23 de set. de 2009

boas notícias para a Cultura

depois de aprovado o Plano Nacional de Cultura na manhã de hoje, 23, no final da tarde a Comissão Especial das Receitas da Cultura aprovou, por unanimidade, o relatório da PEC 150/03 que destina orçamento de 2% para União, 1,5% para Estados e 1% para Municípios, proposta dos deputados petistas Zezéu Ribeiro, Paulo Rocha e Fátima Bezerra.

Agora o relatório segue para votação no plenário da Câmara Federal.

E A NOSSA LUTA CONTINUA!!!

Vota Cultura
Semana Nacional pela Cultura no Congresso

De 21 a 25 de Setembro 2009

Apoie os Deputados do seu estado que lutam pela Cultura

Participe!

Já podemos dizer que 2009

é o Ano da Cultura no Congresso

Nacional. Os nossos parlamentares

estão analisando vários projetos que

podem mudar a política cultural

do País. Para que esses projetos

representem a visão de toda a

sociedade é importante que você

também participe. Acompanhe a

discussão, fale com seu parlamentar

e envie sugestões. Sua participação é

importante para colocar a Cultura no

centro da agenda do país.

Saiba quais são os projetos que vão

mudar a política cultural:

Nova Lei Rouanet

A Lei 8.313/1991, conhecida pelo nome do

então ministro da Cultura Sérgio Paulo Rouanet,

define as formas como o Governo Federal deve

incentivar a produção cultural no Brasil. Um

Grupo de Trabalho formado pelo Ministério da

Cultura analisou as mais de 2 mil contribuições da

consulta pública à Nova Rouanet.A versão final do

projeto deverá ser enviada ao Congresso Nacional

ainda este mês.

O projeto de Lei institui o Programa de

Fomento e Incentivo à Cultura – PROCULTURA

– com a finalidade de estimular, captar e canalizar

recursos para programas, projetos e ações

culturais. A Nova Lei Rouanet visa diminuir a

exclusão cultural e desconcentrar os recursos

públicos destinados a área cultural.

Fundo Pró-Leitura

O Fundo Pró-Leitura insere-se no contexto

de reformulação da Lei Rouanet e dos fundos

setoriais no âmbito do FNC. O projeto foi

formatado a partir da desoneração do PIS/COFINS

da indústria editorial brasileira, ocorrida em

dezembro de 2004. Na ocasião, o setor produtivo

do livro propôs a criação do Fundo Pró-Leitura,
com a contribuição de 1% do faturamento, como

contrapartida social.

O Fundo Pró-Leitura visa financiar programas

e projetos da sociedade civil e do setor público

de incentivo à leitura, baseados nos eixos de

democratização do acesso, formação de leitores,

valorização da leitura na comunicação e fomento

da economia do livro estabelecidos pelo Plano

Nacional do Livro e Leitura - PNLL.

Vale-Cultura

É a primeira política pública voltada para o

consumo cultural. Os trabalhadores poderão

adquirir ingressos de cinema, teatro, museu,

shows, livros, CDs e DVDs, entre outros produtos

culturais. O vale será similar ao conhecido

tíquete-alimentação. Trata-se de um cartão

magnético, com saldo de até R$ 50,00 por mês,

por trabalhador, a ser utilizado no consumo

de bens culturais. As empresas que declaram

Imposto de Renda com base no lucro real poderão

aderir ao Vale-Cultura e posteriormente deduzir

até 1% do imposto devido.

A estimativa do Ministério da Cultura é que 12

milhões de brasileiros poderão ser beneficiados

pelo Vale-Cultura. O consumo cultural no país

pode aumentar em até R$ 600 milhões/mês ou

R$ 7,2 bilhões/ano.

O Projeto de Lei que cria o Vale-Cultura (PL5.798/2009), foi enviado a Câmara dos Deputados

no dia 18 de agosto deste ano e tramita em regime

de urgência constitucional.

PEC 150 - 2% para a Cultura

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC)

150/2003 vincula 2% do orçamento federal, 1,5% do

orçamento estadual e 1% do orçamento municipal

para a Cultura. Foi proposta em 2003 e no

momento, aguarda apresentação do atual relator,

deputado José Fernando Aparecido (PV-MG), na

Comissão de Cultura.


Cultura como direito social

A PEC 236/2008, de autoria do deputado José

Fernando (PV-MG), que pretende acrescentar

a Cultura como direito social no capítulo II,

artigo 6º da Constituição Federal. Atualmente a

admissibilidade da PEC está sendo examinada pela

Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania

da Câmara dos Deputados.


Sistema Nacional de Cultura

PEC 416/2005 – Proposta de emenda

constitucional, de autoria do Deputado Paulo

Pimenta (PT-RS), cria o Sistema Nacional de

Cultura (SNC), que objetiva institucionalizar

a cooperação entre a União, os Estados e os

Municípios para formular, fomentar e executar as políticas culturais, de forma compartilhada

e pactuada com a sociedade civil. A emenda foi

acolhida pela Comissão de Constituição e Justiça

da Câmara dos Deputados e no momento está

em análise na Comissão Especial criada para essa

finalidade.


Plano Nacional de Cultura

O Projeto de Lei 6.835/2006 que institui o Plano

Nacional de Cultura (PNL), definirá as diretrizes

para as políticas públicas de Cultura para os

próximos 10 anos. O PL foi proposto em 2006

e aguarda votação na Comissão de Educação e

Cultura ainda em 2009.


Modernização do Direito Autoral

O Ministério da Cultura está elaborando uma

proposta de alteração da Lei nº 9.610/1998, que

regula o Direito Autoral. A proposta visa corrigir

ambiguidades presentes no texto da Lei, assim

como a inclusão de novos dispositivos. Como por

exemplo, obras produzidas sob encomenda ou sob

vínculo empregatício, licenças não voluntárias e

o papel do Estado. A proposta do ministério visa

garantir direitos dos consumidores sem prejudicar

os criadores da obra.

Honduras URGENTE!

Gás Pimenta
Golpes com cassetetes
Entre 5 e 10 da manhã
Na frente da Embaixada brasileira


A deposição do presidente eleito, Manuel Zelaya, tem produzido em Honduras uma resistência da sociedade civil que não aceita o golpe militar como regime de exceção, no país. Mesmo com a pressão da OEA e da ONU, o atual regime não quer entregar o poder. O Brasil tomou uma decisão corajosa e ousada a favor da Democracia, acolhendo o presidente deposto em sua Embaixada. As tropas militares estão reprimindo o povo nas ruas. Abaixo algumas imagens tiradas de ontem para hoje, enviadas por email.
Viva a liberdade do povo da América Latina!



Gracias a quienes nos estän apoyando!

Estas fotos ilustran parte de lo que estä sucediendo. Son de Blanca Kat.
En este momento estän leyendo örden de allanamiento de la embajada de Brasil. En los barrios la gente se estä manifestado y sigue confrontändose con la policia. El pueblo estä organizado a traves de la resistencia y no se rinde.
Gracias por la solidaridad que nos estän mostrando.
Muchos abrazos y gracias!!!!

manifesto em solidariedade ao MST

É para assinar...

segue o link para assinatura online do manifesto em solidariedade ao MST

http://www.PetitionOnline.com/manifmst/

Manifesto em defesa da Democracia e do MST

“...Legitimam-se não pela propriedade, mas pelo trabalho,
nesse mundo em que o trabalho está em extinção.
Legitimam-se porque fazem História,
num mundo que já proclamou o fim da História.
Esses homens e mulheres são um contra-senso
porque restituem à vida um sentido que se perdeu...”
(“Notícias dos sobreviventes”, Eldorado dos Carajás, 1996).

A reconstrução da democracia no Brasil tem exigido, há trinta anos, enormes sacrifícios dos trabalhadores. Desde a reconstrução de suas organizações, destruídas por duas décadas de repressão da ditadura militar, até a invenção de novas formas de movimentos e de lutas capazes de responder ao desafio de enfrentar uma das sociedades mais desiguais do mundo. Isto tem implicado, também, apresentar aos herdeiros da cultura escravocrata de cinco séculos, os trabalhadores da cidade e do campo como cidadãos e como participantes legítimos não apenas da produção da riqueza do País (como ocorreu desde sempre), mas igualmente como beneficiários da partilha da riqueza produzida.

O ódio das oligarquias rurais e urbanas não perde de vista um único dia, um desses novos instrumentos de organização e luta criados pelos trabalhadores brasileiros a partir de 1984: o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra – MST. E esse Movimento paga diariamente com suor e sangue – como ocorreu há pouco no Rio Grande do Sul, por sua ousadia de questionar um dos pilares da desigualdade social no Brasil: o monopólio da terra. O gesto de levantar sua bandeira numa ocupação traduz-se numa frase simples de entender e, por isso, intolerável aos ouvidos dos senhores da terra e do agronegócio. Um País, onde 1% da população tem a propriedade de 46% do território, defendida por cercas, agentes do Estado e matadores de aluguel, não podemos considerar uma República. Menos ainda, uma democracia.

A Constituição de 1988 determina que os latifúndios improdutivos e terras usadas para a plantação de matérias primas para a produção de drogas, devem ser destinados à Reforma Agrária. Mas, desde a assinatura da nova Carta, os sucessivos Governos têm negligenciado o seu cumprimento. À ousadia dos trabalhadores rurais de garantir esses direitos conquistados na Constituição, pressionando as autoridades através de ocupações pacíficas, soma-se outra ousadia, igualmente intolerável para os senhores do grande capital do campo e das cidades: a disputa legítima e legal do Orçamento Público.

Em quarenta anos, desde a criação do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), cerca de um milhão de famílias rurais foram assentadas - mais da metade de 2003 pra cá. Para viabilizar a atividade econômica dessas famílias, para integrá-las ao processo produtivo de alimentos e divisas no novo ciclo de desenvolvimento, é necessário travar a disputa diária pelos investimentos públicos. Daí resulta o ódio dos ruralistas e outros setores do grande capital, habituados desde sempre ao acesso exclusivo aos créditos, subsídios e ao perdão periódico de suas dívidas.

O compromisso do Governo de rever os critérios de produtividade para a agricultura brasileira, responde a uma bandeira de quatro décadas de lutas dos movimentos dos trabalhadores do campo. Ao exigir a atualização desses índices, os trabalhadores do campo estão apenas exigindo o cumprimento da Constituição Federal, e que os avanços científicos e tecnológicos ocorridos nas últimas quatro décadas, sejam incorporados aos métodos de medir a produtividade agrícola do nosso País.

É contra essa bandeira que a bancada ruralista do Congresso Nacional reage, e ataca o MST. Como represália, buscam, mais uma vez, articular a formação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o MST. Seria a terceira em cinco anos. Se a agricultura brasileira é tão moderna e produtiva – como alardeia o agronegócio, por que temem tanto a atualização desses índices?

E, por que não é criada uma única CPI para analisar os recursos públicos destinados às organizações da classe patronal rural? Uma CPI que desse conta, por exemplo, de responder a algumas perguntas, tão simples como: O que ocorreu ao longo desses quarenta anos no campo brasileiro em termos de ganho de produtividade? Quanto a sociedade brasileira investiu para que uma verdadeira revolução – do ponto de vista de incorporação de novas tecnologias – tornasse a agricultura brasileira capaz de alimentar nosso povo e se afirmar como uma das maiores exportadoras de alimentos? Quantos perdões da dívida agrícola foram oferecidos pelos cofres públicos aos grandes proprietários de terra, nesse período?

O ataque ao MST extrapola a luta pela Reforma Agrária. É um ataque contra os avanços democráticos conquistados na Constituição de 1988 – como o que estabelece a função social da propriedade agrícola – e contra os direitos imprescindíveis para a reconstrução democrática do nosso País. É, portanto, contra essa reconstrução democrática que se levantam as lideranças do agronegócio e seus aliados no campo e nas cidades. E isso é grave. E isso é uma ameaça não apenas contra os movimentos dos trabalhadores rurais e urbanos, como para toda a sociedade. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que custou os esforços e mesmo a vida de muitos brasileiros, que está sendo posta em xeque. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que está sendo violentada.

É por essa razão que se arma, hoje, uma nova ofensiva dos setores mais conservadores da sociedade contra o Movimento dos Sem Terra – seja no Congresso Nacional, seja nos monopólios de comunicação, seja nos lobbies de pressão em todas as esferas de Poder. Trata-se, assim, ainda uma vez, de criminalizar um movimento que se mantém como uma bandeira acesa, inquietando a consciência democrática do país: a nossa democracia só será digna desse nome, quando incorporar todos os brasileiros e lhes conferir, como cidadãos e cidadãs, o direito a participar da partilha da riqueza que produzem ao longo de suas vidas, com suas mãos, o seu talento, o seu amor pela pátria de todos nós.

Contra a criminalização do MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA!
Pelo cumprimento das normas constitucionais que definem as terras destinadas à Reforma Agrária!
Pela adoção imediata dos novos critérios de produtividade para fins de Reforma Agrária!

São Paulo, 21 de setembro de 2009

Plínio de Arruda Sampaio, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária, ex-Deputado Federal Constituinte pelo PT-SP (1985-1991) e ex-consultor da FAO
Osvaldo Russo, estatístico, ex-presidente do INCRA (1993-1994), diretor da ABRA e coordenador do núcleo agrário nacional do PT
Hamilton Pereira, o Pedro Tierra, 61, é poeta e membro do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo
Antônio Cândido, crítico literário, USP
Leandro Konder, filósofo, PUC-RJ
István Mészáros, Hungria, filósofo
Eduardo Galeano, Uruguai, escritor
Alípio Freire, escritor
Fábio Konder Comparato, jurista, USP e Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra
Fernando Morais, jornalista e escritor
Dr. Jacques Alfonsin, jurista, Porto Alegre
Altamiro Borges, PCdoB
Nilo Batista, jurista
Alberto Broch, Presidente da CONTAG
Artur Henrique, Presidente da CUT
Augusto Chagas, Presidente da UNE
Bartira Lima da Costa, Presidente da CONAM
Ivan Pinheiro, secretário geral do PCB
Ivan Valente, Deputado Federal PSOL - SP
José Antonio Moroni, diretor da ABONG e do INESC
José Maria de Almeida, CONLUTAS, presidente do PSTU
Nalu Faria, coordenadora geral da Sempreviva Organização Feminista – SOF e integrante da executiva nacional da Marcha Mundial das Mulheres.
Paulo Pereira da Silva, Deputado Federal PDT-SP e presidente da Força Sindical
Renato Rabelo, presidente do PC do B
Renato Simões, Secretário de Movimentos Populares do PT
Roberto Amaral, ex Ministro da Ciência e Tecnologia, Secretário Geral do PSB
Sérgio Miranda, PDT - MG
Valter Pomar, Secretário de Relações Internacionais do PT
Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
Dom Ladislau Biernaski, Presidente da CPT
Dom Pedro Casaldáliga, Bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia – MT
Dom Tomás Balduino, conselheiro permanente da CPT
Frei Betto, escritor
Leonardo Boff, escritor
Reverendo Carlos Alberto Tomé da Silva, TSSF, Anglicano, Capelão Militar
Miguel Urbano, Portugal, jornalista
Anita Leocádia Prestes, historiadora, UFRJ
Beth Carvalho, sambista
Adriana Pacheco, Venezuela, ViveTV
Adelaide Gonçalves, historiadora, UFCE
Ana Esther Ceceña, UNAN
Antonio Moraes, Federação Única dos Petroleiros - FUP
Associação Brasileira de ONG's – ABONG
Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF)
Chico Diaz, ator
Cândido Grzybowski - IBASE
Comitè italiano de apoio ao Movimento Sem Terra (Amigos MST-Italia)
Antônio Carlos Spis, CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais)
Dora Martins, juíza de direito, e presidenta da Associação de Juízes pela Democracia
Emir Sader, sociólogo, LPP/UERJ
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB)
Hamilton de Souza, jornalista, PUC-SP
Heloísa Fernandes, socióloga, USP e ENFF
Jose Arbex, jornalista, PUC-SP
Maria Rita Kehl, psicanalista, São Paulo
Osmar Prado, ator
Paulo Arantes, filósofo, USP e ENFF
Vandana Shiva, Índia, cientista
Virginia Fontes, historiadora, UFF/Fiocruz
Vito Gianotti, jornalista e historiador, Núcleo Piratininga de Comunicação - Rio de janeiro

14 de set. de 2009

Vito Acconcci: um a menos para amar

Vito Acconci naceu no Bronx, em janeiro de 1940.


Começo este texto lembrando o professor Roberto Corrêa do Santos dizendo que é uma dor terrível quando os outros não podem receber o amor que temos para dar a eles. Pessoas que gostaríamos de amar mais, mas que não podem receber todo nosso amor.

Comecei a constastar a veracidade de tal sentença depois da palestra do Vito Acconci, sexta, dia 11 de setembro de 2009, no Oi Futuro, no Catete, no evento Presente-Futuro capitaneado por Daniela Labra. Depois do evento, no bar, uma colega me alertou: “a gente acaba sendo o chato a ser evitado quando não concorda com a maioria”. Pois é.

Vito Acconci, para mim, sempre foi considerado um Deus. Cheguei antes para poder pegar um lugar para assisti-lo, mas fiquei surpreso que não tinham 5 mil, 10 mil pessoas assistindo-o. Sim, porque se um astro da música vem ao Brasil, como os Rolling Stones, junta-se um público de 1 milhão de pessoas. Como artes visuais é menos popular do que música, pelo menos mais de mil pessoas deveriam assisti-lo. Não tinha 300 pessoas na platéia. Tudo bem. Azar de quem não foi, me consolei.

Pudera. O maior jornal do Rio de Janeiro deu apenas uma notinha da presença do grande artista, entre nós. Nem ao menos a capa. Nem uma entrevista. Como disse um amigo, “muita ignorância”. Ok. Você não precisava saber quem era Vito Acconci até ler este texto. Mas eu vou explicar como foi a palestra. E porque me decepcionei. Mesmo que eu fique com a pecha de chato, ao menos exorcizo esse fantasma. E paro de abordar as pessoas para perguntar o que elas acharam da palestra para, em seguida, meter o pau. Mas verão que tenho minhas razões.

Mal acomodados em uma das salas de exibição do Oi Futuro, sentados ao chão ou em almofadas, de pé, por mais de uma hora, vimos Acconci falar de seu processo criativo. Uma palestra que iria ligar seu inicio de carreira como poeta, passando pelas performances, objetos e chegando ao design e arquitetura. Eu estava excitado para compreender tão rico “atravessamento”. Hibridismos entre linguagens me interessam. Alguém ainda disse que ele sempre dá suas palestras em forma de performance. Ia ser o máximo.

De fato, acompanhei com olhos muitos atentos – e alguns pequenos movimentos de alongamento no corpo incomodado pela posição – o artista iniciando sua fala, mostrando sua insatisfação com aquilo que ele tinha chegado, em poesia, tentando criar uma performance com o corpo, através das letras. Falou sobre o momento em que se deu tal criação, que foi durante a Guerra do Vietnam. Que ele queria algo que fosse, também, ação. Lembrei Mallarmè, em “Um Lance de Dados”, onde o olho flutua pelas páginas com o lance de dados, que jamais abolirá o acaso. E no quanto esse poema, do século 19, era atual. Físico, material, táctil, propondo a participação ativa do leitor no momento mesmo da leitura. Assim como fez Acconci, mostrando a imagem de seu poema visual.

Maravilha! Vamos em frente.

A partir daí começou a perseguir pessoas na rua, em performances que duravam de 3 minutos até 7 horas. Isso em 1969. Mas ele ainda estava insatisfeito. Queria um tipo de performance em que ele não precisasse aparecer.

Ok!

Ai vem uma de suas mais fortes obras, onde ele se masturba debaixo do chão, em uma galeria. Seedbed, de 1972. É assim: o artista reconstrói um chão na sala da galeria, com alguma inclinação e fica, durante duas (acho que isso) semanas, durante o tempo em que a galeria está aberta ao público, se masturbando. Algumas implicações relacionadas à body art, ao conceitual, à desmaterialização, são óbvias. Outras, ligam-se ao desejo, à sublimação, não deixando de ser, também, provocativa, o que fazia parte de sua estratégia, levando o público a reações apaixonadas.

Mas Acconci queria mais. Queria perfomances em que ele não precisasse participar da situação. E nos brinda, mostrando uma instalação/objeto, Instant House #2, de 1980, feita com quatro chapas de madeira, estiradas ao chão, cortadas, cada uma pintada com a bandeira dos E.U.A. Um mecanismo do tipo balanço é ativado por cordas e roldanas presas às peças e quando o espectador senta ao balanço, as placas se fecham e formam um objeto tridimensional – uma caixa – em forma de casa. Do lado de fora, pintada, a bandeira da Rússia. Lembremos da Guerra Fria.

Mas o que estava em jogo tinha a ver com uma continuidade, descontinuidade de espaços. Um abrir-se e fechar. Juntar o dentro e o fora. Casar os inimigos. De tornar algo bi em tridimensional.

Remontava-se, com isso, toda a história da arte, depois do modernismo: colagem, cubismo, construtivismo, Jasper Johns, Pop, Minimal, Conceital, etc. Em suma, uma peça síntese, cuja aparição, traz em si toda a história, cultura e arte que passou, apontando para uma cultura que devia se desdobrar, se abrir, se permear. Mas o Sr. Acconci da palestra ainda não estava satisfeito. Apesar de se dirigir na direção de uma arquitetura mais flexível e permeável, queria trabalhar coletivamente. Disse que era bom para ter idéias gerais, mas não para resolver os detalhes. Uma insatisfação como sintoma de inquietação criativa, eu tinha entendido.

É importante que se diga. Os anos 80 e 90 foram duros para artistas radicais – radicais no sentido de trazer toda a raiz da cultura naquilo que fazem. Como vender aquilo que Acconci fazia, tão provocativo, tão evocativo, tão pouco comercial, em uma época em que a pintura voltou a ser “a bola da vez” do mercado? Uma época em que jovens, do dia para noite, eram lançados ao topo da fama e do dinheiro e virando capa de revistas de arte internacional. Como se locomover contra a corrente enquanto Wall Street ditava as regras e o muro de Berlin era posto abaixo, com a declaração que direita e esquerda não fazia mais sentido no mundo globalizado neoliberal?

Além de duro aqueles tempos, deve ter sido chato e triste para artistas do porte de Acconci ver gente sem nenhum talento, mas com estratégias de marketing, se darem bem no circuito artístico, com exposições em grandes museus, viajando pelo mundo. Um artista com trabalhos como a mesa que sai para fora do restaurante, se projetando para o espaço, em um edifício, tornamdo-se uma espécie de trampolim. Ou, mais recentemente, o abrigo feito para sem-tetos, em 2002, embaixo do viaduto do Cambuci, em São Paulo, dentro do evento ArteCidade.

Mas isso é só uma suposição minha, porque, na palestra, Acconci pula dos anos 80 para os anos 2000 e, aí, já não tem mais nada a reclamar. Trabalha com um grupo de designers e arquitetos fazendo projetos encomendados pelo mercado, como a loja de roupas jovens na qual eles reformaram a arquitetura e fizeram o mobiliário, todo de materiais que, enfim, a tecnologia pode proporcionar. Materiais leves, moldáveis, translúcidos, etc.

Mas parece que a ironia tornou-se um pouco debochada, como a “casa dos pesadelos” que projetou, onde tudo fica de cabeça para baixo, em uma alusão à “casa dos sonhos” que todo estadunidense gostaria de morar. Ou a maquete para a reconstrução das Torres Gêmeas, destruídas há exatos 8 anos atrás, que deveria ser uma ruína, para “enganar os terroristas”, que provavelmente não iriam destruir algo que tem aparência destruída. A foto que mostra a maquete, aliás, já é toda colorida e tem aquele ar de projetada no computador, toda high tech. Prefiro os feixes de luz propostos por outras pessoas e realizado já, no mesmo local, como referência à tragédia.

Daí em diante, o que poderia ser chamado de segunda parte da palestra, é um desfile de projetos arquiteturais e de objetos criados em escritório, para dar conta de uma concorrência da cidade de Nova Iorque para remodelar a iluminação; ou decorar boates, ou equipamentos para parques, etc. Certamente levando em consideração aquelas reclamações passadas, agora satisfeitas, como a criação de buracos unindo dentro e fora, a maleabilidade dos materiais, a “performance” do corpo em relação à arquitetura, mas de forma totalmente acrítica, sem levar em consideração a sustentabilidade e contexto, adesistas em relação a uma demanda de entretenimento e, sobretudo, formalistas. Bonitas? Eu diria cafona, de mau gosto.

Saí antes de terminar sua fala. Tive de ouvir que as pessoas não são obrigadas a ter coerência. Eu também não acho. Aliás, “se fosse para fazer sentido, eu entrava para o exército”. E eu nem vou exigir que o cara, aos 69 anos, continue se masturbando debaixo do chão. Claro que não. Mas o que a gente não pode nem deve aceitar é a frouxidão. Arte tem de ter virilidade. Não é uma questão de gênero, continua sendo uma questão de tesão, de saber criar tensão, de colocar amor e generosidade naquilo que se faz. Ou, como diz Douglas Crimp, em “As ruínas do Museu”, no capítulo sobre a redefinição de espaços, onde fala da obra de Richard Serra, que o artista não pode se tornar um “operador técnico” terceirizado à serviço do mercado.

O que está em jogo, 20 anos depois que o neoliberalismo transformou o mercado em Deus, não é uma questão de ser contra ou a favor das mudanças, de aceitar ou não a tecnologia, mas da capacidade de a arte contemporânea dialogar, de igual para igual, com outras áreas, os espaços da cidade, as redes, os fluxos, as objetividades e subjetividades colocadas em ação. E, nesse sentido, não podemos esperar que o Estado ou o mercado venham até a nós dizer o que e como devemos “embelezar” a cidade, as praças, os parques, as ruas, os museus, as galerias. Temos que nos tornar agentes desse processo, impedir que a sanha imobiliarista, capitalista, devore nossa memória, nossa história, nossa cultura e nossa arte. Que as camadas sejam reveladas e não destruídas, por outras, e depois outras, no eterno retorno do novo, da novidade, ou, quando muito, ao bel prazer das (dês)políticas públicas.

Pode ser engraçadinho entrar e sair pelos buracos dos objetos que Vito Acconci vem realizando, agora que ele não tem mais nada a reclamar. E embora tudo aquilo que ele foi e fez tenha sido altamente significativo, o fato é que o que ele realiza agora só é orgânico em relação à forma, sem nenhuma preocupação a mais comigo que queria tanto poder amá-lo, ainda.

RJ – 14 de setembro de 2009

3 de set. de 2009

D1OS

03/09/2009 - 13h19
Fundador da Igreja Maradoniana cria ponto turístico em casa e presenteia craques
Alexandre Sinato
Em Rosario (Argentina)

A Igreja Maradoniana não tem uma sede ou um templo. Resume-se basicamente a um conceito e a uma paixão que, duas vezes ao ano, reúnem cerca de 500 seguidores em locais escolhidos especificamente para cada evento. Mas a força do nome de Diego Armando Maradona e a dedicação de seus idealizadores fazem dessa "religião" um ponto turístico de Rosario e uma atração entre boleiros.

Um turista desavisado que chega à cidade e procura uma igreja tradicional, com uma imagem de Maradona num altar, nada encontra. O que existe é uma pequena igreja de madeira e uma mini estátua do camisa 10 na sala de Hernán Amez. Um dos três fundadores da Igreja Maradoniana, ele transformou sua residência em um ponto de encontro.

Adoradores do ídolo argentino e curiosos de todo o mundo já foram à casa de Hernán. "Já recebi pessoas de China, Japão, Estados Unidos, Escócia, Colômbia, Venezuela, Chile, Espanha, França, Inglaterra...", enumera ele, após uma rápida busca na memória e nos cartões de visita que guardou.

São jornalistas, produtores de cinema ou simples "maradonianos" que procuram o idealizador da igreja. Em sua casa, encontram a minicapela, uma réplica do troféu, uma bola personalizada e a bíblia maradoniana (a biografia sobre o craque), além de inúmeras fotos e livros sobre o ex-jogador.

Enquanto recebia a reportagem do UOL Esporte, Hernán exibia em sua televisão o DVD sobre a Igreja Maradoniana. Graças a essa "religião", ele e os dois fãs do ídolo argentino que fundaram a instituição são reconhecidos por personalidades do país.

Em sua casa, Hernán tem as camisetas da igreja que ele vende para os visitantes por 70 pesos argentinos (cerca de R$ 35). São pelo menos três modelos diferentes, incluindo um feminino. Segundo ele, o lucro será utilizado para sustentar o site da igreja, hoje fora do ar.

"Minha intenção não é ganhar dinheiro com a paixão das pessoas, mas sim conseguir colocar o site no ar novamente. Tanto é que, a cada 50 camisetas, metade é vendida e a outra parte vira presente para as pessoas que gostam do Maradona", conta. E entre os agraciados com tal "recuerdo" incluem-se jogadores de todo o mundo.

"Uma vez, o Messi levou uma para o Barcelona e precisou fazer uma encomenda. Mandei camisetas para Ronaldinho Gaúcho, Deco, Puyol e Giuly", recorda Hernán. Ronaldinho, por exemplo, aparece com a camiseta no livro escrito sobre a Igreja Maradoniana, assim como Careca e o inglês Gary Lineker, derrotado por Maradona no Mundial de 1986.

Diante da fama que sua igreja ganhou, Hernán Amez registrou os direitos sobre a ideia. "Foi uma recomendação do Guillermo Coppola, ex-empresário de Maradona. Ele disse que seria bom fazer isso para evitar problemas futuros."

Hoje, a Igreja Maradoniana segue se reunindo em dois cultos anuais: na "Páscoa", festejada no dia que a Argentina venceu a Inglaterra na Copa de 86 com dois gols do craque (22 de junho), e no "Natal", dia do aniversário de Maradona (30 de outubro). "Meu sonho é conseguir construir uma igreja física para nosso deus", completa Hernán, orgulhoso com o símbolo que criou em homenagem ao atual treinador da Argentina: D1OS.

http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2009/09/03/ult59u201245.jhtm

27 de ago. de 2009

BIGODE

Reis Barrais
Índia Vermelha Sentada
Acode o mundo Jesus
Cacica
Jocelino Kubichéque




Quando o exu é macho eu coloco o bigode.

Jardelina da Silva

26 de ago. de 2009

Por onde andará aquele bigodão?



Dizem que não muito longe, porque além de ter medo de avião, ele era um rapaz latino americano sem dinheiro no banco...

Com vcs, o genial e inigualável Belchior:

(o video é ruim, mas pode deixar ir tocando no seu player e vendo a lista de emails)
http://www.youtube.com/watch?v=hIHRbgFSo0Y&feature=related

Balada de Madame Frigidaire

Belchior

Composição: Belchior

Ando pós-modernamente apaixonado pela nova geladeira.
Primeira escrava branca que comprei, veio e fez a revolução.
Esse eterno feminino do conforto industrial injetou-se em minha veia, dei bandeira!
e ao por fé nessa deusa gorda da tecnologia gelei de pura emoção!

Ora! desde muito adolescente me arrepio ante empregada debutante.
Uma elétrica doméstica então... Que sex-appeal! Dá-me o frio na barriga!
Essa deusa da fertilidade, ready made a la Duchamp, já passou de minha amante
Virou super-star, a mulher ideal, mais que mãe, mais que a outra... Puta amiga!

Mister Andy, o papa pop, e outro amigo meu xarope se cansaram de dizer:
Pra que Deus, Dinheiro e Sexo, Ideal, Pátria, Família pra quem já tem frigidaire?
É Freud, rapaziada! Vir a cair na cantada dum objeto mulher.
Eu me confundo, madame! E a classe média que mame se o céu, a prazo, se der!

Que brancorno abre e fecha sensual dessa Nossa Senhora Ascéptica!
Com ela eu saio e traio a televisão, rainha minha e de vocês.
Dona frigidaire me come... But no kids double income! Filho compromete a estética!
Como Edipo-Rei momo, como e tomo tudo dela... Deleites da frigidez!

Inventores de Madame Frigidaire, peço bis! Muito obrigado!
Afinal, na geladeira, bem ou mal, pôs-se o futuro do país.
E um futuro de terceira, posto assim na geladeira, nunca vai ficar passado.
Queira Deus que no fim da orgia, já de cabecinha fria, eu leve um doce gelado!

Mister Andy, o papa pop, e outro amigo meu xarope, se cansaram de dizer:
- Pra que Deus, Dinheiro e Sexo, Ideal, Pátria, e Família pra quem já tem frigidaire?
É Freud, rapaziada! Vir a cair na cantada dum objeto mulher...
Mas que trocadilho infame! La vraie Ballade des Dames du Temps Jadis... au contraire!

21 de ago. de 2009

momento raposa tomando conta do galinheiro

Os paranaenses reclamam, há tempo, da crescente onda de violência em nosso estado. As famílias se sentem inseguras dentro de casa, nas empresas ou nas ruas. Eu tomo a liberdade de encaminhar para Vossa Senhoria matéria jornalística do conceituado Jornal Gazeta do Povo, cujo texto explica bem porque a violência tem causado tantas e tantas vítimas, pois lamentavelmente, o Governo do Paraná é o que menos investe para dar segurança aos cidadãos.

Respeitosamente

Antonio Belinati


(receber email do nobre deputado paranaense - cujo mandato de prefeito eleito foi cassado antes da posse à sua quarta gestão na prefeitura de Londrina, por envolvimento com suborno e corrupção - me arrepiou!)

4 de ago. de 2009

momento paulo coelho

Onde Vai?
Em dois mosteiros vizinhos viviam dois jovens monges muito amigos.
De manhã, sempre os monges se encontravam, cada um cuidando de seus afazeres.
Certo dia, um dos monges estava varrendo o pátio de seu templo e, vendo aproximar-se o amigo, perguntou:
"Olá! Onde vais?"
O amigo respondeu, feliz:
"Vou aonde meus pés me levarem..."
O monge ficou intrigado com a resposta e comentou com seu mestre. Este lhe disse:
"Da próxima vez, diga-lhe: 'E se não tivesses pés?'"
Quando o jovem noviço viu o amigo de novo na manhã seguinte, fez a mesma pergunta já antecipando o momento em que pegaria o amigo de jeito, desta vez:
"Onde vais?"
Mas o outro disse:
"Aonde o vento me levar!"
O monge ficou frustado! Voltou ao mestre e contou a nova resposta, e este, sorrindo, disse:
"Da próxima vez, diga-lhe: 'E se o vento parasse de soprar?'"
O jovem monge ficou encantado com a idéia:
"Sim, sim! Essa é boa! Agora ele não me escapa!"
No dia seguinte, ao amanhecer, ele viu seu amigo aproximando-se de novo. Perguntou-lhe:
"Olá! Onde vais?"
O amigo parou, sorriu-lhe, e falou suavemente:
"Simplesmente vou ao mercado, meu amigo...", e seguiu seu caminho.

31 de jul. de 2009

ARTES PRÁTICAS



1 – Campanha do Museu da Tortura na Holanda utiliza “homem-sanduíche” de forma diferenciada.

2 - “Por uma boa noite de sono em qualquer lugar”. Campanha de sonífero coloca cartazes próximos a pessoas dormindo nas ruas.

3 - Pintura de mãos e pés, sugestionando posições sexuais, promove Sex shop em Singapura.



19 de jul. de 2009

mirrors from U_tupy_olândia for sell




Espelhos de u-tupy-olândia - vendas online











Espelhos de U_tupy-olândia

Usar a beleza que existe no Rio de Janeiro e retirar os edifícios e o Cristo da paisagem é a proposta deste trabalho. É assim, o resultado é uma imagem de um lugar paradisíaco chamado, agora, de U_tupy_olândia. Na mesma palavra tem a palavra utopia e a palavra TUPY (índios brasileiros).
Para Helène Clastres, em seu livro "A terra sem mal", os índios tupy-guaranis acreditavam no Paraíso, mas o Paraíso, enquanto nós estamos vivos, aqui na Terra.
O argumento do presente trabalho é o sujeito, a identidade e o reconhecimento de quem somos nós, para discutir quem são os outros. O espelho como reflexo, como reflexão. Meu trabalho é comprar esses produtos de bolso “Made in China” no comércio popular e trocar as imagens dos espelhos. Por que o espelho? É porque no Brasil os europeus trocavam espelhos com os índios e ficavam com o ouro deles, desde 1500.
Mas agora, esses mesmos “índios” transformam espelhos em ARTE e o vendem como produto “nacional”. Ou seja, devolvem a idéia de clichê como uma verdade, embora o clichê de beleza não seja uma mentira, em se tratando de Brasil.
Outra conexão que faz parte desse trabalho é a herança do Movimento Modernista, que foi um importante movimento no Brasil, a partir dos anos 20. Pois a partir deste movimento, o Brasil começou a mostrar as palmeiras, coqueiros e belezas naturais como parte de sua formação cultural, como o futebol, a caipirinha e o samba.
U-tupy-olândia não é só espelhos, mas a busca do trânsito livre entre diferentes linguagens: performances, ativismo, fotografia, vídeo, etc. onde a alegoria e o exotismo brasileiro são apropriados para diferentes situações, contextos e mídias.
Como é conhecido pela história da sociologia e da antropologia, os índios brasileiros costumavam comer seus inimigos para deles ganhar a força (Levy-Strauss, “O pensamento selvagem”). Em todo caso, ninguém mais precisa temer esta ameaça, uma vez que o mundo está todo globalizado e a idéia de quem sou eu quem é o outro, se apresenta como um discurso vazio, de multiculturalidade, como mais um negócio no mercado.
Usar a beleza natural tropical como sendo “O Paraíso na terra” e vender isso como fonte turística é mostrar, também, um outro lado da globalização, que é o lado do progresso industrial, da devastação e da acumulação de riquezas, essas, bem reais.
Para quem quer ver no espelho apenas refletida sua “alegria de viver”, eis que esses espelhos – com seu jogo de palavras e imagens de duplo sentido – cumprem bem seu papel de divertirem. Mas, o outro lado do espelho – como diria Deleuze, em “A lógica do Sentido”, sobre “Alice no país das maravilhas” – também é o espelho.
Assim, a única maneira de escapar das aparências, neste caso, é assumi-las como parte da construção do que somos nós, brasileiros: exóticos a nós mesmos. É no paradoxo desta constatação que nos tornamos “globalizados”, também. Ou seja, pertencendo ao mundo, devorando e sendo devorados, ao mesmo tempo.

U_tupy-land’s mirrors
I use the beautiful view that exists in Rio de Janeiro and I remove the buildings and Christ of the landscape. It is like this, the result is an image of a paradisiacal place that call U_tupy_olândia. In the same word, we have the word utopia and the word TUPY (Brazilian Indians). For Helène Clastres, in your book "The land without evil", the tupy-guaranis Indians believed in the Paradise, but the Paradise, while we are alive, here in the Earth.
The subject of the present work is the identity and the recognition of who we are us, to discuss who are the other ones. The mirror as reflex, as reflection. My work is to buy those pocket products "Made in China" in the popular trade and to change the images of the mirrors. Why the mirror? It is because in Brazil the Europeans exchanged mirrors for the Indians and they were with their gold, since 1500.
But now, those same "Indians" transform mirrors in ART and they sell it as "national" product. In other words, they return the cliché idea as a truth, although the beauty cliché is not a lie, in if treating of Brazil.
Another connection that is part of that work is the inheritance of the Modernist Movement, that it was an important movement in Brazil, starting from the twenties. Because starting from this movement, Brazil began to show the palm trees, coconut trees and natural beauties as part of your cultural formation, as the soccer, the caipirinha and the samba.
U-tupy-olândia is not only mirrors, but the search of the free transit among different languages: performances, activism, picture, video, etc. where the allegory and the Brazilian exotism are appropriate for different situations, contexts and mídias.
As it is known by the history of the sociology and of the anthropology, the Brazilian Indians eat your enemies for of them to win the force (Levy-Strauss, about the wild thought). In every case, nobody needs to fear this threat, once the world is every globalizated and the idea of who I am I who it is the other, come as an empty speech, of multiculturalism, as one more business at the market.
To use the tropical natural beauty as being "The Paradise in the earth" and to sell that as tourist source is to show, also, another side of the globalization, that is the side of the industrial progress, of the devastation and of the accumulation of wealth, those, very real. For who wants to see in the mirror just reflected your "happiness of living", suddenly those mirrors - with your game of words and images of double sense - they accomplish your role well of they amuse. But, the other side of the mirror - as Deleuze said, in "The logic of the sense", on Alice’s Carrol - it is also the mirror. Like this, the only way to escape of the appearances, in this case, is to assume them as part of the construction of what are us, Brazilian: exotic to us same.
It is also in the paradox of this verification that we became globalized. In other words, belonging to the world, devouring and being devoured, at the same time.


some translations of the texts in the images:
você é exótico. você é daqui: "you are exotic. you are of here"
Terra das mulheres felizes: "Place of the happy girls"
Eu como você. Você como eu: "I eat you. You eat me". but, too: "I like you. You likes me"
You are happy. You are here.
Sacred is yours montains, u-tupy-oland

Conjunto com 9 mirrors = 150$
Size: 7 x 5 cm
Display: 9 acrylic support more one plastic display
Quantidade de conjuntos à venda: 100
Cada imagem vem com um documento atestando sua autenticidade, contendo assinatura, data e numeração.

O comprador pode escolher as imagens que farão parte do conjunto dele.

Também é possível comprar espelhinhos avulsos: 20$ cada


Rubens Pileggi Sá - artista, escritor e agitador cultural. Trabalha com performances, intervenções e ações em espaço público.

artist, writer and cultural agitator. Works with performances, speeches and actions in public space.

pileggisa@gmail.com

14 de jul. de 2009

Psicóloga que diz "curar" gay vai a julgamento em conselho

Conselho Federal de Psicologia decide no dia 31 se cassa licença de Rozângela Alves Justino

Resolução veta tratar questão como doença e recrimina indicação de tratamento; se o registro for perdido, será a 1ª condenação do tipo no país

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
ENVIADO ESPECIAL AO RIO

O Conselho Federal de Psicologia julga, no fim deste mês, a cassação do registro profissional de Rozângela Alves Justino por oferecer terapia para que gays e lésbicas deixem a homossexualidade. Se perder a licença, será a primeira condenação desse tipo no Brasil.
Resolução do próprio conselho proíbe há dez anos os psicólogos de lidarem a homossexualidade como doença e recrimina a indicação de qualquer tipo de "tratamento" ou "cura".
Rozângela, que afirma ter "atendido e curado centenas" de pacientes gays em 21 anos, diz ver a homossexualidade como "doença" e que algumas pessoas têm atração pelo mesmo sexo "porque foram abusadas na infância e na adolescência e sentiram prazer nisso".
Numa consulta em que a reportagem, incógnita, se passava por paciente, Rozângela, que se diz evangélica, recomenda orientação religiosa na igreja.
"Tenho minha experiência religiosa que eu não nego. Tudo que faço fora do consultório é permeado pelo religioso. Sinto-me direcionada por Deus para ajudar as pessoas que estão homossexuais", afirma.
A cassação de Rozângela, que atende no centro do Rio, foi pedida por associações gays e endossado por 71 psicólogos de diferentes conselhos regionais.
Segundo Rozângela, que já foi condenada a censura pública no conselho regional do Rio no final de 2007, "o movimento pró-homossexualismo tem feito alianças com conselhos de psicologia e quer implantar a ditadura gay no país".
"É por isso que o conselho de psicologia, numa aliança, porque tem muito ativista gay dentro do conselho de psicologia, criou uma resolução para perseguir profissionais", afirma.
No Rio, Rozângela participa do Movimento Pela Sexualidade Sadia, conhecido como Moses, ligado a igrejas evangélicas.
A almoxarife Cláudia Machado, 34, diz que recebeu de Rozângela a apostila "Saindo da homossexualidade para a heterossexualidade", que prega meios para a mudança de orientação sexual. "Hoje vivo a minha homossexualidade tranquila, essa história de cura não existe, o que houve foi um condicionamento. Reprimi meus desejos. Não sentia prazer", diz.
Já a pedagoga Fernanda, que pede para não ter o sobrenome divulgado, diz ter sido lésbica por dez anos e que, depois da terapia que faz com Rozângela há quatro anos, passou a ter relações heterossexuais. "Realmente há possibilidade de sair da homossexualidade. É um processo longo. De lá para cá busco a feminilidade."
"A ciência já mostrou que não existe tratamento para fazer com que alguém deixe de ter desejo homossexual nem heterossexual. Quando se promete algo assim, é enganoso", diz o terapeuta sexual Ronaldo Pamplona, da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.
Segundo ele, a Sociedade Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade do diagnóstico de doenças em 1974, seguida, uma década depois, pela Organização Mundial da Saúde.
"Se absolvê-la, o Conselho Federal de Psicologia vai referendar a tese de que é possível "curar" gays", diz Toni Reis, presidente da ABGLT, a associação brasileira de homossexuais.
"Isso traz prejuízo aos gays e contribui para fortalecer o estigma", afirma Cláudio Nascimento, superintendente da Secretaria de Direitos Humanos do Rio e do grupo Arco-Íris.
"Vejo [o pedido de cassação] como uma injustiça", diz Rozângela, que, se cassada, pensa em recorrer à Justiça comum.
De um lado, cem entidades gays de todo o país vão levar um manifesto e manifestantes no dia do julgamento de cassação de registro de Rozângela, no próximo dia 31, em Brasília. Do outro, ela diz que vai reunir alguns ex-gays e psicólogos amordaçados para protestar contra a censura que diz sofrer.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1407200913.htm

mar vermelho 1











CAÇA NA DINAMARCA

Se você acha que mar vermelho só existe um!! Se enganou!! Ajude a mudarmos este fato !!!!

DINAMARCA : UMA CAÇA

TODO ANO, ESSE MASSACRE BRUTAL E SANGUINÁRIO SE REPRODUZ NAS ILHAS FAROÉ, QUE PERTENCEM À DINAMARCA, UM PAÍS DITO "CIVILIZADO", MEMBRO DA UNIÃO EUROPÉIA.
MUITO POUCA GENTE TEM O CONHECIMENTO DESTA DEMONSTRAÇÃO TERRÍVEL E DEPLORÁVEL DE INSENSIBILIDADE QUE SE REPETE A CADA ANO.
ESSE MASSACRE SANGUINÁRIO É FRUTO DE HOMENS JOVENS QUE PARTICIPAM DESTE EVENTO MACABRO APENAS PARA DEMONSTRAR QUE ALCANÇARAM A IDADE ADULTA.
É ABSOLUTAMENTE INCRÍVEL QUE NADA ESTEJA SENDO FEITO PARA QUE ESSA BARBARIDADE SEJA IMPEDIDA, UMA BARBÁRIE CONTRA O "CALDEIRON", UM GOLFINHO SUPER INTELIGENTE, QUE TEM A PARTICULARIDADE DE SE APROXIMAR DAS PESSOAS POR CURIOSIDADE.

CENSURA NA CULTURA







Caros amigos

Repasso aqui carta de Hélio Leites manifestando suas críticas e indignação pela censura que recebeu no SESC-Campinas.

Manifesto aqui minha solidariedade ao artista/contador de histórias/desanimador de festas/fazedor de inutensílios e fundador da Associação Internacional dos Coleccionadores de Botão, aquele que nos ensinou as grandezas de valor escondidas nas casas de um botão.

Espero que as câmeras de vigilãncia, a psiquê e juízo dos seguranças e porteiros de museu, as leis de etiqueta e bons costumes, os contratos de direitos autorais, o autoritarismo das autoridades do meio de arte, a reserva de mecado, e qualquer outra invenção de controle e censura deixem de ser parâmetro para a fruição da experiência artística e suas singularidades existenciais de manifestação.

Goto
http://newtongoto.wordpress.com



---------- Forwarded message ----------
From: Katia Horn <katia@familiahorn.com.br>
Date: 2009/7/13
Subject: Fw: carta de Hélio Leites ao Sesc SP
To:


Queridos,
meu amigo Hélio Leites foi censurado e humilhado num encontro de contadores de histórias no Sesc-Campinas. Transcrevi a carta manuscrita que ele endereçou ao Presidente do Sesc São Paulo, que está anexada a este email, para que seja lida e divulgada. Esse tipo de tratamento precisa ser alardeado, para que não se repita, principalmente quando se trata de um artista do gabarito e importância do Hélio.
Indignada, assino embaixo.
Um abraço, Katia Horn
(como diz o Hélio, Ghandis coisa!)

Ao Sr. Presidente do Sesc

Danilo Santos de Miranda

Sesc - SP

ref.: "Sesc Campinas censura contador de histórias"

ou "a ditadura do Patrocínio"

ou "Era uma vez outra vez..."

ou "Solidariedade não dói."

Eu, Hélio Leites, contador de histórias de Curitiba-Pr, fui censurado no Sesc Campinas pela segunda vez. A primeira vez ocorreu no ano passado quando fui convidado a participar do I Encontro de Contadores de Histórias - organizado pela Cia Narradores Urbanos e impedido de participar do evento, quando me indispus com o funcionário Sérgio "Conceito", que me proibiu de vender minhas inutilidades artesanais nas dependências do burgo. A alegação foi que era proibida a comercialização de produtos no interior do Sesc, quando no entanto, era permitido vender coca-cola na lanchonete. Neste ano, sem justificativa aparente, tive meu nome censurado pela diretoria cultural do Sesc Campinas, no dia da abertura, no hall do teatro, apesar de meu nome constar na programação do evento. Eu lhe pergunto: até quando vai persistir essa censura? Vim à Campinas este ano porque, quando fui convidado para o evento, alegaram que o funcionário birrento tinha sido transferido para São Paulo. Deve, pensei, deve ter recebido uma promoção pelo seu auto desempenho. Ledo engano, a mágoa ainda lateja, e eu, que acreditava que ela saía na urina.

Nem sei se ele foi, mas deixou aqui sua escola, o ranço de sua intransigência ainda cheira no ar; a intolerância de sua disciplina ainda reverbera nas portas e guardas, bem como a soberba de sua ditadura ainda pulsa nos remanescentes, que me censuraram novamente. Impedir um velho de trabalhar no último ofício que a vida lhe reservou deve ser crime inafiançável moralmente, e passível, espero, de processo judicial. A humilhação, a decepção e a violência moral não tem preço. Quando se adquire cabelo branco, vem junto no mesmo pacote, imunidade para lamentar. Velho não tem vez, nem voz neste país, tanto que qualquer funcionariozinho com seu cetro de rádio-comunicador sente-se autoridade para praticar a censura. Se um Sesc desses, verdadeiro templo erigido ao Deus Comércio, proíbe um pobre artesão de contar histórias num evento coletivo, está no fundo demonstrando necessidade de reciclagem. Não é só lixo que se recicla, educação também. Revela ainda total incompetência para gerenciar conflitos, revela também sua truculência cultural e sua vaidade arrogante e deixa à mostra a ditadura do patrocínio. Quem paga pode censurar. A censura acabou no Brasil, menos no Sesc Campinas.

Depois de viajar sete horas de Curitiba à Campinas, arrastando bagagens e histórias pelas rodoviárias da vida e ser “barrado no baile” e impedido de comungar histórias com meus pares, lhe confesso que isso não me engrandece nenhum pouco, acredite, estou me sentindo um refugo. Uma tristeza profunda me abalou até as varizes e paira sobre o meu coração velho. O que me consola é uma réstia de esperança, nuvem que de Campinas vai até o Pilarzinho onde moro. E é essa nuvem de solidariedade que não me deixa abandonar essa profissão que amo e que o mundo me reservou. Contar histórias é a profissão mais antiga do mundo e a mais nova. Quando você não conseguir fazer nada na vida e nada em sua vida der certo, vá contar a história de seus fracassos. O povo adora ouvir histórias de fracassos dos outros que é pra não cometer os seus. Desisti sim, mas foi do Sesc Campinas, não dos outros “Sesquis” do Brasil, os quais espero que sejam mais dóceis, receptivos e amigos do que o Sesc Campinas.

Continuo levantando a bandeira de contador de histórias, com o propósito de juntar pessoas, falo de amizade, solidariedade, honestidade, auto-estima, terapias alternativas e vivências de humor, matéria prima tão em falta no mundo corporativista. Espero que este grito seja jogado no ventilador da internet e espalhe essa nuvem de esperança pelo ar. Para que nunca mais na história desse país, um velho precise se humilhar escrevendo um S.O.S. e colocando dentro de uma garrafa e jogando no mar. Só estou procurando dignidade. Alguém viu alguma por aí?

Saudações

Hélio Leites

“Solidariedade não dói”