4 de abr de 2009

Ditadura no Brasil - 45 anos depois...

João Daltro // 31/March/2009 às 10:16

Caro André.
Você levantou alguns pontos muito importantes, que me permito comentar.
FHC encontrou uma dívida interna de R$ 65 bilhões; saiu com uma dívida de R$ 750 bilhões. Com um agravante, essa dívida chegou a pagar, durante o governo do (s)ociólogo, juros de 48%. FHC também deixou uma dívida externa de US$ 240 bilhões. Mas eles não ia pagar essa dívida vendendo o patrimônio do Estado brasileiro? Bem, não pagou, pelo contrário, ela cresceu, a ponto de ele ter de continuar mendigando ao FMI. Mas o patrimônio do Brasil ele conseguiu desbaratar. Só a Vale do Rio Doce, que tinha um patrimônio comprovado de R$ 3 trilhões, ele “vendeu” para os amigos por R$ 3 bilhões, mesmo assim financiados pelo BNDES e com o uso forçado do dinheiro dos fundos de pensão. Se isso é “melhorar” o Brasil, caro PD, eu tremo só de pensar como seria piorar. Todos sabem que não tenho maiores admirações pelo EUA, mas justiça seja feita, lá um FHC já teria sido torrado na cadeira elétrica. Por muito, muito menos o Madoff, em tempo recorde, já está vendo o sol nascer quadrado.
Quanto à sua afirmação de que “à crise se restringia às redações dos jornais”, em reconhecimento ao valor e à coragem dos jornalistas da época, devo corrigir para a crise se restringia à vontade dos donos dos jornais. Foram os jornais cúmplices, que se tornaram com a ditadura os jornalões de hoje (Globo, Folha, Estadão, etc.), que pintavam um mundo à beira da destruição. Hoje sabemos, graças a liberação de documentos do governo dos EUA, que era uma campanha dirigida pela CIA, que chegava a mandar editoriais prontos que os jornais da época (principalmente o Estadão) apenas imprimiam. A maioria dos jornais resistiu tenazmente e, por isso, foram eliminado ou reduzidos a nanicos.
Não preciso que ninguém me conte como foi a ditadura, eu a vivi. Foi, como afirmou o PD, um tempo perdido, quase irrecuperável, na vida do Brasil. Seus efeitos deletérios se fazem sentir ainda hoje, inclusive nas “lideranças” que ela forjou e que ainda estão por aí, gente que o The Economist (espero que não digam ser uma publicação comunista) comparou a dinossauros redivivos: os Sarney, os Magalhães, os Bornhausen, os Maluf, etc e tal.


peguei aqui, meu povo: http://pedrodoria.com.br/2009/03/31/nos-45-anos-da-ditadura/

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