2 de mar de 2006

boca quente










boca quente no reduto do chegado, assaltante mão armada, molecada na aventura do risco.

- pegamos um malote, 22 mil, 9 mil só em cheque. - ih, maluco, esqueçe. só se for pra passar na praça.
Meu, sufoco! oferta barata de câmera fotográfica roubada e eu fui lá ver. fria. também a manhã. aquela manha. O laranja, suposto amigo. interessado em fumo. dando a letra. o verbo. palavra. o outro, disfarçado de nada, esperando o mano: - vim ver uma fita de cd, com o mano aí. O mano, dormindo em casa. meio dia. começou me dar paura. - saco, não gosto disso! O cara da fita do cd brincando de bobo. e meu comparsa dando uma de esperto na parada. o cara do cd foi lá na casa do mano. - aí, véi, chama lá seu filho. fala que é o mário! o pai do mano foi. daqui a pouco o cara já tava la na frente do boteco com o carrão do véi dele. no que o chegado pulou na frente pra ver a tal camêra com o mano, o do cd já tinha batido a porta e colocado o cotovelo na janela. - já venho, falou o mano. e foram "ouvir" o cd. quando voltou, desinteressadíssimo pelo nosso caso, disse q tinha um tiozinho q passava mercadoria e a gente foi lá ver. se o crime não compensa, esperar é chato pra caralho!
e vamos ver o tal tio. queria vender uma máquina igual essas q a gente compra pela internet. o cara sabia até o preço dela na loja. vendia por um preço mais barato. mas faltava cabo, bateria, cartão de memória. só o trampo de ir lá ver, descompensava qualquer negócio. depois, comprar de ladrão por preço de paraguaio? meu pai não me ensinou a roubar. nem ser clichê. - dá teu preço, então!? rejeitei um quilo e meio de fumo nela, do jeito q tá aí. o carinha comprava pelo triplo do q vc tá me oferecendo. acabei trazendo fumo chutado e mal estar do caralho de ter ido naquele lugar onde aprendi q até para ladrão já tem mercado de trabalho. polícia pra lá e pra cá, mas ninguém sabe ninguém viu. de vez em quando um cai, aparece na televisão. esse lugar onde a fama transforma um presunto em celebridade! estavam por dentro do preço. traziam aparelhos q roda mp3, na cintura; tênis de marca; discutiam sobre o play station 2, q roda, grava e faz mais sei q; traziam o olhar curto do "se dar bem". a morte esperando-os no terreno baldio do bairro. de longe se vê a cidade. dei uma graninha pro cara q me levou lá. - não precisa! - tó aí! foda-se a camêra digital. tiozinho ainda passou cartão se oferecendo de pintor. mas chutou na carinha de fumo q acabei levando, no fim das contas.

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