27 de jul de 2010

JARDELINA



AS ÁGUAS DO INFERNO
Eu fui no Tabocal que é debaixo da terra, que é o lugar dos pecados, do buraco.  Pode assinar.
Fui nos quintos dos infernos.  Achei o rosário de Nossa Senhora queimado dentro. Entrei nos quintos dos infernos pra salvar Nosso Senhor, invísivel.
Fui nas profundas dos infernas.  É o lugar das frutas.  Cada fruta que já nasce tudo amarelinha.  Tudo docinha.  Nas profundas do inferno.  Já nasce as frutas maduras.  Juro às luzes divinas.  Jardelina da Silva.
Eu fui na tábua lascada, onde faz as casas de móveis.
Eu fui nos 7 corgos dos infernos.  Lá é aonde ajunta o sangue dos coitados que morrem na faca.  Tem um poço de sangue lá.  Sangue cru mesmo.  Lá nas...esqueci o estilo da boca.
Atravessei o poço de sangue vivo.  Nos 7 corgos do inferno.  Tava a novilha branca de meu pai Conrado deitada lá descansando.  Tava junto ao poço.
Quando Jarda saiu fora da novilha branca e dos 7 corgos do inferno, Jarda entrou no rio do ganso.  É o resto da palha da cana.  Fica pro lado de Aracaju, pra baixo.  Jarda avistou uma casa com a letra.  Eu acho que é um pato.  Quando Jarda ia entrando na casa o homem falou "não deixa essa menina entrar aqui.  Quem entrar, não sairá.  Palácio velho".  Juro por Nosso Senhor.  Tudo invisível.
Quando eu sai do Rio do Ganso, atravessei, cheguei na frente e alcancei o Rio de Piracicaba cercado todo de cipó, coisa mais linda.  Aí uma voz falou:  "só bebe dessa água aqui essa menina.  Esse rio foi Jesus que cercou".  Tá cercado, não passa nem um mosquito.  Eu olhando por um buraquinho.  Aí que medo que eu passo, meu deus!  eu morro de medo das águas das coisas.
Quando eu saí do Rio de Piracicaba, eu encontrei o Rio de Leite.  Quando cheguei no rio de Leite, já tinha o caximbo dentro.  Falou a voz:  "Esse caximbo é de João Meneis, quem soltou aqui foi a velha Dina".  A velha Dina é uma velha que nunca casou.  E eu encontrei ela lá no maior sofrimento, estrepada num toco assim.  Ela disse: " Eu nunca casei, agora eu tou sofrendo aqui.   Ela é  macho/fêmea.  Ela morreu um dia desses.
Que a Jarda saiu do rio do Leite, e o coração da Jarda caiu, e vai as duas porteiras do mundo, tudo quebrado os dois vidros.  Lá e cá.

Um comentário:

célia musilli disse...

Tá viva a letra!!!!! rss Um beijo!