12 de nov de 2009

INHOTIM e as ARTES nacionais

Fonte: http://www.novojornal.com/politica_noticia.php?codigo_noticia=10499

Após desmonte do mensalão mineiro, sócio agora utiliza organização não
governamental para prática criminosa

Depois de mais de dois meses pesquisando, ouvindo e apurando denúncias de
“especialistas de mercado” sobre uma nova lavanderia de dinheiro,
Novojornal conclui reportagem que traz à tona um esquema com a
participação de vários políticos, jornalistas, empresários de diversos
setores da economia nacional e mineira, que absorveu todo esquema de
corrupção e sonegação outrora executados pelas agências de
publicidade SMP&B e DNA, desmontado após comprovação através da CPI dos
Correios e investigação da Polícia Federal (PF), o que culminou com a
denúncia apresentada pelo Procurador da República no explosivo mensalão,
desdobrado posteriormente em mensalão mineiro.

Integraram esta denúncia Marcos Valério e Cristiano Paz, proprietários da
DNA e SMP&B.

O primeiro, após cair em desgraça, tirou de cena o segundo, verdadeiro
autor da engenharia contábil e financeira que, por décadas, serviu
principalmente aos governos mineiro e federal, além de autarquias,
empresas públicas e privadas.

Segundo os “especialistas”, Valério entrara no “ramo” há pouco tempo,
representando um “sócio oculto”. Cristiano Paz, diante da falta de
condições em utilizar as agências de publicidade para servir seus
tradicionais clientes, migrou para o Museu Inhotim, situado no município
de Brumadinho, a 60 quilômetros de Belo Horizonte.

Inhotim, até então, era apenas um hobby excêntrico pertencente a Bernardo
Paz, irmão de Cristiano. Bernardo Paz é um “playboy” que passou sua vida
gastando a enorme fortuna deixada por seu ex-sogro, o falecido banqueiro
João do Nascimento Pires, proprietário do extinto Banco Mineiro do Oeste.

Em 2002 foi fundado o Instituto Cultural Inhotim, entidade sem fins
lucrativos, dessa forma, “isenta” de pagamento de impostos. Embora sujeito
a fiscalização, ficou literalmente de fora das investigações do mensalão.
Sua contabilidade no período das apurações do caso mensalão simplesmente
evaporou, segundo informações de participantes das investigações.

Após essa transformação, os investidores e patrocinadores dos projetos de
Inhotim, coincidentemente passaram a ser os mesmos que anteriormente eram
clientes da SMP&B e DNA. É inegável que nas últimas décadas todo esquema
de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro, principalmente público,
executado no Brasil, nasceu em Minas Gerais.

Até então tido como um Estado ético e exemplo de probidade, Minas passou a
ser conhecido pela engenhosidade de contraventores, transvertidos de
empresários, políticos e publicitários.

Evidente que a impunidade estimulou o crescimento da contravenção.

Agências de publicidade como SMP&B e DNA, junto com instituições
financeiras como Banco Rural e BMG, desmontaram o patrimônio do Estado.
Abertamente ofereciam especialização não nas atividades constantes de seus
objetivos sociais e a disputa entre os Bancos e agência de propaganda
passou a ser daquele que ofereceria maior competência na prática de
contravenções. Diretores dos bancos ocupavam diretorias do Banco Central
e, diretores de agências, altos cargos da administração pública,
encarregados da gestão das verbas de publicidade, impedindo dessa forma a
fiscalização ou a punição.

Foi necessário que, em Brasília, após ser contrariado em seus interesses,
o deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) denunciasse o esquema para
que investigações fossem realizadas. Muitos acham que a mesma foi
superficial e poupou diversos participantes. Agora entra em cena o novo
esquema, através da ONG Inhotim.

Os valores operados anualmente neste esquema ultrapassam R$ 150 milhões.
Para dar “saída” ao dinheiro recebido, Inhotim passou a adquirir enormes
áreas no município de Brumadinho.

Compraram escandalosamente, por vultuosas somas, gigantescas áreas sem
qualquer valor comercial ou de mercado, por serem pirambeiras e mata
virgem, todas situadas em áreas de preservação ambiental.

O preço alto pago era apenas para constar das escrituras. Na verdade, o
valor pago era insignificante. Após esta operação, a diferença entre o
valor pago e o valor da escritura estava “lavada”.

Evidente que as operações convencionais de superfaturamento de promoções e
simulação de patrocínio continuaram a acontecer. Hoje, no cartório de
Imóveis de Brumadinho, comprovadamente, Inhotim é a maior proprietária do
município. Se avaliado a preço de mercado dos imóveis adquiridos, não
chega a 0,5% do valor declarado.

A eficiência do novo modelo, assim como a esperteza e inteligência dos
novos operadores tem que ser reconhecida.

Diante da evidente simpatia da sociedade com os eventos da área ecológica
de Inhotim, a instituição acabou “ficando bem na foto”, possibilitando a
aproximação de diversos profissionais de credibilidade do “Projeto”.

Depois da utilização das escrituras dos imóveis para lavar uma montanha de
dinheiro e diante da obrigatoriedade de manutenção das áreas florestais
sem qualquer valor comercial, agora querem ficar livres deste ônus,
pretendendo “doar” os mesmos para a União Federal.

Realmente os novos operadores são competentes. Porém, o velho ditado a
seguir aplica-se como uma luva: “Se o malandro realmente fosse malandro
deixaria de ser malandro por malandragem”, já que a ganância e a certeza
de impunidade levaram os novos operadores a cometerem um erro fatal.

Diante da influência de um dos grandes “investidores” no projeto Inhotim,
deputado federal Narcio Rodrigues (PSDB-MG), para muitos sócio do
governador mineiro e coincidentemente majoritário eleitoralmente no
município, conseguiu-se que o DER/MG asfaltasse um acesso a BR 040, ou
seja, a Inhotim.

A justificativa utilizada novamente é criativa e perfeita: “Acesso a
Inhotim”.

Só que, anteriormente, o deputado Narcio Rodrigues e Bernardo Paz
compraram todos os imóveis no trajeto da estrada que liga a BR 040 e, com
o novo acesso asfaltado, alcançaram um preço estratosférico, pois estará
próximo ao mega projeto imobiliário Lagoa dos Ingleses, onde encontra-se o
metro quadrado mais caro da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Para o Inhotim, os imóveis nada valem, representam apenas despesas. Como
já foram úteis para lavar dinheiro, inclusive público, agora será entregue
à União enquanto os que irão valorizar, devido ao asfaltamento com
investimento público, ficarão com Bernardo e Narcio.

O leitor neste momento certamente estará dizendo: chega. Isto já é demais.

Infelizmente não!

Os novos operadores, através de Bernardo, conseguirão indicar o secretário
de Meio Ambiente de Brumadinho, “Dr. Quintino”, para facilitar o que na
região é praticamente impossível às licenças ambientais.

Bernardo e Narcio pretendem instalar em seus imóveis um aeroporto, um
campo de golfe e um mega Resort. E pior, o terreno onde serão implantados
estes empreendimentos pertencia ao atual secretário de Meio Ambiente.
Segundo moradores da região, a venda foi aparente, o secretário e sócio de
Bernardo e Narcio.

É realmente inacreditável a certeza da impunidade, visto que o secretário
“Dr. Quintino” concederá a licença ambiental para um empreendimento que
será construído em um imóvel que anteriormente, no mínimo, era seu.

Fontes da Procuradoria da República e Polícia Federal de Minas Gerais
informam que já “observam” há algum tempo a nova Lavanderia Mineira e
prometem ações em breve.

Principais parcerias de Inhotim:

Petrobras Distribuidora

Cemig

CSN

Ferrous

Fundo Estadual de Cultura

VIVO

Votorantim

BMG

3 comentários:

duda disse...

Lavagem de dinheiro e artes que assunto novo, e olha só acontece no Brasil e só acontece nas artes ...

duda disse...

Quer pior ?? ainda tem gente que faz isso tudo aí e ainda guardam as obras num galpão monitorado 24h pela Siemenes e não estão nem aí em disponibiliza-las ao público ou então ainda tem aqueles que diponibilizam e nós sabemos bem como.

duda disse...

Aí eu te pergunto: aonde estavam os milionários paulistas/paulistanos-bovespa, aonde estavam os bancos ccbbs, bradesco de soleil, unibanco-cinema, itau-rumos ?
Aonde estavam eles quando o Museu de Houston veio e comprou a coleção Lerner ?