esses dias três tentaram levar minha carteira e eu fugi, perto tinha um posto de polícia militar, batalhão rodoviário e eu corri lá pedir ajuda o cara mandou ligar no 190, no orelhão. chamei ele de bosta e ele tentou me prender. "quem é bosta aí? quem, hein?", ele vociferava. disse q bosta era eu e q ele n tinha voz de proteção mas de prisão tinha. E q a gente pagava imposto para ser preso. Ele me soltou. Fui embora.
Agora tava no valentino, um bar ex-underground de londrina e o segurança me empurrou pra fora do bar, porq eu entrei no banheiro feminino para mijar. Eu falei: "meu, mas aqui é o valentino!" e ele só falava: "vcs pensam q a gente é bosta"
Antes eu tinha ido me apresentar em uma festa de arte e a festa acabou antes q a arte pudesse ser servida.
Todos me perguntam da Ana, cadê ela? N conseguem ir além do q sabem de mim. Querem saber do q não lhes interessam. E eu estou só. Perplexo com tanta caretice!
Eles não querem nada. Só especular.
29 de mai. de 2006
25 de mai. de 2006

Movimentos sociais criticam o protesto dos produtores rurais ligados ao agronegócio, realizado em Brasília. Na safra 2004/2005, os grandes fazendeiros obtiveram 5,6 vezes (R$ 39,5 bi) o montante recebido pelas pequenas propriedades (R$ 7 bi), apesar destas últimas responderem por 56,8% da atividade agrícola brasileira.
(retirado de: http://www.terrazul.m2014.net/article.php3?id_article=135)
Do tratoraço dos sojicultores na frente do Banco do Brasil, terça, dia 23 de maio.
“Não quer ajudar, não atrapalha.”
Em relação ao governo
“O movimento não é partidário”
Não foi ironia
Em compensação disseram e reafirmaram que não iriam “arredar pé”. Expressão que gosto muito.
E forram inteligentes em pedir para tirar os cartazes “fora Lulla e Requião” (assim, com dois éles) dos tratores, para não parecer retaliação.
Conclusões:
1 – Se o governador do Mato Grosso e a UDR não estão ligados à partidos quem está?
2 – O dólar que estava a R$ 2,20 no dia 20 de maio subiu para R$ 2,40 no dia 24 de maio.
E o governo lá, deixando a Veja dar chutes na bunda do presidente. E jurando, de pés juntos, que a política cambial não irá mudar por causa da pressão dos fazendeiros.
22 de mai. de 2006
Sabedoria

“Sonho com o intelectual destruidor das evidências e das universalidades, que localiza e indica nas inércias e coações do presente os pontos fracos, as brechas, as linhas de força; que sem cessar se desloca, não sabe exatamente onde estará ou o que pensará amanhã, por estar muito atento ao presente; que contribui, no lugar em que está, de passagem, a colocar a questão da revolução, se ela vale a pena e qual (quero dizer qual revolução e qual pena). Que fique claro que os únicos que podem responder são os que aceitam arriscar a vida para fazê-la”.
Michel Foucault in Microfísica do poder, capítulo XV – Não ao sexo rei
Faça o q eu mando...
Folha de São Paulo, 09 de maio de 2006
OPINIÃO ECONÔMICA
Amigo, "pero no mucho"
BENJAMIN STEINBRUCH
Benjamin Steinbruch, 52, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).E-mail - bvictoria@psi.com.br
OPINIÃO ECONÔMICA
Amigo, "pero no mucho"
BENJAMIN STEINBRUCH
O conturbado episódio da nacionalização dos setores de petróleo e gás na Bolívia não muda e até reforça convicções que tenho manifestado neste espaço a respeito da importância do controle de setores estratégicos, cuja desnacionalização não é recomendável a nenhum país. Nas últimas décadas, premidos por dificuldades financeiras e deficiências tecnológicas, a maioria dos países latino-americanos, inclusive o Brasil, entregou ao capital estrangeiro um grande número de empresas privadas e estatais que operavam nas áreas de petróleo, petroquímica, siderurgia, mineração, energia, telecomunicações, transporte ferroviário e portos. As conseqüências negativas dessas transferências já puderam ser observadas em algumas oportunidades. Aqui no Brasil, no apagão de 2001, ficou explicitamente demonstrado que não é seguro entregar unicamente a empresas de capital estrangeiro a responsabilidade de expandir a oferta de energia. Naquele ano, quando veio a crise provocada por um período prolongado de estiagem, algumas empresas estrangeiras começaram a arrumar as malas para partir, num momento em que, mais do que nunca, era necessário pensar em investir.
Sempre defendi a idéia de que o capital estrangeiro deve ser recebido com tapete vermelho. Ele é indispensável para complementar as exíguas poupanças nacionais. Mas é natural que haja restrições a seu avanço em algumas áreas por razões estratégicas. Seria impensável, por exemplo, entregar a algum grupo estrangeiro o controle da Petrobras. Até mesmo participações minoritárias de companhias internacionais são indesejáveis no caso da estatal de petróleo. Uma simples fatia de 10% do capital seria suficiente para colocar no conselho da Petrobras um representante de companhia internacional, que passaria a tomar conhecimento das estratégias da empresa brasileira.
À luz dessas considerações, não há como contestar as decisões tomadas pelo governo da Bolívia no dia 1º de maio, com a nacionalização dos setores de petróleo e gás. Um dos países mais pobres do mundo e com grandes riquezas minerais, a Bolívia tem o direito de controlar esse setor estratégico, ainda que sejam evidentes as dificuldades que enfrentará, pela falta de recursos financeiros e tecnologia, uma questão que precisa ser resolvida pelos próprios bolivianos.
O governo brasileiro foi sensato, portanto, ao reconhecer o direito soberano da Bolívia em relação ao controle do petróleo e do gás, até mesmo ao aceitar a nacionalização da Petrobras Bolívia. Mas a reação moderada deveria terminar aí. O direito soberano da Bolívia, nesse caso, acaba onde começa o do Brasil. O patrimônio da Petrobras, que investiu mais de US$ 1,5 bilhão na Bolívia, deve ser energicamente defendido. Por uma razão simples: o governo brasileiro não pode permitir que nenhum país se apodere de ativos que pertencem ao povo brasileiro.
Vizinho mais pobre da América do Sul, a Bolívia precisa contar, naturalmente, com a generosidade brasileira, que, aliás, não lhe tem faltado. Em outubro de 2003, o próprio presidente Lula foi a La Paz para anunciar que o Brasil havia perdoado uma dívida de US$ 52 milhões da Bolívia. Ao mesmo tempo, Lula ofereceu um crédito de US$ 700 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ao país vizinho, a título de ajuda financeira.
Até por esse histórico de cooperação, não faz nenhum sentido o uso de truculência na nacionalização dos ativos da Petrobras na Bolívia, com a entrada de tropas nas refinarias da estatal brasileira. O Brasil tem a obrigação de exigir ressarcimento dos investimentos do país, ainda que facilitado a longo prazo ou em espécie (gás).
A via diplomática da negociação é, sem dúvida, a mais indicada para a solução desse conflito. A integração energética sul-americana, mesmo que pareça servir, neste momento, a interesses populistas do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, é parte obrigatória nessa discussão, dentro de uma visão estratégica das relações continentais. Jamais interessará ao Brasil ter hegemonia e desfrutar de crescimento econômico na América do Sul se ao mesmo tempo seus vizinhos estiverem afundando na pobreza.
Benjamin Steinbruch, 52, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).E-mail - bvictoria@psi.com.br
...mas não faça o q eu faço.
Se o cara q é diretor-presidente da CSN - empresa Siderurgica, privatizada em 1993 - disse isso, ou todos nós somos idiotas, ou se reestatize imediatmaente nossos setores estratégicos!
16 de mai. de 2006
eu também vou protestar
É incrível. Enquanto os sojicultores tinham financiamento à vontade no Banco do Brasil e saíam de lá para comprar outras coisas que nada tinham a ver com o investimento na lavoura. Ou quando recebiam proagro em troca de molhar a mão dos fiscais do Banco estatal, o problema era que o dólar estava muito alto e não dava para comprar os insumos.
Agora que o dólar baixou, não dá para vender seus produtos. E a culpa é do governo.
As reinvindicações desse setor são as mais incríveis. Querem que suas dívidas sejam perdoadas e que o governo garanta um preço mínimo para a soja. Ora, como escreveu uma leitora do jornaldelondrina: é mais ou menos como um negociante que compra roupas esperando o inverno rigoroso e o frio não vem. E quer que o governo pague pelo prejuizo das roupas que não foram vendidas.
Não é só o fato de se tratar de agrobusiness. Mas de que esse movimento é liderado por latifundiários e monoculturistas que sempre se beneficiaram do dinheiro público e das políticas governamentais.
Só para lembrar, mais de 80 % da soja produzida aqui é exportada para Japão e Europa e servem para fazer ração para porcos e bois.
Só para não esquecer: para se produzir um quilo de carne é preciso de 8 quilos de soja. E o soja tem vantagens proteicas e vitamínicas sobre a carne.
Além disso, a área necessária para se obter em soja o que se obtém em carne é muito menor. Portanto, poderíamos ter mais alimentos em menoss espaços. O que poderia ser útil para a produção de mais alimentos, ainda.
Que as cidades estão inchadas e os campos vazios.
Que uma máquina faz o serviço de vários homens. Que o emprego gerado pelos produtos mecanizados são ínfimos. Que o dinheiro fica concentrado na mãos de poucos. E a terra, também. Que a população passa fome.
Que somos um país com uma enorme dívida social.
Quje deveríamos plantar o que pudéssemos comer.
Que não há soja no prato da mulher do sojicultor. Carne, há.
Que os preços dessa mercadoria são cotados internacionalmente.
Que a miséria vem da falta de distribuição de renda.
Que o crime está aumentando.
Que os criminosos estão organizados.
Que a classe média começa a falar em pena de morte.
Pena de morte para matar pobres.
Pobres que só se organizam quando estão ligados ao crime.
Porque querem ter uma caminhonete como a dos filhos dos bacanas que compram drogas deles.
Caminhonete financiada com dinheiro do proagro da soja. Dinheiro público.
Do meu, do seu imposto.
Agora que o dólar baixou, não dá para vender seus produtos. E a culpa é do governo.
As reinvindicações desse setor são as mais incríveis. Querem que suas dívidas sejam perdoadas e que o governo garanta um preço mínimo para a soja. Ora, como escreveu uma leitora do jornaldelondrina: é mais ou menos como um negociante que compra roupas esperando o inverno rigoroso e o frio não vem. E quer que o governo pague pelo prejuizo das roupas que não foram vendidas.
Não é só o fato de se tratar de agrobusiness. Mas de que esse movimento é liderado por latifundiários e monoculturistas que sempre se beneficiaram do dinheiro público e das políticas governamentais.
Só para lembrar, mais de 80 % da soja produzida aqui é exportada para Japão e Europa e servem para fazer ração para porcos e bois.
Só para não esquecer: para se produzir um quilo de carne é preciso de 8 quilos de soja. E o soja tem vantagens proteicas e vitamínicas sobre a carne.
Além disso, a área necessária para se obter em soja o que se obtém em carne é muito menor. Portanto, poderíamos ter mais alimentos em menoss espaços. O que poderia ser útil para a produção de mais alimentos, ainda.
Que as cidades estão inchadas e os campos vazios.
Que uma máquina faz o serviço de vários homens. Que o emprego gerado pelos produtos mecanizados são ínfimos. Que o dinheiro fica concentrado na mãos de poucos. E a terra, também. Que a população passa fome.
Que somos um país com uma enorme dívida social.
Quje deveríamos plantar o que pudéssemos comer.
Que não há soja no prato da mulher do sojicultor. Carne, há.
Que os preços dessa mercadoria são cotados internacionalmente.
Que a miséria vem da falta de distribuição de renda.
Que o crime está aumentando.
Que os criminosos estão organizados.
Que a classe média começa a falar em pena de morte.
Pena de morte para matar pobres.
Pobres que só se organizam quando estão ligados ao crime.
Porque querem ter uma caminhonete como a dos filhos dos bacanas que compram drogas deles.
Caminhonete financiada com dinheiro do proagro da soja. Dinheiro público.
Do meu, do seu imposto.
15 de mai. de 2006
manifesto madeirista
"Não sei muito acerca de deuses, mas creio que o rioÉ um poderoso deus castanho ; taciturno, indômito e intratável,Paciente até certo ponto, a princípio reconhecido como fronteira,Útil, inconfidente, como um caixeiro viajante.Depois, apenas um problema que ao construtor de pontes desafia."
T.S. Eliot
Não basta os limites de uma cidade, de uma região, de um território, de uma língua: todos os limites são virtuais e imprestáveis: criar pontes (que também são mprestáveis) entre os limites: sair dos limites: passear no vazio, no ilimitado, no além do programa.
Não basta Madeira, Nilo, Ganges, Tietê, Mississipi, São Francisco, Sena,Tâmisa, Amazonas, Indo: não basta florestas, desertos, oceanos, continentes, ilhas, corpo, voz, desejo ou sonho: limites a serem contagiados pelo construtor de pontes: tanto faz quanto tanto foz.
Não basta os regionalismos nem os cosmopolitismos das moneras: não basta:precisamos de pontes e, de repente, o gozo em saltar as pontes: e no fluxomortal, mergulhar, gozando todos os sonos.
Não basta o Boto, a Bôta, a Cobra Grande, o Boi: olhar do colonizador, olhar gordo de ocidentalidades turistas. Não basta Macunaíma ou Miramar: poucacanibalidade, muita imitação e respeito.
Não basta riobaldos e sinhás vitórias: não basta a Grande Arte:não basta esta gosma de classe média pregada em edifícios de papel: não basta. Não basta essa Identidade Nacional: não basta nem a identidade nem o nacional:muito menos o internacional.
Não basta o sentido nem a razão. Não basta a forma nem o formato. Não basta a aspereza nem o tédio. Não basta o linear nem o mistério. Não basta o policial nem o cômico. Não basta nem a alminha nem o carma. Não basta o horóscopo nem o nome. Não basta a data nem a hora. Não basta o peso nem o pesado. Não basta essa palavra colada às coisas como se fosse uma barata morta ou restos de carne sobre a cama.
Não basta Gramáticas, Ortografias nem Dicionários. Não basta a Bíblia, o Corão nem o Manual dos Escoteiros. Não basta nem Kama Sutra nem Código Civil. Não basta nem erudição nem Jeca Tatu.
Não basta essa fé provinciana nem esse lirismo água com açúcar. Não basta a nova nem a velha Bossa. Não basta o samba nem o carnaval. Não basta o negro nem o índio. Não basta o branco nem o amarelo.
Não basta Europa ou África. Não basta nem Ásia nem azia, América ou Oceania.Não basta gêneros: nada basta esse bastar. Não basta o grito nem o sussurro.Não basta. É sempre muito pouco. É sempre sempre igual. Não basta.
Não basta nem a bundinha, nem a garrafinha, nem o uisquinho, nem a prainha, nem as avenidinhas, nem Ariano, nem os Campos, nem francês nem inglês, nem todas essas igrejas mortas, nem todo esse lerolero global, nem milongas nem toadas. Não basta.
Não basta essa falta de fome. Não basta a história, a memória, a escória.Não basta a Geografia, a Antropologia, a inútil Sociologia. Não basta esse falso erotismo: esse falo flácido sem flanar: é preciso a obscenidade radical: não basta a devoração canibal: é preciso ser libertino: não basta devorar: é preciso desmembrar o mundo: torná-lo vazio: sem sentido: e remontá-lo no meio da praça: não basta tê-lo devorado até a saciedade: é preciso maculá-lo: remontá-lo com outro sentido e sentido algum: é preciso libertar a palavra, o som, a imagem, o corpo, e o não de todo esse peso, de todas essas idéias, de toda asperidade, de toda autoridade: tudo preso a tudo por nada, sem pontes, sem o deslimite do depois das pontes e do vôo sobre as pontes: tanto faz quanto tanto foz.
Não basta nenhuma crença: não bastam Deuses, Demônios, Pátrias, coronéis, generais e lobisomens: não basta nem miséria nem riqueza: só a obsessão cria as pontes e somente a libertinagem do libertino cria a liberdade radical, aquela que pode nos fazer saltar pontes sem precisar a travessia, para nada, por gozo.
Basta de descritivismo, de predomínio do objeto. Basta dessa arte sem imaginação, sem sonho, sem invisibilidade, cheia de realidades tolamente visíveis, pré-visíveis tramas televisivas.
Basta desse falso diálogo de jornal invadindo a palavra. Basta de arte-mercadoria: a arte não vale nada: não é valor/trabalho: o artista não é trabalhador: arte não é ofício: arte é orifício.
Basta desse respeito à linguagem: é preciso implodi-la para insignificar: precisa ser tocada, maculada, desmembrada para enlouquecer e deixar fluir e fluir-se.
Basta de caminhar dentro do estúpido senso comum das mídias, dessa crítica amigável, dessa bajulação mútua, dessa análise historicista: mero acalanto de boiadas.
Chega de Primeiro, Segundo e Terceiro mundo: a arte é o gozo que dissolve o concreto do mundo: tanto faz quanto tanto foz. E chega de bastar: é preciso reaprender a gozar.
Somos criadores: pairamos sempre sobre as águas, mordendo os dedos dos pés, criando o círculo de fogo sobre o nada: precisamos somente dizer o faça-se:essa palavra vinda do mais íntimo das entranhas: tanto faz quanto tanto foz:cadê a tua voz?"
MANIFESTO MADEIRISTA
escrito por Joeser Alvarez
31/12/98
T.S. Eliot
Não basta os limites de uma cidade, de uma região, de um território, de uma língua: todos os limites são virtuais e imprestáveis: criar pontes (que também são mprestáveis) entre os limites: sair dos limites: passear no vazio, no ilimitado, no além do programa.
Não basta Madeira, Nilo, Ganges, Tietê, Mississipi, São Francisco, Sena,Tâmisa, Amazonas, Indo: não basta florestas, desertos, oceanos, continentes, ilhas, corpo, voz, desejo ou sonho: limites a serem contagiados pelo construtor de pontes: tanto faz quanto tanto foz.
Não basta os regionalismos nem os cosmopolitismos das moneras: não basta:precisamos de pontes e, de repente, o gozo em saltar as pontes: e no fluxomortal, mergulhar, gozando todos os sonos.
Não basta o Boto, a Bôta, a Cobra Grande, o Boi: olhar do colonizador, olhar gordo de ocidentalidades turistas. Não basta Macunaíma ou Miramar: poucacanibalidade, muita imitação e respeito.
Não basta riobaldos e sinhás vitórias: não basta a Grande Arte:não basta esta gosma de classe média pregada em edifícios de papel: não basta. Não basta essa Identidade Nacional: não basta nem a identidade nem o nacional:muito menos o internacional.
Não basta o sentido nem a razão. Não basta a forma nem o formato. Não basta a aspereza nem o tédio. Não basta o linear nem o mistério. Não basta o policial nem o cômico. Não basta nem a alminha nem o carma. Não basta o horóscopo nem o nome. Não basta a data nem a hora. Não basta o peso nem o pesado. Não basta essa palavra colada às coisas como se fosse uma barata morta ou restos de carne sobre a cama.
Não basta Gramáticas, Ortografias nem Dicionários. Não basta a Bíblia, o Corão nem o Manual dos Escoteiros. Não basta nem Kama Sutra nem Código Civil. Não basta nem erudição nem Jeca Tatu.
Não basta essa fé provinciana nem esse lirismo água com açúcar. Não basta a nova nem a velha Bossa. Não basta o samba nem o carnaval. Não basta o negro nem o índio. Não basta o branco nem o amarelo.
Não basta Europa ou África. Não basta nem Ásia nem azia, América ou Oceania.Não basta gêneros: nada basta esse bastar. Não basta o grito nem o sussurro.Não basta. É sempre muito pouco. É sempre sempre igual. Não basta.
Não basta nem a bundinha, nem a garrafinha, nem o uisquinho, nem a prainha, nem as avenidinhas, nem Ariano, nem os Campos, nem francês nem inglês, nem todas essas igrejas mortas, nem todo esse lerolero global, nem milongas nem toadas. Não basta.
Não basta essa falta de fome. Não basta a história, a memória, a escória.Não basta a Geografia, a Antropologia, a inútil Sociologia. Não basta esse falso erotismo: esse falo flácido sem flanar: é preciso a obscenidade radical: não basta a devoração canibal: é preciso ser libertino: não basta devorar: é preciso desmembrar o mundo: torná-lo vazio: sem sentido: e remontá-lo no meio da praça: não basta tê-lo devorado até a saciedade: é preciso maculá-lo: remontá-lo com outro sentido e sentido algum: é preciso libertar a palavra, o som, a imagem, o corpo, e o não de todo esse peso, de todas essas idéias, de toda asperidade, de toda autoridade: tudo preso a tudo por nada, sem pontes, sem o deslimite do depois das pontes e do vôo sobre as pontes: tanto faz quanto tanto foz.
Não basta nenhuma crença: não bastam Deuses, Demônios, Pátrias, coronéis, generais e lobisomens: não basta nem miséria nem riqueza: só a obsessão cria as pontes e somente a libertinagem do libertino cria a liberdade radical, aquela que pode nos fazer saltar pontes sem precisar a travessia, para nada, por gozo.
Basta de descritivismo, de predomínio do objeto. Basta dessa arte sem imaginação, sem sonho, sem invisibilidade, cheia de realidades tolamente visíveis, pré-visíveis tramas televisivas.
Basta desse falso diálogo de jornal invadindo a palavra. Basta de arte-mercadoria: a arte não vale nada: não é valor/trabalho: o artista não é trabalhador: arte não é ofício: arte é orifício.
Basta desse respeito à linguagem: é preciso implodi-la para insignificar: precisa ser tocada, maculada, desmembrada para enlouquecer e deixar fluir e fluir-se.
Basta de caminhar dentro do estúpido senso comum das mídias, dessa crítica amigável, dessa bajulação mútua, dessa análise historicista: mero acalanto de boiadas.
Chega de Primeiro, Segundo e Terceiro mundo: a arte é o gozo que dissolve o concreto do mundo: tanto faz quanto tanto foz. E chega de bastar: é preciso reaprender a gozar.
Somos criadores: pairamos sempre sobre as águas, mordendo os dedos dos pés, criando o círculo de fogo sobre o nada: precisamos somente dizer o faça-se:essa palavra vinda do mais íntimo das entranhas: tanto faz quanto tanto foz:cadê a tua voz?"
MANIFESTO MADEIRISTA
escrito por Joeser Alvarez
31/12/98
4 de mai. de 2006
3 de mai. de 2006
é esse aí q é o hómi

Subcomandante Marcos chama homossexuais de "companheiros de luta"
CIDADE DO MÉXICO, 3 mai (AFP) - Sempre encapuzado, o subcomandante Marcos, chamou gays e lésbicas nesta quarta-feira de "companheiros que estão na luta" em um ato celebrado na capital mexicana.
CIDADE DO MÉXICO, 3 mai (AFP) - Sempre encapuzado, o subcomandante Marcos, chamou gays e lésbicas nesta quarta-feira de "companheiros que estão na luta" em um ato celebrado na capital mexicana.
Ao presidir o comício, diante de 200 pessoas, na Alameda Central da cidade, Marcos acusou o governo da capital, nas mãos da esquerda, de descumprir a promessa de dar um nível melhor de vida aos moradores e de não respeitar grupos marginalizados entre os quais destacou gays, lésbicas e indígenas. "Para nós, não são as 'putas ou os putos', são nossos companheiros de luta que seguem o caminho para conquistar sua liberdade e garantias", concluiu o líder do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN).
O evento, organizado por integrantes de um movimento de defesa dos direitos dos homossexuais em pleno centro da capital mexicana, transcorreu com normalidade.Marcos viaja pelo país desde 1º de janeiro como parte da denominada "Outra Campanha"; em 1º de maio chegou a concentrar milhares de simpatizantes no Zócalo, centro histórico da capital.
2 de mai. de 2006
pedrofilhismo
Pedrofilhismo não é, necessáriamente, um movimento. Mas aqueles que o praticam possuem em comum o fato de se acharem melhor do que os outros e que só eles têm o filhinho mais brilhante do mundo, porque ajuda papai nas fazendas.
O Júnior, em questão, é aquele filho bobão, mas que aprende rapidamente que George Bush é um grande presidente; que a Veja está certa (só lê - quando lê - isso mesmo); que o Lula é vagabundo; e quem vota num vagabundo desses também é vagabundo. E não entra em sua casa. E se for seu empregado ele manda embora; que a culpa da miséria no campo é do Sindicato dos trabalhadores rurais; que o MST é o demônio; que o pobre precisa do rico; que pobre não ajuda pobre; e que ele sempre foi bom com os empregados, mas com essas leis trabalhistas - coisa de comunistas - ele agora não quer mais nem saber de ajudar os trabalhadores mais.
Outro dia o pai do Júnior se saiu com essa: que os parentes dele não querem que ele suba na vida. Só porque ele comprou uma pequena propriedade - coisa pouca, 500 alqueires - os irmãos fizeram censura. Disseram que ele já tinha muito e não precisava ficar correndo atrás de mais coisas ainda. Coitado, tão esforçado e os irmãos com inveja, torcendo contra sua tentativa de melhorar de vida.
Esse Pedro não toma jeito. Esse Pedro é uma parada. E o pedrofilhismo não é piada. Tu apontas o dedo em riste para mim, e outros três voltam-se contra você mesmo. Em todo caso, eu não respondo à sua prepotência e arrogância autoritária em um lugar que não é o ringue de briga ideal para esse tipo de combate. Até porque eu tenho classe!
O Júnior, em questão, é aquele filho bobão, mas que aprende rapidamente que George Bush é um grande presidente; que a Veja está certa (só lê - quando lê - isso mesmo); que o Lula é vagabundo; e quem vota num vagabundo desses também é vagabundo. E não entra em sua casa. E se for seu empregado ele manda embora; que a culpa da miséria no campo é do Sindicato dos trabalhadores rurais; que o MST é o demônio; que o pobre precisa do rico; que pobre não ajuda pobre; e que ele sempre foi bom com os empregados, mas com essas leis trabalhistas - coisa de comunistas - ele agora não quer mais nem saber de ajudar os trabalhadores mais.
Outro dia o pai do Júnior se saiu com essa: que os parentes dele não querem que ele suba na vida. Só porque ele comprou uma pequena propriedade - coisa pouca, 500 alqueires - os irmãos fizeram censura. Disseram que ele já tinha muito e não precisava ficar correndo atrás de mais coisas ainda. Coitado, tão esforçado e os irmãos com inveja, torcendo contra sua tentativa de melhorar de vida.
Esse Pedro não toma jeito. Esse Pedro é uma parada. E o pedrofilhismo não é piada. Tu apontas o dedo em riste para mim, e outros três voltam-se contra você mesmo. Em todo caso, eu não respondo à sua prepotência e arrogância autoritária em um lugar que não é o ringue de briga ideal para esse tipo de combate. Até porque eu tenho classe!
30 de abr. de 2006
Veja
Sei que é chover no molhado. E que é preciso tentar entender quem defende quais interesses, sempre, antes de julgar e condenar. Mas uma passada por http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_invencoes_elite.htm
vale a pena.
Até para saber quais os mecanismos a revista Veja usa para defender seus interesses!
Algumas frases encontradas lá no texto "Laboratório de invenções da elite". Por Anselmo Massad, da revista Fórum
Falando dos perseguidos pela revista:
A lista é extensa, mas as razões derivam de uma fórmula simples. “Veja faz um jornalismo de trás para a frente”, explica Cláudio Julio Tognolli, repórter do semanário na década de 1980 e hoje professor da USP. Segundo ele, se estabelece uma tese e a partir dela se parte para a rua, para a apuração. Ouvir lados diferentes da história e pesquisar sobre o tema são práticas que não alteram a “pensata”, jargão para definir a tese que a matéria deve comprovar. Dentro da redação, o melhor repórter é o que traz personagens e fontes para comprovar a tese. “Assim, Veja ensina à classe média bebedora de uísque o que pensar”, alfineta."
“As assinaturas das matérias são uma ficção”, sintetiza um ex-colaborador da revista que não quis se identificar. As matérias são reescritas diversas vezes. O repórter entrega o texto que é modificado pelos editores, depois refeito pelos editores executivos e, por fim, pelos diretores de redação. No final da “linha de montagem”, o repórter, que pacientemente aguardou a edição para uma eventual necessidade de verificação de dados, não tem acesso ao texto até ver um exemplar impresso. O processo é narrado no livro do ex-diretor de redação da revista Mário Sérgio Conti, que fez parte da cúpula da publicação até 1997, como chefe de redação e diretor. A opinião que prevalece é a da revista, ainda que todos os entrevistados tenham dito o oposto, mesmo que para isso seja preciso omiti-las do leitor.
A revista busca agradar a quem a compra: a classe média conservadora.
A tiragem semanal da revista é de 1,1 milhão de exemplares, sendo 800 mil assinantes e o restante vendido em banca. “A maioria dos que compram, gostam das opiniões, gostam do Diogo Mainardi”, lamenta Raimundo Pereira, um dos primeiros editores da revista na época em que lá ainda trabalhava o seu criador, Mino Carta.
Os preconceitos da elite são refletidos pela revista. Além dos movimentos sociais, há quem relate que um dos bordões de Tales Alvarenga, atual diretor de publicações, em sua fase à frente da revista era: “Não quero gente feia”. Por gente bonita, referia-se não apenas a padrões estéticos de magreza, mas também aqueles ligados à cor da pele. Segundo colaboradores próximos, fotografar negros seria quase certeza de material desperdiçado.
Chega de crltC/crltV, quem tem q.i. vai
http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_invencoes_elite.htm
vale a pena.
Até para saber quais os mecanismos a revista Veja usa para defender seus interesses!
Algumas frases encontradas lá no texto "Laboratório de invenções da elite". Por Anselmo Massad, da revista Fórum
Falando dos perseguidos pela revista:
A lista é extensa, mas as razões derivam de uma fórmula simples. “Veja faz um jornalismo de trás para a frente”, explica Cláudio Julio Tognolli, repórter do semanário na década de 1980 e hoje professor da USP. Segundo ele, se estabelece uma tese e a partir dela se parte para a rua, para a apuração. Ouvir lados diferentes da história e pesquisar sobre o tema são práticas que não alteram a “pensata”, jargão para definir a tese que a matéria deve comprovar. Dentro da redação, o melhor repórter é o que traz personagens e fontes para comprovar a tese. “Assim, Veja ensina à classe média bebedora de uísque o que pensar”, alfineta."
“As assinaturas das matérias são uma ficção”, sintetiza um ex-colaborador da revista que não quis se identificar. As matérias são reescritas diversas vezes. O repórter entrega o texto que é modificado pelos editores, depois refeito pelos editores executivos e, por fim, pelos diretores de redação. No final da “linha de montagem”, o repórter, que pacientemente aguardou a edição para uma eventual necessidade de verificação de dados, não tem acesso ao texto até ver um exemplar impresso. O processo é narrado no livro do ex-diretor de redação da revista Mário Sérgio Conti, que fez parte da cúpula da publicação até 1997, como chefe de redação e diretor. A opinião que prevalece é a da revista, ainda que todos os entrevistados tenham dito o oposto, mesmo que para isso seja preciso omiti-las do leitor.
A revista busca agradar a quem a compra: a classe média conservadora.
A tiragem semanal da revista é de 1,1 milhão de exemplares, sendo 800 mil assinantes e o restante vendido em banca. “A maioria dos que compram, gostam das opiniões, gostam do Diogo Mainardi”, lamenta Raimundo Pereira, um dos primeiros editores da revista na época em que lá ainda trabalhava o seu criador, Mino Carta.
Os preconceitos da elite são refletidos pela revista. Além dos movimentos sociais, há quem relate que um dos bordões de Tales Alvarenga, atual diretor de publicações, em sua fase à frente da revista era: “Não quero gente feia”. Por gente bonita, referia-se não apenas a padrões estéticos de magreza, mas também aqueles ligados à cor da pele. Segundo colaboradores próximos, fotografar negros seria quase certeza de material desperdiçado.
Chega de crltC/crltV, quem tem q.i. vai
http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_invencoes_elite.htm
25 de abr. de 2006
http://www.estultiferanave.blogspot.com/
Alguém vai ter que limpar essa sujeira
esse amor todo esporrado no chão
desço as escadas como se nada tivesse acontecido
com esse corte profundo no super cílio
mas se me salvarem hoje perecerei todas as noites
esperando que alguém venha recolher os pedaços
com um pá de plástico vagabundo
dessas que a gente compra em lojas de 1,99
furaram meu bote inflável
ou eu mesma me sabotei como de costume
agora vou batendo as têmporas no meio fio
espancando as noites
cerrando os punhos com força
e mastigando pétalas murchas do último buffet.
esse amor todo esporrado no chão
desço as escadas como se nada tivesse acontecido
com esse corte profundo no super cílio
mas se me salvarem hoje perecerei todas as noites
esperando que alguém venha recolher os pedaços
com um pá de plástico vagabundo
dessas que a gente compra em lojas de 1,99
furaram meu bote inflável
ou eu mesma me sabotei como de costume
agora vou batendo as têmporas no meio fio
espancando as noites
cerrando os punhos com força
e mastigando pétalas murchas do último buffet.
19 de abr. de 2006
todo dia era dia de índio
17 de abr. de 2006

A internet amplifica a idéia da colagem, do uso de materiais já criados, podendo recriá-los em plágio-combinação, ou, mesmo, usar na íntegra o que já foi mostrado por outros. De preferência remetendo ao seu autor.
O negócio é usar as armas: sejam a dos aliados ou dos inimigos.
A charge aí em cima foi capturada em http://www.kibeloko.com.br/ e tem tudo a ver com o BOCAQUENTE.
A cópia do mundo é nossa!
14 de abr. de 2006
A solução pro nosso povo eu vou dar!

Pois é, temos uma solução. Não, não é a Amazônia. Não é nada amazônico. É algo mais importante. Aliás, cinco elementos que os nossos maiores credores não têm: as estrelas do Penta.
Da mesma maneira que nós brasileiros desejamos um país mais sério, com distribuição de renda mais justa, os nossos maiores credores podem desejar as cinco estrelas do Penta, por quê não?
Como negociar? De três maneiras: aluguel, venda ou leilão. No caso do aluguel passaríamos as cinco estrelas para os Estados Unidos usarem nas Copas do Mundo durante 30 anos e eles nos pagariam 96 bilhões de dólares por copa do mundo. Em relação à venda, colocaríamos as estrelas no mercado a preços populares, coisa de 150 bilhões de dólares, cada.
Uma das sugestões seria a Nike intermediar a transação, já que esta importante empresa goza de bons relacionamentos com o Brasil. Também o leilão seria um sucesso, contando com o nosso Mestre de Cerimônias Galvão Bueno e o como Leiloeiro Oficial, Edson Pelé do Nascimento.
Dá até para imaginar as ofertas feitas pelas potências, como a Itália, Estados Unidos, Alemanha, França, Espanha, Inglaterra. Dá até para ver as mãos de Joseph Blatter se esfregando enquanto o “Rei” bate o martelinho, encerrando o leilão após a oferta máxima de Silvio Berlusconi. Com Ricardo Teixeira e João Havelange tomando boas doses de uísque. Daria até para ganhar uns extras com a trilha sonora do leilão: “...o povo da FIFA mandou avisar”.
Oliver Kahn, o goleiro da Alemanha que “bateu roupa” em uma bola infantil, que ocasionou um dos gols da vitória na última final e ainda assim foi eleito o melhor jogador da Copa, poderá ganhar mais um título: o da Ordem do Cruzeiro do Sul. Nós, Pentagonaldos, somos muito respeitados e agora, mais ainda lá fora. Conseguindo negociar com eles, poderemos ser mais livres e até gritar mais alto: “A Amazônia é nossa!”.
Marcelo Eduardo Henrique – Olvidor-mor da Federação
11 de abr. de 2006
IDENTIDADE PÚBLICA

, ou conversas com o inominável
Quero ser a cópia da cópia da cópia. A puta, a cachaça barata, o mamonas assassinas, o assassino desta teoria que vê na diluição o fracasso da arte maior, a que se faz importante, imponente, espetacular.
Quero ser maneroso, estiloso, repetitivo, artesanal, fake, mentiroso. Ser o real pelo seu avesso, até o plágio se tornar um conceito original.
Quero estar na boca do povo, canção assoviada de Noel, bolerão, me deixem torcer pela seleção, eu nunca quis ser erudito, eu sou popular. Não tenho marcas, penduricalhos, grifes, nome a zelar. Sou cd pirata, vira-latas, mercado informal. “Baixa temperatura poética” é o meu ideal de vulgaridade.
Quero colocar carne-de-sol nesse banquete de intelectos e gênio raros. Eu quero levar uma parte do seu salário e gastá-lo em trocadilhos baratos. Como elma chips, big brother barraco, meter a cultura elitista em um saco de gatos e ver o circo incendiar. Idéias morro acima e cultura abismo abaixo ninguém há de segurar!
Sou o anônimo, o antônimo do heterônimo, o INOMINÁVEL: todo homem é um artista. Todo homem é um comunista. Todo homem é médium. Todo homem é bom. Arte é artifício. Linguagem é jogo. Tudo é ilusão!
Viva a manifestação do povo da periferia. Viva quem quiser viver, mas não me venham com esse papo de originalidade, alta cultura. Tiro um som da burrice nacional, do caldeirão das raças faço meu mingau. Sabedoria não depende de diploma. Quem quiser compreender é só olhar o céu. E nada mais se ensina. Deixe o desejo aceso e tudo se combina: fogo na gasolina!
1 de abr. de 2006
paradoxos

Depois de ler, e me encantar, com o texto “Campanha contra o vício da leitura”, do colunista/ensaísta catarinense Fábio Brüggmann, no livro “Isto não é notícia”, onde, em prosa corajosa, se mostra extremamente lúcido, me vi pensando em coisas como essas, que seguem abaixo:
Diálogos
- Quem disse que um idiota não pode se transformar em filósofo?
- E quem disse que um filósofo não pode ser um idiota?
- Você sabia que quanto mais lê, mais burra a pessoa fica, segundo Schopenhauer?
- Você sabia que idiota é quem se atreve a pensar por si, segundo Deleuze?
Diálogos
- Quem disse que um idiota não pode se transformar em filósofo?
- E quem disse que um filósofo não pode ser um idiota?
- Você sabia que quanto mais lê, mais burra a pessoa fica, segundo Schopenhauer?
- Você sabia que idiota é quem se atreve a pensar por si, segundo Deleuze?
Latifúndio reclama fundos
SLOGAN:
A agricultura está morta. O latifúndio e a monocultura mataram a terra.
Ou, quando o filho mata a mãe e põe a culpa no pai.
1 – Um amigo aqui de Londrina, professor Marcos Barnabé, 2 anos atrás, convidou-me para assistir os clássicos do western, junto a seus alunos de arquitetura. Sua intenção era mostrar “como é que se fazia cinema” para a garotada, que “a direção é a alma de um filme” e, de quebra, em como o “spaguetti” italiano se apropria da linguagem dos filmes de farwest dos eua, misturano-os à linguagem de Glauber Rocha, para criar filmes populares de bang-bang.
E lá fui eu, em nome da amizade e, principalmente da curiosidade, assistir John Wayne em ação, dirigido pelo “genial” John Ford. O primeiro filme foi “O homem que matou o facínora” (The Man Who Shot Liberty Vance), de 1962. E é sobre esse filme que eu quero começar a traçar algum paralelo com a situação fundiária no Brasil.
2 – O filme em questão conta a história de um advogado recém-formado (James Stwart), que veio à cidade, querendo trazer civilidade ao lugar.
Defendendo interesses dos latifundiários, que atrasavam o progresso do lugar e zombavam da lei, o malvado capataz Liberty Vance (Lee Marvin) logo põe a vida do mocinho em risco, até que, depois de várias ameaças, o advogado aceita o desafio para um duelo na rua e o facínora, seu oponente, tomba, morto à bala.
O fato é narrado ao espectador pelo advogado que acaba se tornando senador e volta para a cidade, anos depois, para o enterro do vaqueiro Tom Doniphon (John Wayne). O fator surpresa do filme é saber que o disparo não saiu da arma do advogado, mas do “destemido vaqueiro”, que, mesmo perdendo a mocinha para o advogado bonitão (mas péssimo atirador), salva a vida do homem que representa a justiça.
3 – Mas não é comentar cinema o que interessa, aqui. Mas refletir em como a ideologia hollywoodiana foi vendida como “cultura americana” e de como ela pode sustentar seu poder, ao pregar os princípios da justiça, da ordem e da liberdade democrática como uma grande conquista para a humanidade.
Quem conhece um pouco da história do cinema, sabe que os produtores cinematográficos fugiram de New York para Hollywood para não se submeterem às leis que protegiam o trust e, porque os custos de produção eram menores no interior do que na capital.
E filmaram o “velho oeste” porque era o cenário que tinham para filmar. E faziam filmes contra os latifundiários porque era o assunto mais em evidência no lugar. Os pecuaristas viam com péssimos olhos aquela indústria de cultura e entretenimento, que ameaçava a estrutura social do lugar e seu domínio pelas terras, garantidas debaixo do derramamento de muito sangue indígena e carcaças de búfalos. Foi em cima desse ponto, a meu ver, que o cinema se tornou o grande porta-voz da imagem que temos dos E.U.A., até hoje.
4 – A Reforma Agrária nos EUA foi realizada em 1862, enquanto no Brasil o problema fundiário é o X da questão social. Em 1950 havia 50 milhões de pessoas morando no país. 70% lavradores. Hoje somos 170, 180 milhões e 90% da população vive nas cidades. Além disso, nosso país só perde para o Paraguai, em termos de concentração de terras nas mãos de menos gente, comparativamente. Mas a maioria das terras paraguaias pertence a... brasileiros. E isso não é filme de cinema americano!
5 – Foi manchete de capa do jornal Folha de Londrina, de sexta-feira, dia 31 de março de 2006, a notícia que dava conta que em Bela Vista do Paraíso – pequeno município situado ao norte do Estado do Paraná – houve um protesto de agricultores que interditaram um trecho de rodovia e passaram pela avenida da cidade, fazendo o comércio abaixar suas portas.
O motivo do protesto é que milhares de agricultores fizeram empréstimos no Banco do Brasil e agora não podem pagar. E o governo ameaça tomar judicialmente suas terras e maquinários. Afirmam que as colheitas das últimas safras ficaram aquém das expectativas, por conta da estiagem que vêm atacando a região há anos. Além da queda do preço do dólar, que fez o preço do saco de soja cair.
Por tudo isso, se declaram em luto, acusando o governo de não apoiá-los, em um momento difícil como esse que estão passando.
6 – A terra por onde passaram os plantadores de soja, soltando rojões, com seus carros, caminhonetes e colheitadeiras, é a mesma terra onde já não há mais vestígios dos índios que habitavam o lugar, nem da flora, nem da fauna, devastadas. Não foi preservada, sequer, a mata ciliar. Já não há mais rios potáveis, nem peixes vivos. O agrotóxico destrói tudo à sua volta. E a terra, de tanta rotatividade, torna-se cada vez mais fina, mais poeirenta. O sol aquece o solo desnudo, que reflete o calor. A temperatura aumenta, o clima se desarmoniza. As estações perdem a definição: faz frio no verão, calor no inverno, seca na primavera.
7 – Antes da soja – cujo comércio é voltado quase que integramente às exportações – havia o café. Também era monocultura. Por pior que fosse, gerava alguma renda que era revertida para a cidade. E a propriedade das terras estava menos concentrada. Mas a cultura da soja prescinde do homem. Uma máquina e um tratorista para centenas de alqueires (aqui não se fala em hectares. Cada alqueire chega a custar 120 mil reais). O resultado disso é o inchaço e a violência na cidade grande. E o fim das cidades pequenas. Cidades Mortas!
8 – Generalizar é sempre perigoso. Mas o fato é que novos ricos que recebem dinheiro fácil gostam de se mostrar, gastando dinheiro das formas mais imbecis. Caipiras que de repente saiam do Banco do Brasil – no mesmo local onde fazem agora seus protestos contra a falta de ajuda do governo – cheios de crédito para investir na lavoura. Mas torravam o dinheiro fechando bordéis, comprando caminhonetes do ano, colares e pulseiras de ouro, em um arremedo de “Sinhozinho Malta”, personagem de Lima Duarte, na novela Roque Santeiro e tudo o mais que a ignorância pretensiosa, que os transformavam, também, em seres arrogantes, podia lhes dar.
9 – O presidente da república já se manifestou que está aberto ao diálogo com esses produtores. Afinal, não fazemos a Reforma Agrária, mas é preciso manter o comércio externo azeitado. Uma das dez economias do mundo não pode parar para pensar em seus cidadãos menos favorecidos – nosso IDH (índice de desenvolvimento humano) é vergonhoso – que nunca receberam um centavo do poder público. Mas do imposto gerado por esse comércio, não há como abrir mão. Todos sabem que manter o paternalismo é uma boa estratégia para garantir a reeleição.
10 – A agricultura está de luto. Algo está morto e é preciso deixar que agora apodreça, para que a terra volte a ter micro organismos que a torne viva, novamente. Não tenho intenção, com este texto, de me tornar candidato a nada. Isso também não é um discurso. Ou é. Ou sou candidato, não importa. Mas para que algo seja exato e esteja de acordo com a realidade dos fatos, sugiro não se pronunciar mais a palavra agricultor para se referir a essas pessoas que protestam contra o governo, quando, em nenhum momento pensaram na sobrevivência das próximas gerações. De seus próprios filhos e netos. Suponho chamá-los sojicultores, ou, quando muito, monoculturistas, já que é esse tipo de ação que empregam em seu trabalho. Agricultor seria aquele que cultiva a terra, com vistas a torná-la fértil. E a única agricultura que esses sojicultores praticam é a agricultura esgotante, aquela que – segundo o dicionário Houaiss – “esteriliza ou depaupera” o solo.
Por fim, já que a questão se voltou para o léxico das palavras, gostaria de mencionar que Americano são todos os que vivem na América, que vai do Alaska até o pólo sul. E que nem de Americanos do Norte os habitantes dos Estados Unidos da América podem ser chamados, já que o Canadá também pertence à América do Norte.
Ao apontar o governo por um crime que eles mesmos cometeram, os monoculturistas da região norte do Estado do Paraná parecem querer esconder a mão coberta do sangue vermelho, seco, sujo e endurecido da Mãe Terra que eles próprios mataram.
No cinema ainda sobravam mocinhos para contar a história no final, aqui, nem isso...
Assinar:
Postagens (Atom)



