávidas trocando roupas de neném por nóia. ..."
Bom, parei aí no terceiro capítulo. depois tem mais.
31 de jul. de 2006
ORGULHO D Q?
Orgulho de quê?
Exposto ao noticiário do Jornal de Londrina, que é atirado gratuitamente no quintal da casa onde moro, algumas vezes sinto-me ferido em minhas convicções sobre as opiniões e informações veiculadas, como foi o caso, no editorial de ontem, “Verticalização”, que faz apologia à construção civil na cidade.
O que aconteceu nessa cidade e região, desde meados da década de 70, foi o uso da construção civil como álibi para um dos maiores êxodos rurais da história da humanidade, favorecendo grupos com interesses econômicos e políticos os mais rasteiros, que se mantêm fortes no poder.
A verticalização da cidade – que pode parecer aos desavisados, sinais de civilidade – é acompanhada por uma horizontalidade caótica, tornando Londrina uma das mais violentas e excludentes do país, além do aprofundamento da degradação ambiental. Aliás, quem, em sã consciência, pode ainda se fazer valer da máxima que o emprego gerado pela construção civil – mão-de-obra escrava e barata – é capaz de reverter o caos social no qual estamos todos imersos? Se fosse assim, São Paulo, Cidade do México e as novas megalópoles que nascem na China não estariam mergulhadas na impossibilidade administrativa e estrutural geradas pelo lucro e pela especulação, principalmente a imobiliária. Mas seriam como algumas cidades e capitais existentes na Europa – menores, mas funcionais – onde as relações humanas e ambientais importam mais do que arrancar a barranca dos rios atrás de argila para fazer tijolos; destruir a natureza para tirar cimento; dragar o fundo dos rios para retirada de areia, etc.
Gostaria de concluir pedindo reflexão sobre esse tema e não ufanismo barato. Que não me sugiram mudar de cidade, se acaso eu não estiver satisfeito, nem que deixem de atirar o Jornal de Londrina na casa onde moro.
Agradecido.
Rubens Pileggi Sá
Exposto ao noticiário do Jornal de Londrina, que é atirado gratuitamente no quintal da casa onde moro, algumas vezes sinto-me ferido em minhas convicções sobre as opiniões e informações veiculadas, como foi o caso, no editorial de ontem, “Verticalização”, que faz apologia à construção civil na cidade.
O que aconteceu nessa cidade e região, desde meados da década de 70, foi o uso da construção civil como álibi para um dos maiores êxodos rurais da história da humanidade, favorecendo grupos com interesses econômicos e políticos os mais rasteiros, que se mantêm fortes no poder.
A verticalização da cidade – que pode parecer aos desavisados, sinais de civilidade – é acompanhada por uma horizontalidade caótica, tornando Londrina uma das mais violentas e excludentes do país, além do aprofundamento da degradação ambiental. Aliás, quem, em sã consciência, pode ainda se fazer valer da máxima que o emprego gerado pela construção civil – mão-de-obra escrava e barata – é capaz de reverter o caos social no qual estamos todos imersos? Se fosse assim, São Paulo, Cidade do México e as novas megalópoles que nascem na China não estariam mergulhadas na impossibilidade administrativa e estrutural geradas pelo lucro e pela especulação, principalmente a imobiliária. Mas seriam como algumas cidades e capitais existentes na Europa – menores, mas funcionais – onde as relações humanas e ambientais importam mais do que arrancar a barranca dos rios atrás de argila para fazer tijolos; destruir a natureza para tirar cimento; dragar o fundo dos rios para retirada de areia, etc.
Gostaria de concluir pedindo reflexão sobre esse tema e não ufanismo barato. Que não me sugiram mudar de cidade, se acaso eu não estiver satisfeito, nem que deixem de atirar o Jornal de Londrina na casa onde moro.
Agradecido.
Rubens Pileggi Sá
30 de jul. de 2006
27 de jul. de 2006
DASPU III - problematizando + a questão
rubens,
o que posso fazer é problematizar mais a questão do que dar uma opinião exata sobre o que penso.
mas o que acho é que tudo o que você fala é de onde gabriela parte e não o que ela nega.
Não há negação de que a pobreza obriga muitas pessoas à prostituição, que há crianças se prostituindo, que muitas não escolhem essa profissão, etc.
mas ela tenta partir não da negação da coisa toda, mas da afirmação da sua própria profissão, pois foi prostituta quase 30 anos.
- primeiro, a daspu é o estopim de uma luta que acontece desde os anos 80 e hoje gabriela é considerada uma das maiores líderes dos movimentos de prostitutas do mundo.
- segundo elas lutam sim para o reconhecimento da profissão, por isso apoiam o gabeira, que desde os anos 80 investe no reconhecimento da classe junto as instâncias federais. até estão fazendo uma campanha pra ele em formas de camisetas que diz: Gabeira! Puta deputado. Isso quer dizer que a puta poderá ser reconhecida como uma profissional das fantasias sexuais, como pede o projeto de lei.
- terceiro ela defende o não trabalho infantil e para ela vender bala no semáforo ou se prostituir aos 13 anos ofende diretamente um direito da criança e adolescente que em qualquer dos dois casos não está sendo respeitado.
- quarto, gabriela está investindo em uma quebra de paradigmas, o que ela chama de visão preconceituosa sobre o papel da sexualidade no mundo, ou seja, ela denuncia um tipo de recriminação contra a prostituição que é também a recriminação contra a sexualidade feminina. apostando nessa mudança de paradigma ela aposta também numa mudança de comportamento que na melhor das hipóteses seria a de que não só a sexualidade se tornaria menos problemática para a raça humana, como no cotidiano da puta isso resultará numa maior auto-estima, onde poderá com mais facilidade escolher os parceiros (as) com quem irá se relacionar e evitará de sofrer violências e explorações exatamente porque aumenta o respeito da puta por ela mesma e do usuário pela puta (por isso é guerrilha semiótica e de valores).
quinto, vejo esse movimento não de dentro pra fora, mas de fora pra fora e de fora pra dentro... introduzindo novas questões no fora cultural, a mudança começa ocorrer no fora mas também na postura das putas para dentro da prostituição. é complicado porque é complexo mesmo....
não sei se estas questões mais atrapalham do que ajudam, mas poderíamos discorrer mais e mais terços abstratos, como por exemplo:
se pensarmos o capitalismo como inimigo, negamos o próprio sistema humano, demasiado humano que o criou... quando o negamos, promovemos um discurso meio esquizofrênico, como se o capitalismo existisse fora de nós e como se nós não o sustentássemos cotidianamente seja em forma de pagamento, uso de serviços, fazendo faculddes, indo ao mercado, tendo computador e por aí vai...
o que ela propõe é um paradoxo e não uma solução:
ela enquanto líder do movimento e enquanto puta, se ofende com esses discursos anti-capitalistas que usam a imagem da prostituta para demonstrar a perversão do sistema (não vamos nos entregar, não vamos nos prostituir ao sistema, etc), ela então faz ao contrário, expande o conceito de prostituição e nos coloca a todos no mesmo barco, só que uns vendendo cérebro outros olho, outros buceta, etc... ou seja.... ou paremos com esse discurso preconceituoso contra a prostituta que como todo mundo vende parte do seu corpo, ou assumamos de uma vez que a raça humana nessas épocas de biopoder mudou o nome de homo sappiens para homo prostitutens....
o fato de promover essas discussões nas várias escalas (ainda não o suficiente) faz com que outras coisas venham à tona na discussão; por exemplo, o absurdo pensar que puta ou michê são escravos só do homem.... um moralismo pungente faz com que grande parte das putas inclusive, não se permitam fazer sexo com mulher, reduzindo o seu mercado só a homens, ou que as mulheres solitárias naõ disponham de serviços sexuais femininos e masculinos por também sofrerem desse preconceito contra a sexualidadade... no caso de uma mulher pedir serviços sexuais, ela fica ainda no papel da puta e a mercê de alguma violência. O não reconhecimento da profissão faz com que as mulheres tenham pouquíssimos acessos a saunas, massagens, casas de prostituição masculina etc.... primeiro por que são poucos os serviços que oferecem a garantia de um trampo bem feito, com contrato e sem violência e roubo,... saca?
exagerando o fato, penso que gabriela imagina um mundo em que a sexualidade seja livre e que não exista concentração de renda e poder, mas enquanto isso naõ acontece, ela imagina que os serviços sexuais devem expandir suas possibilidadades e que os profissionais do sexo se tornem profissionais do sexo por pura aptidão, cada vez mais, e que seus serviços sejam aplicados a toda a população, independente de ser homem ou mulher. por profissionais da fantasia sexual e da sedução.
bom, falei tudo muito rápido, tu me faz ter vontade de escrever um texto, talvez eu o faça....
continuamos....
beijo
o que posso fazer é problematizar mais a questão do que dar uma opinião exata sobre o que penso.
mas o que acho é que tudo o que você fala é de onde gabriela parte e não o que ela nega.
Não há negação de que a pobreza obriga muitas pessoas à prostituição, que há crianças se prostituindo, que muitas não escolhem essa profissão, etc.
mas ela tenta partir não da negação da coisa toda, mas da afirmação da sua própria profissão, pois foi prostituta quase 30 anos.
- primeiro, a daspu é o estopim de uma luta que acontece desde os anos 80 e hoje gabriela é considerada uma das maiores líderes dos movimentos de prostitutas do mundo.
- segundo elas lutam sim para o reconhecimento da profissão, por isso apoiam o gabeira, que desde os anos 80 investe no reconhecimento da classe junto as instâncias federais. até estão fazendo uma campanha pra ele em formas de camisetas que diz: Gabeira! Puta deputado. Isso quer dizer que a puta poderá ser reconhecida como uma profissional das fantasias sexuais, como pede o projeto de lei.
- terceiro ela defende o não trabalho infantil e para ela vender bala no semáforo ou se prostituir aos 13 anos ofende diretamente um direito da criança e adolescente que em qualquer dos dois casos não está sendo respeitado.
- quarto, gabriela está investindo em uma quebra de paradigmas, o que ela chama de visão preconceituosa sobre o papel da sexualidade no mundo, ou seja, ela denuncia um tipo de recriminação contra a prostituição que é também a recriminação contra a sexualidade feminina. apostando nessa mudança de paradigma ela aposta também numa mudança de comportamento que na melhor das hipóteses seria a de que não só a sexualidade se tornaria menos problemática para a raça humana, como no cotidiano da puta isso resultará numa maior auto-estima, onde poderá com mais facilidade escolher os parceiros (as) com quem irá se relacionar e evitará de sofrer violências e explorações exatamente porque aumenta o respeito da puta por ela mesma e do usuário pela puta (por isso é guerrilha semiótica e de valores).
quinto, vejo esse movimento não de dentro pra fora, mas de fora pra fora e de fora pra dentro... introduzindo novas questões no fora cultural, a mudança começa ocorrer no fora mas também na postura das putas para dentro da prostituição. é complicado porque é complexo mesmo....
não sei se estas questões mais atrapalham do que ajudam, mas poderíamos discorrer mais e mais terços abstratos, como por exemplo:
se pensarmos o capitalismo como inimigo, negamos o próprio sistema humano, demasiado humano que o criou... quando o negamos, promovemos um discurso meio esquizofrênico, como se o capitalismo existisse fora de nós e como se nós não o sustentássemos cotidianamente seja em forma de pagamento, uso de serviços, fazendo faculddes, indo ao mercado, tendo computador e por aí vai...
o que ela propõe é um paradoxo e não uma solução:
ela enquanto líder do movimento e enquanto puta, se ofende com esses discursos anti-capitalistas que usam a imagem da prostituta para demonstrar a perversão do sistema (não vamos nos entregar, não vamos nos prostituir ao sistema, etc), ela então faz ao contrário, expande o conceito de prostituição e nos coloca a todos no mesmo barco, só que uns vendendo cérebro outros olho, outros buceta, etc... ou seja.... ou paremos com esse discurso preconceituoso contra a prostituta que como todo mundo vende parte do seu corpo, ou assumamos de uma vez que a raça humana nessas épocas de biopoder mudou o nome de homo sappiens para homo prostitutens....
o fato de promover essas discussões nas várias escalas (ainda não o suficiente) faz com que outras coisas venham à tona na discussão; por exemplo, o absurdo pensar que puta ou michê são escravos só do homem.... um moralismo pungente faz com que grande parte das putas inclusive, não se permitam fazer sexo com mulher, reduzindo o seu mercado só a homens, ou que as mulheres solitárias naõ disponham de serviços sexuais femininos e masculinos por também sofrerem desse preconceito contra a sexualidadade... no caso de uma mulher pedir serviços sexuais, ela fica ainda no papel da puta e a mercê de alguma violência. O não reconhecimento da profissão faz com que as mulheres tenham pouquíssimos acessos a saunas, massagens, casas de prostituição masculina etc.... primeiro por que são poucos os serviços que oferecem a garantia de um trampo bem feito, com contrato e sem violência e roubo,... saca?
exagerando o fato, penso que gabriela imagina um mundo em que a sexualidade seja livre e que não exista concentração de renda e poder, mas enquanto isso naõ acontece, ela imagina que os serviços sexuais devem expandir suas possibilidadades e que os profissionais do sexo se tornem profissionais do sexo por pura aptidão, cada vez mais, e que seus serviços sejam aplicados a toda a população, independente de ser homem ou mulher. por profissionais da fantasia sexual e da sedução.
bom, falei tudo muito rápido, tu me faz ter vontade de escrever um texto, talvez eu o faça....
continuamos....
beijo
DASPU II - fiquei pensando
Cassandra,
Fiquei pensando...
que esse negócio de classe, para as putas, é bem importante. Delas se organizarem, batalharem pelos seus direitos de mulheres trabalhadoras, das condições de saúde, que é preciso cuidar, filhos, família, etc.
Penso no papel da gueixa, no japão, que, por séculos, representou a nobreza de servir ao homem - principalemtne de castas superiores - e mexeu muito com o imaginário ocidental, quando aprendemos a admirar a cultura japonesa. Eram mulheres cultas que desenvolveram a arte do sexo a níveis requintados...
Mas pensei, também - quando você fala de sujeito desejante na condição da mulher que é levada para fora do país para se prostituir, por exemplo - naquela garota que é oferecida pelo próprio pai para turismo sexual. Nas situações onde a exclusão tirou tudo das pessoas e as mulheres são obrigadas a se prostituirem E, de que, na maioria dos casos, elas não estão nessa categoria porque querem, mas por necessidades de um país que trata mal a seus próprios filhos, canibalizando-os.
Me lembro do figurino rídiculo que os pais classe média colocam em seus filhos, principalmente os homens, de terninho, para que se pareçam adultos. E me questiono, se dentro dessa sociedade capitalista, o fio que separa uma posição radical de enfrentamento da ordem social, não é ele, ainda, controlado por uma ideologia machista. Quero dizer: a mulher conquistando espaços, mas agindo de maneira semelhante ao macho adulto branco. E, afirmando o poder do phalus, mesmo que a causa seja justíssima. Mais precisamente: de que o outro lado da moeda é a moeda, ainda.
Espero sua resposta.
Um beijo
Rubens
Fiquei pensando...
que esse negócio de classe, para as putas, é bem importante. Delas se organizarem, batalharem pelos seus direitos de mulheres trabalhadoras, das condições de saúde, que é preciso cuidar, filhos, família, etc.
Penso no papel da gueixa, no japão, que, por séculos, representou a nobreza de servir ao homem - principalemtne de castas superiores - e mexeu muito com o imaginário ocidental, quando aprendemos a admirar a cultura japonesa. Eram mulheres cultas que desenvolveram a arte do sexo a níveis requintados...
Mas pensei, também - quando você fala de sujeito desejante na condição da mulher que é levada para fora do país para se prostituir, por exemplo - naquela garota que é oferecida pelo próprio pai para turismo sexual. Nas situações onde a exclusão tirou tudo das pessoas e as mulheres são obrigadas a se prostituirem E, de que, na maioria dos casos, elas não estão nessa categoria porque querem, mas por necessidades de um país que trata mal a seus próprios filhos, canibalizando-os.
Me lembro do figurino rídiculo que os pais classe média colocam em seus filhos, principalmente os homens, de terninho, para que se pareçam adultos. E me questiono, se dentro dessa sociedade capitalista, o fio que separa uma posição radical de enfrentamento da ordem social, não é ele, ainda, controlado por uma ideologia machista. Quero dizer: a mulher conquistando espaços, mas agindo de maneira semelhante ao macho adulto branco. E, afirmando o poder do phalus, mesmo que a causa seja justíssima. Mais precisamente: de que o outro lado da moeda é a moeda, ainda.
Espero sua resposta.
Um beijo
Rubens
25 de jul. de 2006
DESFILE DA DASPU

desfile da Daspu - Dasputas RJ. no clube glória em são paulo... paralelo ao fashion week
http://mixbrasil.uol.com.br/mp/upload/noticia/5_66_50672.shtml
as frases das camisetas DASPU, são, tipo:
- Valor de mulher é real
- Somos Más, Podemos Ser Piores.
- Aprecie-me sem moderação
-Sem vergonha garota, você tem profissão
e um monte de outras.....
o mais interessante é que essa moda semi-fashion faz vir à tona 20 anos de existência do movimento das putas, que até agora estavam meioinvisibilizados... e a escolha do nome ativou toda uma demanda publicitária que ao meu ver cumpriu um papel de guerrilha semiótica e ou intervenção signica no imaginário geral. (falar nisso é bom dizer, que o reconhecimento internacional tá sendo maior do que o daqui....) na onu, nos ministérios internacionais,,,,
a estilista da madona tbém veio aqui pra conhecer tudo isso e já tá agitando desfiles na frança (juntando putas de lá-e-cá) enquanto no fashion week elas foram ignoradas,,,,, claro... putas, algumas gordas, todas fora do peso, uma discussão forte em pauta... ehehe....difícil heim? que pobreza não entender tendências....
e o legal é que essa intervenção publicitária também ativa a proliferação de vários pequenos grupos de putas de cidades interioranas que agora~começam a serem incentivadas e estimuladas... Modelo e puta são dois signos fortes noimaginário sócio/cultural,.,,, e quando juntos, sabe-se lá que devires acionam...não, não há consenso... mas intento,
a gabriela, coordenadora da Davida, a ong que coordena a daspu, compra umas brigas fenomenais, altamente polêmicas, que não fecham a discussão sobre prostituição e capitalismo, mas a abrem infinitamente...
quando ela fala que: o que os financiadores protestantes americanos chamam de tráfico de mulheres, ela chama de nomadismo contemporâneo.
que a idéia de cafetão que fagocita a genitália alheia é machista porque não compreende as nuances produzidas pelo desejo feminino que é o que, no final das contas, sustenta o papel de cafetão, ela compra enorme briga, principalmente com as pastorais das mulheres marginalizadas e as ongs abolicionistas que tratam prostituição como doença.
e também diz: os intelectuais prostituem o cérebro a tanto tempo e se receiam de prostituir cu e buceta.... que estranha visão de corpo que eles tem!
Não, não, ela diz, não queremos abolicionismo, queremos a valorização do nosso papel de profissionais da fantasia sexual....
Chanel era prostituta
por aí vai... é um acontecimento contraditório e erótico que precisa se expandir... pra promover remexeduras.... em mim mexe... me traz de volta gestos roubados...o assunto é longuíssimo... fica aí o site Beijo da Rua DAVIDA se quiser se aprofundar: http://www.beijodarua.com.br/ e também o precioso livro de gabriela, ainda do início dos 90: Eu, Mulher da vida... que vai ser reeditado. ainda não disponível online... mas se alguémse dispôr, ela já autorizou....
Texto de Cassandra
24 de jul. de 2006
valentino, nunca mais!
Em Londrina rolou um bar que virou mito. Fundado em 79 pelo diretor de teatro e professor de história, o Teodoro, já falecido, o VALENTINO foi a grande experiência de liberdade sexual e etílica de muita gente, que pode viver, na prática, as delícias do hedonismo e da farra desmesurada. Principalmente para quem tem mais de 40 anos, como eu, e pegou uma época em que não se falava de AIDS ainda.
Muita coisa legal rolou nesse lugar; muito agito cultural; campanha das diretas Já!; peças de teatro; shows musicais etc. Ou seja, muito sexo, drogas e rock'n'roll.
Mas depois foi chegando o baixo astral, muita cocaina e violência e polícia e as pessoas já não eram as mesmas pessoas e, credo! a última vez que eu fui naquele bar, fui expulso porque entrei no banheiro feminino para mijar - o dos homens estava com fila e o das mulheres vazio! - e me senti extremamente ofendido, porque um bar que sempre foi considerado libertário, um bar onde os gays sempre frequentaram em peso, entrar no banheiro alheio tornou-se crime. Crime em um local que até assassinatos na porta de entrada ocorreram!
Vinte e tantos anos depois, o bar Valentino fechou suas portas, vendido para a mulher do Galvão Bueno, para virar academia de estética, estacionamento ou shopping center, qualquer bosta dessas.
Agora reabriu, com os mesmos últimos sócios e com o mesmo nome, travestido de boate, em outro lugar.
Fui lá com meus amigos para assistir ao show da banda Reles-pública e nunca fui tão maltrado assim na minha vida. Os garçons continuam arrogantes, os seguranças estúpidos e autoritários e, de quebra, tudo ficou extremamente burocrático. Cartão para estacionamento, fila de entrada para se cadastrar - dar nome, endereço e número do rg - e pegar cartão. E lá dentro o ar é denso e irrespirável de fumaça de cigarro.
Quis sair para respirar um pouco enquanto o show não começava e me proibiram a saída. Um disparate. Fiquei um pouco entre a porta de entrada e saída e então me arrancaram dali.
Lá dentro meu amigo foi enrolar um cigarro e os seguranças enquadraram ele, abruptamente, julgando tratar-se de um baseado. Quando ele foi enrolar seu segundo cigarro, o segurança simplesmente arrancou o cigarro da mão dele e disse que não podia fazer aquilo lá, e estamos conversados.
O show foi legal!
Na hora de ir embora, fila novamente. Como eu me encostei na parede esperando minha vez, o segurança que cuidava da porta me agarrou como se eu fosse um robozinho e me empurrou para dentro do meu lugar na fila, como se eu não soubesse qual era o meu lugar, me constrangendo.
A boate Valentino é um lugar caro e baixo astral. E as pessoas servem mal à beça. É o contrário do espírito que se espera de um lugar que se vai para gastar e curtir. É um lugar tenso.
Se bem que Londrina tem um histórico de lugares caretas pra caramba, mas lá eu não piso mais.
Muita coisa legal rolou nesse lugar; muito agito cultural; campanha das diretas Já!; peças de teatro; shows musicais etc. Ou seja, muito sexo, drogas e rock'n'roll.
Mas depois foi chegando o baixo astral, muita cocaina e violência e polícia e as pessoas já não eram as mesmas pessoas e, credo! a última vez que eu fui naquele bar, fui expulso porque entrei no banheiro feminino para mijar - o dos homens estava com fila e o das mulheres vazio! - e me senti extremamente ofendido, porque um bar que sempre foi considerado libertário, um bar onde os gays sempre frequentaram em peso, entrar no banheiro alheio tornou-se crime. Crime em um local que até assassinatos na porta de entrada ocorreram!
Vinte e tantos anos depois, o bar Valentino fechou suas portas, vendido para a mulher do Galvão Bueno, para virar academia de estética, estacionamento ou shopping center, qualquer bosta dessas.
Agora reabriu, com os mesmos últimos sócios e com o mesmo nome, travestido de boate, em outro lugar.
Fui lá com meus amigos para assistir ao show da banda Reles-pública e nunca fui tão maltrado assim na minha vida. Os garçons continuam arrogantes, os seguranças estúpidos e autoritários e, de quebra, tudo ficou extremamente burocrático. Cartão para estacionamento, fila de entrada para se cadastrar - dar nome, endereço e número do rg - e pegar cartão. E lá dentro o ar é denso e irrespirável de fumaça de cigarro.
Quis sair para respirar um pouco enquanto o show não começava e me proibiram a saída. Um disparate. Fiquei um pouco entre a porta de entrada e saída e então me arrancaram dali.
Lá dentro meu amigo foi enrolar um cigarro e os seguranças enquadraram ele, abruptamente, julgando tratar-se de um baseado. Quando ele foi enrolar seu segundo cigarro, o segurança simplesmente arrancou o cigarro da mão dele e disse que não podia fazer aquilo lá, e estamos conversados.
O show foi legal!
Na hora de ir embora, fila novamente. Como eu me encostei na parede esperando minha vez, o segurança que cuidava da porta me agarrou como se eu fosse um robozinho e me empurrou para dentro do meu lugar na fila, como se eu não soubesse qual era o meu lugar, me constrangendo.
A boate Valentino é um lugar caro e baixo astral. E as pessoas servem mal à beça. É o contrário do espírito que se espera de um lugar que se vai para gastar e curtir. É um lugar tenso.
Se bem que Londrina tem um histórico de lugares caretas pra caramba, mas lá eu não piso mais.
1 de jul. de 2006
ARACRUZ - credo cruz!
Famílias impedem Aracruz de derrubar Mata Atlântica
[30/6/2006] Por Marcelo Netto Rodrigues/Brasil deFato
Três dias depois que dez famílias ligadas ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) conseguiram impedir, com seus corpos, que sete tratores da transnacional Aracruz Celulose concluíssem a derrubada de uma Área de Proteção Permanente (APP), de Mata Atlântica, em Linhares, no Espírito Santo, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) determinou o embargo das operações da empresa na área.
[[ PS: Aracruz faz atualmente uma propaganda na TV onde aparecem Pelé, aquele astronauta, Bernadinho, a ginasta, o lutador de boxe e outros mais associando-se a imagem desta nefasta criadora de desertos de eucaliptos... definitivamente, estes nossos atletas sao tremendos cabeças de bagre...Viva o Brusil!]]
No dia 16, em meia hora, 7 tratores – dos 27 que seriam utilizados pela Aracruz para o desmatamento da cabeceira da nascente do Córrego Jacutinga – já haviam derrubado cerca de 8 hectares dos 50 hectares da APP quando mulheres camponesas – uma delas, no nono mês de gravidez –, suas crianças e maridos se posicionaram em frente às máquinas, relata Sérgio Conti, do MPA do Espírito Santo."A Mata Atlântica em restituição que a Aracruz estava derrubando é uma área de APP protegida por lei ambiental, que há 25 anos não era cortada. Algumas árvores nativas já alcançavam 6 metros", informa Conti. "Espécies raríssimas, como braúna, sapucaia, guaribú e gibatão foram destruídas", conta Elias Alves, outro coordenador do MPA.No Córrego Jacutinga, moram cerca de 30 famílias de pequenos agricultores e, na região do Córrego do Farias, cerca de 300 famílias resistem em meio aos plantios de eucalipto, pasto e cana-de-açúcar. A Aracruz retirou seus tratores da região, mas a milícia a serviço da empresa continua na área com duas viaturas e sete vigilantes. Se for comprovado o crime ambiental, a Aracruz será autuada e a área deverá ser reflorestada.RÉU REINCIDENTEMultas por crime ambiental não são uma novidade para a Aracruz Celulose. A empresa já foi multada este ano, na Bahia, pelo Ibama em R$ 600 mil, por plantio irregular de eucalipto em 200 hectares próximos à área do entorno do Parque Nacional do Descobrimento, no município de Prado, extremo sul do Estado. Em dezembro do ano passado, a Veracel – empresa da qual a Aracruz detém 50% das ações – também foi multada em quase R$ 400 mil por dificultar a regeneração natural de florestas de Mata Atlântica em 1.200 hectares ao sul da Bahia.A Aracruz é uma das maiores empresas do setor de madeira, celulose e papel do mundo. Detém mais de 260 mil hectares de áreas plantadas no Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia. É proprietária de cerca de 3% do território do Espírito Santo e já destruiu 50 mil hectares de Mata Atlântica só neste Estado.
http://www.revistaforum.com.br/vs3/artigo_busca.aspx
[30/6/2006] Por Marcelo Netto Rodrigues/Brasil deFato
Três dias depois que dez famílias ligadas ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) conseguiram impedir, com seus corpos, que sete tratores da transnacional Aracruz Celulose concluíssem a derrubada de uma Área de Proteção Permanente (APP), de Mata Atlântica, em Linhares, no Espírito Santo, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) determinou o embargo das operações da empresa na área.
[[ PS: Aracruz faz atualmente uma propaganda na TV onde aparecem Pelé, aquele astronauta, Bernadinho, a ginasta, o lutador de boxe e outros mais associando-se a imagem desta nefasta criadora de desertos de eucaliptos... definitivamente, estes nossos atletas sao tremendos cabeças de bagre...Viva o Brusil!]]
No dia 16, em meia hora, 7 tratores – dos 27 que seriam utilizados pela Aracruz para o desmatamento da cabeceira da nascente do Córrego Jacutinga – já haviam derrubado cerca de 8 hectares dos 50 hectares da APP quando mulheres camponesas – uma delas, no nono mês de gravidez –, suas crianças e maridos se posicionaram em frente às máquinas, relata Sérgio Conti, do MPA do Espírito Santo."A Mata Atlântica em restituição que a Aracruz estava derrubando é uma área de APP protegida por lei ambiental, que há 25 anos não era cortada. Algumas árvores nativas já alcançavam 6 metros", informa Conti. "Espécies raríssimas, como braúna, sapucaia, guaribú e gibatão foram destruídas", conta Elias Alves, outro coordenador do MPA.No Córrego Jacutinga, moram cerca de 30 famílias de pequenos agricultores e, na região do Córrego do Farias, cerca de 300 famílias resistem em meio aos plantios de eucalipto, pasto e cana-de-açúcar. A Aracruz retirou seus tratores da região, mas a milícia a serviço da empresa continua na área com duas viaturas e sete vigilantes. Se for comprovado o crime ambiental, a Aracruz será autuada e a área deverá ser reflorestada.RÉU REINCIDENTEMultas por crime ambiental não são uma novidade para a Aracruz Celulose. A empresa já foi multada este ano, na Bahia, pelo Ibama em R$ 600 mil, por plantio irregular de eucalipto em 200 hectares próximos à área do entorno do Parque Nacional do Descobrimento, no município de Prado, extremo sul do Estado. Em dezembro do ano passado, a Veracel – empresa da qual a Aracruz detém 50% das ações – também foi multada em quase R$ 400 mil por dificultar a regeneração natural de florestas de Mata Atlântica em 1.200 hectares ao sul da Bahia.A Aracruz é uma das maiores empresas do setor de madeira, celulose e papel do mundo. Detém mais de 260 mil hectares de áreas plantadas no Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia. É proprietária de cerca de 3% do território do Espírito Santo e já destruiu 50 mil hectares de Mata Atlântica só neste Estado.
http://www.revistaforum.com.br/vs3/artigo_busca.aspx
30 de jun. de 2006
mudanças e mordaças
saiu um ministro da agricultura e entrou outro. lula já o advertiu q é para tratar bem a bancada ruralista...
29 de jun. de 2006
jovens, envelheçam!*
Cansei dos jovens
Essa molecada de hoje em dia se acostumou tanto a ser mandada e a desobedecer, que são incapazes de ver o que está acontecendo à sua volta e tomar iniciativas.
Tudo o que não pertencer a esse roteiro pré-determinado, tudo o que escapar à essa lógica, para eles, simplesmente não existe, ou é ignorado.
Dar de ombros ao que precisa ser feito é seu gesto mais usual, mas não hesitam em achar que possuem todos os direitos universais.
Estou de saco cheio dessa cultura pequeno-burguesa parindo esses facistinhas cheios de soberba e empáfia.
*É do Nelson Rodrigues a frase do título!
Essa molecada de hoje em dia se acostumou tanto a ser mandada e a desobedecer, que são incapazes de ver o que está acontecendo à sua volta e tomar iniciativas.
Tudo o que não pertencer a esse roteiro pré-determinado, tudo o que escapar à essa lógica, para eles, simplesmente não existe, ou é ignorado.
Dar de ombros ao que precisa ser feito é seu gesto mais usual, mas não hesitam em achar que possuem todos os direitos universais.
Estou de saco cheio dessa cultura pequeno-burguesa parindo esses facistinhas cheios de soberba e empáfia.
*É do Nelson Rodrigues a frase do título!
30 de mai. de 2006
miseráveis milionários
O jornal de londrina do dia 28 de maio, deu uma matéria mostrando a impossibilidade de um agronegociante que não tem como pagar suas dívidas e continuar a trabalhar. São 600 alqueires de prejuízo.
Os miseráveis mais milionários do planeta estão assustados. Afinal compraram os insumos agrícolas na alta do dólar. E agora, quando o dólar caiu, não podem pagar pelo que plantaram com o que colheram.
A culpa, é claro, é do governo.
Os miseráveis mais milionários do planeta estão assustados. Afinal compraram os insumos agrícolas na alta do dólar. E agora, quando o dólar caiu, não podem pagar pelo que plantaram com o que colheram.
A culpa, é claro, é do governo.
CRISE NO CAMPO (fabricada)

monocultura de soja
Com frases do tipo "vamos deixar faltar comida nas cidades" e "a cidade precisa do campo, mas o campo não precisa da cidade", agronegociantes tentam iludir a opinião pública, uma vez que praticam a monocultura de grãos e o destino do que produzem está voltado diretamente para a exportação.
29 de mai. de 2006
Conselho de lobo às ovelhas
Cláudio Lembo, branco, macho, governador de são paulo, do partido PFL, da direita nacional, disse que "nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa".
Luis Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, semi-alfabetizado, tem feito referências insistentes sobre a importância da educação para o país.
Benjamin Steinbruch, presidente da privatizada Companhia Siderurgica Nacional escreveu (leia abaixo) que não se deveria privatizar os setores estratégicos dos países.
Ou seja:
Quando o próprio lobo mostra para as ovelhas como se safar deles, é porque ou a hipocrisia atingiu seu apogeu, ou porq sabem q não temos como ameaçar seu poder sobre nossas cabeças.
Luis Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, semi-alfabetizado, tem feito referências insistentes sobre a importância da educação para o país.
Benjamin Steinbruch, presidente da privatizada Companhia Siderurgica Nacional escreveu (leia abaixo) que não se deveria privatizar os setores estratégicos dos países.
Ou seja:
Quando o próprio lobo mostra para as ovelhas como se safar deles, é porque ou a hipocrisia atingiu seu apogeu, ou porq sabem q não temos como ameaçar seu poder sobre nossas cabeças.
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