6 de ago de 2008

cinema nacional



Estava pensando ontem que os filmes nacionais estão muito mais presentes em nossa vida hoje do que há dez anos atrás, mas o modelo é aquele roliudiano de um chiaro escuro que nada tem a ver com a luz dos trópicos, a câmera fixa, como se nunca tivesse alguém manipulando-a atrás da cena. E, porra, já disse O cara: "uma câmera na mão e uma idéia na cabeça". É preciso estruturar linguagens, criar uma visão de mundo a partir de nós mesmos. Não esse tipo de antropofagização de butique, até porque eu penso que está na hora de enfrentarmos o processo cultural não mais como eles em relação a nós, mas como um posicionamento político cultural originários dos trópicos, desde todos os estupros e influências estrangeiras até nosso ardende desejo iluminado por esse sol tropical, cuja influência está toda no início da arte moderna, como se pode ver no inaugural "almoço na relva", de 1863. Foi nossa luz tropical que fez a pintura de Manet revolucionar toda a arte representativa até então.
O que eu quero dizer com isso? que glauber sacou que o cinema tinha se tornado apenas literatura em filme, e que era preciso parar de representar (dá-lhe oiticica) para se fazer presente na dimensão política das nossas ações. Não para fazer cinema, mas para, a partir do cinema, compreender e interagir nos processos de manipulação cultural.

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