27 de fev. de 2010
GREVE DE FOME
POR QUE SERÁ QUE A MÍDIA TRATA O CASO DO PRISIONEIRO DE CUBA QUE MORREU DE GREVE DE FOME DE MANEIRA TÃO HUMANISTA E NO CASO DO CESARE BATTISTI ISSO VIROU ATÉ PIADA, À ÉPOCA?
FHC E O THC
Márcia Vieira - O Estado de S. Paulo
RIO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta sexta-feira, 26, a descriminalização de todas as drogas, e não só da maconha como pregou o relatório da Comissão Latino-americana sobre Drogas e Democracia, da qual ele fez parte. "Acho que deveríamos incluir todas as drogas. Todas fazem mal. Mas a política de guerra às drogas não está funcionando", disse, durante o encontro da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, no Viva Rio.
SE O FHC TÁ NA ONDA DA DISCRIMALIZAÇÃO DE DROGAS, ENTÃO EU ACHO QUE TEM ALGUMA COISA ERRADA QUE EU NÃO TOU ENTENDENDO DIREITO E COMEÇO A DESCONFIAR DE MINHA POSIÇÃO QUE ERA PELA LEGALIZAÇÃO, TAMBÉM. SERÁ QUE O TUCANATO FECHOU ALGUM ACORDO COM A FÍLIPS MÓRRIS OU OUTRA EMPRESA TABAGISTA INTERNACIONAL? SÓ PODE!
26 de fev. de 2010
BBB - muita grana
A matemática é tosca, mas dá idéia do volume do negócio. Um paredão desses rendeu na faixa de 75 milhões de votos. Vamos supor que, entre quem votou muito na mesma casa e quem não votou, o número de consumidores que assiste ao reality show chegue a esse número, 75 milhões.
Vamos supor que isso dê umas 30 milhões de casas. Vamos supor que a renda de cada casa seja de 1000 reais ao mês (sem falar na classe média, que é a maioria hoje, no país, ou dos ricos). Vamos supor que 700 reais seja para consumo de bens e serviços, produtos variados e alimentação. Assim, o dinheiro em circulação no mercado, para o consumo, é de 21 bilhões/mês.
Vamos fazer outra conta: chutando que um caldo quinór deve custar em torno de 3 reais e 10 milhões de casas consumam pelo menos 1 caixinha dessas ao mês (fora os restaurantes, quem usa todo dia), isso soma, então, 30 milhões de reais só de tempero, movimentando a economia através do marketing e da propaganda massiva. Garantindo, assim, o empregão do biau, e a manutenção da plim-plim na conservação da ideologia do consumo e do lucro, tornando-a não só poderosa, mas, também, monstruosa, pela dimensão de seu poder. Assim, o BBB deve ser um dos programas mais baratos da TV, com um lucro, no mínimo, bilionário.
25 de fev. de 2010
23 de fev. de 2010
Machismo se traveste de diversão e pula o carnaval
Dourado bombando no BBB. Uma mãe reclama que pode ir com a filha no bloco de carnaval, mas não com o filho, um moço. O filho do meu amigo, adolescente, é amigo da namorada do pai, mas sua mãe não pode ter namorado, porque, segundo ele, não vai deixar. Para muitos homens, mulher é para comer, menos a mãe, a filha e a própria mulher. Se mexer com elas, dá briga. Um cara quis me matar porque me acusava de ter 'roubado' a namorada dele. Uma vez, na rua, com uma faca à mão, me ameaçou. Outra vez, disse que ela era uma Deusa. Uma Deusa, ele disse. Ou seja, algo a ser idolatrado, passivo de ser colocado em um altar. Não gente de carne e osso com tesão e dúvidas e desejo e sujeita a tomar decisões por si. Na verdade ele se achava ddono dela, mesmo que ela já tivesse se separado dele fazia um ano. Na TV é propaganda de mulher gostosa bebendo cerveja gelada e insinuações de pegação. No carnaval de rua, no meio dos blocos, aqui no Rio de Janeiro, os caras chegam, sem mais nem menos, querendo beijar as garotas. E elas se deixam, na 'Boa' (sacou o trocadilho?). A diversão e a alegria é contabilizada pelos porres e pelos beijos: quanto mais latinhas de cerveja jogada nas ruas e mais parceiros, mais diversão e alegria. Há uma euforia no ar que naturalizou a pegação e ninguém se sente mais invadido ou invadindo, por causa disso.
Fui com minha namorada pular em um bloco desses e, no meio da multidão, um cara tenta dar um beijo nela, sem mais nem menos, mesmo com ela de mãos dadas comigo. Isso, depois que vários caras tentaram apalpar ela, quando a gente se soltava. Ela desviou o rosto e quando ele passou por mim, tentei parecer bem humorado e levei meus lábios para beijar os dele, que se afastou. E, subitamente, me peguei 'naturalizando', também, a invasão do sujeito, porque não era uma resposta de bom humor que eu tinha que ter dado, mas uma bronca no cara que o desmoralizasse, afinal que tipo de intimidade ele achava que podia usufruir de estranhos? E outra, se ele estava arriscando um beijo, podia levar um tapa, também, não?
Eu não quero passar por moralista, mas eu sempre tive uma regra de conduta que, no mínimo, dependia de um cortejo, de um jogo de sedução, um flerte, de um aceite da garota para eu chegar mais perto e trocar um beijo, mesmo que eu estivesse bêbado e fosse carnaval. Creio que essa regra da contabilidade e essa naturalização da pegação não é legal nem para o homem nem para a mulher. No fundo, porque é uma instauração do machismo pelo acúmulo, pela ordem numérica e pelo fato de que, se todas as mulheres são putas, com que mulher será possivel ter uma relação de confiança? Na 'Boa', se a mãe não quer ir com o filho brincar no bloco de carnaval, porque é que eu iria ficar à vontade, com minha mulher, lá? Para o filho dela tentar agarrar minha namorada? Isso não é diversão e alegria, isso é um porre!
Fui com minha namorada pular em um bloco desses e, no meio da multidão, um cara tenta dar um beijo nela, sem mais nem menos, mesmo com ela de mãos dadas comigo. Isso, depois que vários caras tentaram apalpar ela, quando a gente se soltava. Ela desviou o rosto e quando ele passou por mim, tentei parecer bem humorado e levei meus lábios para beijar os dele, que se afastou. E, subitamente, me peguei 'naturalizando', também, a invasão do sujeito, porque não era uma resposta de bom humor que eu tinha que ter dado, mas uma bronca no cara que o desmoralizasse, afinal que tipo de intimidade ele achava que podia usufruir de estranhos? E outra, se ele estava arriscando um beijo, podia levar um tapa, também, não?
Eu não quero passar por moralista, mas eu sempre tive uma regra de conduta que, no mínimo, dependia de um cortejo, de um jogo de sedução, um flerte, de um aceite da garota para eu chegar mais perto e trocar um beijo, mesmo que eu estivesse bêbado e fosse carnaval. Creio que essa regra da contabilidade e essa naturalização da pegação não é legal nem para o homem nem para a mulher. No fundo, porque é uma instauração do machismo pelo acúmulo, pela ordem numérica e pelo fato de que, se todas as mulheres são putas, com que mulher será possivel ter uma relação de confiança? Na 'Boa', se a mãe não quer ir com o filho brincar no bloco de carnaval, porque é que eu iria ficar à vontade, com minha mulher, lá? Para o filho dela tentar agarrar minha namorada? Isso não é diversão e alegria, isso é um porre!
Mega sena e compadrio à brasileira
As pessoas reclamam da falta de honestidade dos políticos, mas esse caso de Novo Hamburgo é a cara do compadrio que coloca a cerca para dentro da propriedade do vizinho; desvia uma vaca do pasto alheio e dá um perdido na hora que o capataz sai procurando pelo animal. Isso é uma praga que prolifera como se fosse natural. É o abuso da confiança e a facilidade da proximidade, quando vê a oportunidade de se passar por amigão, bom parente, dizendo que vai cuidar de algo do outro, mas sempre de olho na vantagem que podem levar, desviando um pouquinho aqui, outro ali, em benefício próprio. E depois faze cara de tonto quando é descoberto. E diz que não é com ele. Que foi um erro de cálculo, ou culpa do empregado. E vão pra missa, pedir a Deus que os ajude a melhorar de vida, para ajudar aos outros, também. Em Novo Hamburgo não foi diferente, pelo menos é o que parece, até agora. Quantos bolões, o cara pode ter deixado de apostar, desviando a grana para o próprio bolso? Sem entregar nenhum recibo aos apostadores, ficava fácil faturar aqui e ali... até que algum bilhete fosse premiado.
E agora? Bem, a coisa tem que ir para a justiça, claro. Mas a Caixa deverá ou regularizar os bolões, ou proíbi-los, já que a pessoa que compra uma fração dessas, pode estar à mercê de mil variantes, entre elas, a impressão errada, o empregado desatento, ou, mesmo, má fé.
20 de fev. de 2010
Sieber, exato!
O lugar certo para ficar um quadro do Romero Brito, ou seja nas páginas das histórias em quadrinhos do Alan Sieber. Aqui, o Estagiário dá uma cagada sorrateira na privada do chefão autoritário, dono de uma Agência de Publicidade.
26 de jan. de 2010
REVISTA GLOBAL
Amigos,
A Revista Global agora está online. E é 2.0. Vcs podem ler e folhear a edição on line. E tambem rever as edições anteriores.
Então espalhe a notícia pelas suas redes, e siga a revista tambem pelo twiter...
Em breve, a revista vai ter sua artegaleria.
Abraços,
Barbara Szaniecki
23 de jan. de 2010
Rancière
"O regime estético da arte é atravessado pelo projeto de uma arte que realiza suas potencialidades essenciais ultrapassando a si mesma, criando, como diz Malevitch, não quadros, mas sim formas de vida. A revolução estética não somente se ligou à revolução social, como também lhe forneceu modelos. O que se passou na Rússia soviética não foi o confronto entre a política e a arte, foi o confronto entre uma política da arte revolucionária, criadora de formas de vida, e a visão estática da arte como ilustração da revolução social."
Jacques Rancière A política da estética
Jacques Rancière A política da estética
16 de jan. de 2010
O Haiti daqui
Seria cômico, não fosse trágico
Com uma bela "barriga", o jornal da zona sul carioca, O Globo, subscreve pedido de desculpas do cônsul geral do Haiti, em São Paulo, em que este diz ter tido um avô negro, que foi presidente da república do Haiti, no século XIV. É demais, não? Para quem disse que o desastre foi bom para dar visibilidade ao país e que a culpa é dos negros que se espalharam pelo mundo fazendo macumba e que isso não pode trazer coisa boa, parece fazer até sentido. Segundo a mesma reportagem, a sala do tal cônsul é recheada de fotos do mesmo abraçado com, ninguém menos que João Figueiredo e o ex-presidente Collor de Mello. Que tragédia!
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/01/15/ha-35-anos-no-brasil-consul-do-haiti-diz-que-foi-mal-interpretado-por-causa-de-seu-portugues-ruim-915539082.asp
Com uma bela "barriga", o jornal da zona sul carioca, O Globo, subscreve pedido de desculpas do cônsul geral do Haiti, em São Paulo, em que este diz ter tido um avô negro, que foi presidente da república do Haiti, no século XIV. É demais, não? Para quem disse que o desastre foi bom para dar visibilidade ao país e que a culpa é dos negros que se espalharam pelo mundo fazendo macumba e que isso não pode trazer coisa boa, parece fazer até sentido. Segundo a mesma reportagem, a sala do tal cônsul é recheada de fotos do mesmo abraçado com, ninguém menos que João Figueiredo e o ex-presidente Collor de Mello. Que tragédia!
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/01/15/ha-35-anos-no-brasil-consul-do-haiti-diz-que-foi-mal-interpretado-por-causa-de-seu-portugues-ruim-915539082.asp
10 de jan. de 2010
8 de jan. de 2010
HOMENAGEM AO MENDIGO DE RUA 2
Hoje a qualidade de vida do discurso não é universalista, no sentido de propor a igualdade para todas as pessoas. É universalista, no sentido de postular uma essência humana que engloba todas as pessoas em um todo e, desta forma, neutraliza as diferenças e apaga as desigualdades concretas.
Rosalind Deutsche - public espace
7 de jan. de 2010
5 de dez. de 2009
Coleção Grandes Corruptos
De vez em quando eu recebo notícias do paraná... pelo belinatti, sempre do lado da direita populista e integrante da corrente desenvolvimentista, cuja ideologia passa pelo Paraná, na década de 70, via acordos da fundação ford com o cebrap que, para tirar os milicos truculentos e nacionalistas do poder se juntaram ao neoliberais do mdb. Ao criar 5 mil casas populares na perfiferia de Londrina, calou a boca dos miseráveis explusos da terra pelo latifúndio monoculturista, encheu os imobiliárias e especuladores de terra de grana, fez da Votorantim a maior empresa de cimento do país, em um discurso que era um ode ao trabalho e com a desculpa de que, quem acabou com o cafezal foi a "geada negra" e o sindicato rural que só queria extorquir os coitados dos patrões.
Um desses monstrons criados foi, justamente Antonio Belinati, uma refêrencia no quesito corrupção, 3 vezes prefeito de Londrina e se não foi 4 foi porque a justiça não deixou ele assumir, depois de ter ganho as últimas eleições para prefeito. Em um momento em que aperecem outras monstruosidades como o caso do DF, com deputados rezando depois de meter a mão em propina e governador do DEM mostrando a verdadeira face do seu partido, Belinati continua mandando emails a possíveis correligionários, como se estivesse trabalhando, de fato, em favor, do povo. Camêras de segurança para defender a propriedade privada desses ratos que se enriqueceram à custa do dinheiro público e da miséria do do povo do país. A direita corrupta e desenvolvimentista continua viva, não se enganem.
---------- Forwarded message ----------
From: deputadobelinati
Date: 2009/12/5
Subject: Projeto- Cameras nas viaturas policiais
To:
Um desses monstrons criados foi, justamente Antonio Belinati, uma refêrencia no quesito corrupção, 3 vezes prefeito de Londrina e se não foi 4 foi porque a justiça não deixou ele assumir, depois de ter ganho as últimas eleições para prefeito. Em um momento em que aperecem outras monstruosidades como o caso do DF, com deputados rezando depois de meter a mão em propina e governador do DEM mostrando a verdadeira face do seu partido, Belinati continua mandando emails a possíveis correligionários, como se estivesse trabalhando, de fato, em favor, do povo. Camêras de segurança para defender a propriedade privada desses ratos que se enriqueceram à custa do dinheiro público e da miséria do do povo do país. A direita corrupta e desenvolvimentista continua viva, não se enganem.
---------- Forwarded message ----------
From: deputadobelinati
Date: 2009/12/5
Subject: Projeto- Cameras nas viaturas policiais
To:
2ª feira apresentaremos na Assembleia Legislativa projeto de lei tornando obrigatória a implantação de câmeras em todos os veículos e viaturas das Polícias Civil e Militar e Defesa Civil do Paraná.
A televisão mostra,com frequência, em países de 1º mundo, a filmagem de perseguições policiais contra marginais ou a motoristas embriagados. No Brasil, infelizmente, os veículos policiais ainda não possuem essas câmeras. Elas servem, muitas vezes, para comprovar que a perseguição policial se justificava, resguardando a integridade do policial contra eventual acusação por parte do infrator. Creio que havendo a adaptação dessas câmeras, as famílias paranaenses poderão ser contempladas com um pouco mais de segurança. Espero confiante que o meu projeto seja aprovado. Cordialmente - Deputado Antonio Belinati
1 de dez. de 2009
20 de nov. de 2009
DIA DA CONSCIÊNCIA HUMANA!
Negro é forte
negro é bom
negro é lindo.
Mas onde estão os negros
que não vem aquí, agora
salvar o índio que sou?
Pedro Índio Negro que sou?
Por favor,
negros fortes
negros bons
negros lindos
me salvem!
Sou da nação jaguaribe
carroção da miséria
civilizada
que desce e sobe ladeiras
neste momento
rumando o infinito
rumando o futuro
futuro sem índios
futuro sem nós.
Por favor
desatem os nós
do sentimento público
da amizade solidária, sincera
agora.
Acudam os que não puderam
chegar a tempo
para o grande baile
das elites
equivocadas elites brancas
equivocadas elites negras
formadas pelo formol
do capital da casa grande.
Voces sabem de mim
eu sou o índio irmão
aquele que o trator da indiferença
e da impunidade pisoteou
e que não pôde mais
chegar a tempo
para essa festa da vida
que voces tanto batucam
nos terreiros.
Eu sou irmão de vocês!
eu sou amigo de vocês, não lembram?
mas sou, principalmente
a luz da floresta devastada
em que nos perdemos
e nos achamos
pelos quilombos
e resistencias
a declarar.
Vocês devem lembrar de mim
companheiros, camaradas
pois estivemos juntos
na vida dos quilombos
lutamos todos
em mutirão
em multidão
em vida, em morte
para afirmar a irmandade
dos que pensam e agem
a liberdade.
Hoje voces assumiram
o poder da senzala
dos quilombos
e da casa grande
o poder da mídia
e das passarelas da moda
estão nas novelas
e no jornal nacional
para dizer que o passado
ficou no passado
e que o presente
é a porta aberta
para poucos
os que não conseguiram chegar
a tempo
na grande festa do capital
a festa das elites brancas
e negras
da arena política de sangrar
índio pobre
índio-índio
índio primeiro
do país e da civilização
que o enlatou.
Índio negro louro
índio negro de olhos verdes
índio negro inimigo
dos próprios negros índios.
Luto para ser o negro gente
negro humano
negro da cor indígena.
Luto para crer na vida em comum
vida coletiva das utopias
democráticas
vida sonhadora das fantasias
socialistas
em ser um povo só
desperto para as coletividades
comunitárias
que berram suas calamidades
brancas
para ninguém ouvir.
Eu só queria que você soubesse
negro bom
negro forte
negro lindo
que ser negro
não é so ser preto
não é só ser axé
não é só ser pelé.
Ser negro
é conseguir ser gente
e agente humano
da inteligencia coletiva
e democrática
inteligencia socialista
e libertária
em defesa da vida
em condições de todos
unificado em tantos
aberto ao diálogo
com seus pares e afins
índios negros
sem covardia.
E digo isto daquí
da jaula
da miséria iluiminada dos shoppings
do equivoco fabricado pela traição
nos gabinetes
do incêndio repugnante
da vaidade étnica
como se viver
fosse apenas sorrir.
.............................. .............................. .................
Pedro Osmar. 20.11.2009.
João Pessoa, PB.
18 de nov. de 2009
Em defesa de Battisti
Exmo. Sr. Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva.
Na qualidade de filha de Olga Benário Prestes, extraditada pelo Governo Vargas para a Alemanha nazista, para ser sacrificada numa câmera de gás, sinto-me no dever de subscrever a carta escrita pelo Sr. Carlos Lungarzo da Anistia Internacional (em anexo), na certeza de que seu compromisso com a defesa dos direitos humanos não permitirá que seja cometido pelo Brasil o crime de entregar Cesare Battisti a um destino semelhante ao vivido por minha mãe e minha família.
Atenciosamente,
Anita Leocádia Prestes
Carta aberta de Cesare Battisti a Lula e ao Povo Brasileiro
14 de Novembro de 2009
“CARTA ABERTA”
AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR
LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA
PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
SUPREMO MAGISTRADO DA NAÇÃO BRASILEIRA
AO POVO BRASILEIRO
Luiz Inácio Lula da Silva.
Na qualidade de filha de Olga Benário Prestes, extraditada pelo Governo Vargas para a Alemanha nazista, para ser sacrificada numa câmera de gás, sinto-me no dever de subscrever a carta escrita pelo Sr. Carlos Lungarzo da Anistia Internacional (em anexo), na certeza de que seu compromisso com a defesa dos direitos humanos não permitirá que seja cometido pelo Brasil o crime de entregar Cesare Battisti a um destino semelhante ao vivido por minha mãe e minha família.
Atenciosamente,
Anita Leocádia Prestes
Carta aberta de Cesare Battisti a Lula e ao Povo Brasileiro
14 de Novembro de 2009
“CARTA ABERTA”
AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR
LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA
PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
SUPREMO MAGISTRADO DA NAÇÃO BRASILEIRA
AO POVO BRASILEIRO
“Trinta anos mudam muitas coisas na vida dos homens, e às vezes fazem uma vida toda”. (O homem em revolta - Albert Camus)
Se olharmos um pouco nosso passado a partir de um ponto de vista histórico, quantos entre nós, podem sinceramente dizer que nunca desejou afirmar a própria humanidade, de desenvolvê-la em todos os seus aspectos em uma ampla liberdade. Poucos. Pouquíssimos são os homens e mulheres de minha geração que não sonharam com um mundo diferente, mais justo.
Entretanto, frequentemente, por pura curiosidade ou circunstâncias, somente alguns decidiram lançar-se na luta, sacrificando a própria vida.
A minha história pessoal é notoriamente bastante conhecida para voltar de novo sobre as relações da escolha que me levou à luta armada. Apenas sei que éramos milhares, e que alguns morreram, outros estão presos, e muito exilados.
Sabíamos que podia acabar assim. Quantos foram os exemplos de revolução que faliram e que a história já nos havia revelado? Ainda assim, recomeçamos, erramos e até perdemos. Não tudo! Os sonhos continuam!
Muitas conquistas sociais que hoje os italianos estão usufruindo foram conquistadas graças ao sangue derramado por esses companheiros da utopia. Eu sou fruto desses anos 70, assim como muitos outros aqui no Brasil, inclusive muitos companheiros que hoje são responsáveis pelos destinos do povo brasileiro. Eu na verdade não perdi nada, porque não lutei por algo que podia levar comigo. Mas agora, detido aqui no Brasil não posso aceitar a humilhação de ser tratado de criminoso comum.
Por isso, frente à surpreendente obstinação de alguns ministros do STF que não querem ver o que era realmente a Itália dos anos 70, que me negam a intenção de meus atos; que fecharam os olhos frente à total falta de provas técnicas de minha culpabilidade referente aos quatro homicídios a mim atribuídos; não reconhecem a revelia do meu julgamento; a prescrição e quem sabe qual outro impedimento à extradição.
Além de tudo, é surpreendente e absurdo, que a Itália tenha me condenado por ativismo político e no Brasil alguns poucos teimam em me extraditar com base em envolvimento em crime comum. É um absurdo, principalmente por ter recebido do Governo Brasileiro a condição de refugiado, decisão à qual serei eternamente grato.
E frente ao fato das enormes dificuldades de ganhar essa batalha contra o poderoso governo italiano, o qual usou de todos os argumentos, ferramentas e armas, não me resta outra alternativa a não ser desde agora entrar em “GREVE DE FOME TOTAL”, com o objetivo de que me sejam concedidos os direitos estabelecidos no estatuto do refugiado e preso político. Espero com isso impedir, num último ato de desespero, esta extradição, que para mim equivale a uma pena de morte.
Sempre lutei pela vida, mas se é para morrer, eu estou pronto, mas, nunca pela mão dos meus carrascos. Aqui neste país, no Brasil, continuarei minha luta até o fim, e, embora cansado, jamais vou desistir de lutar pela verdade. A verdade que alguns insistem em não querer ver, e este é o pior dos cegos, aquele que não quer ver.
Findo esta carta, agradecendo aos companheiros que desde o início da minha luta jamais me abandonaram e da mesma forma agradeço àqueles que chegaram de última hora, mas, que têm a mesma importância daqueles que estão ao meu lado desde o princípio de tudo. A vocês os meus sinceros agradecimentos. E como última sugestão eu recomendo que vocês continuem lutando pelos seus ideais, pelas suas convicções. Vale a pena!
Espero que o legado daqueles que tombaram no front da batalha não fique em vão. Podemos até perder uma batalha, mas tenho convicção de que a vitória nesta guerra está reservada aos que lutam pela generosa causa da justiça e da liberdade.
Cesar BattistiDebate sobre reforma agrária na mtv
Assiti a um trecho de um programa do cantor Lobão, que agora faz as vezes de mediador de debates, no qual o assunto era "O MST é um movimento legítimo?". De um lado um representante da UNE, o Doutor Rosinha do PT do Pr e um amigo do MST, que milita em movimentos sociais. Do outro, o conhecido Deputado Ronaldo Caiado, da UDR, um rapaz do "Endireita Brasil" e outro garoto, sei lá, defensor do latifúndio e satanizador do MST, tanto quanto da esquerda, e "desses comunistas que querem transformar o Brasil em uma sucursal de Cuba, onde reina aquele ditador do Fidel Castro, aqui não é a Rússia, não, e..." (bem, acho que todos entenderam a composição da mesa).
Obviamente não se chegou a nenhum consenso como ingenuamente propôs Lobão, clamando pelo entendimento de ambas as partes "sem picuinhas" e na "base do olho no olho", simplesmente porque a questão é uma disputa de espaços de poder e vai ganhar quem estiver mais organizado e quem conseguir expulsar, pelo voto e pelas armas das idéias, o outro, da arena de disputa.
O assunto ficou naquela repetição de bordões entre um lado que defendia o direito à terra e o outro lado, chamando o MST e seus aliados de arruaceiros que só querem implantar o comunismo no Brasil, com esse PT de vagabundos e... (bem, o nível de debate que já nos acostumamos, quando se fala de dividir as terras, no Brasil).
Algumas colocações da direita me parecem tão arcaicas, batidas e reacionárias que ou é preciso ser bastante imbecil para embarcar nesse papo de perigo comunista, ou malvado, de fato, com interesses flagrantes contra a grande maioria da população. Mas esses são, no máximo, 5.000 famílias, umas 30.000 pessoas. As que detém 45% da riqueza nacional. Para os outros 191.995.000 de pessoas restantes, não ha vantagem nenhuma em admitir que só os que são herdeiros possam se beneficiar de tudo o que o mercado oferece, enquanto a maioria do país, pobre, passa necessidade.
Mas a questão não é só essa. Isso o Dr Rosinha e os outros defenderam muito bem, lá no programa do Lobão. A questão é de que o conceito de terra improdutiva não é só o de terras que estão sem plantação, porque isso acaba gerando mais devastação, ainda, no pouco que ainda resta de floresta. O conceito de terra improdutiva deve ser levado - como observa o professor Ariovaldo Umbelino, calcado em leis - na consideração sobre o que o uso da terra produz socialmente e ambientamente. Ora, se a terra só serve para produzir grãos para exportação, não gerando riqueza social à sua volta, não será assim, com bois pastando entre cercas, que a paz há de chegar nem campo, nem tampouco à cidade, uma vez que a violência urbana é consequência direta do latifúndio e da monocultura extensiva concentrada nas mãos de poucos privilegiados.
No fim, ainda, o moleque da direita me sai dizendo que "o mercado é para todos" e eu, antes de desligar a TV, ainda pensei, mas por que é que o tema não foi "o latifúndio é legítimo no país?", ao invés da pergunta ser voltada, novamente e mais uma vez, pela imprensa, ao MST.
Depois de mais de 500 anos de senhores de engenho gananciosos pelas riquezas extrativistas, "os escravos venderão seus donos e criarão asas", como diz a frase final do filme "Cobra Verde", de Win Wenders. E é exatamente isso que estamos começando a aprender a fazer, hoje em dia. E quem prova do gosto do mel e do sangue jamais esquece o sabor.
Obviamente não se chegou a nenhum consenso como ingenuamente propôs Lobão, clamando pelo entendimento de ambas as partes "sem picuinhas" e na "base do olho no olho", simplesmente porque a questão é uma disputa de espaços de poder e vai ganhar quem estiver mais organizado e quem conseguir expulsar, pelo voto e pelas armas das idéias, o outro, da arena de disputa.
O assunto ficou naquela repetição de bordões entre um lado que defendia o direito à terra e o outro lado, chamando o MST e seus aliados de arruaceiros que só querem implantar o comunismo no Brasil, com esse PT de vagabundos e... (bem, o nível de debate que já nos acostumamos, quando se fala de dividir as terras, no Brasil).
Algumas colocações da direita me parecem tão arcaicas, batidas e reacionárias que ou é preciso ser bastante imbecil para embarcar nesse papo de perigo comunista, ou malvado, de fato, com interesses flagrantes contra a grande maioria da população. Mas esses são, no máximo, 5.000 famílias, umas 30.000 pessoas. As que detém 45% da riqueza nacional. Para os outros 191.995.000 de pessoas restantes, não ha vantagem nenhuma em admitir que só os que são herdeiros possam se beneficiar de tudo o que o mercado oferece, enquanto a maioria do país, pobre, passa necessidade.
Mas a questão não é só essa. Isso o Dr Rosinha e os outros defenderam muito bem, lá no programa do Lobão. A questão é de que o conceito de terra improdutiva não é só o de terras que estão sem plantação, porque isso acaba gerando mais devastação, ainda, no pouco que ainda resta de floresta. O conceito de terra improdutiva deve ser levado - como observa o professor Ariovaldo Umbelino, calcado em leis - na consideração sobre o que o uso da terra produz socialmente e ambientamente. Ora, se a terra só serve para produzir grãos para exportação, não gerando riqueza social à sua volta, não será assim, com bois pastando entre cercas, que a paz há de chegar nem campo, nem tampouco à cidade, uma vez que a violência urbana é consequência direta do latifúndio e da monocultura extensiva concentrada nas mãos de poucos privilegiados.
No fim, ainda, o moleque da direita me sai dizendo que "o mercado é para todos" e eu, antes de desligar a TV, ainda pensei, mas por que é que o tema não foi "o latifúndio é legítimo no país?", ao invés da pergunta ser voltada, novamente e mais uma vez, pela imprensa, ao MST.
Depois de mais de 500 anos de senhores de engenho gananciosos pelas riquezas extrativistas, "os escravos venderão seus donos e criarão asas", como diz a frase final do filme "Cobra Verde", de Win Wenders. E é exatamente isso que estamos começando a aprender a fazer, hoje em dia. E quem prova do gosto do mel e do sangue jamais esquece o sabor.
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