30 de out. de 2009

cutrale e o mst

Cutrale, símbolo do agronegócio internacionalizado
por Michelle Amaral da Silva última modificação 23/10/2009 13:43
Colaboradores: Ariovaldo Umbelino

Empresa representa o processo de concentração de terras, produção e capital ensejado pelo modelo de subordinação da agricultura brasileira

Empresa representa o processo de concentração de terras, produção e capital ensejado pelo modelo de subordinação da agricultura brasileira



23/10/2009


Ariovaldo Umbelino


O episodio da ocupação pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de uma das fazendas “invadidas” pela empresa Cutrale, de terras públicas da União na região de Iaras (SP), suscitou todo tipo de especulações na imprensa e, sobretudo, motivou os parlamentares ruralistas a pedirem uma nova CPI do MST e da reforma agrária.


Sobre o caso, ficou evidente a manipulação da mídia ao veicular a cena da derrubada de pés de laranja pelas famílias. Reprisado insistentemente em todos os programas, por todos os canais de televisão, foi o suficiente para demonizar todas aquelas pobres famílias que estão há mais de cinco anos debaixo de lonas pretas esperando o direito de trabalhar na terra.


Vandalismo!

A chamada “grande” imprensa não quis continuar pesquisando as outras denúncias de depredação de máquinas e “roubos” de casas de empregados, pois ficou evidente o circo armado pelo serviço de inteligência da Polícia Militar (PM), em conluio com a empresa, para criar um clima desfavorável às famílias. Logo, todas as autoridades, colunistas, políticos e assemelhados foram para a mídia esbravejar: vandalismo, vandalismo! Sem pensar e se perguntar quem teria feito de fato aquilo.


As famílias negam que tenham furtado qualquer objeto e destruído tratores. Aliás, para destruir tratores, precisariam, convenhamos, de uma certa dose de força bruta. E mais. Por que não se fez uma investigação? Uma simples perícia iria identificar que aqueles tratores estavam desmontados há muito tempo pela oficina de reparos da empresa, existente na fazenda.


Mas tudo isso é manobra dispersiva. Primeiro, para esconder que na região há 200 mil hectares de terras da União que vêm sendo sistematicamente griladas. E griladas por empresas cujos donos circulam por altas rodas da socialite paulistana. Mas mesmo assim o Incra já recuperou mais de 20 mil hectares que hoje assentam famílias de trabalhadores. Segundo, para esconder que a Cutrale “comprou” a área há apenas 5 anos, sabendo que não havia titulação, que havia um processo na Justiça por reintegração de posse pelo Incra. Por que então a Cutrale apostou em comprar terras baratas e griladas e enchê-las de laranja? Graças a seu poder de influência na sociedade brasileira e paulista.


A Cutrale é o símbolo do processo de concentração de terras, produção e capital ensejado por esse modelo de subordinação da agricultura brasileira aos interesses do capital internacional.


Omissão

Ninguém da “grande” imprensa noticiou que a Cutrale possui nada menos do que 30 fazendas em São Paulo e Minas Gerais, totalizando 53.207 hectares. E que, destes, seis fazendas com 8.011 hectares são classificadas pelo Incra, no recente cadastro de 2003, como improdutivas; portanto, passíveis de desapropriação. Entre as 30 fazendas não consta a área grilada de Iaras, pois não é de sua propriedade (veja tabela abaixo).


Uma colunista teve coragem de noticiar os vínculos partidários e as polpudas verbas gastas pela empresa nas campanhas eleitorais, em apoio a todos os partidos.


O fato é que a Cutrale é símbolo desse modelo de agronegócio subordinado ao capital internacional. Uma empresa de origem familiar do interior de São Paulo se vincula ao mercado externo, se associa com a Coca-Cola e passa a controlar, em poucos anos, a maior parte do mercado de laranja do Brasil e 30% de todo o mercado mundial de sucos. Hoje, cerca de 90% do suco produzido no Brasil é exportado.


Monopólio

Em poucos anos, o setor se transformou, de muitas e médias agroindústrias e de milhares de pequenos e médios produtores de laranja, num setor altamente oligopolizado. Hoje são apenas quatro grupos que controlam toda laranja: Cutrale (mais ou menos 60%); Citrosuco; Louis Dreifus Commodities – LDC (francesa); e Citrovita, da Votorantim.


A Cutrale tem esse poder todo porque possui uma empresa associada (joint venture) à Coca-Cola mundial nos EUA, de quem é fornecedora exclusiva em escala mundial. Por isso sua condição de empresa “Ltda.”, pois já é parte (menor) do monopólio mundial da Coca-Cola.

Numa reportagem de 2003, a insuspeita revista Veja denunciou a empresa Cutrale de ter subsidiária nas ilhas Cayman, como forma de aumentar seus lucros, ou quem sabe de evasão fiscal... e saiba Deus mais o quê.


Exploração

Essas empresas passaram a comprar terras e assim garantem uma base da produção de laranja suficiente para impor preços e condições draconianas aos pequenos e médios agricultores que antes produziam laranja para um mercado concorrencial. Os trabalhadores dos laranjais são superexplorados com salários ridículos, pagos por produção, sem nenhum direito trabalhista.


O resultado de todo esse processo foi que milhares de pequenos e médios agricultores tiveram que abandonar a produção de laranja. Entre 1996 e 2006, foram destruídos, segundo o Censo Agropecuário do IBGE, somente em São Paulo, nada menos do que 280 mil hectares de laranjais.


Mas a Globo não fez nenhuma reportagem. Nem o serviço de inteligência da PM de São Paulo se preocupou em filmar porque os pequenos e médios agricultores estavam destruindo seus laranjais!


Os parlamentares ruralistas realmente não têm consciência de sua classe – da burguesia rural. Em vez de defendê-la, ficam sempre puxando o saco da burguesia internacional. Razão tinha mesmo o nosso saudoso Florestan Fernandes: faltou-nos uma revolução burguesa nesse país, que pelo menos lhe desse sentido de classe e consciência de nação.


Ariovaldo Umbelino de Oliveira é doutor em Geografia, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – Departamento de Geografia Humana – da Universidade de São Paulo (USP). É estudioso dos movimentos sociais do campo e da agricultura brasileira e autor de vários livros.

23 de out. de 2009

22 de out. de 2009

juntando peças do quebra cabeças neoliberal


http://pscandiru.blogspot.com/

Leia no blog acima crítica sobre o livro "Quem pagou a conta?" E, abaixo, meu comentário/reflexivo/histórico.





Alou, Candiru, muito bem posicionado seu blog. Passei aqui através de um reenvio de uma amiga, a Regina.
Sou do norte do Paraná e lá, em 1975, teve uma geada muito forte que queimou a plantação de café, que empregava muita gente no campo. Depois disso, com a desculpa da geada e com acusações ao Sindicato Rural dos Trabalhadores Rurais, tudo se transformou em plantação de soja e aconteceu um dos grandes êxodos da história da humanidade, até hoje pouco falado. e, menos, ainda, analisado.
As famílias foram mandadas embora para a cidade, que as recebiam com a promessa de casa popular para morar e emprego nas emergentes indústrias de Londrina e região.
Ganharam as fábricas de cimento; ganhou o setor imobiliarista, que agenciou os negócios, principalmente entre a periferia e o centro da cidade, por onde passaram as infra-estruturas, como asfalto, luz, água encanada, etc.; ganharam as empresas com negócios multinacionais para instalar industrias na região, ganharam os grandes fazendeiros exportando soja e comprando terras de quem não podia investir em maquinários e agrotóxico; ganharam, mais uma vez, os fazendeiros, com facilidades de financiamento de produção e, depois, requisitando - e conseguindo - pró-agro (perdão de dívidas por baixa produtividade na safra)para gastar onde quisessem.
Claro, ganhou os EUA (não vamos dizer americanos, pois isso é assumir o discursos imperialista. Americanos somos todos nós, da América)vendendo implementos, agrotóxicos, fertilizantes e comprando a safra, com preço baseado na bolsa de Chicago.
Sairam os militares, truculentos, ruins de negócio, entraram os neoliberais, primeiro do mdb, depois do pmdb, que ainda fundamentavam sua prática em discursos sociais e progressista (a venda da ilusão do ufanismo desenvolvimentista continua até hoje, tristemente).
Bem, aqueles ex-empregados da lavoura, enganados com a promessa de felicidade na cidade, que sempre foram tratados como escravos, sem direito à carteira assinada, por exemplo, viraram, em sua maioria, favelados. Londrina é uma das cidades mais violentas do país, em relação ao número de habitantes.
Tanto os grandes fazendeiros, quanto aqueles que venderam suas terras e estavam com algum dinheiro no bolso, quanto os que não tinham nada, acabaram indo para outra "terra virgem", fazer o que tinha de ser feito: devastar. E, assim, o Mato Grosso foi invadido pelos norte-paranaenses (não só estes), oferecendo riqueza extrativista e, depois, dá-lhe boi, dá-lhe soja.
Juntando o quebra-cabeça, veja você: Fernando Henrique fundando o CEPRAP, com dinheiro da Fundação Ford. 1975, a tal da geada "negra". E, depois, o Consenso de Washington. Tudo armado para 2 mandatos de FHC, para realizar a privatização do Estado.
O norte do Paraná virou um deserto de soja e não há mais árvores, pássaros e águas limpas que possam ser vistas, olhando aquele solo liso como uma mesa, coberto de terra roxa.
Conhecer os mecanismos que engrendam o poder talvez nos auxilie a desmontá-lo, também, e recolocar, em seu lugar, um outro ponto de vista que seja agregadopr de forças para nós possamos construir, de fato, não só a nossa real independência, mas um futuro de justiça social com preservação ambiental.

19 de out. de 2009

Bresser Pereira e as laranjeiras

BRESSER-PEREIRA: O MST é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela "fúria de militantes irracionais" .

19/10/2009 - 09:54:00

Indignação com as laranjeiras
Por LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
(foto)

Por que não nos indignamos com a captura do patrimônio público que ocorre todos os dias em nosso país?



HÁ UMA semana, duas queridas amigas disseram-me da sua indignação contra os invasores de uma fazenda e a destruição de pés de laranja. Uma delas perguntou-me antes de qualquer outra palavra: "E as laranjeiras? " -como se na pergunta tudo estivesse dito.
Essa reação foi provavelmente repetida por muitos brasileiros que viram na TV aquelas cenas. Não vou defender o MST pela ação, embora esteja claro para mim que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Mas não vou também condená-lo ao fogo do inferno. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela "fúria de militantes irracionais" .
Quando ouvi o relato indignado, perguntei à amiga por que o MST havia feito aquilo. Sua resposta foi o que ouvira na TV de uma das mulheres que participara da invasão: "Para plantar feijão". Não tinha outra resposta porque o noticiário televisivo omitiu as razões: primeiro, que a fazenda é fruto de grilagem contestada pelo Incra; segundo, que, conforme a frase igualmente indignada de um dos dirigentes do MST publicada nesta Folha em 11 deste mês, "transformaram suco de laranja em seres humanos, como se nós tivéssemos destruído uma geração; o que o MST quis demonstrar foi que somos contra a monocultura" .
Talvez os dois argumentos não sejam suficientes para justificar a ação, mas não devemos esquecer que a lógica dos movimentos populares implica sempre algum desrespeito à lei. Não deixa de ser surpreendente indignação tão grande contra ofensa tão pequena se a comparamos, por exemplo, com o pagamento, pelo Estado brasileiro, de bilhões de reais em juros calculados segundo taxas injustificáveis ou com a formação de cartéis para ganhar concorrências públicas ou com remunerações a funcionários públicos que nada têm a ver com o valor de seu trabalho.
Por que não nos indignarmos com o fenômeno mais amplo da captura ou privatização do patrimônio público que ocorre todos os dias no país? Uma resposta a essa pergunta seria a de que os espíritos conservadores estão preocupados em resguardar seu valor maior -o princípio da ordem-, que estaria sendo ameaçado pelo desrespeito à propriedade.
Enquanto o leitor pensa nessa questão, que talvez favoreça o MST, tenho outra pergunta igualmente incômoda, mas, desta vez, incômoda para o outro lado: por que os economistas que criticam a suposta superioridade da grande exploração agrícola e defendem a agricultura familiar com os argumentos de que ela diminui a desigualdade social, aumenta o emprego e é compatível com a eficiência na produção de um número importante de alimentos não realizam estudos que demonstrem esse fato?
A resposta a essa pergunta pode estar no Censo Agropecuário de 2006: embora ocupe apenas um quarto da área cultivada, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção e emprega quase três quartos da mão de obra no campo.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, nesta Folha listou esses fatos e afirmou que uma "longa jornada de lutas sociais" levou o Estado brasileiro a reconhecer a importância econômica e social da agricultura familiar. Pode ser, mas ainda não entendo por que bons economistas agrícolas não demonstram esse fato com mais clareza. Essa demonstração não seria tão difícil -e talvez ajudasse minhas queridas amigas a não se indignarem tanto com as laranjeiras.

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA , 75, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994". Internet: www.bresserpereira. org.br

bresserpereira@ gmail.com

Fonte Folha de S Paulo

TROPICÁLIA


Dizem que uma das araras da Tropicália, mesmo chamuscada, se salvou do incêndio. Iphan e Ibama agora discutem o destino da pobre ave, que, chorando em um dos cantos da casa do jardim botânico, apenas repetia: "CRÉU, CRÉU"

Repensando a obra de HO

ESSE TEXTO ESCREVI EM 2007. ACHO PERTINENTE, TAMBÉM, COMO FORMA DE REPENSAR A PARTIR DA TRAGÉDIA ACONTECIDA CXOM A OBRA DE HÉLIO OITITICA, ANTEONTEM, 17 DE OUTUBRO DE 2009



OITICICA COMO UM CAFONA QUALQUER
Por Rubens Pileggi Sá

“Lembro-me de como Mondrian, por exemplo, é injustiçado ao ser colocado tão esteticamente dentro de vidro, em larguíssimas molduras inteligentemente boladas para suas obras, em lindas salas, como um acadêmico cafona qualquer”.
H.O. in Aspiro ao Grande Labirinto (1984: P118)

Emoções de fim de ano
E não é que o clima de fim de ano na seara das artes plásticas esquentou, mesmo? Entre algumas polêmicas, pode-se contar a contenda da crítica feita por Camillo Osorio sobre o cuidado das peças e do destino do Centro de Arte Hélio Oiticica e a resposta dada por César Oiticica, diretor e dono particular das obras do irmão, que respondeu irado às colocações do crítico de O Globo; outra que deu o que falar foi a do anúncio da Bienal do Vazio, proposta pelo curador Ivo Mesquita, que deixará o segundo andar do pavilhão da Bienal de São Paulo, ano que vem, sem obras, causando uma tremenda celeuma no meio artístico e; essa última agora, iniciada pelo jornalista da Folha de São Paulo, Luciano Trigo, sobre obras que levam maçã, mármore e paçoca de amendoim para as galerias de arte, no país da tropa da elite.

Releituras como posição crítica
A primeira coisa que é possível levantar dessas questões todas, é que se repetem muito os personagens – ou seus similares - comandando a direção dos debates que foram desenvolvidos há mais de 40 anos atrás e que, uma boa (re)leitura das propostas daquele momento, nos faria (re)pensar vários desdobramentos das artes tupiniquim, particularmente esse das metáforas artísticas e sua realização formal. Não que tais personagens e modelos deixem de ter suas razões para estarem no campo de debates, mas como é que as dissonâncias de discurso simplesmente parecem não possuir tal força ativa dentro do circuito, como se fossem incapazes de criar significação dentro da mesma situação? Uma coisa é certa, quando o “contramodelo” – como diz Hal Foster, in Recodificacação, de 1996 – passa a se tornar, ele também, um padrão imposto, todo o discurso transformador incorporando a pulverização e a heterogeneidade deixa de acontecer, ou é tomado como desagregação.

O museu é o mundo
Só para esclarecer, uma dessas possibilidades de interpretação pode ser encontrada nos escritos de julho de 1966, de H.O., onde, em vários trechos, fica clara sua “posição social-ambiental”, sua posição poético-política, ao dizer que “tal posição só poderá ser aqui uma posição totalmente anárquica, tal o grau de liberdade implícito nela”. Escrevendo sobre “leis interiores se refazendo constantemente” na obra, diz que “o museu é o mundo”. Vejamos isso, onde ele toca no assunto da exibição de suas obras: “de nada significa ‘expor’ tais peças (seria um interesse parcial menor), mas sim a criação de espaços estruturados, livres ao mesmo tempo à participação e invenção criativa do espectador”. E o que dizer quando o assunto é a “obra-obra”, que foi a apropriação de um conserto público que estava sendo realizado nas ruas do Rio de Janeiro, do qual o artista se “apossou”, durante alguns momentos, de algo que estava acontecendo, chamando isso de “manifestação ambiental”? Quando Oiticica fala da “consciência de um não-condicionamento das estruturas estabelecidas” (4 de março de 1968) não é do acondicionamento de obras em museus e galerias, ou da herança de resíduos materiais o assunto tratado, mas de uma experiência onde o participante é transformado pela obra e a obra, por sua vez, é dada à modificação. Assim, o tempo enquanto processo não pode ser congelado.

O paradoxo da incompletude
Um garoto começando a entrar/estudar (sobre) arte, lendo H.O., não vai poder mais acreditar em pureza (“a pureza é um mito”), vai querer ir direto para a experiência “suprasensorial” como um dado da realidade. Só que, como faltam os tais “contramodelos” abrigando a possibilidade de experiências estéticas dissolvidas na vida, esse mesmo garoto vai acabar caindo nas informações da Folha de São Paulo e no(a) Globo e vai sentir, no mínimo, que alguma coisa está incompleta, ao ver um H.O. colocado tão esteticamente em lindas salas, “como um acadêmico cafona qualquer”. E como o discurso da incompletude também foi padronizado, nosso garoto, coitado, vai pensar que o esquizofrênico é ele, não nossa época.

No direito de reivindicar
Certamente a arte como um jogo de formas mais ou menos artesanais, feita seja do material que for, mesmo uma pintura, continua e continuará existindo. Bem como a arte feita em computador, dita virtual, ou a que se utiliza de meios híbridos para se realizar, não será o futuro da arte. Não sejamos ingênuos.
Mesmo a arte “desmaterializada” que vem acontecendo há anos, ou, “um estado de arte sem arte” – pensada através das propostas de uma artista como Lygia Clark – já não causa mais nenhum choque como antes. Mas a verdade é que ela ficou “escondida” no meio de tantas metáforas, citacionismos e subjetividades produzidas como linguagem, que só há pouco tempo se viu no direito de reivindicar um lugar ao sol, afinal, em seu estatuto – Situacionismo, Fluxus, Nova Objetividade, Arte Conceitual, etc. – cria a relação entre arte e vida.

Estudo de casos

Três casos bastam como ilustração de caso, onde – não é que a forma deixe de ser levada em consideração, ou o artesanato da feitura do trabalho seja excluído, ou que prescinda de tecnologia eletrônica para sua existência – o dado real fala por si, a relação do espectador com a obra é levada em consideração e o tempo é parte do processo.
O primeiro é de Ricardo Basbaum, particularmente dos trabalhos em que ele coloca um sofá, algumas plantas, algum diagrama, um monitor acoplado a uma câmera de vídeo, dentro de um ambiente bastante familiar. Quando uma pessoa passa pelo vídeo, sua imagem é capturada e remetida para o monitor de tv, criando assim uma espécie de estranhamento da própria familiaridade distanciada que aquilo parecia possuir.


O segundo caso ilustrativo das mesmas concepções criativas que levam as possibilidades ambientais/vivenciais ao extremo, foi o evento organizado por Bob N no MAC Niterói, em novembro passado, intitulado “Visões do Paraíso”. Além de ser ao “ar livre”, parecia um vernissage cuja obra era o próprio ato de estar ali. Foi oferecido, a quem quisesse, algumas espumas forradas com tecido azul para se sentar, peixe frito e música, comandada por Djs. Se for possível pensar em uma metáfora para isso, poderíamos levar em consideração a própria paisagem, concebida pelo artista como uma visão.


O terceiro caso ilustrativo é o mais “desmaterializado” de todos. Aqui a obra acontece enquanto está sendo transmitida pela internet, em tempo real. Fora isso, alguns textos que ficam no blog e o registro de fotos e ou vídeos é tudo o que sobra. Trata-se do trabalho do Orquestra Organismo (http://www.organismo.art.br/), um grupo nascido em Curitiba, cujos integrantes são músicos, artistas plásticos e outros colaboradores que se reúnem para qualquer tipo de atividade que considerem interessante, ou que, a partir de uma situação dada, possam desenvolver criações que vão de encontros de confraternização – físicos e virtuais – à invenção de gambiarras tecnológicas. Como eles próprios colocam: “(o coletivo) dedica-se à recombinação e abertura de códigos de conhecimento”.

Contra o conformismo
Para uma idéia geral da diversidade de horizontes que se abrem hoje em dia, além das polêmicas pontuais, outros vários casos podem vir à tona. Mostra que a herança maior que um artista como H.O. deixou foi sua lucidez e a capacidade de pensar sua obra inserida na transformação da realidade. E é preciso entender isso como motivação de ação, ímpeto ao fluxo, não congelamento de uma arte dada como objeto de museu, envolvida em mil metáforas citacionistas, fechada em si.
Fica aqui uma convocação geral à releitura de certas visões dadas como definitivas. Começar pelos textos de H.O. é um bom caminho para enfrentar as “adversidades” do discurso padrão que quer fazer dele um “cafona qualquer”.

Incêndio no H.O. e retomada de questões

ESSE TEXTO ABAIXO ESCREVI NA OCASIÃO DA EXIBIÇÃO DA MOSTRA TROPICÁLIA, EM 2007, no MAM, Rio de Janeiro. ACHO QUE DÁ UMAS PISTAS PARA PENSAR SOBRE A OBRA DE HÉLIO OITICICA


A remontagem como documento

“Mondrian Barato

Contra o acumulativo acumulado mesmo, principalmente a acumulação da sapiência – cúmulo da comilância (sic)”

(Wally Salomão, Babilaques)


1 – Conceituada como um grande acontecimento, incluída no calendário de museus da Europa e dos Estados Unidos, a mostra Tropicália, de curadoria do argentino Carlos Basualdo, atualmente em cartaz no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, faz uma homenagem/rememoração dos 40 anos do movimento Tropicalista, no Brasil. A montagem privilegia um recorte histórico, apresentando o trabalho de artistas atuantes à época, com outros, contemporâneos, cujos trabalhos se relacionam com aquelas idéias desenvolvidas por Hélio Oiticica e seus companheiros de neoconcretismo.

2 – O movimento Tropicalista – honra e glória da arte verde-amarela – enfim, passa por um momento de reconhecimento internacional, trazendo divisas de todas as espécies para terras tupiniquins. Hélio Oiticica, Lygia Clark, Caetano Veloso, Gilberto Gil e todos os demais – grandes – daquele fértil período, conquistam, cada vez mais, o mundo globalizado. Como diz Tom Zé – outro tropicalista – sobre a Bossa Nova, o Brasil deixa de exportar a mais baixa forma de geração de capital, que é a matéria-prima do extrativismo, para exportar a mais alta forma de trabalho humano, que é fruto do espírito: a arte.

3 – Abacaxi, banana, mulata, samba, carnaval, futebol, programas populares de televisão, favela, animais e aves silvestres, paisagem, beleza natural. O exótico passa, com o Tropicalismo, a ser assumido como parte das composições musicais, como tema para pinturas, esculturas, dramaturgia, etc. Serve como exaltação, denúncia, inspiração para um país mergulhado na ditadura e em processo de industrialização. Guitarras elétricas invadem a música popular. Materiais não considerados como “artísticos”, como pedrinhas, plásticos, sacos, coisas ordinárias, passam a fazer parte dos ateliês dos artistas. Saem do espaço plano do quadro pendurado na parede para o espaço tridimensional, incorporando o entorno, a paisagem, a arquitetura. Mudam a maneira de ver e pensar a arte.

4 – Já no Manifesto Neoconcreto, de 1959, assinado por Ferreira Gullar e outros, é clara a questão do tempo e do processo como parte sensível da obra. Portanto, a questão do público como participante do trabalho artístico já estava sendo apontada pelo menos 8 anos antes da mostra Nova Objetividade Brasileira, cuja obra Tropicália foi montada pela primeira vez, no mesmo MAM que ora a vê remontada.

Além disso, o que torna radical a transformação conquistada a duras penas pelos artistas daquela época, é o fato de terem levado a questão da arte para além da obra, destacando a questão processual, participativa, cujo acontecimento artístico só poderia ser experimentado caso o público interagisse com a proposta do artista: o público modifica a obra e a obra modifica o público. Então, o público se modifica e a obra, também. Tudo passa a ser uma questão de contexto. Já não faz mais sentido criar uma obra para a eternidade congelada, mas para que ela seja uma proposta de transformação no tempo, além de uma incorporação no espaço onde ela é apresentada. É isso que tem feito nossa arte ser “descoberta” lá fora, quando a famosa idéia de “desmaterialização” ganha um terreno aberto, capaz de criar toda espécie de conexão com os experimentos mais interessantes realizados tanto na arte digital quanto na chamada arte ativista.

5 – Quando Lygia Clark chama de Objetos Relacionais suas invenções, ou quando Hélio Oiticica convoca as pessoas a participarem de suas obras, tal questão é portadora de uma força que hoje já nem damos conta do quanto aquele gesto foi e é radical para a compreensão da questão artística. Guardada as devidas proporções, representa algo como a descoberta da perspectiva, no Renascimento, em relação às figuras toscamente colocadas na superfície dos quadros, na Idade Média.

6 – Mas isso já está colocado, de todo modo. O que interessa aqui, depois de todos esses preâmbulos, é pensar se a remontagem de um desses trabalhos pode ser considerada um original da obra do artista, ou se um trabalho portador dessa radicalidade conceitual não se transformaria apenas em um objeto morto, de Museu, como texto relatando um caso, em uma época passada. Digamos, como o registro em vídeo, ou em foto, de um acontecimento. Apenas um documento, ou um testemunho do que foi aquilo, em certo momento.

Por exemplo, os remakes dos Parangolés – capas para serem vestidas – de Oiticica, podem ser considerados uma experiência artística, para quem os usa, no Museu? “As crianças da escola entraram no Penetrável Tropicália”: é correta esta sentença? Seria menos “arte” a experiência caso elas tivessem contato com a obra, por livro, em suas escolas?

7 – Vejamos o que diz Ferreira Gullar, no Manifesto Neoconcretista, de 1959 – assinado inclusive por Lygia Clark – que concebeu a obra de arte como um organismo vivo: “... nem como ‘máquina’ nem como ‘objeto’”. Portanto, uma obra engessada tanto conceitualmente como fisicamente no tempo perderia suas qualidades “orgânicas”.

Sendo assim, estamos em um terreno um pouco menos exato do que aqueles em que se penduravam quadros e o máximo de questões que a (re)montagem poderia despertar estava no debate sobre a arquitetura do lugar onde o trabalho ia ser exposto.

8 – Não é simples o paradoxo. Como remontar uma Lygia Clark atualmente sendo fiel aos seus princípios de criação? Dando bolinhas para as pessoas as pegarem com luvas? Mostrando o plástico que ela usou na época em algum “paciente”? Mostrando fotos? Catálogos de época? Vídeos que foram realizados sobre seu trabalho?

Vamos pensar o seguinte: um bom material documental não seria o suficiente para colocar o público (o cliente dos tempos neoliberais) do Museu em contato com a obra Tropicália? Mais, chegando ao absurdo: não sendo suficientes a documentação de época, seria possível pensar em remontar a Tropicália só para fotografá-la e mostrar esse material, poupando a questão ridícula da prisão das araras tratadas como objetos de arte? Mais uma bala na agulha: tomar os enunciados de Oiticica sobre o próprio “ambiente” em discussão e levar as pessoas para ver “um fundo de uma chácara” como colocado em seus escritos? Talvez isso estivesse mais próximo ao caminho revolucionário proposto por esse artista que inventou a “probjetessência” – um tapete jogado ao chão como possibilidade de ser isso uma situação de arte – como se coloca nas correspondências trocadas entre HO e LC.

9 – De fato, é uma grande mostra essa exibição no MAM, mas deve ser vista como um documento de época, onde as remontagens decoram o discurso da arte. E não como arte, exatamente, uma vez que esta se modifica no momento mesmo em que é lançada, capturando o público participante que interage com a obra, modificando e sendo modificado por ela no tempo e no espaço.

7 de out. de 2009

VIKTOR FRESO - WORK WITH MODEL 2006/2008

TAPA
MARTINA, 19

SÓ O ESSENCIAL

http://www.viktorfreso.com/

2 de out. de 2009

A violência com espetáculo

http://www.outubrovermelho.com.br/2009/10/01/salve-geral-gera-protesto-no-cinema/

SALVE GERAL GERA PROTESTO NO CINEMA

No dia de estréia de Salve Geral nos cinemas nacionais, as mães, familiares e amigos das vítimas do massacre de maio de 2006 vão para a frente do espaço Unib(r)anco para protestar contra a espetacularização de seus sofirmentos e para reivindicar justiça e apuração dos crimes atrozes cometidos pelas forças estatais.

Segue carta a ser distribuída durante o ato.

Ato Político-Cultural na estréia do filme “Salve Geral”

SALVE A VERDADE E A JUSTIÇA!!! O ESTADO NO BANCO DOS RÉUS!!!
CONTRA O GENOCÍDIO DA JUVENTUDE POBRE E NEGRA!!!

Sexta-feira, 02 de Outubro de 2009, às 18hs
em frente ao Espaço Unibanco de Cinema
(Rua Augusta, 1475 – próximo à esquina com a Av. Paulista)

— pedimos para que tragam velas, tambores, fotos e camisetas das vítimas históricas do
Estado Brasileiro (em particular das vítimas dos “Crimes de Maio” de 2006) —

“Nós não queremos saber de ficção, queremos saber da realidade!”
Débora, mãe de vítima dos ataques da polícia em maio/2006

02 de outubro de 2009. Aqui estamos mais um dia. E a história se repetindo como farsa trágica.
Nós seguimos sem ter nada o quê comemorar…
Nós, familiares, amigos e amigas das vítimas dos ataques da polícia durante uma das maiores
chacinas da história brasileira, os “Crimes de Maio” de 2006, não fomos ouvidos durante a
produção deste filme hollywoodiano que hoje é lançado sobre a nossa história: “Salve Geral”.
Não fomos consultados nem convidados pra mais essa festa que os homens armaram pra nos
convencer… Viemos contar nossa história real, que também daria um filme…
Há pouco mais de três anos, o chamado “estado democrático de direito”, por meio de seus
agentes policiais e pára-militares, promoveu um dos mais vergonhosos escândalos da história
brasileira. Durante o mês de maio de 2006, em uma suposta resposta ao que se chamou na
imprensa de “ataques do PCC”, foram assassinadas no mínimo 493 pessoas, entre mortos e
desaparecidos. Sendo que a imensa maioria delas – mais de 400 jovens negros, afro-indígenadescendentes
e pobres – executados sumariamente pela polícia militar do Estado de São Paulo.
Somos centenas de mães, familiares e amigos que tivemos nossos entes queridos assassinados
covardemente, e até hoje seguimos sem qualquer satisfação por parte do estado brasileiro: os
casos permanecem arquivados sem investigação correta para busca da Verdade dos fatos; sem
Julgamentos dos verdadeiros culpados (os agentes do estado brasileiro); sem qualquer
proteção, indenização ou reparação por parte do estado que nos tirou os nossos jovens. Um
estado que ainda insiste em nos sequestrar também o sentimento de Justiça!
O desprezo pela memória e pela história fez ainda que o dia de estréia deste filme “Salve Geral”,
feito com base na nossa dor e que deverá concorrer ao Oscar no ano que vem, coincidisse
também com outra data que é um marco emblemático da injustiça e da violência do Estado
Brasileiro contra seus próprios cidadãos pobres, indígena-descendentes e negros em particular.
Há exatos 17 anos, no dia 02 de outubro de 1992, os agentes policiais do Estado de São Paulo
protagonizaram uma outra matança em série, desta vez na Casa de Detenção de São Paulo,
covardemente contra pessoas sob a sua custódia: seres humanos sem qualquer possibilidade de
defesa. Um episódio sangrento que ficou conhecido como “Massacre do Carandiru” e que teve ao
menos 111 pessoas assassinadas por agentes policiais, segundo os números oficiais. Outro
crime em série do Estado Brasileiro que permanece sem investigações corretas, sem julgamento
ou condenação dos verdadeiros culpados – a começar pela alta cúpula do estado, Fleury e cia.
Sem qualquer reparação para as vítimas e seus familiares. Outro episódio que, no entanto, a
indústria cultural conseguiu fazer mais dinheiro em cima da dor das vítimas: produzindo filmes
espetaculares, séries televisivas, livros e outras mercadorias descartáveis. A Verdade e a Justiça
que é bom: mais uma vez não compareceram na estréia…

Relembramos hoje, portanto, que em apenas dois episódios sangrentos só aqui em São Paulo,
MAIS DE 600 VÍTIMAS POBRES E NEGRAS. Isso para não falar das violências e execuções
sumárias cotidianas que atingem sobretudo as periferias urbanas de todo país: uma pesquisa
divulgada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, UNICEF e Observatórios de Favelas,
no dia 21/07/2009, afirma que se as estatísticas permanecerem como estão, mais de 33.5 mil
jovens terão sido executados no Brasil no curto período de 2006 a 2012. Os estudos ainda
apontam que, os jovens negros apresentam risco quase três vezes maior de serem executados
em comparação com os brancos.
Tantos casos e números que são ainda mais impressionantes do que todos os absurdos
cometidos durante a ditadura civil-militar brasileira pelo mesmo estado brasileiro, só que agora
seus agentes matam em nome da “democracia” e da “segurança”. Casos com contornos de
crueldade que só mudam o endereço de região para região do país: a Chacina da
Candelária e de Vigário Geral no Rio de Janeiro (1993), o Massacre de Corumbiara em
Rondônia (1995), o Massacre de Eldorado dos Carajás (1996), a Chacina da Baixada Fluminense
(2005), a chacina do Complexo do Alemão (2007) a chacina de Canabrava, de Plataforma e a
matança generalizada em Salvador na Bahia (2006-2009), entre outros tantos casos no dia-dia
do povo pobre brasileiro. A imensa maioria deles sem investigação correta, muito menos
punição dos seus verdadeiros responsáveis.
Nomes e números que jamais conseguirão traduzir o sentimento de perda e de dor irreparável
das famílias todas: repetimos para nos fazer ouvir que só aqui em São Paulo, durante estes dois
episódios de matança estatal (o “Massacre do Carandiru” e mais recentemente os “Crimes de
Maio de 2006″), foram mais de 600 famílias destruídas e outras milhares dilaceradas pela dor da
perda de seus entes queridos.

ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR O FIM DO GENOCÍDIO CONTRA A CLASSE POBRE, A POPULAÇÃO
INDÍGENA-DESCENDENTE E NEGRA DO BRASIL!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR O FIM DO CHAMADO “AUTO DE RESISTÊNCIA” ou “RESISTÊNCIA
SEGUIDA DE MORTE”, FARSAS LEGAIS QUE TEM INSTITUÍDO E DADO NA PRÁTICA O AVAL
PARA UM VERDADEIRO ESTADO DE SÍTIO NO BRASIL!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR O DESARQUIVAMENTO E A FEDERALIZAÇÃO DAS
INVESTIGAÇÕES SOBRE OS ATAQUES DA POLÍCIA EM MAIO DE 2006, DURANTE OS “CRIMES
DE MAIO”!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR QUE O ESTADO BRASILEIRO E SEUS AGENTES VÃO PARA OS
BANCOS DOS RÉUS!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR A VERDADE E A JUSTIÇA HISTÓRICA SOBRE TODAS AS MORTES
COMETIDAS PELO ESTADO, E A PUNIÇÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR VOZ, PROTEÇÃO, ASSISTÊNCIA, INDENIZAÇÃO E REPARAÇÃO A
TODAS AS FAMÍLIAS DE MORTOS E DESAPARECIDOS, SOBRETUDO PARA AS MÃES E
COMPANHEIRAS DE VÍTIMAS!!!
EM NOME DA MEMÓRIA DE NOSS@S FAMILIARES E NOSS@S AMIG@S
MORT@S OU DESAPARECID@S PELO ESTADO BRASILEIRO
“MÃES DE MAIO” DA ASSOCIAÇÃO AMPARO DE FAMILIARES E VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA

Mais informações: www.maesdemaio.blogspot.com

1 de out. de 2009

Viva a Revolução!


Fábula Real:
Em 1950 o Brasil tinha 50 milhões de habitantes. 70% vivendo no campo.
Em 2009 tem 190 milhões de habitantes. 92% vivendo nas cidades.
Temos a maior concentração de terras do mundo. Só perdendo para o Paraguai, uma vez que as terras paraguaias são propriedades de brasileiros do agro-negócio.
Nosso país possui 48 milhões de hectares de terras produtivas. Destas, 40 milhões plantam-se soja. Dessa quantidade, 80% é para exportação. Desse montante, 80% serve como ração para boi, porco e galinha na Ásia e na Europa, principalmente.
Para abrir mais campos para exportação de soja, no Brasil, enfia-se o gado no meio das florestas e os bichos vão comendo os brotos das árvores que deveriam nascer, sujando a água, até que, uma vez limpo por debaixo da mata, fica fácil cortar as árvores maiores, vender a madeira e plantar... soja para o engrandecimento do agronegócio, geração de impostos com produtos exportáveis, investimentos em tecnologia de exploração da terra e aumento do progresso, com a criação de estradas, luz elétrica, etc.
Nada para a divisão social dos bens gerados pela terra que, do ponto de vista legal continuam improdutivas, pois não geram riquezas no contexto onde são exploradas. Não produzem benefícios sociais. Não geram renda para outros, senão para os donos dos latifúndios monoculturistas.
Parar de comer carne pode ajudar a reverter essa lógica! Em um país que ainda é essencialmente agrícola e que ainda não fez sua reforma agrária, isto é, de fato, uma Revolução!


foto: Su Tomesen

30 de set. de 2009

Vito 5

Regina, juntei vários emails em resposta ao texto sobre o Aconcci, editei-os, tirei o nome das pessoas que enviaram e assuntos paralelos, evitando assim incômodos inúteis e coloquei tudo no meu blog, como segue, abaixo. Acho que está de bom tom, mas se você não aprovar, posso tirar de lá tudo ou partes, ok?

Outra coisa: no final, acho que o debate foi importante, mas eu não gosto de ficar afirmando negações. Prefiro, normalmente, criar caminhos que recoloquem aquilo que ainda não tinha sido pensado, escrevendo e lançando possibilidades propositivas, ainda que não gerem tanta polêmica, assim.

Do meu lado, tenho tentado buscar, cada vez mais, "a poesia que existe nos fatos" e pensando que, se o mundo vai acabar ou não ou se a gente vai descobrir outros planetas para foder, como esse, ou se não vai, o que se pode constatar é que vivemos numa superabundância, na época do consumo e da globalização e, muitas vezes, é preciso saber jogar com essas cartas marcadas, até para questionar, talvez tocar o coração das pessoas com os nosso atos artísticos, mas, certamente, fazer a linguagem vibrar, desdobrar-se e dinamizar uma história na qual eu escolhi estar inserido. Ou seja, isso também é um jogo. E não somos ascetas. E Buda aceitou comer a tigela de arroz que a menina trouxe a ele para não ser arrogante. E Zaratustra desceu a montanha para não ficar na pureza sem poder pregar aquilo que tinha aprendido, ao povo. E eu, não sendo buda, nem Zaratustra, nem monge, nem político, mas artista (e tudo o que implica autodenominar-se assim) e com todos os meus defeitos e dúvidas, só posso encarar essas críticas que eu mesmo faço ao Aconcci com relatividade. Afinal, como disse uma das respostas, o que eu escrevo sobre o outro fala mais de mim do que dele, não é mesmo?

De todo modo, acho que de vez em quando a gente tem que ser, sim, o chato da turma, o Pedro de Lara da Buzina do Chacrinha, até para provocar um pouco a discussão e tirar as pessoas do marasmo da aceitação barata de tudo o que lhes impõem. Relativizando o relativo. Mas se aceitam e são gratas por isso, problema delas, não é mesmo? A gente tem é que continuar nosso caminho, que é feito de flores e também de espinhos.

Gostei muito, também, do universo diferenciado de pessoas para as quais você enviou o texto e como cada uma respondeu. Sou-lhe grato por isso.

Beijos e abraços

Rubens

Vito Acconci: um a menos para amar 4

Minha amiga Regina reenviou meu texto sobre o Acconci para outras pessoas e o resultado é esse aí embaixo. Acho que a discussão que o artigo gerou é válida para repensarmos até o próprio texto, quer pode ser lido neste blog:



Querido Rubens

Ontem quando eu tinha tempo para esperar para secar uma pintura que fiz num pedestal eu fiz uma coisa que estava pensando em fazer faz tempo. Mandei para um rol grande de pessoas o seu texto sobre o Acconci.

Vou redirecionar todos os e-mail de volta para voce pois vai me dar muito trabalho eu copiar tudo e te mandar individualmente e-mail por email. Acho que voce vai gostas das respostas. Talvez algumas nao.

Beijo grande

Da sua admiradora.

Regina


____________________________

Querida Regina,

o Acconci deve estar meio lélé ou tântrico - no sentido de transar sem gozar - como ele gozava e fazia gozar antes... agora é outro, E se a gente acha ele bem menos interessante do que ele foi, pior pra gente. Ele não assinou contrato de "satisfação" da audiência nem "coerêncîa consigo próprio" por tempo ilimitado. Triste? Claro que sim. Como ficamos todos ("Last Blues: Não espalho, mas ando triste pra caralho." Mario Bortolotto)

uma quadra de Cecília Meireles sintetiza o que esse texto constata:

"Na canção que vai ficando
já não vai ficando nada:
é menos do que o perfume
de uma rosa desfolhada."

Pelo menos ele está se desfolhando por si. Sem esperar ou deixar pra gente fazê-lo. Ele se criou. Ele se descriou.

Rimbaud também fez isso - foi de jovem um dos poetas mais "iluminados". Aos 30, abandonou todo tipo de escritura e poesia, tornou-se comerciante no norte da África, onde morreu pouco depois.

Será que a inspiração cansa ou finda e as pessoas precisam achar outro pretexto para a existência? ("Devia-se deixar dormir o que quer dormir" - Clarice Lispector)
Será que "ser amado" ou "ser admirado" do mesmo jeito acaba cansando e tirando a liberdade da gente? ("Quando eu digo te amo, estou me amando em você" - C .Lispector)
Ou, no caso do Acconci, será que20chocar hoje em dia, para ele, subrepticiamente, seria aderir plenamente aos ditames do mercado? ("Refugiei-me na doideira porque a razão não me bastava" - C. Lispector)

Talvez nada disso, talvez de cada coisa um pouco. Mas para finalizar com Lispector, também:

"O autor que tenha medo da popularidade, senão será derrotado pelo triunfo."


_______________________________

Oi Regina.

Acabei de ler o texto - álias, onde vc o achou? - e ele acaba confirmando uma situação da arte atual que é no minimo triste - claro que poderia achar outros adjetivos mais estrondosos para ela, mas digamos que no momento vou me conter.

Acredito que a pergunta que fica no final do texto é: Como um sujeito tão radical, tão provocador, aparentemente consciente de sua responsabilidade politica e respectivas consequencias, faz um looping em sua carreira e valores morais para se tornar um designer de moveis e ambiente qu epouco se importa com o caos social que há?

É chocante essa modificação. Acconci simplesmente conseguiu levar para o descrédito toda sua produção nos anos 70.

Não sei Regina... talvez por eu ser alguém bastante teimosa, ainda acredito que as pessoas precisam ter coerência com suas decisões e no mínimo saber justificar bem uma mudança tão brusca de posições ideológicas.

Bem, vou voltar pra labuta.

Bjs

_________________________

regina, parece que seu amigo, apaixonado, teve uma desilusão amorosa. O texto parace carta desabafo . Há conceitos de procedimentos artísticos contemporâneos pouco aprofundados, como também insinuações sobre o
caráter do neoexpressionismo dos anos 80. Li o texto como depoimento desabafo.mas fiquei curiosode assistir a apresentação. Parece que nosso velho conhecido Oiticica, usava do mesmo prcedimento dessacalizador que acconci está usando. Olha só!!!! os últimos projeyos de HO não eram espaços lúdicos que dialogavam com o urbano???
será que existe aproximação possível da fse desses dois grandes artistas do sec. passado?????
Assim rápidamente foi o que me bateu.
Eo catálogo da sua EXPO???? Não desisti de trazer vcs para a BA.
bjs


________________________

Ola Regina,

recebi seus ultimos emails, gostei muito o da poesia da borboleta.
Estou em stockholm faz um mes. engracado receber esse email sobre o Vito Acconci
porque tenho escutado bastante sobre ele, o chefe do meu departamento 'e um professor
americano chamado Ronald Jones. Ele teve aula com o Vito Acconci tempos atras.

Sobre o texto. Eu tambem sou um pouco confuso em relacao a Design e Arte e quando
misturam, mercado etc. O que eu tenho entendido 'e que quando comecei a levar arte
mais a serio, comecei tambem a ser mais severo com minha opinioes e nada que eu fizesse
em design serveria para alguma coisa alem de vender e ganhar dinheiro. E tudo que eu comecei a
fazer como artista nao era suficiente para ser considerado arte.

Um dificuldade em acreditar nas coisas, que ate pouco tempo achava que era uma falta de fe.
Mas depois lendo um livro outro dia, cheguei a conclusao que na verdade agente acredita demais
e por isso temos dificuldad, por exemplo de dizer eu te amo para sua namorada , porque na
verdade acreditamos demais nas palavras eu te amo. Sentimos o peso.

O rubens fala como arte tem que ter tesao e tensao, mas acho isso um pouco estreito. Preferia
ver mais arte sincera e menos confusa.

Tenho entendido tambem que esses objetos que agente compra
acabam fazendo parte de nossas vidas, e por isso nao consigo mais julgar o objeto por si so.


__________________________

Olá Regina, tudo bem?


Sobre o texto do teu amigo, eu gostei bastante do que ele escreveu, mas, confesso, conheço tão pouco do trabalho do Vito. Não sabia de nada do que ele fez depois dos 60/70, nem recentemente...nem tão pouco, esses trabalhos com arquitetura!... Nos anos 70, eu ouví falar (inevitável) muito dele, era super incensado pela crítica, etc, mas, como vc sabe, nós tínhamos poucas informações (em detalhes) dele, e de tantas outras coisas, aquí. Naquela época, eu nem dava muita bola pro q acontecia lá fora, estava bem mais preocupado, em fazer muito, muito, por aquí, apesar de todas as dificuldades (inclusive, políticas)...Como dizia o Cazuza: "o tempo não pára" (ou, seria os Rollin'Stones: "o tempo não espera por ninguém"?)...Eu precisava fazer o máximo do que poderia nos 70...quem sabe, inconscientemente, já estava prevendo o grande vazio neoliberal dos 80/90, que o seu amigo citou tão bem em seu texto?!
Eu não tenho a menor condição de criticar os trabalhos, ou, a postura recente do Acconci, por não estar sabendo de nada dele recentemente, nem de suas razões para a forma como está tocando sua produção atual (quem sabe...talvez, tenha decidido ganhar um montão de dinheirinho também!).
Acredito que um dos "problemas"(?) que o seu amigo encontrou, foi que talvez ele tivesse criado uma expectativa muito grande (fantasias? baseado nas informações sobre a postura dos 70, de vanguarda, e experimentações do Vito?) em torno do que "veria" naquela palestra?...Não sei dizer, mas, entendo a sua (dele) decepção.
Uma curiosidade: quando ví pela primeira vez, um trabalho do Duchamp, lá no Moma (um daqueles quadros/vidros), eu tive uma "decepção" (logo assimilada) semelhante a do seu amigo, em relação ao Vito. Para mim, aquele trabalho "ao vivo", pareceu-me bem mais "pobre&velho", que a informação fotográfica, que eu já tinha sobre o mesmo trabalho...


Bom, é isso


_________________________________

Regina, caríssima,

Eu achei o texto muito bom. O texto, a partir da expectativa do futuro e da
memória histórica da relação espiritual com o artista, ganha validade por
não se pretender verdade universal. Fiquei com a sensação de que deveria ser
esmiuçado o que na obra histórica do artista é realmente tão fundamental. Em
vários momentos pareceu-me a exaltação do admirador de uma maneira
excessivamente genérica. De qualquer jeito, nestas ocasiões se não sabemos
mais do artista, sabemos mais de quem escreveu. É a vantagem de um texto
subjetivo e estilo página de diário. Deve ser dito, também, que o texto tem
qualidade literária, sensibilidade na construção da frase. E tem uma
rigorosa lógica de desenvolvimento. É possível por ele ver um olhar que
acompanha o artista em seu percurso. O fato de eu concordar ou não com
certas opiniões não é relevante nesta análise sucinta. Eu não gostei das
partes em que fala do "capitalismo' e coisas do gênero, por me parecer um
discurso padronizado e fácil. Isto eu acho relevante. Aqui é necessário
dizer do que se esta falando e opor à prática do que se considera desumano
outra opção de cunho humanístico. Na verdade, sempre, neste caso, é
importante dizer o que se considera valores humanos. Hoje é comum o discurso
contra o ocidente, contra o capitalismo, contra as grandes cidades, e, é
claro, há muito a se dizer sobre isto. Mas devemos saber onde está situado o
autor do discurso, pois seguidamente ele tem origem em ditadores horríveis,
teocratas fundamentalistas, e etc.. Ou de pessoas que almejam um retorno aos
sonhos da década de 60. Eu tenho pensado muito nestas questões. Aliás, acho
que todo mundo tem pensado nestes assuntos, não é ? Andei escrevendo alguns
ensaios sobre o tema, sempre incluindo a questão da criação artística,
central na minha vida.
Bom, Regina, acho que você não esperava mais do que isto. O teu e.mail me
pegou num momento corrido e só pude ler o texto uma vez, ontem à noite, e
deve estar me escapando várias coisas.

Um forte abraço,


_______________________________

Regina

Eu acho que seu amigo tem razao. Parece que houve uma acomodacao. As pessoas aqui nao viram nenhum fluir no processo dele.

De uma certa maneira, eu senti algo parecido no trabalho atual do Gary Hill. Eu o considerava um dos melhores videoartistas, com a diferenca que houve uma mudanca: ele mudou do que fazia para um trabalho voltado para si mesmo e para a palavra, mas uma palavra discurso interminavel, ficou na palavra.


_______________________________

Regina, bom dia.

Já havia lido esta crítica no Canal Contemporâneo e discutido com outros colegas o fato de artistas consagrados como o Vito Acconci, chegarem a um estágio de suas carreiras onde se afastam do que os consagrou como artistas-ativistas políticos. O fato do Acconci fazer uma "arte" que está mais para questões estéticas e de certa maneira, respondendo ao mercado de arte, não tira o valor de sua contribuição no passado. O que ele fez nos anos 60 e 70, continua valendo e é muito importante para nós na atualidade.

Na verdade, o Rubens ficou desapontado e escreveu o artigo com bastante sinceridade, ainda com a cabeça "quente" depois daquela palestra. Entendo perfeitamente ele.


____________________________

Justamente por que o Rubens cita o Crimp e, por isso, me veio a pergunta: por que no Brasil quase nunca se cita o Crimp? Exatamente, por que ele dá nome aos bois... A Krauss pouco escreve sobre a vida institucional, fica mais na história da arte e, por isso, há menos questionamento das idiossincrasias do sistema da arte... Você vê o Crimp participando em debate em galeria comercial? etc...

Um abraço


_______________________________

Regina,

me lembro de uma frase lida em um artigo de um jornalista, que se queixava de torcicolo, por tanto olhar para as pessoas que tinham virado da esquerda para a direita.

o texto de seu amigo vai na mesma direção.

gosto do percurso dos artistas que começam imitando seus mestres e vão pouco a pouco se libertando deles até inventarem um estilo próprio, único, conquistando uma assinatura própria. no rumo inverso estão os que se apresentam como revolucionários na juventude e se tornam com o tempo seres da situação, reproduzindo os valores da sociedade capitalista. triste percurso. parece ter sido este o caminho de Vito Acconci.

abs,


______________________________

Durante todo o tempo - até hoje - sempre tive um compromisso (para além de outros): nunca falar mal de alguém. Posso defender posições, o que é outra coisa. Quando não gosto de um trabalho, guardo silêncio. Manifesto-me apenas quando há crime. E crime é a mentira.
Parece ser essa a posição do Rubens em relação ao Vito.
Mas, como eu poderia julgar?

...

Quando colocamos no papel, projetamos o tempo.
Isso vale tanto para os nossos contemporâneos, como para Cícero.
Assim, minha querida Regina - talvez o estremecimento da tua alma tenha tocado este teu irmão. Ora, não é esse o significado mais profundo do Yom Kippur? Revelar a alma.
Ficam estes pensamentos entre nós.
Muitos beijos,


_______________________________

acho o texto otimo...adoro ver pessoas que pensam por si mesmas...eu tambem gostava muito dele, e tenho minhas questoes...nada de julgamentos, apenas talvez valores e prioridades diferentes...


_____________________________

Olá Regina!
...

Li o texto que gostei - na verdade nunca gostou do trabalho de Acconci que
acho dilettante nas áreas de arquitetura, uso de espaço público, da sua
fama, etc - talvez as performances iniciais tenham sidos importantes na
época quando foram feitos mas reelmente, tentava de gostar do trabalho de
Acconci, me forçava a olhar, ir ver exposições, ler livros, e nunca consegui
ver interesse naquilo que eu acho, como o seu amigo disse no artigo dele, um
puro produto do próprio sistema que ele tente "criticar" pois ele ´surfa´a
sua fama e consegue produzir peças sem interesse fora a aplicação de forma
ilustrativo princípios filosóficos tirados do grupo ´Tel quel` na França com
acrésimos de Wittgenstein de vez em outro. Sei là, mas para mim é
necessário ir além da simples ilustração de conceitos pois parte da arte e o
fazer com arte e não cair no bi-dimensional ou simples exercício de
silogismo.

Ponto interessante é que o seu amigo disse que a arte tem que ser víril e
posso imaginar quais poderiam ser os críticos desse fala mas acredito que
não é víril a palavra mas talvez aproximando o que ele mencionou no início -
aquilo que nós escapa, que em espanhol se diz "el duende" - quando os deuses
por um momento mágico entram em cena e o acaso se abre um mundo para nós.
Mas alí estou entrando numa área da filosófia de arte...

Em fim, talvez faz parte do domínio cultural dos EUA pós-guerra e que aos
poucos veremos como outras formas de arte também são interessantes (por
exemplos os artist´s books e instalações que vc faz - gostei muito daquela
de Ipanema e fico com pena de não ter visto a expo de Londres) e poéticas.
Li uma vez o que disse um amigo meu artista, que no Brasil não há esse
separação entre fundo e figura pois o fundo se misture e fusion-se com a
figura - para mim abri um caminho na cabeça.

Vito Acconci...toda uma geração de homens que tinham o poder e faziam ações
víris nos EUA - sempre preferi a Arte Povera pelo lado lúdico, mas isso é
uma escolha pessoal. Eu nem fui à palestra do Acconci(ele mora perto do
apto que alugo em Brooklyn) parece que é um cara simpático e meio triste.
Ele agora está num nível aonde consegue realizar obras arquitectonicas que
necessitam muito dinheiro e responsabilidade tanto artístico quanto social e
ele as faz sem tomar conta dessa responsabilidade. Para mim, o jardin des
Tuileries é uma obra de arte, um espaço para o público pensar que tem alta
nível artístico feito não por uma artista plástica mas por um jardineiro que
tornou-se famoso pelas cercas vivas que ele faz.

Disculpe pelo longo email, mas achei muito interessante o artigo!
Beijos,


_____________________

Regina eu *adorei* o texto do seu amigo. Muito mas muito obrigada mesmo!

Acontece que eu assisti a mesma apresentacao quando o Acconci esteve no Dept de Fine arts na UT ha uns anos atras. Nessa altura ele de facto penso que tambem erminou mostrando algum desse trabalho 'cafona':) mas ainda era reduzido nessa altura.

Mas que pena ele ter enveredado pelo caminho facil. Faz-me pensar do choque que tive quando vi um CD do Bob Dylan sendo distribuido gratuitamente na compra de 3 calcinhas da Victoria Secret....

Parece que e' algo inescapable' nesse Pais - o 'vender-se a quem da mais'...

Mas... Nao e' qualquer pessoa que - especialmente na area da Arte ...' has the balls" para dizer o que pensa... como seu amigo fez.

Ele vai publicar esse artigo? Ja publicou?

Gostaria de saber se esse texto ou o seu conteudo poderao chegar aos ouvidos do Acconci- isso seria optimo... Essas pessoas que um dia nos marcaram Accoci, Dylan precisam saber que podem estar a agradar a uns - mas que estao desagradando profundamente a outros tantos...


__________________________________

sobre o texto é o relato de uma apresentação riquíssima mas é muito negativo. não traduzindo ou exprimindo o que tinha ali de maravilhoso. mais lastimando, reclamando, comparando com rolling stones,etc numa comparação sem sentido.

se algum dia eu tiver 300 pessoas me ouvindo numa palestra (já tive) vou ficar sempre felicíssimo.

a única importância do texto é quando ele diz que

"Arte tem de ter virilidade. Não é uma questão de gênero, continua sendo uma questão de tesão, de saber criar tensão, de colocar amor e generosidade naquilo que se faz."

só aí é que é usada a palavra generosidade e em nenhum lugar a palavra gratidão, que acho que todos os discípulos devem ter pelos seus mestre, como sempre tenho por você.

beijo carinhoso sempre


___________________________________

Oi, Regina
Para começar, seu amigo escreve muito bem. Como vc sabe, de arte não entendo nada, mas pude acompanhar a trajetória do artista em questão (que não conheço) e entender a angústia criativa dele, sempre faltando alguma coisa para criar uma obra, digamos, total. Mas o cara brochou, segundo seu amigo nos informa. Pois é. Ele quer o tesão da juventude, o ímpeto criativo, a contestação, a provocação... no outro. Sabe-se lá o que houve, mas o artista aceitou o caminho do óbvio, da arte prática, da arte que não é Arte, mas que ainda assim - sejamos generosos - tem lá o seu valor. A questão é para quem, para o quê. Se negarmos o mundozinho de merda em que vivemos (e isso é a realidade), a obra do cara virou uma grande porcaria. Se aceitarmos que até os heróis dormem, talvez possamos ser mais tolerantes. Quem nunca disse "cansei!" ?
Sei que, para alguém que efetivamente vive a Arte, isso chega a ser quase (?) uma forma de prostituição, mas mesmo assim entendo o tal artista, como entendo seu crítico, que foi vê-lo na expectativa de uma coisa e defrontou-se com outra.
Mudou o artista, mudou seu trabalho, e ele, como sempre, será passível de críticas enfurecidas. A ironia da coisa é que, hoje, quem elogia é quem já censurou. E vice-versa. Do ponto de vista da lógica, essa também é uma forma de provocar...
De qualquer forma, o artigo é brilhante, pois nos faz pensar nas coisas exatamente como elas são.
Beijos,

_______________________________
Eu vi há algum tempo atras em Barcelona uma grande exposicao no Macba de Acconci e gostei muito do que ele vem fazendo com arquitetos nao vejo todas essas críticas muito fundadas. O qeu ele está fazendo é outra voisa mas bastante criativa a meu ver, com um uso muito inteligente das tecnologias, melhor do qeu ficar se repetindo ou fazendo as mesmas coisas de antes... a vida muda e continua e o mundo nao é o mesmo dos anos 70....

Situação em Honduras

Amigas, amigos:
Me encuentro en un edificio cercano a la Embajada de Brasil junto a 30
compañeras y compañeros, la mayoría integrantes de Artistas del Frente
Nacional Contra el Golpe de Estado.
Nos avocamos a este lugar para descansar, manteniendo la conciencia de que
de un momento a otro el ejército y la policía entrarían al perímetro donde
alrededor de 5,000 personas nos encontrábamos para darle protección al Presidente Manuel Zelaya.
Atacaron a las 5:45 am con fusilería y lacrimógenas. Mataron a un número
indeterminado de compañeros de la primera barricada al final del Puente
Guancaste. Rodearon y atacaron la barricada del puente de La Reforma.
Haciendo cálculos aproximados, el operativo contó con alrededor de 1.000 efectivos policiales y militares.
Arrinconaron y golpearon. 18 heridos graves en el Hospital Escuela. Siguen
persiguiendo en el Barrio Morazán y en el Barrio Guadalupe a los bravos
estudiantes que anoche organizaron las precarias barricadas.
En este momento son las 8:00 am. Frente a la Embajada de Brasil han
colocado un altoparlante con himnos a todo volumen mientras
catean las casas aledañas a la Embajada. Lanzaron bombas lacrimógenas
dentro de la Embajada. El Presidente continúa en su interior amenazado
por los golpistas que ya argumentaron a través de los medios sus razones "legales" para proceder al allanamiento.
Miles de personas que se dirigían hacia Tegucigalpa han sido retenidas en
los alrededores de la ciudad. La ciudad está completamente vacía, fantasmal.
El toque de queda fue extendido para todo el día.
La represión contra los manifestantes indefensos fue brutal.
En varias
ocasiones Radio Globo y Canal 36 han sido sacados del aire. Cientos de presos.
Estamos aislados.
Aquí estamos el núcleo principal de los organizadores de los grandes eventos culturales en resistencia: poetas, cantautores, músicos, fotógrafos, cineastas, pintores y pintoras... humanos.
De XXX
Estamos SECUESTRADOS... NUEVAMENTE REPRIMIDOS:
Llevamos 17 horas de toque de queda. Y seguimos hasta las 6 de la tarde de hoy martes.
(no dudamos que lo extiendan... igual paso en el departamento de El Paraíso hace dos meses)
Los MILITARES y los POLICIAS han invadido la privacidad de los vecinos al par de la EMBAJADA DE BRASIL.
La policia y los militares...han quebrado los vidrios de los carros y motos
de las personas de la resistencia, estan quemando sus carros (ellos los habían dejado ahí, como retenes)
Se habla de tres muertos, heridos (a los heridos que se trasladarón a los
hospitales... los militares los están sacando de los hospitales)
A los atrapados los llevan al estadio Chochi Sosa. (lo mismo hizo Pinochet)
POR FAVOR: Ayúdenos a difundir las noticias

DIRECCIONES DE LA WEB DONDE SE PUEDE ESCUCHAR LA
TRANSMISIÓN EN VIVO DE RADIOEMISORAS DE LA RESISTENCIA:

http://radioprogresohn.com/
http://radioeslodemenos.blogspot.com/

23 de set. de 2009

boas notícias para a Cultura

depois de aprovado o Plano Nacional de Cultura na manhã de hoje, 23, no final da tarde a Comissão Especial das Receitas da Cultura aprovou, por unanimidade, o relatório da PEC 150/03 que destina orçamento de 2% para União, 1,5% para Estados e 1% para Municípios, proposta dos deputados petistas Zezéu Ribeiro, Paulo Rocha e Fátima Bezerra.

Agora o relatório segue para votação no plenário da Câmara Federal.

E A NOSSA LUTA CONTINUA!!!

Vota Cultura
Semana Nacional pela Cultura no Congresso

De 21 a 25 de Setembro 2009

Apoie os Deputados do seu estado que lutam pela Cultura

Participe!

Já podemos dizer que 2009

é o Ano da Cultura no Congresso

Nacional. Os nossos parlamentares

estão analisando vários projetos que

podem mudar a política cultural

do País. Para que esses projetos

representem a visão de toda a

sociedade é importante que você

também participe. Acompanhe a

discussão, fale com seu parlamentar

e envie sugestões. Sua participação é

importante para colocar a Cultura no

centro da agenda do país.

Saiba quais são os projetos que vão

mudar a política cultural:

Nova Lei Rouanet

A Lei 8.313/1991, conhecida pelo nome do

então ministro da Cultura Sérgio Paulo Rouanet,

define as formas como o Governo Federal deve

incentivar a produção cultural no Brasil. Um

Grupo de Trabalho formado pelo Ministério da

Cultura analisou as mais de 2 mil contribuições da

consulta pública à Nova Rouanet.A versão final do

projeto deverá ser enviada ao Congresso Nacional

ainda este mês.

O projeto de Lei institui o Programa de

Fomento e Incentivo à Cultura – PROCULTURA

– com a finalidade de estimular, captar e canalizar

recursos para programas, projetos e ações

culturais. A Nova Lei Rouanet visa diminuir a

exclusão cultural e desconcentrar os recursos

públicos destinados a área cultural.

Fundo Pró-Leitura

O Fundo Pró-Leitura insere-se no contexto

de reformulação da Lei Rouanet e dos fundos

setoriais no âmbito do FNC. O projeto foi

formatado a partir da desoneração do PIS/COFINS

da indústria editorial brasileira, ocorrida em

dezembro de 2004. Na ocasião, o setor produtivo

do livro propôs a criação do Fundo Pró-Leitura,
com a contribuição de 1% do faturamento, como

contrapartida social.

O Fundo Pró-Leitura visa financiar programas

e projetos da sociedade civil e do setor público

de incentivo à leitura, baseados nos eixos de

democratização do acesso, formação de leitores,

valorização da leitura na comunicação e fomento

da economia do livro estabelecidos pelo Plano

Nacional do Livro e Leitura - PNLL.

Vale-Cultura

É a primeira política pública voltada para o

consumo cultural. Os trabalhadores poderão

adquirir ingressos de cinema, teatro, museu,

shows, livros, CDs e DVDs, entre outros produtos

culturais. O vale será similar ao conhecido

tíquete-alimentação. Trata-se de um cartão

magnético, com saldo de até R$ 50,00 por mês,

por trabalhador, a ser utilizado no consumo

de bens culturais. As empresas que declaram

Imposto de Renda com base no lucro real poderão

aderir ao Vale-Cultura e posteriormente deduzir

até 1% do imposto devido.

A estimativa do Ministério da Cultura é que 12

milhões de brasileiros poderão ser beneficiados

pelo Vale-Cultura. O consumo cultural no país

pode aumentar em até R$ 600 milhões/mês ou

R$ 7,2 bilhões/ano.

O Projeto de Lei que cria o Vale-Cultura (PL5.798/2009), foi enviado a Câmara dos Deputados

no dia 18 de agosto deste ano e tramita em regime

de urgência constitucional.

PEC 150 - 2% para a Cultura

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC)

150/2003 vincula 2% do orçamento federal, 1,5% do

orçamento estadual e 1% do orçamento municipal

para a Cultura. Foi proposta em 2003 e no

momento, aguarda apresentação do atual relator,

deputado José Fernando Aparecido (PV-MG), na

Comissão de Cultura.


Cultura como direito social

A PEC 236/2008, de autoria do deputado José

Fernando (PV-MG), que pretende acrescentar

a Cultura como direito social no capítulo II,

artigo 6º da Constituição Federal. Atualmente a

admissibilidade da PEC está sendo examinada pela

Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania

da Câmara dos Deputados.


Sistema Nacional de Cultura

PEC 416/2005 – Proposta de emenda

constitucional, de autoria do Deputado Paulo

Pimenta (PT-RS), cria o Sistema Nacional de

Cultura (SNC), que objetiva institucionalizar

a cooperação entre a União, os Estados e os

Municípios para formular, fomentar e executar as políticas culturais, de forma compartilhada

e pactuada com a sociedade civil. A emenda foi

acolhida pela Comissão de Constituição e Justiça

da Câmara dos Deputados e no momento está

em análise na Comissão Especial criada para essa

finalidade.


Plano Nacional de Cultura

O Projeto de Lei 6.835/2006 que institui o Plano

Nacional de Cultura (PNL), definirá as diretrizes

para as políticas públicas de Cultura para os

próximos 10 anos. O PL foi proposto em 2006

e aguarda votação na Comissão de Educação e

Cultura ainda em 2009.


Modernização do Direito Autoral

O Ministério da Cultura está elaborando uma

proposta de alteração da Lei nº 9.610/1998, que

regula o Direito Autoral. A proposta visa corrigir

ambiguidades presentes no texto da Lei, assim

como a inclusão de novos dispositivos. Como por

exemplo, obras produzidas sob encomenda ou sob

vínculo empregatício, licenças não voluntárias e

o papel do Estado. A proposta do ministério visa

garantir direitos dos consumidores sem prejudicar

os criadores da obra.