19 de jul de 2009

Espelhos de u-tupy-olândia - vendas online











Espelhos de U_tupy-olândia

Usar a beleza que existe no Rio de Janeiro e retirar os edifícios e o Cristo da paisagem é a proposta deste trabalho. É assim, o resultado é uma imagem de um lugar paradisíaco chamado, agora, de U_tupy_olândia. Na mesma palavra tem a palavra utopia e a palavra TUPY (índios brasileiros).
Para Helène Clastres, em seu livro "A terra sem mal", os índios tupy-guaranis acreditavam no Paraíso, mas o Paraíso, enquanto nós estamos vivos, aqui na Terra.
O argumento do presente trabalho é o sujeito, a identidade e o reconhecimento de quem somos nós, para discutir quem são os outros. O espelho como reflexo, como reflexão. Meu trabalho é comprar esses produtos de bolso “Made in China” no comércio popular e trocar as imagens dos espelhos. Por que o espelho? É porque no Brasil os europeus trocavam espelhos com os índios e ficavam com o ouro deles, desde 1500.
Mas agora, esses mesmos “índios” transformam espelhos em ARTE e o vendem como produto “nacional”. Ou seja, devolvem a idéia de clichê como uma verdade, embora o clichê de beleza não seja uma mentira, em se tratando de Brasil.
Outra conexão que faz parte desse trabalho é a herança do Movimento Modernista, que foi um importante movimento no Brasil, a partir dos anos 20. Pois a partir deste movimento, o Brasil começou a mostrar as palmeiras, coqueiros e belezas naturais como parte de sua formação cultural, como o futebol, a caipirinha e o samba.
U-tupy-olândia não é só espelhos, mas a busca do trânsito livre entre diferentes linguagens: performances, ativismo, fotografia, vídeo, etc. onde a alegoria e o exotismo brasileiro são apropriados para diferentes situações, contextos e mídias.
Como é conhecido pela história da sociologia e da antropologia, os índios brasileiros costumavam comer seus inimigos para deles ganhar a força (Levy-Strauss, “O pensamento selvagem”). Em todo caso, ninguém mais precisa temer esta ameaça, uma vez que o mundo está todo globalizado e a idéia de quem sou eu quem é o outro, se apresenta como um discurso vazio, de multiculturalidade, como mais um negócio no mercado.
Usar a beleza natural tropical como sendo “O Paraíso na terra” e vender isso como fonte turística é mostrar, também, um outro lado da globalização, que é o lado do progresso industrial, da devastação e da acumulação de riquezas, essas, bem reais.
Para quem quer ver no espelho apenas refletida sua “alegria de viver”, eis que esses espelhos – com seu jogo de palavras e imagens de duplo sentido – cumprem bem seu papel de divertirem. Mas, o outro lado do espelho – como diria Deleuze, em “A lógica do Sentido”, sobre “Alice no país das maravilhas” – também é o espelho.
Assim, a única maneira de escapar das aparências, neste caso, é assumi-las como parte da construção do que somos nós, brasileiros: exóticos a nós mesmos. É no paradoxo desta constatação que nos tornamos “globalizados”, também. Ou seja, pertencendo ao mundo, devorando e sendo devorados, ao mesmo tempo.

U_tupy-land’s mirrors
I use the beautiful view that exists in Rio de Janeiro and I remove the buildings and Christ of the landscape. It is like this, the result is an image of a paradisiacal place that call U_tupy_olândia. In the same word, we have the word utopia and the word TUPY (Brazilian Indians). For Helène Clastres, in your book "The land without evil", the tupy-guaranis Indians believed in the Paradise, but the Paradise, while we are alive, here in the Earth.
The subject of the present work is the identity and the recognition of who we are us, to discuss who are the other ones. The mirror as reflex, as reflection. My work is to buy those pocket products "Made in China" in the popular trade and to change the images of the mirrors. Why the mirror? It is because in Brazil the Europeans exchanged mirrors for the Indians and they were with their gold, since 1500.
But now, those same "Indians" transform mirrors in ART and they sell it as "national" product. In other words, they return the cliché idea as a truth, although the beauty cliché is not a lie, in if treating of Brazil.
Another connection that is part of that work is the inheritance of the Modernist Movement, that it was an important movement in Brazil, starting from the twenties. Because starting from this movement, Brazil began to show the palm trees, coconut trees and natural beauties as part of your cultural formation, as the soccer, the caipirinha and the samba.
U-tupy-olândia is not only mirrors, but the search of the free transit among different languages: performances, activism, picture, video, etc. where the allegory and the Brazilian exotism are appropriate for different situations, contexts and mídias.
As it is known by the history of the sociology and of the anthropology, the Brazilian Indians eat your enemies for of them to win the force (Levy-Strauss, about the wild thought). In every case, nobody needs to fear this threat, once the world is every globalizated and the idea of who I am I who it is the other, come as an empty speech, of multiculturalism, as one more business at the market.
To use the tropical natural beauty as being "The Paradise in the earth" and to sell that as tourist source is to show, also, another side of the globalization, that is the side of the industrial progress, of the devastation and of the accumulation of wealth, those, very real. For who wants to see in the mirror just reflected your "happiness of living", suddenly those mirrors - with your game of words and images of double sense - they accomplish your role well of they amuse. But, the other side of the mirror - as Deleuze said, in "The logic of the sense", on Alice’s Carrol - it is also the mirror. Like this, the only way to escape of the appearances, in this case, is to assume them as part of the construction of what are us, Brazilian: exotic to us same.
It is also in the paradox of this verification that we became globalized. In other words, belonging to the world, devouring and being devoured, at the same time.


some translations of the texts in the images:
você é exótico. você é daqui: "you are exotic. you are of here"
Terra das mulheres felizes: "Place of the happy girls"
Eu como você. Você como eu: "I eat you. You eat me". but, too: "I like you. You likes me"
You are happy. You are here.
Sacred is yours montains, u-tupy-oland

Conjunto com 9 mirrors = 150$
Size: 7 x 5 cm
Display: 9 acrylic support more one plastic display
Quantidade de conjuntos à venda: 100
Cada imagem vem com um documento atestando sua autenticidade, contendo assinatura, data e numeração.

O comprador pode escolher as imagens que farão parte do conjunto dele.

Também é possível comprar espelhinhos avulsos: 20$ cada


Rubens Pileggi Sá - artista, escritor e agitador cultural. Trabalha com performances, intervenções e ações em espaço público.

artist, writer and cultural agitator. Works with performances, speeches and actions in public space.

pileggisa@gmail.com

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